quarta-feira, 31 de agosto de 2005

Quando é o dia internacional do blog?

Você sabia que existe um BlogDay? E que esse “dia mundial dos blogs” é hoje? Logo, parabéns. Vamos comemorar. Êêêêêê.

A data, pelo que consta no wiki oficial da idéia, não tem uma origem bem definida. Mais do que isso: nunca foi comemorada antes. Trata-se simplesmente de uma idéia bacana, criada pelo israelense Nir Ofir. É um convite para que os blogueiros incentivem seus visitantes a conhecerem novas paragens. “Estou sugerindo esta atividade porque nos últimos meses eu senti que, a medida em que surgem mais blogs, perco menos tempo com eles. Com o excesso de informações, visito apenas meu blog favorito”, complementou.

O que me deixou mais intrigado é o porquê do 31 de agosto. Não existe nenhuma referência a essa data com a história dos blogs, ou qualquer fato que sustente sua escolha. Pai do termo “weblog”, o norte-americano Jorn Barger citou a palavrinha pela primeira vez em dezembro de 1997, época em que BBSs, fóruns, newsgroups e afins já promoviam conversações via rede. Se abstrairmos um pouco mais, dá pra usar o 17 de dezembro, data do primeiro post, como data simbólica para “dia internacional do blog”.

Ao mesmo tempo, um outro grupo bolou o International Weblogger´s Day, disposto a fixar uma data para que a comunidade celebrasse o fato de muita gente se mobilizar diante de tanto assunto e opinar usando a caixa de comentários, transformando até mesmo a forma na qual o povo se informa e distribui informações. A data escolhida: 14 de junho.

Enfim. Fica a sugestão para você que deixou passar as duas datas: vamos inventar o Dia Nacional do Blog – peguem um dia qualquer, sem significado algum, e mandem ver. Apesar que dá pra fazer o que o inventor do BlgDay (o desta quarta) inventou, mesmo sem ser no dia – ou ano que vem, vai que a data dele se popularize em relação a outra…

As instruções são simples: Encontre cinco novos blogs que você acha interessante. Preferencialmente de outros países, áreas de interesse, ponto de vista e atitude. E recomende-os em seu blog, sem esquecer de linkar a tag para registro no technorati (http://technorati.com/tag/BlogDay2005) e o site do projeto (http://www.blogday.org). Ao fazê-lo, escreva uma descrição. A postagem deve ser feita neste dia 31 de agosto.

Vou pedir desculpas ao Nir Ofir, mas não escolhi cinco blogs distantes da minha terra, ou da minha cultura. Peguei cinco blogs muito bons, não necessariamente novos, que por alguma razão meio inexplicável, não estão na minha coluna da direita. Mas não deixam de ser referência.

  • Baxt – A Bárbara Axt é um daqueles exemplos da minha teoria de que pessoas interessantes são comprometidas ou moram longe. Ou ambos.
  • Estranhos Links – Sempre gostei desse nome. E das cores.
  • Catarro Verde – Há quem diga que o Sérgio Faria praticamente definiu o que podemos chamar de "estilo para blog".
  • Tripa Nelas Tudo – É o blog do Cardoso, que tinha também um fanzine e tem ainda outro blog no UOL.
  • ¿dequejeito? – O que me surpreende é que, diariamente, aparecem uns cento e duzentos comentários no blog do Moskito…
  • Smart Shade of Blue – É, também não sei porque não incluí na colula da direita… :-P

Uia, tem seis… Oréver. De repente, você conhece outros cinco blogs mais novos e de outros países, que mereceriam uma lista dessas. Diga lá, pois! E feliz fim de BlogDay.

domingo, 28 de agosto de 2005

Para que serve um blog? Mais respostas

Há muito tempo trouxe aqui a resposta da Rebecca Blood para uma pergunta comum, apesar de irrelevante: o que leva um indivíduo a dedicar boa parte do seu tempo num blog? Em seu livro The Weblog Handbook, ela cita três motivos básicos: compartilhar informações, estabelecer uma reputação online ou expressar suas impressões descompromissadamente. Em qualquer dos casos, acaba estabelecendo relações – tanto dentro da rede quanto fora dela. Isso sintetiza o que podemos chamar de cultura blog.

