Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

Arquivos: novembro/2005

Jingle Bell, jingle bell, jingle bell rock…

Por Marmota | 29/11/2005, 22h26

Vamos compartilhar, pelo quarto ano seguido, toda sorte de assuntos e bobagens relativos a essa época que compreende as primeiras luzes natalinas nas ruas e avenidas até o término da Corrida de São Silvestre. Começamos com a musiquinha que promete ser a mais insuportável deste Natal, graças ao insistente comercial da Claro.

Nele, o personagem “Chipinho”, vestido de Papai Noel, puxa um celular novo pelo telhado, desce com ele pela chaminé e, a caminho da árvore, é perseguido por um cachorro e atrapalhado pelas luzes de Natal. Assim que deixa o presente, o chip é flagrado por uma adorável menininha, que se surpreende e grita: “eu vi, eu vi!”. A irmã mais velha aparece questionando-a, no mesmo segundo que o pequeno personagem animado pede sigilo. A resposta da menininha é um despiste: “o Papai Noel, ora. Quem você pensou que fosse? O chipinho da Claro? Dããããrr…”.

Toda a ação se passa com um clássico natalino como pano de fundo: Jingle Bell Rock, cuja primeira gravação data de 1957, com Bobby Helms (obrigado, Google!). O fato é que, em pouco mais de uma semana no ar, eu já não suporto mais o “Jingle bell, jingle bell, jingle bell rock…”. Mas enfim, segue a letra.

Jingle bell, jingle bell, jingle bell rock
Jingle bells swing and jingle bells ring
Snowing and blowing up bushels of fun
Now the jingle hop has begun

Jingle bell, jingle bell, jingle bell rock
Jingle bells chime in jingle bell time
Dancing and prancing in Jingle Bell Square
In the frosty air

What a bright time, it’s the right time
To rock the night away
Jingle bell time is a swell time
To go gliding in a one-horse sleigh
Giddy-up jingle horse, pick up your feet
Jingle around the clock
Mix and a-mingle in the jingling feet
That’s the jingle bell,
That’s the jingle bell,
That’s the jingle bell rock

Observação do tipo “como é bom ver a banda larga popularizar arquivos de vídeo via web”: o site da FNazca, agência criadora da campanha, disponibiliza o comercial para download.

Belém Belém, só na viagem que vem

Por Marmota | 28/11/2005, 12h30

Vamos começar, finalmente, nossos relatos estruturados sobre minhas novas aventuras em terras germânicas! Começando por uma cidade diferente, com muita história para contar, gente bastante simpática – e melhor, que nos entende! Sim, senhoras e senhores, nossa viagem pela Alemanha começa por… LISBOA!!!

Ora pois, não estou a errar de país, o pá. Foi melhor encarar uma alfândega em português ao invés de entrar na Europa pela Alemanha, e ser obrigado a falar em bratwurst mit kartoffeln com a imigração. Não fosse nossa proximidade cultural, jamais teria a chance de bater um papo com o guardinha, que pediu para abrir a mala logo na entrada.

- Tu és brasileiro?
- Sim, sim, e adoro Portugal. Pena que vou passar a maior parte do tempo na Alemanha, fazendo um curso de jornalismo esportivo.
- Sport o que? Mas não sabia que o Sporting ia para a Alemanha…
- Ah, perdão. Quis dizer “desportivo”, é que no Brasil usamos “esporte” ao invés de “desporto”. E não sou muito fã do Sporting, prefiro o Benfica, que é mais popular…
- O quê??? Tu és benfiquista??? Ah, siga, siga – disse o guarda, sem que eu tivesse aberto o cadeado da mala. Então tá.

Outra vantagem do aeroporto de Lisboa é a sua proximidade com o centro – em poucos minutos, e com no máximo 15 euros, é possível chegar à região central. Nas poucas horas que tinha disponível na ida, deu tempo de sobra para me divertir na Fnac dos Armazéns do Chiado, além de uma nova circulada pelos arredores da Rua Augusta e da Praça do Comércio – onde fui abordado pelo menos cinco vezes por um bando de pesquisadores-empurradores-de-empréstimo-ou-curso-de-inglês. Dos mais grudentos: num relance, observei o esforço de uma Dona Maria ao tentar afastar, irritadíssima e sem sucesso, um dos cidadãos. Nas últimas, não deixei o sujeito se apresentar: “oi, não sou português, e já me fizeram essa pergunta cinquenta vezes hoje”.

