Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

Arquivos: fevereiro/2006

Comandos elementares de FTP via prompt

Por Marmota | 28/02/2006, 15h49

Porto Alegre (RS) – Então você está, assim como eu, em trânsito. Longe de seu computador, num cybercafé qualquer. Por alguma razão, bateu aquela vontade de gerenciar os arquivos remotos de seu domínio próprio – subir um arquivo, deletar uma imagem… O que fazer?

Não tema: se você conseguir usar o bom e velho prompt de comando, tudo se resolve. Sim, senhor: estou falando daquela tela preta com letras cinzas que remontam ao jurássico MS-DOS, o precursor dessa encrenca cheia de janelas que conhecemos hoje e que, coincidentemente, deixou o pai da idéia milionário. Mas enfim.

Vai lá no menu iniciar e procure pelo prompt de comando (versões anteriores ao Windows 98 ainda chamam isso de “prompt do MS-DOS”). Lembra disso?

C:\>

Digite ftp e dê enter. O resultado será:

ftp>

Em seguida, digite open ftp.seusite.com (troque o ftp.seusite.com pelo seu servidor). Se der certo, você só precisa entrar com o seu usuário e senha.

Pronto! Agora basta gerenciar seu site, conhecendo alguns comandinhos básicos. A lista completa aparece ao digitar ? ou help. Os mais usados são:

binary – Para configurar e transferir arquivos tipo binário (exemplo: imagens)
ascii – Para configurar e transferir arquivos tipo ascii (texto)
dir – Exibe o conteúdo do diretório atual
cd – Mudar de diretório e navegar entre eles no servidor
delete – Apagar um arquivo no servidor
chmod – Mudança de permissão de pastas ou arquivos (mais aqui)
get – Baixar arquivo do servidor
put – Envia um arquivo ao servidor
rename – Renomeia o nome de um arquivo

Alguns deles, evidentemente, só funcionam quando informamos o arquivo correspondente à ação. Para mudar a permissão de um arquivo, por exemplo, é preciso digitar chmod 777 arquivo.html. Ou, para deletá-lo, del arquivo.html.

Com o fim da brincadeira, é só digitar close, para encerrar a conexão, e quit para voltar ao C:\>.

O melhor a fazer, no entanto é voltar logo para casa e trabalhar com o insuperável programinha de FTP, com todas as senhas e configurações devidamente instaladas para o seu total conforto. Mas enfim, certamente essas informações elementares podem ser úteis um dia.

Iuthú é pra jacu: a missão

Por Marmota | 22/02/2006, 17h40

Tudo bem, eu admito: tinha ficado muito decepcionado com toda aquela confusão para se conseguir um ingresso do U2. Decepção que certamente é a mesma de muitos fãs que sequer tiveram a chance de pensar em comprar um.

Mas em uma dessas viradas curiosas da vida, arranjei um par deles aos 47 minutos do segundo tempo. Acesso à pista, portão dois. E é como publicou a Folha no final de semana: ter ingressos após tanta movimentação exagerada transformou o show em programa obrigatório, mesmo se fosse o do Carlinhos Brown. Então fomos. Eu e a maior fã da banda que conheço – a mesma pessoa que me disse no fim, cansada mas feliz, que foi o show da vida dela. Pronto, valeu o esforço.

***

A única forma de ir de carro ao Morumbi em dia de megashow e fugir dos problemas é encostar o possante bem longe dos arredores e caminhar. Eram quase 19h30 quando deixei o Marmoturbo a uma quadra do Pão de Açúcar, numa rua residencial sossegada próxima à Francisco Morato. A patota das vantagens só apareceram na Jorge João Saad. Cerveja, coca, água, camiseta, boné, bandana, DVD pirata da banda, mouse pad (?)…

Ainda tinha cururu atrás de bilhetes: “tem ingresso sobrando eu compro!”, diziam. Já em frente ao estádio, os palhaços entravam em ação: um vendia o ingresso a R$ 500, outro a R$ 550. “Não acredito que esses caras tenham sucesso”, questionei. Pois vejam: cerca de 20 mil pessoas ficaram para fora do Morumbi durante o show. E horas depois, já na pista, ouço uma loira gordinha de olhos verdes ao celular: “consegui entrar, mas paguei R$ 600″. Ah, francamente.

