julho — 2005 — Marmota, mais dos mesmos

Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

Arquivos: julho/2005

Em defesa da credibilidade na web

Por André Marmota | 27/07/2005, 13h04

Pra começar, vou reproduzir a pergunta feita no site Bloggers Blog recentemente: se você encontra a mesma informação em 30 mil blogs diferentes, quer dizer que ela está correta? Vou antecipar a sua resposta com um exemplo simples: vá ao Google e descubra quantos sites atribuem a Luis Fernando Veríssimo o texto “Um Dia de Merda”.

Aqui temos um consenso: em um ambiente onde qualquer um pode facilmente se transformar em produtor de conteúdo, é extremamente perigoso acreditar em tudo que se lê. Cabe ao leitor desconfiar e checar, como se faz (ou deveria ser feito) em uma redação. Evidentemente, a medição da tal credibilidade passa pelo autor da mensagem: é mais fácil acreditar em algo que se lê na BBC do que num blog.

O que, novamente, não quer dizer muita coisa: a BBC também já tropeçou em erros grotescos, assim como qualquer outro jornal virtual, especialmente aqueles que trabalham com a pressão do tempo real. Muitas vezes, na pressa de publicar o fato antes de todo o resto (mesmo que o “antes” sejam alguns segundos), não temos a apuração plena. Na prática, cada site de notícias precisa contrabalançar a agilidade, exigência da web, com a checagem, preceito fundamental do jornalismo. Assim se consegue a tal credibilidade.

Toda essa introdução para chegarmos ao ponto central do debate: há uns 15 dias, ainda no calor do quebra-quebra tricolor na Avenida Paulista, o jornalista Joseval Peixoto, da rádio Jovem Pan, atribuiu a presença dos torcedores a notícias publicadas na internet. Encerrou seu comentário com duas opiniões distintas, que provocou respostas como esta. Primeiro: ao contrário dos jornais impressos ou mesmo do rádio, a web não é uma fonte séria de informação. Segundo: que os leitores deveriam desconfiar das notícias publicadas na internet.

Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Será mesmo que, só pelo fato do jornal ser um veículo centenário, ou do rádio e TV ter décadas de serviços prestados, já garante credibilidade em relação a internet e seus dez anos de vida comercial? Ainda na carona do vandalismo pós-tricampeonato, poucos jornais informaram que a partida não seria transmitida na Paulista – notícia que estava na web.

Tanto faz se é rádio, TV, jornal ou site, ou qual sua marca. A discussão, definitivamente, não é qual veículo é melhor, mas sim qual deles vai atrás da fonte mais confiável, evitando ao máximo o medo de errar. Não se trata da seriedade da web, mas sim de quem a constrói e se reconstrói todos os dias. E isso fecha o círculo aberto nas primeiras linhas, quando concluimos que você, navegante de páginas, também faz parte do processo de circulação noticiosa.

Nisso o Joseval Peixoto tem razão: a enxurrada de informação é tão grande que às vezes é difícil separar o que é verdade dos trotes. Se ainda tem gente que acredita nos e-mails do Serasa, o que dizer do resto? Muito se fala em inclusão digital, um passo inegavelmente importante. Mas não se deve ignorar a cultura digital, cuja lição número um é justamente ficar atento desconfiar de tudo, aprender a ser crítico, distinguir as coisas e construir a tal credibilidade na web.

Vamos nos adaptar todos juntos – ou correr o risco de transformar a internet num imenso cocadaboa.