Mas foi na viagem de volta, quando tive a feliz idéia de trocar a passagem e aproveitar um dia inteiro na capital portuguesa, que finalmente corrigi uma das maiores frustrações do passeio anterior: como diria Jardel, conhecer Belém, a terra onde Jesus nasceu. Finalmente pude ver bem de perto a famosa torre, o Padrão dos Descobrimentos (ou “achamentos”, como foi com Pedro Álvares Cabral) e o imponente Mosteiro dos Jerônimos. Outras duas atrações complementam o passeio: o Centro Cultural e o Museu da Marinha.

No fundo, nada disso importava. O mais importante era saborear o famoso pastel de Belém – o único que pode ser chamado assim em todo o globo terrestre. Com algumas moedinhas, pedi três dessas iguarias e um frisumo de ananás (refrigerante de abacaxi), antes de pegar o elétrico número 15 e voltar ao centro de Lisboa.

Enfim, fazer tudo isso sozinho é estranho, mas ao mesmo tempo relaxante. Precisava mesmo de um dia inteiro comigo mesmo, longe de qualquer coisa que pudesse lembrar minha rotina diária. E ao sair de Belém, fiz de tudo para seguir nessa linha: caminhei como nunca pelo centro de Lisboa, até chegar a um rico mirante, o Miradouro de São Pedro de Alcântara. Como a noite chega mais cedo no hemisfério norte nessa época do ano, corri para o parque próximo à Marquês de Pombal para contemplar o pôr-do-sol.

Já no escuro, decidi passear num shopping – ou Centro Comercial. O Colombo, que fica ao lado do Estádio da Luz, é um dos maiores – e certamente um dos mais bacanas. Deu tempo de passear por todas as lojas, jantar e pegar um cineminha: Na Sua Pele, com Cameron Diaz, Toni Collette e Shirley McLane – filme que estréia nessa semana por aqui com o nome “Em Seu Lugar”. Depois de uma última caminhada, ainda tive que reorganizar a bagagem enquanto assistia à Globo portuguesa para, finalmente, chegar em casa. E com o mesmo discurso: Belém Belém, quem sabe eu volte na viagem que vem.

Andei pouco de taxi na capital portuguesa. Mas em uma das ocasições, o motorista perguntou: “e o Lula, safa-se?”. Disse a ele que dificilmente seria reeleito, pois o povo andava meio descontente com a política em geral, já que a esquerda mostrou ser exatamente como a direita. “Pois aqui é a mesma coisa, e há muito tempo”, reclamava o motorista, indeciso quanto as eleições presidenciais em Portugal – que acontecem em 22 de janeiro.

Um episódio inusitado pouco antes do embarque para a Alemanha: ao sair de casa, me dei conta que não tinha pego um acessório importantíssimo: meu cinto. E estava fazendo falta. Dentro das poucas horas que dispunha, tratei de comprar um – sem sequer me preocupar com o preço. Minutos antes do embarque, entro num banheiro do aeroporto, tiro o cinto da embalagem, visto, jogo a embalagem fora… Sem descuidar a bagagem de mão. Ao passar pelo detector de metais, o inspetor emendou: “tire o cinto, por favor”. Fiadaputa!

No próximo episódio, finalmente um pouco de Alemanha: um passeio pelos arredores de Bonn, praticamente a “minha casa” durante um mês. Aguarrdemm!

Correm os anos, surge o amanhã radioso de luz…

Por Marmota | 20/11/2005, 18h18

Tinha três meses de gestação quando o destino decidiu que eu seria torcedor do Internacional. Nessa época, meus pais seguiam nômades pelo interior de São Paulo, graças a expansão do sistema de telefonia no estado – que dependia da mão de obra qualificada do meu pai e outros técnicos em telecomunicações. Comemorariam um ano de matrimônio no dia 24 de dezembro de 1976. Longe do sul do Brasil, mas na expectativa do nascimento de seu primeiro filho.