Antes disso, era preciso entrar: a equipe de apoio era ágil. Três baterias checavam ingressos, e policiais militares faziam “aquela revista caprichada” (droga, podia ter entrado com cinco ou doze máquinas fotográficas sem qualquer problema). Todos diziam “bom show” com educação, até chegar a vez do educado segurança bronco.

- Aí, libera a rampa aí, faz favor…
- Um momentinho, filhão. Estou esperando a moça ali (tranquilamente).
- Filhão? Filhão??? Aí, sai logo da rampa, ô (bufante).
- Lindão, são alguns segundos no máximo. Não vou te atrapalhar, prometo (candidamente).
- (grunhidos selvagens)
- Pronto, calminha, cheguei. Vamos?

Apesar de tudo, estávamos dentro.

***

Quando Franz Ferdinand começou a tocar, fizemos uma experiência: entramos pista adentro e andamos até onde a multidão permitia. O resultado ficou dentro das expectativas: não fomos longe, ficamos apertados e enxergávamos menos ainda. Os escoceses já estavam no “Do You Want To?” (a única que eu conhecia) enquanto mudávamos de localização: migramos para um pedaço mais sossegado, à direita do palco, fora da área do gramado.

Nessa altura, o DataMarmota já trazia dados atualizados. Cururus pedindo isqueiro para acender cigarro: três. Cururu pedindo cigarro: um (e eu nem fumo). Louca perdida pedindo celular para ligar à cobrar: uma. Preço do copo de refrigerante semi-quente: quatro reais. Copo de água mineral semi-gelada: três. Hot dog que tinha até salsicha: seis. “Quer pagar menos? Vai lá fora”, ralhou um dos educados vendedores.

Pouco depois das 21h30, os refletores do Morumbi se apagaram. A trilha sonora ambiente dava lugar aos primeiros acordes de City of Blinding Lights, música do novo disco que vem abrindo os shows da turnê. Os músicos entram no palco, e Bono exibe uma jaqueta com a bandeira brasileira nas costas. De arrepiar. Na sequência, o hit Vertigo serviu para esquentar ainda mais os 70 mil espectadores e mostrar a eficiência dos telões, divididos em quatro e mostrando Bono, The Edge, Adam e Larry. Continuava de arrepiar.

***

Os fãs estavam afiados. Só Bono, Adam e as vozes da platéia começaram a terceira música, Elevation. A seguinte eu não lembrava: Until The End Of The World. Foi a primeira vez que uma estranha grua atrapalhou a imagem do show nos telões – especialmente a de Bono, que ganhou de presente uma camiseta com os dizeres “Bono for President”. O mimo gerou uma situação política curiosa: Bono inventou de agradecer, em ingês, a receptividade da família do presidente e seu novo amigo, Gilberto Gil. Uma salva de vaias para o líder ativista.

Para recuperar seu presígio perdido momentaneamente, emendou em português: “Ontem tocamos ao vivo para todo o Brasil. Hoje é nossa festinha particular”. Delírio da massa, que vibrou com New Year´s Day e I Still Haven’t Found What I’m Looking For. Em Beautiful Day, Bono substituiu alguns versos por estados brasileiros – a manifestação da massa já estava incontrolável, enquanto o telão de dez mil luzes mandou um contraste vermelho e amarelo.

Hora de esfriar um pouco. Bono e The Edge fizeram uma serenata com The First Time, e enquanto o guitarrista seguia tocando, Bono puxou uma mocinha para cima. Seu nome, Desiré, confundiu Bono: assim que ele sorriu, balbuciando alguma coisa sobre “desejo”, a mocinha o corrigiu. “Ah, your name is desire… Hmmmm…”, estranhou, antes de emendar com Desire.

