Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

Arquivos: março/2006

A mensagem mais horrorosa que já vi na minha vida

Por Marmota | 31/03/2006, 23h55

Não sei de quem foi a idéia, nem qual foi o primeiro cururu a enviar esse texto por e-mail. O fato é que eu não consigo segurar minha indignação toda vez que reencontro com ele. Leia até o fim e depois diga se não tenho razão.

O menino, cego de nascença, ia fazer 10 anos. Faltavam poucos dias e, à tarde, o pai do menino chega para ele e diz:

- Meu filho, mandei vir dos Estados Unidos um colírio que vai curar a sua cegueira. É um remédio maravilhoso, milagroso. Só uma gotinha em cada olho e você vai poder enxergar!

O menino ficou todo feliz e disse:
- Que bom, pai. Agora eu vou poder saber como é você, como é a mamãe, meus amigos, o azul, o feio, as meninas, as flores, tudo! Que dia o remédio chega?

- Eu te aviso. – disse o pai.

E todo dia o pai chegava do trabalho e o menino corria pra ele, aflito, batendo nos moveis, gritando:

- Chegou, papai? Chegou?

No dia 28 de março, o pai chegou em casa, aproximou- se do filho e balançou um vidrinho no ouvido dele e perguntou:

- Sabe o que é isto, filhinho?

- Sei, sei! – gritou o menino. É o colirio! É o colirio!

- Exatamente, meu filho. É o colirio.

- Que bom! – disse o menino. Agora eu vou pode ver as coisas, saber se eu pareço com você, saber a cor dos olhos da mamãe,usar meus lápis de cores, ver os pássaros, o céu, as borboletas. Vamos, papai, pinga logo este colirio nos meus olhos!

- Não. Hoje, não – disse o pai. – Mandei chamar seus avós, todos os nossos parentes; eles chegam no dia de seu aniversário, quero pingar o colirio com todo mundo aqui em sua volta…

E o menino disse meio conformado:

- É. O senhor tem razão. Quem já esperou 10 anos, espera mais uns dias. Vai ser bom. Ai eu vou poder ficar conhecendo todos os meus parentes de uma vez!

E foi dormir, mas não conseguiu. Passou a noite toda rolando na cama, pra lá, pra cá.

Quando foi no dia seguinte,dia 29 de março, cedinho, ele acordou o pai.

- Papai, pinga num olho só. Num olho só. Eu fico com ele fechado até a vovó chegar, juro!

O pai disse:

- Não. Aprenda a esperar!

- Mas, papai, eu quero ver a vida, papai. Eu quero ver as coisas.

- Tudo tem a sua hora, meu filho. No dia do seu aniversário você verá.

O menino ceguinho passou sem dormir o dia 29, o dia 30 e o dia 31. Quando foi ali pelas dez horas da noite ele chegou pro pai e disse:

- Papai, só faltam duas horas para o meu aniversário. Pinga agora, papai!!!

O pai pediu que ele esperasse a hora certa. Assim que o relógio terminasse de bater as doze badaladas, ele pingaria o colírio nos olhos do menino. E o menino esperou. À meia- noite, toda a família do garoto se reuniu no centro da sala e aguardou o final das doze badaladas.

O menino ouviu uma por uma, sofrendo. Bateram as dez, as onze e as doze!

- Agora, papai. Agora! O colírio!!!

O pai pegou o vidrinho, pingou uma gota num olho.

Outra no outro.

- Posso abrir os olhos papai?

- Ainda Não! – disse o pai. – Tem que esperar um minuto certo, senão estraga tudo.

Vamos lá: 60… 59… 58… 57…

E foi contando: 34… 33… 32…

E o menino de cabecinha erguida esperando: 26… 25… 24…

E toda a família em volta esperando! 10… 9… 8…

7… 6… 5…

4…

3…2…1…e JÁ!

O menino abriu os olhos e exclamou:

- Ué, mas eu não estou enxergando nada…

E a família toda grita:

PRIMEIRO DE ABRIL!!!