Mas os primeiros fogos de artifício foram lançados já no dia 12 de dezembro daquele ano. Naquela tarde, o Colorado recebeu o Corinthians, no Beira-Rio, em jogo único. O time de Rubens Minelli sufocou o alvinegro paulista durante praticamente todo o jogo, e foi recompensado aos 29 do primeiro tempo, quando Dadá fez o primeiro de cabeça, após cobrança de falta de Valdomiro. O mesmo Valdomiro, também de bola parada, fez o gol do título, aos 12 do segundo tempo. Um lance polêmico: José Roberto Wright titubeou antes de validar o placar, o que provocou a revolta dos corintianos. Já era tarde: o Inter de Figueroa, Falcão e cia. era bicampeão brasileiro.

Meu pai devia ser o único colorado naquelas bandas. Pior: devia ser o único que desconhecia o fanatismo da torcida corintiana. Natural para quem passou mais de vinte anos entre a zona rural e uma pequena, mas próspera, cidade do interior gaúcho. Naquela noite, sua paixão pelas coisas de sua terra falou mais alto: pegou minha mãe grávida e uma bandeira do Inter, e saiu com sua Brasília branca buzinando pelas ruas aos gritos de “é campeão”.

Guarde todos os seus julgamentos de valor para você. Saiba apenas que, boa parte deles, já foram ditos em casa nesses últimos anos. Partimos para o desfecho: ao passar por um barzinho vagabundo, os corintianos não perdoaram: atiraram garrafas, copos, pedras, cadeiras… Meu pai teve alguns ferimentos leves, e por alguma obra divina, minha mãe escapou ilesa. Um mínimo detalhe poderia simplesmente representar a ausência destas linhas aqui.

Traduzindo: por pouco, os corintianos não tiram a minha vida. E por essa razão, já sabia desde criança pra qual time jamais iria torcer na vida. Ao mesmo tempo, mesmo à distância, fui alimentando minha admiração pelo Colorado. Sentimento que, pelo menos nessa reta final de Brasileirão, congrega palmeirenses, são-paulinos… Enfim, todos aqueles que também querem ver a desgraça do Corinthians – nunca esse time teve tanta torcida.

E independente da posição em que terminar o Campeonato, eu só tenho a agradecer. Fazia tempo que não sorria tanto graças ao meu time do coração. Obrigado, Inter!

***

Quanto ao jogo deste domingo, todo o país viu o placar: Márcio Resende de Freitas 1 x 0 Internacional. Expulsar o Tinga e não marcar um pênalti claríssimo são atos típicos desse cidadão, que repetiu a dose no mesmo estádio após a final do Brasileirão em 95. Muitos podem dizer que não vai ser esse lance que vai tirar o título do Inter. Uns vão lembrar de atuações pífias, como a derrota para o Paraná em Cascavel (ou seja, em casa). Outros vão contar os quatro pontos a mais que o Corinthians embolsou graças ao Edílson Pereira de Carvalho. Mas que fomos roubados descaradamente, isso fomos. Enfim, ainda restam duas rodadas, e não tá morto quem peleia.

***

Enquanto isso, nos sábados de super-rodada da Bundesliga, torcidas diversas compartilham o mesmo espaço, especialmente nas estações de trem e nos vagões dos comboios regionais. Todos devidamente paramentados – camisas, chapéus, cachecóis e muita cerveja. Muitas vezes em grupos. E todos convivem pacificamente – cantam e fazem brincadeiras, claro, mas sem esquecer o respeito. Infelizmente meu conformismo é tão grande que, diante daquilo, fiquei muito surpreso (por algo que devia ser normal). E lamentei, pois nem eu nem as próximas três ou nove gerações verão algo assim no meu país.

Bad guys goes to Amsterdam

Por Marmota | 11/11/2005, 15h38

Munique (Alemanha) – A ideia surgiu logo no primeiro dia de curso, durante o passeio no Reno: por que nao um bate-volta em alguma cidade proxima? Afinal de contas, nao e todo dia que se pode viajar para a Alemanha, vai saber quando outra chance dessas vira outra vez. O destino escolhido foi a lendaria Amsterda, na Holanda, a 300km ao noroeste de Bonn.

Tudo conspirava a favor. A Deutsche Bahn estava com uma promocao praticamente imperdivel: passagens de trem para Amsterda a partir de 19 euros. Infelizmente, deixamos para bater o martelo tarde demais: quando finalmente decidimos avaliar passagens e trajeto, percebemos que a relacao custo/beneficio nao seria viavel.