De volta ao novo CD, Sometimes You Can’t Make it On Your Own. “Para o meu pai”, dedicou Bono, em português, lembrando do pai, que morreu de câncer enquanto a banda gravava o último disco. Da faixa 3 para a 4 do CD, com Love And Peace or Else, com Bono atacando de baterista. Em seguida, as inconfundíveis batidas de Larry em Sunday Bloody Sunday – coisa que senti falta em 98, quando a banda fez uma versão acústica desse grande sucesso.

***

Foi quando o telão recebeu a palavra “coexista”, com símbolos religiosos. O show começava a transmitir sua mensagem de paz e prosperidade. Em Bullet The Blue Sky, Bono vendou os olhos com uma bandana branca com a palavra “coexista”, caminhou cautelosamente até o microfone e acendeu um sinalizador dentro de uma bandeja. Confesso que essa mensagem eu não entendi.

O tom vermelho deu lugar, novamente, a tons de cinza com Miss Sarajevo. Bono fazia as vezes de Pavarotti enquanto a platéia transformava o Morumbi num céu estrelado com as luzes de seus celulares – sinal dos tempos, apesar de uns três ou nove cururus ainda usarem isqueiros. Também haviam flashes de máquinas fotográficas (droga, de novo).

Vieram as três últimas antes do bis, a começar por Pride (que todo mundo conhece como In tne Name of Love). Antes de Where the Streets Have No Name, o megatelão exibiu bandeiras de todos os países latino-americanos. Bono citou um por um, recebendo nova salva de vaias ao falar “Argentina”.

Em um novo momento “vamos mudar o mundo”, Bono apresentou sua campanha contra a miséria no mundo, fez um discurso em inglês (traduzido nos telões). Dizia que a Irlanda é um país pequeno em relação ao Brasil, mas que estavam ali encorajando o povo a formar um novo Brasil, sem pobreza. Era a vez de One, que emocionou o público.

***

Foi a primeira vez que o público mostrou que estava, definitivamente, enfeitiçado: todos, em uníssono, cantavam o “ô ô ô ô ô” do hit Vertigo, convocando-os de volta ao palco. E eles voltaram para tocar Zoo Station, com Bono trajando um quepe bem bacana. Na canção seguinte, The Fly, a melhor performance do supertelão: expressões e lacunas coloridas em inglês, espanhol e português – entre as mensagens desconexas, lia-se “letters become words become sentences become lies”.

Ao meu lado, um cururu tirava fotos incessantemente, virando motivo de chacota para os amigos. “Ei ei, já tirou foto do helicóptero?”, diziam. Aliás, graças a popularização do movimento digital (onde celulares batem fotos e envia e-mails), praticamente todos os espectadores eram produtores de conteúdo online em potencial.

Veio Mysterious Ways e uma nova mocinha subiu no palco, ficando por ali alguns minutos. Nem de longe essa moça e a Desiré superaram a incrível história da Katilce, que deixou o marido sozinho em Volta Redonda, deu um beijo no Bono e virou celebridade no Orkut. Novo exemplo de como qualquer um de nós pode interferir em nossa agenda de debates.

Todos imaginavam que o bis se encerraria com a balada With or Without You, quando Bono pulou o palco e foi se abraçar com alguns poucos sortudos que estavam perto. Veio uma pausa longa, mais “ô ô ô ô ô” e lá estavam eles de volta. Tocaram Yahweh, a última faixa do novo CD, e encerraram a noite definitivamente com All I Want Is You, para alegria definitiva da massa. Dessa vez, o “ô ô ô ô ô” não surtiu mais efeito: pouco antes da meia noite, as luzes do palco apagaram, os refletores do Morumbi acenderam e a trilha sonora ambiente estava de volta.

***

Um show desse tamanho é a típica situação onde dificilmente é possível marcar qualquer encontro – dois amigos, a Cynthia e o Sakate, também estavam na pista, mas obviamente, não nos esbarramos. Ainda assim, encontros ocasionais e surpreendentes acontecem. Durante o show do Franz Ferdinand, encontramos o Fúlvio, graças a alguns telefonemas. Enquanto ouvia Miss Sarajevo, olhei para trás e dei de cara com a Sandra, que não via desde os tempos da Federal. E a Patrícia Köhler, que trajava uma blusinha azul claro e levava um casaquinho multicolorido na cintura, passou na minha frente e sequer me cumprimentou. Que desfeita.

