terça-feira, 29 de novembro de 2005

Jingle Bell, jingle bell, jingle bell rock…

Vamos compartilhar, pelo quarto ano seguido, toda sorte de assuntos e bobagens relativos a essa época que compreende as primeiras luzes natalinas nas ruas e avenidas até o término da Corrida de São Silvestre. Começamos com a musiquinha que promete ser a mais insuportável deste Natal, graças ao insistente comercial da Claro.

Nele, o personagem “Chipinho”, vestido de Papai Noel, puxa um celular novo pelo telhado, desce com ele pela chaminé e, a caminho da árvore, é perseguido por um cachorro e atrapalhado pelas luzes de Natal. Assim que deixa o presente, o chip é flagrado por uma adorável menininha, que se surpreende e grita: “eu vi, eu vi!”. A irmã mais velha aparece questionando-a, no mesmo segundo que o pequeno personagem animado pede sigilo. A resposta da menininha é um despiste: “o Papai Noel, ora. Quem você pensou que fosse? O chipinho da Claro? Dããããrr…”.

Toda a ação se passa com um clássico natalino como pano de fundo: Jingle Bell Rock, cuja primeira gravação data de 1957, com Bobby Helms (obrigado, Google!). O fato é que, em pouco mais de uma semana no ar, eu já não suporto mais o “Jingle bell, jingle bell, jingle bell rock…”. Mas enfim, segue a letra.

Jingle bell, jingle bell, jingle bell rock
Jingle bells swing and jingle bells ring
Snowing and blowing up bushels of fun
Now the jingle hop has begun

Jingle bell, jingle bell, jingle bell rock
Jingle bells chime in jingle bell time
Dancing and prancing in Jingle Bell Square
In the frosty air

What a bright time, it’s the right time
To rock the night away
Jingle bell time is a swell time
To go gliding in a one-horse sleigh
Giddy-up jingle horse, pick up your feet
Jingle around the clock
Mix and a-mingle in the jingling feet
That’s the jingle bell,
That’s the jingle bell,
That’s the jingle bell rock

Observação do tipo “como é bom ver a banda larga popularizar arquivos de vídeo via web”: o site da FNazca, agência criadora da campanha, disponibiliza o comercial para download.

segunda-feira, 28 de novembro de 2005

Belém Belém, só na viagem que vem

Vamos começar, finalmente, nossos relatos estruturados sobre minhas novas aventuras em terras germânicas! Começando por uma cidade diferente, com muita história para contar, gente bastante simpática – e melhor, que nos entende! Sim, senhoras e senhores, nossa viagem pela Alemanha começa por… LISBOA!!!

Ora pois, não estou a errar de país, o pá. Foi melhor encarar uma alfândega em português ao invés de entrar na Europa pela Alemanha, e ser obrigado a falar em bratwurst mit kartoffeln com a imigração. Não fosse nossa proximidade cultural, jamais teria a chance de bater um papo com o guardinha, que pediu para abrir a mala logo na entrada.

- Tu és brasileiro?
- Sim, sim, e adoro Portugal. Pena que vou passar a maior parte do tempo na Alemanha, fazendo um curso de jornalismo esportivo.
- Sport o que? Mas não sabia que o Sporting ia para a Alemanha…
- Ah, perdão. Quis dizer “desportivo”, é que no Brasil usamos “esporte” ao invés de “desporto”. E não sou muito fã do Sporting, prefiro o Benfica, que é mais popular…
- O quê??? Tu és benfiquista??? Ah, siga, siga – disse o guarda, sem que eu tivesse aberto o cadeado da mala. Então tá.

Outra vantagem do aeroporto de Lisboa é a sua proximidade com o centro – em poucos minutos, e com no máximo 15 euros, é possível chegar à região central. Nas poucas horas que tinha disponível na ida, deu tempo de sobra para me divertir na Fnac dos Armazéns do Chiado, além de uma nova circulada pelos arredores da Rua Augusta e da Praça do Comércio – onde fui abordado pelo menos cinco vezes por um bando de pesquisadores-empurradores-de-empréstimo-ou-curso-de-inglês. Dos mais grudentos: num relance, observei o esforço de uma Dona Maria ao tentar afastar, irritadíssima e sem sucesso, um dos cidadãos. Nas últimas, não deixei o sujeito se apresentar: “oi, não sou português, e já me fizeram essa pergunta cinquenta vezes hoje”.

