Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

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Brainstorming dos mil dias

Por Marmota | 31/05/2005, 23h15

Todos os meus contatos do ICQ ou MSN sabem que, quando estou sem qualquer pensamento criativo na cabeça, aciono alguém para um rápido troca-troca, em busca de uma idéia minimamente joinha. Fiz isso instantes atrás com o Adilson, que me avisou há alguns dias: nesta terça-feira, este blog completa mil dias.

Marmota: Hoje é o dia do Marmota Mil Dias. Mas não faço idéia do que escrever.
Fuzo: Hahahahaha! Marmota Mil Dias é foda… Coloca mil piadas que você escreveu, sei lá…
Marmota: Não tenho mil piadas fracas… Nem mesmo mil pés na bunda.
Fuzo: Tem sim… Cada post deve ter umas quatro…
Marmota: O que mais tem a ver com mil? Vamos pensar em algo – que não tenha aquele cacófato horrível do mil meu com mil teu.
Fuzo: Coloca mil fotos suas! A página vai ficar pesada… Hahaha!
Marmota: É, mil fotos minhas não rola. Mas então, pensei em um post curto, perguntando pras pessoas o que dá pra fazer em mil dias além de alimentar um blog. Mas não sei se tem a ver. Todo mundo anda botando perguntas do tipo “que livro você lê, o que acha da pena de morte, setembruchove”, essas coisas. Todas terminando com “passa pro outro se não vai ter neném”.
Fuzo: Hahahaha! Tô rindo do “setembruchove”, “passa pro outro se não vai ter neném”…
Marmota: Ah, vai dizer que você nunca fazia isso no primario…
Fuzo: “Olha a ficha!!!!! Olhou porque é bicha!!!!”, “Olha a bosta!!!! Olhou porque gosta!”
Marmota: Caceta… Pior que eu sempre olhava. E sempre tinha um bobo que ficava “não vai olhar não? Hein? Hein?”
Marmota: Fiz uma experiência desesperada. Coloquei “mil dias” no pai gúgol. Veio uma letra de música: dez mil dias, da Amelinha. Lembra da Amelinha?
Fuzo: Nunca vi.
Marmota: Tem outra coisa interessante: um pedido do Observatório da Imprensa, para refletir sobre os textos publicados por eles há mil dias.
Fuzo: Cara, já sei. Você separa 80 piadas, 50 fotos, 20 momentos marcantes, vai somando tudo até dar 1000!
Marmota: Tá. 80 piadas, 50 fotos, 20 momentos. Isso dá 150. O que faço com os outros 850? :-P
Fuzo: Você também pode dar notícias de 1000 dias atrás.
Marmota: Notícias de mil dias atrás é legal. Mas pode cair na minha idéia de “o que você consegue fazer em mil dias” ao resgatar histórias passadas e ver no que deu.
Fuzo: Seja como for, vc vai precisar escolher uma linha e seguir.
Marmota: Mas independente da linha, não vou conseguir até o final do dia. Vou deixar isso pra quando o blog fizer três anos. E vou botar uma porcaria na linha “o que você fez nos últimos mil dias”.
Fuzo: É… esse post é trabalhoso pra cacete mesmo. Juntar mil coisas é foda. É bem mais fácil deixar mil dias passarem.
Marmota: Realmente. Se bem que… Pensando bem, fiz bastante coisa nos últimos mil dias.
Fuzo: Cara, vai juntando as coisas até dar 1000. É mais fácil. Só de blogueros que você tem na sua página, tem quase 100. Junta conm outros sites que você lincou.
Marmota: Se eu começar a juntar alguma coisa agora, consigo até o fim do dia? Temmmpo!!!
Fuzo: Até meia-noite é dia! Esse é o nosso lema aqui na agência…
Marmota: Hahahahahaha! Antes da meia-noite eu tenho que estar no metrô, filhão.
Fuzo: Detalhes, detalhes… Faz um post de mil letras!
Marmota: Um post de mil letras? Dá quase uma lauda…
Fuzo: Star Wars certamente passou disso.
Marmota: Ah, fácil. E Star Wars é obra de um sábado em casa, de folga. Não de cinco minutos no meio do expediente. Tem que encher muita linguiça… Ainda fiquei tentado em botar a pergunta dos “mil dias dos outros”.
Fuzo: Uai! Manda pau! Vc não tem limite de posts diários.
Marmota: É, vou achar um jeito de perguntar isso sem parecer mais um desses memes gerados na epidemia.
Fuzo: Eu nunca vi um post desses.
Marmota: Sério? Tá cheio. O primeiro que fez barulho foi um da quinta frase do livro na página 23. Resgataram o conceito num questionário literário, típico daqueles caderninhos do tempo do “olha a ficha”. E agora deve ter dezenas desses, que tentam se espalhar por aí.
Fuzo: “quinta frase do livro na página 23″?
Marmota: Exato. Virou febre há um tempo, nesses mil dias que você ficou sem mexer no blog… :-P
Fuzo: Affe, nunca tinha visto isso…
Marmota: Achei. Começou em abril de 2004. Aliás, encontrei uma referência a essa encrenca no post numero mil (como diria uma velha amiga da ZL, que conhecidência, não?)
Fuzo: Legal!
Marmota: Pois é! Você pode aproveitar que o seu blog voltou e tirar o atraso… Ah, outra idéia: mil perguntas pinçadas dos questionários espalhados pelos blogs!
Fuzo: Pqp, vai ter saco de juntar as mil perguntas!
Marmota: Realmente. Mas a idéia dos questionários não é de todo ruim. Vou pegar algumas (não mil, claro) pra atualizar o meu perfil, que não mexo há tempos.
Fuzo: Sugiro a você que coloque o post de mil letras.
Marmota: Oi, cururu! A partir do primeiro olá desse texto até o fim desse parágrafo, temos exatos mil caracteres, tirando os espaços. Pra quê essa frase inútil com exatas mil letras? Simples, meu amigo visitante: ocorre que neste dia 31 de maio este espaço celebra mil dias de existência, sempre com bobagens ininterruptas no ar. Faz algum tempo que ultrapassamos a marca de mil posts. E certamente aqui tem mais de mil piadas fracas, mil lembranças inesquecíveis (boas e ruins), mil notícias que ninguém esquece, mil personalidades que fizeram parte de sua história… Trata-se apenas de uma parcela dos meus mais de nove mil dias de vida, mas só pelo fato de registrá-la neste espaço, compartilhar momentos e idéias com você, ver muitas delas reproduzidas em outros cantos, transformando esse emaranhado de blogs em um verdadeiro liquidificador de informações… Posso dizer que foram mil dias significativos. Mesmo que você não tenha vivido os mil dias deste blog comigo, vai concordar em uma coisa: mil dias pode parecer pouco contando em bytes, mas felizmente, posso olhar para trás e dizer que não desperdicei cada segundo desse tempo. Pronto, pode contar: um parágrafo com exatos mil caracteres.
Marmota: Que tal?
Fuzo: Hahaha! boa! Mas se precisar editar o texto, fudeu
Marmota: Ah, se precisar editar, esquece. Já sei como vou fazer. Passa lá no blog no final da noite!
Fuzo: Ai, meu deus… Surpresa?
Marmota: Talvez. Mas acho que você vai gostar.