Aliás, aqui cabe um adendo: meus poucos amigos e conhecidos que um dia já me disseram “nossa, se um dia eu encontrar aquela pessoa na minha frente, vou me descontrolar”, tiveram uma chance de ouro de consumar o fato nessa terça-feira… Todos, sem exceção, estavam por perto.

Mas enfim. O pior momento de qualquer evento com milhares de pessoas é a saída. Afinal, os 70 mil chegaram em horários diversos, mas saíram todos ao mesmo tempo. Nesse aspecto, nada de novo: um mar de gente e carros entupindo a Jorge João Saad e seus arredores, navegando em meio a camelôs espertos e policiais militares ou mesmo à paisana infiltrados, na tentativa de inibir os mal-intencionados.

Os mais espertos, no entanto, eram os taxistas, que se aproveitavam do frágil sistema de ônibus e bolsões montado para o evento. No caminho até o Marmoturbo pela Francisco Morato, na subida entre o Shopping Butantã e o Pão de Açúcar, dezenas de motoristas faziam fila, esperando os incautos. Alguns faziam questão de escolher passageiros: só São Bernardo ou Santo André. Uma corrida até a Praça da República custava R$ 100. Cansados e com as pernas completamente esmagadas, chegamos ao Marmoturbo junto com uma garoa fina, que escolheu a melhor hora para chegar.

***

Pelo que vi, foram poucas as mudanças em relação ao show de segunda quando tocaram Stuck In a Moment You Can’t Get Out Of, e no bis, All Because of You, Original of the Species e 40, a última. As diferenças mais gritantes, no entanto, remetem aos meus poucos flashes do show de 98, quando também estive no segundo dia, o sábado, mas na arquibancada laranja. A começar pelo show de abertura, que era de Gabriel O Pensador. Só isso, além do acústico de Sunday Bloody Sunday, seriam suficientes para dizer que o espetáculo dessa terça foi infinitamente superior.

Mas mesmo quem não foi em 98 deve ter saído do Morumbi com a impressão de ter visto o melhor show de suas vidas. E cantarolando “oh, you look so beeeautifuuull… toniight!!!”.

E como pensei que não entraria com máquina, as fotos são do Reinaldo Marques, do Terra. Menos a última, que é da Folha Imagem. Droga.

Opa! Encontro com os amigos e mais um…

Por Marmota | 17/02/2006, 23h59

Marmota visita o casal Pinguim e Naninha, para celebrar mais uma vez ao lado dos amigos de sempre – Sabbath´s, Márcio, Nikki e seus agregados. Além de comer bolo, dar risada e definir o novo encontro da Turma do Nemfú no Hopi Hari, o papo se estendeu até altas horas – até chegarmos a porta do elevador:

- Vai subiiir?
- VAI DESCEEER???

Em sua segunda aparição na história do desenho, Zeca Urubu, procurado por cometer cento e duzentos assassinatos, dava de cara com o intrépido Xerife Pica Pau, que passou todo o desenho fugindo, trocando tiros e preparando armadilhas para o larápio. Entre as quais, fingir ser o bigodudo do saloon (“olha a cervejinha saiiindo!”). O diálogo acima remete à última cena, quando Zeca Urubu, derrotado, precisa tomar o último elevador da sua vida. E não foi com o anjinho de óculos, mas sim com o terrível chifrudo. (Do episódio Wild and Woody!, de 1948).

Adendo 1: Dica quentíssima do MarcosVP: vem aí uma série de colunas do Sobrecarga lembrando os desenhos do Pica Pau. Imperdível!

Adendo 2: Marque na sua agenda: a excursão da Turma do Nemfú para Hopi Hari será no dia 19 de março. Vamos?

