quarta-feira, 27 de julho de 2005
Em defesa da credibilidade na web
Pra começar, vou reproduzir a pergunta feita no site Bloggers Blog recentemente: se você encontra a mesma informação em 30 mil blogs diferentes, quer dizer que ela está correta? Vou antecipar a sua resposta com um exemplo simples: vá ao Google e descubra quantos sites atribuem a Luis Fernando Veríssimo o texto “Um Dia de Merda”.
Aqui temos um consenso: em um ambiente onde qualquer um pode facilmente se transformar em produtor de conteúdo, é extremamente perigoso acreditar em tudo que se lê. Cabe ao leitor desconfiar e checar, como se faz (ou deveria ser feito) em uma redação. Evidentemente, a medição da tal credibilidade passa pelo autor da mensagem: é mais fácil acreditar em algo que se lê na BBC do que num blog.
O que, novamente, não quer dizer muita coisa: a BBC também já tropeçou em erros grotescos, assim como qualquer outro jornal virtual, especialmente aqueles que trabalham com a pressão do tempo real. Muitas vezes, na pressa de publicar o fato antes de todo o resto (mesmo que o “antes” sejam alguns segundos), não temos a apuração plena. Na prática, cada site de notícias precisa contrabalançar a agilidade, exigência da web, com a checagem, preceito fundamental do jornalismo. Assim se consegue a tal credibilidade.
Toda essa introdução para chegarmos ao ponto central do debate: há uns 15 dias, ainda no calor do quebra-quebra tricolor na Avenida Paulista, o jornalista Joseval Peixoto, da rádio Jovem Pan, atribuiu a presença dos torcedores a notícias publicadas na internet. Encerrou seu comentário com duas opiniões distintas, que provocou respostas como esta. Primeiro: ao contrário dos jornais impressos ou mesmo do rádio, a web não é uma fonte séria de informação. Segundo: que os leitores deveriam desconfiar das notícias publicadas na internet.
Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Será mesmo que, só pelo fato do jornal ser um veículo centenário, ou do rádio e TV ter décadas de serviços prestados, já garante credibilidade em relação a internet e seus dez anos de vida comercial? Ainda na carona do vandalismo pós-tricampeonato, poucos jornais informaram que a partida não seria transmitida na Paulista – notícia que estava na web.
Tanto faz se é rádio, TV, jornal ou site, ou qual sua marca. A discussão, definitivamente, não é qual veículo é melhor, mas sim qual deles vai atrás da fonte mais confiável, evitando ao máximo o medo de errar. Não se trata da seriedade da web, mas sim de quem a constrói e se reconstrói todos os dias. E isso fecha o círculo aberto nas primeiras linhas, quando concluimos que você, navegante de páginas, também faz parte do processo de circulação noticiosa.
Nisso o Joseval Peixoto tem razão: a enxurrada de informação é tão grande que às vezes é difícil separar o que é verdade dos trotes. Se ainda tem gente que acredita nos e-mails do Serasa, o que dizer do resto? Muito se fala em inclusão digital, um passo inegavelmente importante. Mas não se deve ignorar a cultura digital, cuja lição número um é justamente ficar atento desconfiar de tudo, aprender a ser crítico, distinguir as coisas e construir a tal credibilidade na web.
Vamos nos adaptar todos juntos – ou correr o risco de transformar a internet num imenso cocadaboa.

No consultório médico, levando o resultado de uma bateria de exames feita recentemente:
Há exatos dois anos, tive o privilégio de olhar nos olhos de alguém que mudou minha vida. Daquele instante até hoje, um vírus alojado em alguma área obscura do cérebro indica que preciso fazê-la feliz. E não importa a forma como isso aconteça.
Como Fazer Um Filme De Formatura Direito é o nome compridinho mas bonitinho dessa aventura, sugerido pelo Lello. Botei todas as palavras do título em destaque num caça-palavras, provocando um efeito visual diferente: é possível ler coisas como “formatura de direito”, “filme de formatura”, “como fazer direito”… Oréver.