O diálogo acima lembrou os primórdios deste espaço, quando citávamos o tempo todo o que cada um fazia em seu determinado blog, o que rendeu o mini-post republicado abaixo:

“É uma pouca vergonha! Eu menciono o blog do Marmota quase todos os dias aqui! O pior é que ele faz o mesmo no MMM. Tudo bem que a gente é amigão. Mas assim já está um exagero.

Alter-ego: É um caso típico de boiolagem explícita! Baitolagem na cara dura! Tô achando que vocês deveriam mesmo ter montado aquele blog juntos.

Tudo que ganhei foi uma camiseta vagabunda!

Por Marmota | 16/05/2005, 18h39

Já tive o privilégio de ser convidado pelo cumpadi Inagaki para me divertir às custas dos outros na festinha do iBest de 2003. Na época, já achava o “Oscar da web” um negócio estranho: milhões de sites botam uma bolinha com I no meio em posição estratégica para ganhar votos. Estão, na verdade, fazendo propaganda gratuita de uma empresa que vive de marketing viral. No fim, descobrem que o valor da votação significa piciroca nenhuma – afinal, são eles quem fazem a triagem dos melhores.

Obviamente, quem está no meio do circo não dá a menor pelota para isso. O negócio é aparecer na festa. E é inevitável: depois de ter ido uma vez e já conhecer o esquema do prêmio, fica facinho tecer elucubrações toscas sobre a segunda vez. E lá fomos nós, na última terça-feira (dez de maio), novamente ao lado de Ian – reeditando o “trio Virunduns” original.

Chegamos bem tarde, fugindo do trivial burburinho da entrada. Na recepção, a simpática atendente desejou “boa sorte” ao Inagaki – naquela altura, o prêmio iBest Blog já tinha sido entregue. Encontramos a nossa mesa por mero acaso, em meio a penumbra do Via Funchal. Constatamos que eram os mesmos que dividiram a mesa em 2003! Qual não foi minha surpresa quando o cidadão nos cumprimentou, perguntando: “vocês são de onde mesmo?”. Quase respondi “Do mesmo lugar de dois anos atrás, quando estivemos aqui”.