Aventuras de um durango na Daslu

Por Marmota | 16/02/2006, 23h55

Recebi essa pérola por e-mail essa semana. O escritor Denis Cavalcante, que publica suas crônicas periodicamente no jornal O Liberal, em Belém, veio para São Paulo e fez questão de conhecer aquela lojinha simpática, cheia de gente bacana e produtos imprescindíveis, de preços módicos e procedência garantida. Bem divertido.

Sempre tive vontade de conhecer essa tal de Daslu. Já que estava em São Paulo, por que não ir? Ainda mais depois que me disseram que lá não existe nenhuma peça que custe menos de três dígitos, resolvi dar uma de São Tomé e ver para crer. A entrada já foi um problema. O segurança perguntou pelo meu carro – ou motorista. Quem já foi sabe muito bem: na Daslu – acreditem – não se entra a pé, somente motorizado. Fingi que não era comigo e entrei. Fui recepcionado por uma loira escultural com sorriso de anúncio de dentifrício, uma sósia escrita e escarrada da Ana Hickman – com direito a 1m30 de pernas, chapinha no cabelo, olho azul e muito mais.

“Where are you from?”.

“Belém do Pará”.

“I beg your pardon!”

Tava na cara que eu não era paulistano. Mas daí a me confundir com gringo, já é demais. Eu lá tenho cara de estrangeiro! Como um cão sabujo, onde eu ia, ela ia atrás. Dos milhares de itens que admirei boquiaberto, um em particular me encantou. Uma bolsa tiracolo Prada pra lá de maneira que imaginei que coubesse no meu orçamento. Ressabiado, indaguei o preço.

“Nove, apenas nove. E o senhor pode dividir de três vezes no cartão”.

“Nove o quê?”

“Nove mil…”

“Égua!”

A pequena ficou tão assustada com minha reação que cheguei a pensar que fosse chamar os seguranças. Mas não. Acho que ela sacou que daquele mato não sairia cachorro, no máximo um carrapato. Fechou a cara, deu meia-volta e sumiu. Já que estava na chuva, resolvi me molhar. Entrei num salão onde só tinha Armani. Como já estava enturmado, perguntei o preço de um “vestidinho” de festa. Adivinhem? 100.000 pilas. Tu és doido! Uma estola de zibelina? 60.000. Fico imaginando quantos bichinhos foram sacrificados para esquentar o lombo de uma madame. Um blaser Ermenegildo Zegna (isso lá é nome de grife?), 13.000. Um óculos Gucci, 4.500. Uma cuequinha básica do Valentino, 260. Com direito a ouvir essa pérola do vendedor:

“Leve logo meia dúzia, tá na promoção!”. Imaginem quanto ela custava antes. Na adega climatizada não foi diferente. Um Romaneé-Conti, safra 2000 – aquele do Lula – estava por módicos 8.000 reais. Uma garrafa de Johnnie Walker Blue, envelhecida 80 anos – uma das raras existentes no planeta, 55.000.

Fiz as contas e verifiquei que no final saí no lucro. “Charlei”, vi gente famosa, coisas bonitas, tomei mineral Badoit, capuccino, Prosecco, champanhe Taittinger, fartei-me de canapés, fois gras, blinis com caviar (não era Beluga). Sou duro, mas sei o que é bom. Até confit de canard tracei. De quebra, profiteroles e apetitosos bombons trufados. As horas passaram voando. Minha acompanhante finalmente apareceu e perguntou:

“Vamos almoçar?”

“Almoço? Estou almoçado e jantado!”

Depois de conhecer quase tudo descobri que a Daslu é uma espécie de zoológico sem grades. Só que os bichos somos nós. Eu e você. Acabado, me esparramei num confortável sofá. Enquanto esperava o resto da turma chegar, abri um livro e relaxei. Mal virei a segunda página, dois novos ricos falando alto, com mais sacolas do que mãos, sentaram ao meu lado esnobando:

“Amanhã vamos para o nosso haras em Catanduva. O réveillon será no Guarujá”.