O que fazer? “Por que nao alugamos um carro?”, pensou o Patrick, um dos meus companheiros desse curso inesquecivel. Experiencia ele tinha: em outra ocasiao, andou pela Franca ao lado de um amigo. Com uma vantagem: para alugar um carro, nao e preciso a carteira internacional de habilitacao, basta a do meu pais. Felizmente, depois do episodio da esfinge, estava com ela em dia – e comigo!

Entao fechou. Domingo, 30 de outubro, quatro pessoas estavamna Avis, no centro de Bonn, por volta das nove da manha, munidos de uma reserva para um WV Polo. O esforcado atendente nao localizou nosso pedido, por isso nos ofereceu um Opel Astra no mesmo valor. Tramites realizados em um ingles bem tosco e, finalmente, pegamos a estrada. Passamos por Köln, depois Aachen ate a fronteira com a Holanda – onde ninguem pergunta quem somos ou o que fazemos. Muitas obras por conta da Copa em todo o trajeto.

Ja na Holanda, seguimos por Eindhoven e Utrecht, ate finalmente avistarmos o estadio do Ajax, onde paramos o carro – antes mesmo de conhecer, sabiamos que transitar pelo centro de Amsterda nao era uma boa ideia. De cara, a primeira decepcao: chegamos quinze minutos apos o inicio do tour, e nao teve “jeitinho brasileiro” para acompanhar o grupo.

Dali sobrou tempo para entrar no Museu Van Gogh e, ja sem sol, por volta das cinco da tarde, caminhar pelos arredores da lendaria Red Light District, com os tradicionais “cafes marola” e vitrines repletas de mocas em todas as cores, tipos e tamanhos. Nitidamente a oferta depende da demanda: naquele inicio da noite de domingo, muitas barangas nas vitrines. Poucas, diga-se, com cara de holandesa.

Mais tres horas para voltar e, por volta da meia-noite, estavamos em nossa base em Bad Godesberg. Nesse caminho, a constatacao de que as estradas na holanda, alem de bem sinalizadas, sao perfeitamente iluminadas, com postes e lampadas vapor de sodio em toda a extensao. Coisa que nao acontece na Alemanha. Para abastecer o Astra a diesel, outra diferenca: o sistema self-service. Enfim, um daqueles dias para entrar definitivamente para a historia.

Alias, desde o inicio do mes, a Alemanha e outros paises da volta estao adotando o Horario de Inverno, com relogios atrasados por uma hora. Curiosamente, a troca e feita as tres da manha, voltando o relogio para as duas – trata-se do horario com menos voos e trens no pais. Isso significa que, gracas ao horario de verao no Brasil, a diferenca entre os dois paises é de apenas tres horas.

Amsterda tem tudo aquilo que voce ja ouviu falar algum dia, tanto que e muito facil esbarrar com brazucas. No entanto, a maioria que vem apenas para “viver a lenda” sequer percebe o quanto o lado negro e enfumacado da cidade e sujo e degradado. Turistas e entusiastas do “vamo come e fuma” se misturam com toda sorte de gente, especialmente nos canais que formam o Red Light District.

Lembram quando dizia que a minha lua de mel vai ser em Veneza? Mudei de ideia. Vamos para Amsterda. Se bem que, pensando bem, e como se eu tivesse 18 anos e convidasse a namoradinha para um passeio romantico em Porto Seguro… Ok, vamos deixar Veneza como alternativa 1. Sem falar que o titulo deste post vem inspirado em uma camiseta popular em qualquer loja de souvenirs: good guys go to heaven; bad guys go to Amsterdam. É a lenda vendida em todas as esquinas.

Pra nao dizer que nao falei no Lello, que me acompanha nessa aventura desde sexta-feira, quando nos encontramos justamente em Amsterda: ele passou o fim de semana inteiro atras de um Cafe Marola, e so conseguiu entrar num no ultimo dia, gracas a indicacao: temos internet. Era so o que faltava: uma web-marola! Fora isso, assistimos a Wallace & Gromit num megacinema holandes, e alem disso comemos muita panqueca num simpatico bar de esportes na agitada Leidseplain. Alias, o trio de garconetes daquele domingo entraria em qualquer podio.