***

Quem venceu o iBest Blog? Os mesmos do ano passado. Na votação popular, Eu Hein. Pelos catedráticos, Marcelo Tas. Claro que ambos fizeram por merecer. Só não sei se, no caso do primeiro, o povo realmente aclamou a mesma escolha pela terceira vez seguida. Talvez sim.

Apenas um site concorreu tanto pela votação popular quanto pela academia: o das brilhantes Garotas que Dizem Ni, que tivemos o imenso prazer de reencontrar na festinha. Podiam tê-las colocado na nossa mesa, ao invés do desmemoriado. Fizeram pior: puseram-nas com um dos vencedores do iBest Blog…

***

Algumas coisas não mudaram em dois anos, além de alguns vencedores: as taças de champanhe, a disposição das mesas, a macarronada, as modelos e atrizes dentro e fora do palco… Mudaram o apresentador e o repórter simpático, responsável pelas brincadeiras com o público. Trouxeram dois cariocas: o jornalista Pedro Bial fez bonito ao conduzir a entrega dos prêmios. Já o ator engraçadalho Bruno de Luca fez parte da galera pedir a volta do menos pior Carlos Caramujo…

Coincidências estranhas: os sites da Varig e do Bradesco, patrocinadores do prêmio, levaram o iBest. Não, não estou insinuando nada. Os sites mereciam ganhar, são bons…

***

Um dos momentos altos da noite: a entrega do iBest pessoal, onde a trupe que cria sites na raça disputam prêmios em dinheiro. Alguns como a Charge Online do Mariano, figuram entre os favoritos desde a criação do prêmio, há dez anos. Destaque para a moçada do site do KLB, que “ofereceu esse prêmio todinho para eles”. Grana inclusive… No fim, o melhor entre os “populares” venceu ainda na categoria informática: um site de downloads gratuitos.

Depois dessa, comentei com os amigos e as garotas: vamos bolar o site oficial do fã clube do Rapazola (ou qualquer outro da moda, como Banda Calypso ou Wanderley Andrade) e fisgar esses dez mil reais.

***

No fim das contas, o trio deixou o Troféu Imprensa Ponto Com e concluiu o bate papo na boa e velha Galeria dos Pão. No caso do Inagaki, que sequer fez campanha para estar entre os top 3, valeu a noitada. Sem falar nas camisetas, no simpático troféu e no diplominha – aliás, Cumpadi, você o esqueceu no banco de trás do carro. Vai querer que eu devolva?

Realmente, em 2003 eu dizia: não seria a última vez. E digo outra vez.

Cá estamos com mais um desprestigiado…

Por Marmota | 13/05/2005, 16h52

Marmota, Inagaki e Ian emendam a noite pós-iBest na Galeria dos Pães. Altos papos regados a sopa e uma conclusão óbvia: os homens criam blogs, tornam-se intelectuais, especializam-se na carreira musical ou transformam-se em alguém cult por uma única razão: basicamentepacumêmuié. Mostando que, independente do tema, a conversa sempre chega ao mesmo denominador comum:

Mulheeeeres… Iaaaate…
Mulheeeeres… Mansõõõões…
Mulheeeeres…

Os olhos do taxidermista brilharam quando viram Pica Pau entrar em sua loja de animais empalhados – sem deixar de assustá-lo com uma cabeça de leão. Seu cadáver decorativo valia exatos cem mil dólares. Antes, o passaro bobo andava irritado ao encontrar todos os restaurantes fechados. Encontrou a loja do gatuno, leu a placa e deu a deixa: “eu quero me estufar”.

Sem se dar conta que poderia morrer e dividir atenções com carunchos de batata – normal ou amassado – e ursos – canela ou sem canela. Só reparou que seu fim estava próximo ao testar a qualidade da “sopa” oferecida pelo matador.

O desenho termina com a clássica cena do elevador veloz atropelando o traseiro do taxidermista – e que antecede a célebre pergunta: “essa viagem é realmente necessária?”. Após o estrondo, o taxidermista revê seus sonhos desmoronarem um a um: os cem mil dólares voando, o iate afundando, a mansão despencando… E as mulheres abraçadas ao pássaro, são e salvo. (Do episódio Woody Dines Out, de 1945).

Só o ôme é que pode ti ajudá!