Me deu uma raiva…

Peguei meu celular e resolvi mentir um pouco:

“Fulano, não encontrei nenhum ‘Summer’ para o réveillon. Abastece o jatinho. Partimos amanhã cedo para Paris. Essa Daslu tá um lixo!”

A cara que os dois fizeram, não tem preço.

Do jeito que o “uruguaio” imaginou, de novo

Por Marmota | 15/02/2006, 16h33

Tudo bem, você já leu ou ouviu essa história algumas mil vezes. Mas não custa nada repassá-la rapidamente. E se você nunca ouviu falar, ou jamais teve a curiosidade de perguntar, saiba que nem sempre a seleção brasileira jogou de camisa amarela, esse verdadeiro símbolo encrustado na nossa identidade nacional. Até 1953, o Brasil entrava em campo de branco. Bom, a derrota para o Uruguai em pleno Maracanã, em 1950, colocou o pobre goleiro Barbosa e a cor do uniforme como grandes culpados pelo fracasso (já posso ouvir alguns “hahaha” ao fundo).

Em 1953, o jornal carioca Correio da Manhã lançou um concurso, com o apoio da Confederação Brasileira de Desportos, para a escolha de um novo traje para o escrete nacional. Uma única exigência: as cores deviam ser as mesmas da bandeira brasileira. A notícia chegou aos ouvidos de um jovem e talentoso chargista, de 18 anos, que morava em Pelotas, Rio Grande do Sul.

Seu nome: Aldyr Garcia Schlee. Nasceu em Jaguarão, na fronteira com o Uruguai. Como ainda não havia BR 116 nos anos 30, Porto Alegre era um outro mundo se comparado ao país vizinho. Assim, conheceu o futebol através dos periódicos do país vizinho, transformando-o, ironicamente, num torcedor da Celeste Olímpica! Enfim, Aldyr Schlee mudou-se para Pelotas, onde fazia charges para o bom e velho Diário Popular e, anos mais tarde, se tornaria escritor, jornalista e professor.

Enfim. Durante três dias, testou várias combinações com as quatro cores possíveis. Achou a maioria delas um exagero, mas enfim. Um dos três desenhos que Aldyr Schlee enviou ao jornal carioca era de uma exuberante e agradável simplicidade: um atleta durante um jogo vestindo camisa amarela lisa, com alguns detalhes verdes na gola e nas mangas, calção azul com detalhes brancos, e meias brancas.

Aqui, um adendo histórico. Por pura coincidência, o uniforme bolado por Aldyr Schlee lembrava o de um dos três times da cidade: o Esporte Clube Pelotas, cujas cores são justamente o amarelo e o azul, usados respectivamente na camisa e no calção. Por isso, o Pelotas é chamado por sua torcida de áureo-cerúleo – eu, e certamente muitos aficcionados do Lobão, só conseguimos falar “celúreo”. (Sei que você não perguntou, mas os outros dois são o Brasil e o Farroupilha).

Mas voltando. O desenho foi publicado no dia 15 de dezembro de 1953 no Correio da Manhã, com o texto “Este é o novo uniforme da Seleção Brasileira”. Aldyr Schlee faturou uma graninha e um estágio no jornal carioca. Ao mesmo tempo, criou um ícone facilmente identificado em qualquer canto do planeta, graças ao caminho de conquistas que a seleção brasileira seguiu a partir dali. E nesta semana, num lampejo de bom senso do fabricante, tivemos a feliz notícia de que a camisa do Brasil na Copa será um resgate às suas origens.

Pena que vai custar 170 dinheiros.

Antes e depois da Nike – De lá pra cá, a camisa passou incólume até os anos 80, quando a Topper fez a primeira grande mudança na camisa: tascou o novo brasão azul da CBF com a tacinha Jules Rimet e um raminho de café. Foi assim até o ano do tetra, em 1994, quando a Umbro seguiu o tom carnavalesco das camisas daquela Copa: em alusão ao tricampeonato, meteu três brasões dourados sobrepostos. Eu confesso: talvez por causa da conquista do título, aquela camisa era ficou até jeitosinha.