Berlim merece historias a parte, especialmente apos uma semana ao lado do Danilo e da Natalia; os traslados de Potsdam ate Zoologischer Garten, o “centro magnetico” daquela cidade; os inicios de noite na Potsdamer Platz – que, durante o inverno, recebe a Winterwelt, uma feirinha tipica com direito a toboga de gelo. Sem falar na noite de quarta-feira em um apartamento que mais parecia a torre de Babel. Mais detalhes qualquer hora dessas.

Falamos direto de mais um Easy Internet Cafe, desta vez em Munique, cidade conhecida pela sua Oktoberfest e, recentemente, pelo novissimo Allianz Arena, o mais caro entre os estadios construidos para a Copa do Mundo. Para quem anda sentindo falta da dupla Marmota e Lello, relaxem: esta sera a ultima parada antes da volta. Aguarrdemm!

Como a sua vida pode mudar

Por Marmota | 07/11/2005, 13h20

Berlim (Alemanha) – Qualquer dia desses relembro aqui a historia do meu pai, que saiu do Rio Grande do Sul para trabalhar como tecnico em eletronica e so conseguiu se estabelecer em Sao Paulo. Outro personagem dessa aventura foi um colega de sala, que acabou virando uma especie de “irmao” do meu pai – e, anos mais tarde, meu padrinho de batismo. Por essas e outras, sempre considerei o filho mais velho dele, o Danilo, como um primo.

Nos viamos pouco, mas era sempre uma festa quando as duas familias se juntavam. Em muitas vezes, a tradicional viagem de fim de ano ao Rio Grande era em “caravana”: a minha familia e a dele. Dividimos outras historias, como um Carnaval acampado em Juquitiba e um bate-volta no Chui, extremo sul do Brasil.

Danilo fez o curso tecnico de processamento de dados no colegial, e dividia comigo todo tipo de novidades no ramo da informatica – chegamos a disputar uma partida de Civilization via modem. Foi um dos primeiros a conectar uma camera de video VHS em uma plaquinha de captura e brincar com um software novo para a epoca, o Premiere. Isso foi no inicio dos anos 90. Desde que entrei na faculdade, gracas a essas injusticas da vida, tive pouco contato com esse grande amigo.

Evidentemente, sempre tinha noticias. Encarei com extrema surpresa quando soube que ele havia se mudado para Vicosa e ingressado na faculdade de agronomia. Sempre o via como um sujeito extremamente urbano (como eu), o que seria um desafio e tanto nessa nova area. Pois ele nao so se formou engenheiro agronomo como, gracas a essa guinada na vida, conseguiu uma bolsa de estudos aqui na Alemanha.

Antes de viajar para o Velho Continente, casou-se com a Natalia em Vicosa – meus pais foram a festa, so nao pude ir gracas aos plantoes de final de semana – e agora vive em Potsdam, cidade historica distante 30km do centro de Berlim. Evidentemente, nao podia deixar escapar a chance: com o final do curso, e hora de dar um grande abraco e matar saudades dessa grande figura! E de quebra, voltar a capital alema e concluir o passeio que fiz esses dias.

Quando deixei o Brasil, tinha em mente um curso de jornalismo esportivo para brasileiros e lusofonos africanos, algo bastante especifico. Acabamos indo bem alem, criando uma familia espetacular – e que sentiu muito no dia do adeus. Teve ate jantar na casa do coordenador, algo impensavel em qualquer curso (ainda mais na Alemanha). Posso dizer, sem medo de errar, que esta entre as maiores experiencias que fiz em toda minha vida.

Outras coisas que vou sentir falta: a catedral de Colonia, os arredores de Bad Godesberg, a Internet do Saddam, a voz da moca dos trens de Bonn indicando a estacao e a direcao da saida, o cafe da manha e o meu espacinho no quarto 217 do Insel Hotel, os jantares no delicioso Bago Bistro, as aulas no predio da Deutsche Welle e fora dele, os jantares … Sem falar nas pessoas que eu nao conhecia, mas que se transformaram em velhos amigos. Ao menos dois vivem em Sao Paulo, e mais dois em Porto Alegre, exatamente as minhas “duas cidades” no Brasil.

Pergunta estupida que nao quer calar: por que na Alemanha todos os banheiros de locais publicos, como restaurantes, hoteis ou estacoes de trem, ficam abaixo do nivel do solo?

E no proximo programa, o dia que fui dirigindo um Astra entre Bonn e Amsterdam. Nao deixe de perder.

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