Prazeres da carne

Por André Marmota | 21/07/2005, 13h21

No consultório médico, levando o resultado de uma bateria de exames feita recentemente:

- Bom dia, senhor André.
- O senhor está no céu, doutor. Ainda sou uma criança.
- Fico feliz em saber que está bem humorado, apesar de estar atrasado e mesmo antes de analisarmos seus exames.
- Opa. Desculpas pela demora. É que vim a pe, a esfinge pegou a minha habilitação por um tempo…
- Esfinge?
- Ah, deixa pra lá. Quanto aos exames, não me preocupo. Afinal, todo mundo morre um dia, né?
- Engraçado. Muito engraçado. Enfim, vejamos. Mmmhhh… Impressionante, seu colesterol está ótimo!
- Ué, por que impressionante?
- Bom, pelo que sei, você leva uma vida sedentária, faz poucos exercícios, come bem…
- Ok, vamos prosseguir.
- Certo. Normal, normal, normal também… Epa.
- Epa?
- Ácido úrico. Está um pouco acima do normal, mas muito pouco. Ainda não há necessidade de controle medicamentoso, mas é bom ficar atento. Sente algum tipo de dor?
- Não. De vez em quando mexo com o pescoço assim… Mas é cacoete.
- Isso é estresse. Mas enfim, vou lhe recomendar uma dieta proteica. Você gosta de carne?
- Se eu gosto? Porra, minha família é gaúcha, praticamente todo dia tem churrasco…
- Pois tenha cuidado com a carne vermelha. Sempre que puder, evite.
- Como assim, doutor???
- É importante. Se não controlarmos agora, você pode sofrer problemas renais sérios no futuro.
- Cacete… Deve ser castigo por causa da nossa tradicional churrascada na sexta-feira santa…
- Como é?
- Nada, não. Mas quer saber? Agora vou comer carne SÓ na sexta-feira santa!
- Tudo bem… Curioso, seus exames indicam ainda quantidades menores do hormônio estimulador da liberação de luteinizante…
- Cuma? Tem isso aí? Onde?
- Tem. Aqui, ó. Isso tem a ver com a sua libido. Diga-me, como anda a sua vida sexual?
- Uai, mas que pergunta é essa???
- Não se ofenda, senhor André. Mas não esqueça que a vida sexual é uma parte importante da vida.
- Sei…
- Olha, se não quiser responder, tudo bem.
- Não, não. Normal. Não é o tipo de pergunta que costumo ouvir, mas é normal…
- Menos mal. Mas então, a quantas andam?
- Bem… Andar não é exatamente o verbo que se aplica a minha situação… Faz um tempo que estou solteiro.
- Muito tempo?
- Nossa, doutor, nem lembro mais. Faz tanto tempo que eu até me sinto meio… Hmmmm… Virgem, sabe?
- Entendo… Muito trabalho, compromissos… Mas mesmo assim, certamente a situação é essa só porque você quer.
- Pois é, doutor. Já ouvi isso outras vezes. Muitas, aliás. Todo mundo que aparece com esse papo quer me convencer de que o problema está na minha imagem de “homem pra casar”… Só porque eu penso que essas coisas acontecem naturalmente. Ao contrário dos meus amigos com excesso de energia no chakra básico, como diz uma amiga. Sem que haja pressão de qualquer parte pra que alguém tenha que chegar sempre, como cachorro no cio. E nisso fico com cara de criança…
- Senhor André, por favor. Sou clínico geral, não psicólogo.
- Opa. Desculpa.
- Tudo bem. Sua receita é simples: mulher e carne branca.
- Ótimo. Vou começar a frequentar prostíbulos e comer toucinho. Obrigado, doutor.
- Já te disse que você é um sujeito engraçado, né?

Faça sempre tudo o que precisa fazer

Por André Marmota | 18/07/2005, 15h10

Há exatos dois anos, tive o privilégio de olhar nos olhos de alguém que mudou minha vida. Daquele instante até hoje, um vírus alojado em alguma área obscura do cérebro indica que preciso fazê-la feliz. E não importa a forma como isso aconteça.

Muitos meses antes do dia 18 de julho de 2003, esse tal vírus se desenvolveu de maneira parecida, mas com resultado fatal. Fez com que meu lado racional, normalmente o dominante, concebesse uma idéia a princípio brilhante: uma declaração de amor durante um baile de formatura. Para garantir o sucesso dessa empreitada, cerquei todas as possibilidades: melhor roupa, presentes no bolso, amigos como testemunha.