A imagem de cima é da ZDL. A de baixo, da Reuters.
Acima, as cinco criações da Nike: falta a bola de bilhar na última. Abaixo, jogadores das oito seleções da Nike que estarão na Copa desfilam seus novos modelitos no Estádio Olímpico de Berlim. E o rosinha da Coréia continua.

Em 97, a nova parceira da seleção brasileira lançou seu primeiro uniforme, bem parecido com a versão lançada essa semana. Para o Mundial de 98, a camisa ganhou frisos verdes nos ombros e nas mangas – era bonita, também. Já os modelos que saíram a partir de 2002 deixaram até o Aldyr Schlee envergonhado. Numa atitude desleixada da Nike, todas as suas seleções foram “pasteurizadas”, com os mesmos estilos e cores alternativas – quem não torceu o nariz para o amarelo-ovo-pouchet do Brasil, o vermelho-água-no-guache da Bélgica ou o verde-de-papel-crepon da Nigéria? O cúmulo veio em 2004, quando o distintivo foi para o meio e o número, na barriga, lembrava sinalização de trânsito.

Dessa vez, todas as “seleções Nike” no Mundial terão uniformes que remetem sua história particular. Destaque para o belo vermelho escuro de Portugal – que ganhou segundo uniforme preto, como antigamente – e as curiosas meias azuis da Holanda – cujo uniforme dois, branco com duas faixas, vermelha e azul, certamente será um dos mais cobiçados.

E você, o que achou da camisa da seleção brasileira?

O vermelho alemão – Você já me viu aqui usando a camisa vermelha da Alemanha, adotada como segundo uniforme pelos anfitriões da Copa desde o final de 2004. Na Copa das Confederações, inclusive, os alemães enfrentaram o Brasil nas semifinais de vermelho. Apesar do vermelho existir na bandeira do país, a seleção tradicionalmente entra em campo com camisas brancas e calções pretos – ou, como na final de 1986, com camisas verdes e calções brancos. Em outras ocasiões, o time entrou em campo com camisa preta.

Mas para o técnico Klinsmann, que aposta não apenas em uma base mais jovem como em um estilo mais ofensivo (mesmo em um time com Ballack e mais dez), o vermelho serve para mostrar respeito e apresentar essa postura antes mesmo da bola rolar. Do jeito que seu trabalho vem sendo questionado pela torcida, técnicos e, indiretamente, pelos próprios dirigentes, o campeão do mundo em 90 vai precisar de todo o vermelho que conseguir.

Voltando ao “Canarinho” – O melhor texto que contou a história acima foi publicado em julho de 2004, pela finada Revista 10, da Conrad. A matéria, que contava a história da camisa amarela, foi assinada pelo jornalista inglês Alex Bellos, autor do livro “Futebol – o Brasil em Campo”. Que, inclusive, traz na capa os desenhos de Aldyr Schlee.

Aliás, desde o passamento da Revista 10, temo pela qualidade das revistas relacionadas ao Mundial, especialmente em ano de Copa do Mundo. A maioria delas, infelizmente, virá com o único propósito de aproveitar a ondinha e faturar uns trocados. Conteúdo? Bah.

Craques poliglotas! – Descobri essa no Satélite: o site de serviços e entretenimento da Microsoft MSN lançou recentemente uma área exclusiva sobre o Mundial, onde além de notícias você encontra blogs de jogadores que estarão em campo na Alemanha: o inglês Michael Owen, o holandês Edgar Davids, o francês Claude Makelele, o alemão (nascido no Brasil) Kevin Kuranyi, o espanhol Xabi Alonso, o goleiro italiano Buffon e do melhor jogador do mundo, Ronaldinho Gaúcho. O mais interessante: todos em português!!! Bom, também dá pra ler os comentários do craque brazuca em espanhol, em italiano, em alemão, em inglês, em francês e até em holandês! (puxa, deve ser difícil pra ele escrever o mesmo texto em tantos idiomas, né?) :-D

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