(Para você não perder a viagem, uma notícia relevante sobre o 1º de abril.)

O fenômeno JK

Por Marmota | 30/03/2006, 23h16

O ano de 2006 traz duas efemérides redondas relacionadas a Juscelino Kubitschek de Oliveira. Em 31 de janeiro de 1956, exatos 50 anos, o ex-prefeito de BH e ex-governador de MG assumiu a Presidência da República. E em 22 de agosto de 1976, exatos trinta anos, morreu em um acidente na Via Dutra, próximo a Resende, em um episódio que até hoje rende discussões conspiratórias sobre possibilidades de um assassinato premeditado.

Mas enfim. Só isso não explica essa nova onda, que resgatou a imagem de um dos nomes mais prestigiados e idolatrados da história do Brasil – isso se não for o maior. Movimento que, evidentemente, começa pela minissérie da TV Globo, exibida até semana passada.

Aliás, uma pergunta que os mesmos conspiradores do acidente poderia fazer: será que a rede que sempre viu JK com maus olhos aceitou contar sua trajetória como um pedido de desculpas? Como sou um cidadão ingênuo, prefiro acreditar que foi uma sugestão da autora, Maria Adelaide Amaral, que é uma apaixonada por história e, nas últimas vezes que a trouxe para a telinha, fez sucesso: Um Só Coração, A Casa das Sete Mulheres e A Muralha.

Aqui, um adendo: você sabia que a Maria Adelaide Amaral fez jornalismo na Cásper nos anos 50?

Mas enfim. Nosso personagem central é lembrado pelo salto de desenvolvimento da nação em seus anos dourados – resumidos em 30 metas, estradas novas, indústrias novas, usinas novas… E, sem querer, com seleção campeã, televisão crescendo, Maria Esther Bueno, bossa nova, cinema novo, Marta Rocha… Era o gigante adormecido crescendo 50 anos em cinco. Isso traz putra razão que indiretamente (???) revitalizou a imagem de Juscelino Kubitschek: as eleições presidenciais. Afinal de contas, todo candidato quer ser JK. Ou ao menos fazer o povo se sentir eufórico.

Ok, sejamos mais específicos: Juscelino remete primordialmente à transferência da capital federal para o Planalto Central. Idéia que saiu de um comício em Jataí, interior de Goiás, e começou a se transformar em 1956, quando reuniu o arquiteto Oscar Niemeyer, o urbanista Lúcio Costa, o “prefeito” Israel Pinheiro e um bocado de candangos. Do meio do nada, surgia o Plano Piloto e obras monumentais, além de ruas casas, estradas, viadutos… Processo irreversível, graças à obstinação do presidente em entregar a faixa ao seu sucessor já instalado naquele fim de mundo. Ou melhor, em Brasília, uma cidade de verdade.

Como tudo no país só funciona se for feito na última hora, JK foi esperto e marcou a data de inauguração: 21 de abril de 1960. As obras duraram três anos e seis meses, mas evidentemente tudo foi acelerado nos minutos finais. O milagre deu certo: a cidade cresceu e virou patrimônio cultural da humanidade. Tudo bem, não tem indústria nem agricultura. As favelas, que não estavam no projeto, cresceram nas cidades-satélite. Mas o que importa é que não adiantaram as pressões da época, nem mesmo a torcida para que aquilo fosse o cemitério da biografia de JK: a Capital da Esperança vingou.

Seu carisma, sua grandiosidade, sua habilidade política e seu legado estão representados na cidade não apenas em seu Memorial, erguido no início dos anos 80 pela esposa Sarah (e jamais tão visitado quanto nos meses de exibição da minissérie), mas por todo canto onde tem um edifício JK, uma ponte JK, um aeroporto JK… Não fossem as W3, L2, eixos, quadras e superquadras, teríamos, como em qualquer cidade brasileira, uma avenida JK.