Naquela noite, a menina dos meus sonhos me apresentou ao Abílio, sujeito que se tornaria seu marido. E o mundo caiu sob a minha cabeça, concluindo o trabalho destrutivo da maldita virose.

A formatura do Abílio tinha se transformado em piada fraca em 18 de julho de 2003, e continuou sendo fichinha se comparada ao desenrolar da minha história nesses últimos dois anos. A pessoa que havia mudado minha vida naquela tarde, mesmo sempre presente, se tornou mais distante. Também estava prestes a se formar em direito – e a data da festa ganhou significado magnífico, graças aos percalços que precisou superar para garantir seu diploma.

Pois bem, o destino deixou cair em meu colo a grande chance de resolver três problemas de uma única vez. Participar de uma nova festa e exorcizar o terrível baile do Abílio. Continuar a missão de fazê-la feliz sem pensar em receber qualquer pagamento. Por fim, demonstrar que somos capazes de fazer aquilo que temos vontade, e não o mais fácil.

E realmente não era tarefa simples. O grande baile estava marcado para o dia 15 de janeiro de 2005, um sábado. Num salão a cerca de 1500 quilômetros da capital paulista. Durante a semana anterior, trabalho intenso dia e noite. E na sexta-feira, véspera do grande dia, uma triste notícia: o falecimento do pai de um grande amigo.

Pareciam sinais fortes para que eu não cometesse qualquer sandice e permanecesse em casa naquele final de semana. Mas querem saber? Bananas pros sinais. Tomei o vôo 8721 da Varig, pouco depois das nove da manhã daquele sábado, seguido de um ônibus para um quartel general estratégico. Convidei uma prima para acompanhar o que viria a ser um momento histórico: desaparecer em São Paulo para surgir repentinamente em um baile.

O sol já se escondia no horizonte enquanto me aproximava do local da festa. Curiosamente, o efeito devastador dos tempos de Abílio calejaram meus pensamentos: as expectativas que poluíram minha mente da primeira vez simplesmente não existiam. Estava livre. Sorrido. Preparado apenas para surpreendê-la com um abraço de parabéns, e nada mais.

O plano estava preparado e ensaiado: indicaria para a minha prima quem era a moça simpática que motivara meu deslocamento. Calmamente, ela se apresentaria e lhe entregaria uma carta, preparada cuidadosamente com antecedência, contendo palavras enigmáticas e um pedido simples: vire-se. E voilá: teríamos eu, em sua frente. Genial, não?

Mas encontrá-la em meio a centenas de convidados virou tarefa complicada. Minha prima, seu namorado e eu rodamos o salão de ponta a ponta após a colação de grau, em vão. Foi quando lembrei do filme “O Casamento do meu Melhor Amigo”, onde o protagonista avisa a mocinha que está por perto usando o celular.

Tremenda tolice. Que formanda levaria o celular para um baile? Mesmo se estivesse com ele, que razão a levaria atender o bicho? Idéia de jerico, que botaria uma pá de cal em tudo que motivou a corrida e as horas mal dormidas.

Mas ela atendeu! Disse que foi ao acaso, já que estava trocando a beca pelo vestido de festa no banheiro quando ouviu o aparelho tocar. E agradeceu os cumprimentos sorrindo – antes de avisar que estava bem ali, a alguns metros de distância. Seu tom de voz mudou. Passou a engasgar com as palavras: conseguia apenas pronunciar “seu louco”, misturado com “ele está aqui”.

Finalmente consigo avistá-la. Aproximo devagar, com os braços levantados. Ela fechou os olhos e abaixou a cabeça, incrédula. E me abraçou durante eternos e inesquecíveis cento e poucos segundos.