Talvez todas as respostas caibam dentro da palavra “relacionamento”. De qualquer forma, para efeito de retrospectiva, acho interessante enumerar algumas possibilidades – de repente, encarando todas de uma vez, dá pra despertar um insight (ou mais) e descobrir novas utilidades para um blog. Vejamos.

Contar a sua história – O Idelber foi muito feliz ao sintetizar sua tese durante apresentação no Salão do Livro (aquela que eu perdi). Resumidamente, o blog é uma das formas mais simples e democráticas para qualquer um contar a sua história de vida, espécie de autobiografia em tempo real. Mesmo naqueles que não nasceram com esse objetivo: é a pessoalidade do blogueiro que dá o tom.

“Os blogs são a resposta dada pelos usuários das novas tecnologias de publicação online à necessidade de representação da experiência… Pouco a pouco vai se tecendo um personagem de ficção ali naquele espaço, que os leitores acompanham um pouco como acompanhamos uma telenovela. Com as diferenças que o enredo traz uma relação direta com a experiência de quem escreve e que o final da história não está determinado de antemão”, diz. Perfeito.

Enriquecer debates – Aos poucos, jornais e revistas semanais vão ganhando a companhia da web como veículos “formadores de opinião”. Primeiro eram apenas os blogueiros mais tarimbados, especialmente jornalistas, que conseguiram fixar seu espaço e atingir seu público, num fluxo constante de informações e discussões. Quando indivíduos que já carregam essa imagem fora da rede entram na roda, esse fluxo ganha relevância.

Exemplo mais recente: o blog do Cesar Maia. Tudo bem, se você mora no Rio, pode não gostar de saber que o prefeito da sua cidade se ocupa com essas coisas. Se não mora, pode dar risada se quiser comparar essa brincadeira com blogs políticos norte-americanos, criados como catapultas para campanhas eleitorais. Não importa. É uma figura pública disposta a conversar diretamente com seu público, sem intermediários. Tomara que a moda pegue.

Fixar marcas e vender – A chance de atingir pessoas diretamente criando um laço pessoal vem sendo explorada por corporações. E não apenas jornalísticas, como faz O Globo: a Adobe, o Google ou mesmo a General Motors também exploram a capacidade de comunicação da ferramenta (se estão conseguindo é outra história).

Se lá fora o blog já virou alternativa empresarial, aqui a coisa ainda é vista com ar pueril ou adolescente. O máximo que vi foram coisas estranhas como essa campanha da Caixa Econômica Federal. Criaram personagens carismáticos com a pretensa vontade de se aproximar dos clientes em potencial. Mas falta ao “blog da Caixa” o que os outros “vendedores” já sacaram que funciona: interatividade e sinceridade.

Filtrar informação – Não é fácil lidar com a quantidade monstruosa de dados que circula via internet a cada instante. Separar o joio do trigo é uma tarefa árdua, e ao mesmo tempo muito valiosa. Muitos blogs conseguem “filtrar” conteúdo específico e interessante, muitas vezes reduzindo o tempo de navegação – outro bem valioso nesse mundo de zeros e uns.

O formato descobriu ainda um parceiro fora de série para potencializar a filtragem e dar ao seu visitante ainda mais tempo: o RSS. Imagine se cada um de nós tivesse ao nosso inteiro dispor um site personalizado – como o Macromedia XML News Aggregator.

Tudo… e nada – A discussão sobre blogs e suas serventias vão longe, e felizmente, há muita gente estudando o fenômeno em teses de mestrado e doutorado. No outro extremo, a ferramenta pode não servir pra nada de útil: seja espalhando vírus e outras pragas, seja para fomentar sentimentos irrelevantes, seja simplesmente não falar piciroca nenhuma que preste – como nesse pequeno fenômeno em homenagem a Regina Duarte.