Por Marmota | 04/05/2005, 02h52

Nas últimas semanas, o canal a cabo SporTV exibe uma chamada sobre a transmissão ao vivo do Campeonato Brasileiro. Imagens futebolísticas se alternam enquanto uma música incomum é executada. Parece um samba bem humorado, interpretado por um sujeito de voz grossa. É preciso ouvir mais de uma vez para saber do que se trata.

Intrigado com a propaganda, fui atrás do sujeito da voz grossa. E descobri Noriel Vilela. Sujeito conhecido também como o tenor do samba e um dos pais do que chamamos hoje de samba-rock – estilo popularizado por Jorge Ben no final dos anos 60 e que, vez ou outra, vira pop graças a algum Art Popular da vida.

Mas enfim. Em meados dos anos 60, Noriel Vilela era a voz “destoante” dos Cantores de Ébano, grupo que fez algum sucesso há cerca de 40 anos. Em 1968, partiu para a carreira solo, época em que lançou “Eis o Ôme” – disco que traz justamente a musiquinha resgatada pela SporTV.

Tanto esse quanto seu segundo disco trazem manifestações religiosas afro (macumba, umbanda e afins) ao seu repertório. E “Só o Ôme” nem é o maior sucesso de Noriel Vilela: este chama-se “16 Toneladas”. Se você também não conhecia, aponte seu programinha em busca de Noriel Vilela – e siga a bolinha saltitante.

Ah mô fio do jeito que suncê tá
Só o ôme é que pode ti ajudá
Ah mô fio do jeito que suncê tá
Só o ôme é que pode ti ajudá

Suncê compra um garrafa de marafo
Marafo que eu vai dizê o nome
Meia noite suncê na incruziada
Distampa a garrafa e chama o ôme
O galo vai cantá, suncê escuta
Rêia tudo no chão que tá na hora
E se guáda noturno vem chegando
Suncê óia pa ele que ele vai andando

Ah mô fio do jeito que suncê tá
Só o ôme é que pode ti ajudá
Ah mô fio do jeito que suncê tá
Só o ôme é que pode ti ajudá

Eu estou ensinando isso a suncê
Mas suncê num tem sido muito bão
Tem sido mau fio, mau marido
Inda puxa saco di patrão
Fez candonga di cumpanheiro seu
Ele botou feitiço em suncê
Agora só o ôme à meia noite
É que seu caso pode resolvê

Navegar na web é viver desconfiado

Por Marmota | 02/05/2005, 23h21

Dois assuntos desconexos, cuja moral é a mesma. Nos últimos dias, minha caixa postal anda infestada por uma série de mensagens, algumas “enviadas” por conhecidos meus, todas com o assunto “eu te amo” ou “duvido você me reconhecer” e um arquivinho pif anexado. Também recebo mensagens de erro, por não conseguir enviar coisas do gênero para outras pessoas.

Trata-se do Mydoom.BL, provável variação tupiniquim de um tipo de verme capaz de se alojar no computador infectado e “se reproduzir sozinho”, após procurar todos os e-mails possíveis em arquivos texto, catálogos de endereços e pastas de mensagens. Ao que parece, praticamente impossível erradicá-lo.

Esse é apenas um dos mais de cem mil vermes, vírus, trojans e os terríveis scams – os tais cartões virtuais, pedidos bancários e notificações do serasa que, na verdade, só servem para roubar suas senhas e o número do seu cartão de crédito. Mais do que nunca, o negócio é defender seu patrimônio. Além de desconfiar de tudo.

***

Além desse lixo todo, recebi com alguns meses de atraso um texto sensacional: trata-se de uma pesquisa feita pela revista musical americana Billboard, definindo as composições do Engenheiros do Hawaii (leia-se Humberto Gessinger) como as mais profundas e inteligentes do mundo. Com a frase introdutória: “especialmente para você”.

Tenho que admitir aqui essa minha fraqueza: sou sim fã dos Engenheiros. Minha primeira reação foi um sorriso enorme. Obviamente, voltei à realidade em segundos: como é possível uma pesquisa internacional chegar a essa conclusão? E mesmo sendo fã, sei perfeitamente que nem todas as músicas são geniais. Além disso, não há qualquer referência na web sobre a veracidade da informação.

A web tornou-se um indiscutível e eficiente propagador de informações, mas ainda peca por sua total falta de credibilidade. Desde notícias como esta até a surreal atribuição de textos a autores famosos – como Arnaldo Jabor ou Luis Fernando Veríssimo – uma verdadeira cultura do copyleft às avessas. Sem falar na praga do “repasse para todos da sua lista”. Enfim, o negócio é bancar o jornalista e checar os fatos. Além de desconfiar de tudo.

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