Tudo que aconteceu na sequência acabou de uma vez por todas com a trágica festa do Abílio. Era como se tivesse poderes mágicos: transformei recordações horrendas em felicidade suficiente para inebriar a mim e a ela.

Missão cumprida. O dia mais feliz da vida dela ganhou cores novas. O dia mais triste da minha vida foi substituído por outro. Voltei para casa na segunda-feira, dia 17, com a certeza de que podemos tomar decisões baseadas em nossa vontade de ser feliz em detrimento ao comodismo do “está bom assim”. Tudo pode ser melhor, sempre.

***

Histórias como essa acontecem sempre na vida de qualquer um, e sempre que ouvimos alguém contar uma aventura bacana, inevitavelmente enxergamos-na como um filme. Pessoalmente, imagino como seria ótimo se um dia pudéssemos registrar histórias passadas em vídeo.

Bom, ao menos desta vez, para minha alegria, consegui!

Como Fazer Um Filme De Formatura Direito é o nome compridinho mas bonitinho dessa aventura, sugerido pelo Lello. Botei todas as palavras do título em destaque num caça-palavras, provocando um efeito visual diferente: é possível ler coisas como “formatura de direito”, “filme de formatura”, “como fazer direito”… Oréver.

A versão integral do vídeo conta a incrível história acima em 50 minutos, em DVD que possui apenas uma cópia, com destinatário específico.

A todos vocês, temos a versão joinha, com um resumo de quase cinco minutos e compactação acelerada. É só clicar aqui com o botão direito e salvar o arquivo em sua máquina. Se não conseguir assistir, tenha certeza de que seu PC possui o Windows Media Player.

Como um corintiano virou são-paulino

Por André Marmota | 15/07/2005, 11h03

Antes mesmo do São Paulo entrar no Morumbi e não ir além de sua obrigação ao conquistar a Libertadores, um dos muitos tricolores que figuram no meu MSN fez como quase todos: veio perguntar porque diabos estava torcendo para o Furacão – que no fim virou brisa. Era o MarcosVP, que me contou uma história sensacional – e até mesmo inacreditável. “Já te contei que eu era corintiano… E do como eu mudei para Tricolor?”

“Anote aí que eu vou ser o vira-casaca mais famoso de toda São Paulo…”, emendou, antes de apresentar o grande responsável pela sua mudança de pele: um certo time rubro-negro. “Em 93, antes do São Paulo ganhar o bi-mundial (ele já tinha vencido a Libertadores), duas competições estavam acontecendo simultaneamente: o Brasileiro e a Supercopa. O Flamengo disputava a reta final das duas.

Pelo Brasileiro, o jogo era contra o Corinthians, meu time. Eu torci muito, mas o corinthians perdeu. O Flamengo só foi ser eliminado na rodada seguinte, pelo Vitória da Bahia, que acabou indo para a final com o Palmeiras. Pela Supercopa, a semifinal era Flamengo e São Paulo. E eu, puto com o Corinthians, torci para o São Paulo eliminar o Flamengo. E o Tricolor ganhou!”, celebrou. Mas ainda não havia trocado efetivamente de clube: restava a presença de outro rubro-negro.

“Algumas semanas depois, já meio mexido com a ingratidão do time do Parque São Jorge, fui assistir à final da Copa Toyota: São Paulo x Milan. Era de madrugada e estava todo mundo dormindo na minha casa. E eu assisti a um dos melhores jogos de futebol da minha vida. Me arrepio só de lembrar. E eu gritava no travesseiro para não acordar meus pais… Tudo por conta daquela urubuzada. Acho que o fato de Milan ser rubro negro ainda me motivou mais…

Uma alegria que anos e anos torcendo pelo Corínthians não me deram. E foi assim que eu acordei corinthiano e fui dormir São paulino…”, confessou meu amigo, que não se arrependeu do que fez – apesar do time do Morumbi ter levado mais de dez anos para reconquistar títulos. “Numa boa? Sei que uma das melhores fases do corinthians veio depois de 93. Mas eu nunca me arrependi da troca. Eu gosto mais do São Paulo hoje do que gostava do Corinthians antigamente…”.