Claro que ainda se discute suas ações econômicas: investiu horrores no transporte rodoviário, deixando o país morrendo de inveja da malha ferroviária de qualquer outra grande porção de terra do planeta, sem falar na emissão de mais papel-moeda para endividar o Brasil e pagar as obras superfaturadas da nova capital, que já nasceu sabendo o que é corrupção. Nem isso, no entanto, o tira o título de presidente mais idolatrado de todos os tempos. Ou você ainda acha que, daqui a algumas dezenas de anos, vai existir alguma minissérie “Lula”?

Últimos capítulos – Quando cheguei à cidade para meu passeio rápido, em 12 de março, a cidade convivia com a equipe da Globo, que preparava a gravação dos últimos episódios. Aliás, a tarde daquele domingo movimentou a Praça dos Três Poderes: um cordão de isolamento cercado por seguranças interditava a área que ia do Espaço Lúcio Costa até o Palácio do Planalto. A área próxima ao Panteão da Liberdade virou camarim de figurantes. Bem perto dali, carros antigos estavam preparados para a gravação, marcada para o fim da tarde.

Diferente de todos os transeuntes, não fiquei para ver o “felomenal” José Wilker: decidi ignorar aquilo e seguir minha caminhada pela Esplanada dos Ministérios.

Aconteceu, virou Manchete – Entre tantos livros e publicações que pegaram carona no fenômeno JK, destaque para a edição especial da Revista Manchete, que traz uma série de textos e fotos imperdíveis sobre a vida do ex-presidente. Aliás, a revista de Adolpho Bloch, criada em 1952, foi aos poucos tomando o lugar de O Cruzeiro como a mais lida revista semanal baseada em fotojornalismo. Mais do que isso: Manchete e Brasília cresceram juntas – não à toa, Adolpho Bloch era personagem representativo na minissérie.

Foram muitas edições dedicadas à JK e a cidade – a edição histórica de 21 de abril de 1960 teve tiragem de 760 mil exemplares, se esgotou em dois dias e hoje é um objeto dos mais procurados. O tempo passou, Adolpho morreu em 1995, a sua festejada emissora de TV virou RedeTV em 1999 e a editora Block faliu em 2000. Em 2002, o gaúcho Marcos Dvoskin arrematou os títulos da editora – Manchete, Manchete Rural, Pais e Filhos, Ele & Ela, Desfile, Fatos e Fotos, Amiga e Geográfica Universal.

Alguns destes nomes já estão de volta ao mercado. Outros, como é o caso da Manchete, ainda estão sustentados no Carnaval (ao lado da boa e velha Fatos e Fotos) e em seu rico material de arquivo, que já rendeu edições especiais como Ayrton Senna em 2004 e JK agora. Um trabalho muito bacana.

Tem astronauta brazuca no espaço

Por Marmota | 29/03/2006, 23h59

Diferente de todas as crianças da minha época, nunca quis ser astronauta. Achava espetacular aquela ilusão de conquistar outros mundos, viajar pelo espaço, ver meu planeta de longe… Mas talvez tivesse pés no chão suficiente para achar que essa tarefa não era das mais simples.

Felizmente, ao menos uma criança brasileira que sonhava em ser astronauta realizou seu sonho. Mas não foi moleza. Marcos César Pontes nasceu em Bauru em 11 de marco de 1963. Aos cinco anos, já desenhava foguetes e aviões nos cadernos. Seu destino não poderia ser outro: o CTA, anos após se formar em tecnologia aeronáutica. Até 1998, quando já era piloto de caça, o tenente-coronel foi selecionado para um programa da Nasa.

Desde então, até esta quarta-feira, foram treinos e mais treinos, formações específicas (recebeu oficialmente o título de astronauta da Nasa em 2000) e um bom tempo de espera. Burocracias e adiamentos sucessivos (lembrem-se que ele é BRASILEIRO) fizeram com que sua primeira viagem fosse apenas em 2006.