Mas foi na viagem de volta, quando tive a feliz idéia de trocar a passagem e aproveitar um dia inteiro na capital portuguesa, que finalmente corrigi uma das maiores frustrações do passeio anterior: como diria Jardel, conhecer Belém, a terra onde Jesus nasceu. Finalmente pude ver bem de perto a famosa torre, o Padrão dos Descobrimentos (ou “achamentos”, como foi com Pedro Álvares Cabral) e o imponente Mosteiro dos Jerônimos. Outras duas atrações complementam o passeio: o Centro Cultural e o Museu da Marinha.

No fundo, nada disso importava. O mais importante era saborear o famoso pastel de Belém – o único que pode ser chamado assim em todo o globo terrestre. Com algumas moedinhas, pedi três dessas iguarias e um frisumo de ananás (refrigerante de abacaxi), antes de pegar o elétrico número 15 e voltar ao centro de Lisboa.

Enfim, fazer tudo isso sozinho é estranho, mas ao mesmo tempo relaxante. Precisava mesmo de um dia inteiro comigo mesmo, longe de qualquer coisa que pudesse lembrar minha rotina diária. E ao sair de Belém, fiz de tudo para seguir nessa linha: caminhei como nunca pelo centro de Lisboa, até chegar a um rico mirante, o Miradouro de São Pedro de Alcântara. Como a noite chega mais cedo no hemisfério norte nessa época do ano, corri para o parque próximo à Marquês de Pombal para contemplar o pôr-do-sol.

Já no escuro, decidi passear num shopping – ou Centro Comercial. O Colombo, que fica ao lado do Estádio da Luz, é um dos maiores – e certamente um dos mais bacanas. Deu tempo de passear por todas as lojas, jantar e pegar um cineminha: Na Sua Pele, com Cameron Diaz, Toni Collette e Shirley McLane – filme que estréia nessa semana por aqui com o nome “Em Seu Lugar”. Depois de uma última caminhada, ainda tive que reorganizar a bagagem enquanto assistia à Globo portuguesa para, finalmente, chegar em casa. E com o mesmo discurso: Belém Belém, quem sabe eu volte na viagem que vem.

Andei pouco de taxi na capital portuguesa. Mas em uma das ocasições, o motorista perguntou: “e o Lula, safa-se?”. Disse a ele que dificilmente seria reeleito, pois o povo andava meio descontente com a política em geral, já que a esquerda mostrou ser exatamente como a direita. “Pois aqui é a mesma coisa, e há muito tempo”, reclamava o motorista, indeciso quanto as eleições presidenciais em Portugal – que acontecem em 22 de janeiro.

Um episódio inusitado pouco antes do embarque para a Alemanha: ao sair de casa, me dei conta que não tinha pego um acessório importantíssimo: meu cinto. E estava fazendo falta. Dentro das poucas horas que dispunha, tratei de comprar um – sem sequer me preocupar com o preço. Minutos antes do embarque, entro num banheiro do aeroporto, tiro o cinto da embalagem, visto, jogo a embalagem fora… Sem descuidar a bagagem de mão. Ao passar pelo detector de metais, o inspetor emendou: “tire o cinto, por favor”. Fiadaputa!

No próximo episódio, finalmente um pouco de Alemanha: um passeio pelos arredores de Bonn, praticamente a “minha casa” durante um mês. Aguarrdemm!

domingo, 20 de novembro de 2005

Correm os anos, surge o amanhã radioso de luz…

Tinha três meses de gestação quando o destino decidiu que eu seria torcedor do Internacional. Nessa época, meus pais seguiam nômades pelo interior de São Paulo, graças a expansão do sistema de telefonia no estado – que dependia da mão de obra qualificada do meu pai e outros técnicos em telecomunicações. Comemorariam um ano de matrimônio no dia 24 de dezembro de 1976. Longe do sul do Brasil, mas na expectativa do nascimento de seu primeiro filho.