Foi justamente o “efeito mundial” que fez a torcida tricolor aumentar de volume na última década. Agora fica a pergunta: quantos torcedores de outros clubes também viraram a casaca nessa noite, após a indiscutível goleada sobre o Atlético?

Eu acredito em gnomos e Papai Noel

Por André Marmota | 14/07/2005, 19h59

A atual enquete deste site serviu como inspiração para uma pergunta semelhante num dos mais acessados sites de esportes do país. Decidiu misturar assuntos políticos, gnomos e Papai Noel com “novelas” futebolísticas – como a ida de Robinho ao Real Madrid e a compra de Vágner Love pelo Corinthians. Para criar um tom de brincadeira, incorporou uma opção engraçadinha: o título do Atlético na Libertadores nesta quinta.

Há um amplo debate ao criar esse tipo de polêmica, por uma razão muito simples: futebol é imprevisível. Todos sabem que o jogo final vai ser no Morumbi, que vai ter 70 mil torcedores empurrando o São Paulo, um time de sangue frio e absurdamente concentrado para não cometer os erros de 2004… Não importa: por ser uma decisão, as chances do Furacão, mesmo pequenas, existem e não devem ser desprezadas. Pessoalmente, até acharia mais engraçado se o Atlético vencesse logo mais.

Enfim. O site em questão recebeu toda sorte de reclamações. Muitos entenderam que acreditar em Atlético campeão era como acreditar em Papai Noel. E não apenas dos torcedores do Furacão: mesmo quem nada tinha a ver com a história entendeu a pergunta inofensiva como sendo desrespeitosa e muito mal feita. Causou polêmica e, segundo fontes fidedignas, a brincadeira foi usada para estimular os jogadores para a finalíssima do Morumbi.

O episódio define bem esse elemento que só o esporte pode provocar, levando em conta qualquer outra notícia: a paixão. Seja um texto sério ou uma brincadeira como a enquete, nenhum torcedor consegue ficar em cima do muro. É concordar e aplaudir ou repudiar e desejar todo tipo de mazela. Em 2002, quando São Caetano e os paraguaios do Olimpia decidiram a Libertadores, a Folha de S. Paulo tascou a manchete: “a menor final da historia”. E deu um rebu ainda maior…

E esse termômetro absolutamente subjetivo faz com que o cidadão interprete como bem entender: se um site pergunta “em quê você acredita” e disponibiliza as opções “título do Atlético” e “Papai Noel”, quer mesmo dizer que o título é impossível? Eu não acho. E se a opção fosse tão verossímil assim, Papai Noel venceria a tal enquete com 51%? Nosso bom velhinho mostrou, mais uma vez, que não se deve levar a vida tão a sério.

Uma coisa é certa: quem perder, será alvo de todo tipo de chacota nesta sexta – o que é absolutamente natural. Se você for incapaz de tolerar brincadeiras, melhor não torcer pra ninguém. A propósito, chegou a hora: é São Paulo ou Atlético?

Atualizado: Centenas de torcedores fecharam a Avenida Paulista, na frente da Gazeta, pensando em assistir ao jogo e emendar a comemoração. Mas nenhum dos telões da região estão mostrando o jogo – o que é um tremendo absurdo, já que o mundo sabia que os são-paulinos estariam lá.

Resultado: desespero e protesto. Começaram a “explodir” o prédio da Gazeta e os telões da volta usando fogos de artifício. Outros correram atrás de uma TV – a multidão se aglomerou na frente dos bares da Joaquim Eugênio de Lima: Prainha, Café Creme, Asterix e afins. Nenhum deles viu o primeiro gol do São Paulo.

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