Ainda que cada um tenha suas razões para manter um blog atualizado sistematicamente, ou enxergue nessa ferramenta todo tipo de potencial, talvez a melhor resposta seja a do Mario AV, um dos nomes mais populares da nossa blogosfera – e que depois de “juntar os bits” com a Adriana, decidiu voltar a escrever sobre arte e design. E explicou a razão:

“…Recebi incessantes pedidos de amigos para voltar com o site, e sempre respondi o mesmo: blog pessoal para mim é página virada… Meu chefe conseguiu o que meus amigos não puderam em dois anos, simplesmente porque exprimiu a idéia de uma maneira mais sedutora. Não fazer o blog para influenciar, doutrinar ou impressionar pessoas: apenas porque é muito legal. O blog é legal porque promove troca de idéias. Cada um chega com uma e sai com várias…”

Simples assim.

terça-feira, 23 de agosto de 2005

Alienígenas? Trekkers? Filme desconhecido? Mistéééério…

Uma das maiores dúvidas existenciais da humanidade, a “estamos sozinhos neste universo?”, aguça ainda mais a nossa imaginação quando se transforma em ficção, especialmente na TV ou cinema. Alguns se deixam contaminar de verdade e criam uma realidade paralela aos mundos concebidos em aventuras como Jornada nas Estrelas.

Pois bem. Semana passada, deixei a televisão ligada antes de dormir e, despretenciosamente, assisti ao início de um curioso filme. Era uma versão caricata da turma do capitão Kirk e doutor Spock, seguido de uma gigantesca convenção semelhante a promovida por “trekkers” – ou trekkies, como são chamados os fãs da série original. Ao mesmo tempo, surgiram os nomes do elenco: Tim Allen, Sigourney Weaver, Alan Rickman, Sam Rockwell…

Não resisti e permaneci no sofá. E no desenrolar da história, surgiu outra dúvida: como é que um filme desses foi se encostar no Intercine? É cartaz de Tela Quente, ou, pra não pecar por excesso, Sessão da Tarde. Galaxy Quest, trazido ao Brasil com o terrível nome Heróis Fora de Órbita, é sensacional.

Segundo pesquisinha rápida que fiz, a fita saiu dos estúdios da Dreamworks em 1999. Mas sei lá por que cargas d’água esse filme fez pouco barulho nos cinemas (vai ver o título inibiu o público), fazendo com que eu fosse apresentado a ele tão tardiamente, numa madrugada. Na primeira parte, os personagens da série descontinuada fazem bicos em convenções, inaugurações, entre outros compromissos sacais.

Até então, bem plausível. Mas um bando de thermianos se apresenta a Tim Allen (versão cômica de William Shatner), convidando-o para uma missão especial: combater o sádico Sarris e salvar o seu planeta. Mal sabe ele que os tais alienígenas são verdadeiros. E mais: todos os pilares de sua sociedade, desde a nave espacial até sua cultura, são baseados nos documentos históricos verídicos destas incríveis batalhas. Na verdade, todas travadas em algum estúdio nos anos 60 e registradas em centenas de episódios.

Daí em diante, os decadentes atores da velha série deixam de interpretar, reassumem seus postos fictícios em uma nave de verdade e viram a única esperança de toda a galáxia. Pânico, imperícia, duelos, complexos problemas técnicos, bizarrices, conflitos éticos, frases feitas (Nunca se renda, nunca desista! Pelo martelo de Grabhtar, pelos sons de Worvan, você será vingado!)… E mais uma pancada de referências a Jornada nas Estrelas.

A grande cena do filme é quando o canastrão Tim Allen usa um intercomunicador para pedir ajuda a um superfã – o mesmo que foi totalmente desprestigiado na convenção da abertura do filme.

Fã (conformado) – Eu só gostaria de dizer que pensei muito sobre o que você disse…
Tim Allen (nervoso) – Tudo bem, tudo bem… Agora me escute…
Fã – Mas eu queria que soubesse, não sou maluco, entendeu? Eu entendi completamente, tudo não passa de um programa de TV. Eu sei que não existem esferas de berilo…
Tim Allen (mais nervoso) – Espere, espere…
Fã – … Sem teletransporte, sem nave espacial…
Tim Allen (desesperado) – Espere, pare por um segundo, pare. É tudo real.
Fã (exaltado) – Ai… Meu Deus!!! Eu sabia!!! EU SABIA!!!

Ao final, sobraram novas perguntas. Será que a indústria cinematográfica deixou escapar mais alguma comêdia do gênero Spaceballs e Guia do Mochileiro? Será que uma raça qualquer pode encontrar as temporada de Star Trek e conceber a Entrerprise e todo seu universo, acreditando que é tudo verdade? Será que consigo achar esse filme em DVD? Como diria Dona Milu, Mistééério…

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