Mas convenhamos, se a espera valeu para quem permaneceu acordado até mais tarde só para ver o lançamento da nave russa Soyus, imagine para ele.


O primeiro astronauta, hmmm, brasileiro,
que não esqueceu do primeiro de fato. Tirado daqui.

Aliás, alem da viagem de Marcos Pontes, mais brasileiros olharam para a imensidão do céu e contemplaram a magnitude da natureza, em mais um eclipse total do sol. Mesmo se pudesse ser visto de São Paulo, veríamos no máximo os pontos de alagamento da chuva.

Ah, sim: uma pergunta que não poderia faltar: alem dos experimentos e das tranqueiras que vão na bagagem, o que (ou quem) mais o astronauta brasileiro poderia aproveitar e mandar para o espaço, mas ao contrario dele, permanecer eternamente por lá?

A… É… I… Hopi Hari vai falir!

Por Marmota | 28/03/2006, 23h51

O país mais divertido do mundo mostrou neste último domingo ter virado uma mistura de anarquia com administração do PT. Tudo bem, em quatro idas anuais com a turma ao Hopi Hari, jamais encontramos o parque tão cheio, e só isso já seria motivo suficiente para situações adversas. Mas cada um dos nativos hopenses fizeram questão de mostrar seu peculiar jeito de ser… Ser desagradável.

A turma do Nem Fu, resumida ao casal Pinguim e Naninha, Sabbath’s e a família do Márcio (a irmã Ariane e o primo Jesus), chegou ao estacionamento da bagaça pouco antes da abertura dos portões, às dez da manhã. Não faria muita diferença: não havia um canto sem aglomerações assustadoras. Ao lado da nossa caravana, um bólido batido trazia uma mensagem alentadora: “Deus é jóia, o resto é bijoteria”. Excelente.

A palhaçada era evidente antes mesmo de mostrar os ingressos. Três coitados foram escalados para revistar mochilas de todos os visitantes, tudo para seguir uma norma importantíssima: é proibida a entrada de alimentos. Além de provocar um transtorno completamente desnecessário, a medida obrigava a maioria dos consumidores a encarar o horroroso serviço e o não menos horroroso sabor dos restaurantes e seus ainda mais horrorosos preços. Jesus, que não era santo, encheu os bolsos, cueca e meias com todas as barras de cereal que podia carregar. Longe da barricada, pessoas contrabandeavam comida, jogando mochilas na grade. Parecíamos refugiados albaneses.

Lá dentro as filas tomaram conta. As pessoas nem perguntavam do que se tratava e já entravam nelas. Na primeira que a turma decidiu embarcar, o azar prosseguia: uma gordinha estranha ficou presa no brinquedo por alguns minutos, forçando uma parada técnica. A coitadinha, sem querer, dispersou a multidão que esperava por alguns segundos de divertidas chacoalhadas.

O jeito era caminhar pelo parque, em busca de esperas menos injustas. Em um dos caminhos, algumas latas de lixo mal posicionadas indicavam o que parecia um caminho interditado. Mas como havia uma brecha, e pessoas passavam por ali, seguimos o fluxo. No trajeto, nada indicava reformas ou qualquer coisa que merecesse o fechamento do caminho. Nem por isso deixamos de ouvir uma vendedora de sorvetes pouco amistosa, ralhando conosco. “Ô pessoal, vocês não estão vendo? Ta fechado aqui, não pode passar!”. Ah, sua ranheta, agora é tarde. Enfim, no decorrer do dia, alguns funcionários serviram como “guardas” da passagem, evitando a circulação. E eu perguntando: pra quê isso?

Antes do almoço, a turma do Nem Fu descobriu a boa e velha lata giratória, onde ficamos ainda mais tontos. Depois de enlouquecer perdidamente, a patota deixa o brinquedo ouvindo a pobre comandante da atração: “atenção, parada orgânica”. Parada orgânica? Tucanaram o “vomitaram”!