Mas os primeiros fogos de artifício foram lançados já no dia 12 de dezembro daquele ano. Naquela tarde, o Colorado recebeu o Corinthians, no Beira-Rio, em jogo único. O time de Rubens Minelli sufocou o alvinegro paulista durante praticamente todo o jogo, e foi recompensado aos 29 do primeiro tempo, quando Dadá fez o primeiro de cabeça, após cobrança de falta de Valdomiro. O mesmo Valdomiro, também de bola parada, fez o gol do título, aos 12 do segundo tempo. Um lance polêmico: José Roberto Wright titubeou antes de validar o placar, o que provocou a revolta dos corintianos. Já era tarde: o Inter de Figueroa, Falcão e cia. era bicampeão brasileiro.

Meu pai devia ser o único colorado naquelas bandas. Pior: devia ser o único que desconhecia o fanatismo da torcida corintiana. Natural para quem passou mais de vinte anos entre a zona rural e uma pequena, mas próspera, cidade do interior gaúcho. Naquela noite, sua paixão pelas coisas de sua terra falou mais alto: pegou minha mãe grávida e uma bandeira do Inter, e saiu com sua Brasília branca buzinando pelas ruas aos gritos de “é campeão”.

Guarde todos os seus julgamentos de valor para você. Saiba apenas que, boa parte deles, já foram ditos em casa nesses últimos anos. Partimos para o desfecho: ao passar por um barzinho vagabundo, os corintianos não perdoaram: atiraram garrafas, copos, pedras, cadeiras… Meu pai teve alguns ferimentos leves, e por alguma obra divina, minha mãe escapou ilesa. Um mínimo detalhe poderia simplesmente representar a ausência destas linhas aqui.

Traduzindo: por pouco, os corintianos não tiram a minha vida. E por essa razão, já sabia desde criança pra qual time jamais iria torcer na vida. Ao mesmo tempo, mesmo à distância, fui alimentando minha admiração pelo Colorado. Sentimento que, pelo menos nessa reta final de Brasileirão, congrega palmeirenses, são-paulinos… Enfim, todos aqueles que também querem ver a desgraça do Corinthians – nunca esse time teve tanta torcida.

E independente da posição em que terminar o Campeonato, eu só tenho a agradecer. Fazia tempo que não sorria tanto graças ao meu time do coração. Obrigado, Inter!

***

Quanto ao jogo deste domingo, todo o país viu o placar: Márcio Resende de Freitas 1 x 0 Internacional. Expulsar o Tinga e não marcar um pênalti claríssimo são atos típicos desse cidadão, que repetiu a dose no mesmo estádio após a final do Brasileirão em 95. Muitos podem dizer que não vai ser esse lance que vai tirar o título do Inter. Uns vão lembrar de atuações pífias, como a derrota para o Paraná em Cascavel (ou seja, em casa). Outros vão contar os quatro pontos a mais que o Corinthians embolsou graças ao Edílson Pereira de Carvalho. Mas que fomos roubados descaradamente, isso fomos. Enfim, ainda restam duas rodadas, e não tá morto quem peleia.

***

Enquanto isso, nos sábados de super-rodada da Bundesliga, torcidas diversas compartilham o mesmo espaço, especialmente nas estações de trem e nos vagões dos comboios regionais. Todos devidamente paramentados – camisas, chapéus, cachecóis e muita cerveja. Muitas vezes em grupos. E todos convivem pacificamente – cantam e fazem brincadeiras, claro, mas sem esquecer o respeito. Infelizmente meu conformismo é tão grande que, diante daquilo, fiquei muito surpreso (por algo que devia ser normal). E lamentei, pois nem eu nem as próximas três ou nove gerações verão algo assim no meu país.

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