Finalmente, depois de passearmos em um ou dois brinquedos em três horas, decidimos passar mais duas à espera dos deliciosos lanches do Rópi Rango. Pessoalmente, acredito que eles misturam requeijão com maizena e corante para compor uma imitação bem vagabunda de “Cheddar McMelt”, e obviamente bem mais caro. Aliás, não seria muito mais vantajoso encher Hopi Hari de franquias conhecidas?

Bom seria se o problema fosse apenas esse. Decidi gastar pra valer e pedir uma sobremesa. Só tinha torta de limão, fazer o quê. Na etiqueta, o aviso: “descongelado em 18/03, consumir até 25/03”. E apesar de estar com metade dos neurônios desligados, sabia que era domingo, dia 26.

- Moça, por favor, será que você poderia conseguir uma torta dessas com uma data diferente? – perguntei, educadamente, a mocinha do restaurante. Ela pediu desculpas, entrou numa salinha e deixou minha sobremesa com alguém. Segundos depois, surgiu uma loira mal educada, certamente a gerente, gritando: “de quem é essa torta?” Levantei a mão em silêncio e peguei meu doce novo. Quer dizer, era uma torta bem parecida com a outra, mas misteriosamente, sem a etiqueta de validade.

- Moça, por favor, veja atentamente a minha testa. Está escrito “idiota” nela? O que te faz pensar que não vou acreditar na hipótese da torta ser a mesma? – perguntei, desta vez sem a mesma educação de antes. “Nãããão, meu senhor. Garanto que é outra. É que tem muitas tortas dentro do nosso refrigerador e bla bla bla bla…”. Ok, não perderia tempo brigando por causa de um doce estúpido. Comi e, se passasse mal, processaria o parque.

- Aqui pode tudo, meu – resumiu um palhaço da fila do Rio Bravo, logo depois do almoço. Tudo graças aos “caracóis” vazios para estabelecer as filas. Ao invés de fazer a volta, os nós cegos pulam tudo, inadvertidamente. E estão certos, segundo eles. Afinal, se até os nativos tratam o parque com descaso, imaginem os visitantes. Definitivamente, aquilo já foi bom: na saída do Rio Bravo, a tradicional foto da travessia não funcionava. O artigo à venda mais interessante era um porquinho bem mequetrefe. Para guardar o dinheiro ao invés de comprar passaporte pro Hopi Hari.

As horas seguintes foram salvas graças a outro brinquedo: minha mini-senha, joguinho trazido da Alemanha que foi exaustivamente usado na fila do Katapul. “Puxa, que boa idéia, Da próxima vez, vou trazer um tabuleiro de damas”, revelou um baiaba da fila. Acredito que meu artefatozinho fez sucesso mesmo fora da turma.

Mas a fila mais injusta, no fim das contas, não era a do Montezum, nem a do Vurang, montanhas-russas tradicionais mas impossíveis de se entrar. A patota decidiu encarar o Ekatomb, um troço de gente doente, que vira cambota sucessivas vezes como se estivesse rolando no ar. Ao entrar na fila, a turma observava o brinquedo girar umas três vezes. Uma hora e pouco depois, o cidadão que estava no comando decidiu girar a bagaça uma vez só. Aquilo trouxe a decepção que faltava para todos. Decisão unânime: ainda nem eram oito horas, mas não havia mais nada a fazer ali. Em tempo, dos males, o menor: ao contrário do resto do Estado, não choveu em Hopi Hari.

Curiosamente, apesar de tudo, consegui me divertir com os amigos e guardar mais uma história bacana, ainda que cheia de percalços. Enfim, como já me disseram mais de uma vez que eu reclamo demais da vida, talvez eu devesse levar isso mesmo à sério, me tornar um mal humorado crônico, ficar puto de verdade com tudo. Mas prefiro pensar que, como dessa vez não valeu, não custa nada pensar em uma segunda tentativa em 2006, mesmo sabendo que será muito difícil.

Atualizado: tem mais fotos imperdíveis no Multiply do Márcio, bem aqui.

A Copa entre Amigos

Por Marmota | 27/03/2006, 21h54

Já escrevi isso aqui, mas não custa nada repetir. No dia 14 de outubro de 2005, saí do Brasil para participar de um curso de jornalismo esportivo. A idéia da Deutsche Welle era reunir brasileiros e lusofonos africanos para tratar de temas específicos à nossa área, sem esquecer de apresentar o país que receberá o Mundial em junho. Tratava-se de algo bastante específico, que eu não fazia a menor idéia do que encontrar.

Mas logo na manhã de domingo, dia 16, já sabia que as semanas seguintes seriam de intenso aprendizado mesmo fora da sala de aula. Imaginem minha convivência intensa com dois jornalistas de São Paulo, mais dois de Porto Alegre e um de Belo Horizonte, juntos com um de Angola, outro de Cabo Verde, mais um de São Tomé e Príncipe, um de Moçambique, um de Guiné Bissau e uma heróica jornalista do Timor Leste, que tomou seu contato com a língua portuguesa de maneira bem mais tempestuosa que os demais. Acompanhados por dois professores – um de Maputo e outro do Rio, dois guias (uma brasileira e um peruano) e um coordenador meio alemão, meio gaúcho.

Foram dias de longas conversas, muitas histórias, trocas de experiências… Visitas a cidades, dentro e fora do programa do curso, estádios, jogos in loco – futebol, basquete e hóquei no gelo, num ginásio com 15 mil pessoas. Encontros em universidades, federações, confederações, museus, num barco em pleno rio Reno, e até uma feijoada brasigermânica, na casa da mais simpática moradora de Colônia.

Já não falávamos mais em um curso. Éramos uma familia espetacular, certamente uma das maiores experiências que fiz em toda minha vida. Os últimos dois dias do curso já transpiravam saudades, e o jantar jantar na casa do coordenador na quinta-feira, dia dois de novembro, praticamente materializou o conceito familiar que já estava impregnado.

O resultado desses longos dias de convivência não poderia ser outro. Em se tratando de uma emissora de rádio alemã, com profissionais ligados ao veículo, o resultado do curso foi um programa de 40 minutos, onde se falou muito sobre o Mundial 2006. O nome não poderia ser mais apropriado: A Copa entre Amigos. Trata-se de um negócio que dificilmente qualquer um de nós terá condições de fazer outra vez: doze pessoas de diferentes culturas e apenas um idioma em comum reuniram suas vozes e experiências, em uma mistura que dificilmente seria veiculada em uma emissora comercial – não só pela diversidade, mas especialmente pela presença de profissionais ligados a empresas concorrentes.

Enfim, demorei um bom tempo para disponibilizar o arquivo por aqui, mas como faltam apenas 70 dias para a Copa, e toda informação valer a pena (apesar destas serem de novembro), aqui vai. Quem tiver paciência, clique aqui com o botão direito do seu mouse e salve o arquivo em sua máquina. Ouça com calma e aproveite bem essa miscelânea de gente falando sobre o Mundial.

Obviamente vai ter gente querendo desligar o som na metade. Por razões óbvias, já ouvi umas cinquenta vezes.

Uma das grandes lições do curso: vimos muitas coisas, e dificilmente saberíamos como aplicá-las de uma só vez. O segredo é usar sua experiência na hora certa, como em qualquer momento da vida. Enfim, estive em Colônia, Berlim e Munique, cidades que estarão apinhadas de brazucas em junho, e que realmente valem uma visita. Sei que estou perdendo tempo, e que já devia ter feito isso antes, mas é questão de honra: vou registrar aqui todas as impressões que puder a respeito delas, mesmo que seja tarde.

Mais no Dialetica.org:
Creative Commons 2008 - 2012 Alguns direitos reservados • Dialetica.org utiliza WordPress 3.3.1 WordPress