quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005

Blog é fashion – e rende uma grana!

Essa eu descobri no Nemo Nox – e cá entre nós, ah se eu tivesse descoberto antes. É sabido que a web norte-americana está sempre alguns bons passos à frente. Isso inclui os blogueiros, que conquistaram alguma credibilidade durante as eleições presidenciais, e agora querem algo ainda mais importante, sob a ótica daquela nação: ganhar dinheiro.

Pois bem. Paul Chaney concebe novas formas de comunicação empresarial usando ferramentas como blogs e feeds em seu Radiant Marketing Group. Susannah Gardner, especializada no mesmo ramo, é autora do livro Buzz Marketing With Blogs, prestes a ser lançado. O assunto: usar blogs como ferramenta de negócios.

Enfim. Os dois uniram suas forças e tiveram uma idéia brilhante: aproveitaram o boom da ferramenta e criaram camisetas, bolsas, roupas para o bebê e o cachorro… Entre outros itens, todos com motivos bloguísticos. Puseram tudo isso para vender num site do tipo “create & sell service”.

Voilà: está criada a moda do Bloggerwear, para blogueiros profissionais e dedicados ao seu querido espaço.

A brincadeira recém começou: a idéia é incluir canecas, adesivos, buttons, entre outras quinquilharias, nas próximas semanas. Mas já é possível encontrar alguns produtos, todos com frases bem boladinhas: “I blog for a living…no really, I do”, “I haven’t been fired for blogging…yet!” (essa é boa!) ou ainda “What is a blog?”, com uma extensa definição nas costas. Outra genial: um babador com a inscrição “Quit Blogging and Feed Me!”. Perfeita pro Marcos VP!

De repente, um dos meus amigos tem sobrando um pouco de tinta para tecido e algumas telas de silk-screen. Podemos começar uma pequena distribuição de camisetas do gênero em português – “Crie um blog, pergunte-me como”, “Sou blogueiro e não desisto nunca”, “Narazaki, faça um blog”… Entre outras. É só dois ou três aparecerem usando camisetas assim no ambiente de trabalho para, quem sabe, convencer os chefes de que blog não é só um “diário”.

Ou pelo menos divertir a platéia.

Mais sobre blogs – Aproveitando o gancho para recuperar dois links antigos, mas que valem a pena. O primeiro é um artigo do Ricardo Noblat, sobre suas descobertas a respeito do potencial: “Todo jornalista deveria ter um blog”, diz ele. Viu, Narazaki?

O segundo é uma matéria da Folha sobre blogs políticos, com cada vez mais adeptos. Não sabia que o Cristovam Buarque e o Bresser Pereira tinham blog. Já disse isso aqui há um tempo, mas em Portugal, o fenômeno blog aumentou consideravelmente ao constatar que um político virou blogueiro.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2005

Para lembrar de um anjo que surgiu no meu ICQ

Dias antes do Carnaval de 2002, uma curiosa mensagem chegou na minha caixa postal. “Oi, te achei no ICQ. Se quiser conversar…”. Muito parecida com aquelas que certamente você recebe diariamente, mas sem aquelas babaquices como “oi, ker tc, de onde vc eh, tem foto”.

Lembro que, naquele dia, até comentei o fato com uma amiga por ICQ. Na mesma hora, concluímos o óbvio: pessoas que pintam do nada se tornam figuras efêmeras e passageiras.

De qualquer forma, mantive contato com ela. Bia, 25 anos. Moradora de Campinas, com a mãe. Libriana, mas não acredita em astrologia. Católica praticante, nasceu no dia de São Judas Tadeu. Pedagoga, valoriza muito a educação das crianças. Como qualquer professora, precisa preencher o resto do tempo para completar seu orçamento, e ela o faz dando aulas de inglês.

Todo esse levantamento, além de outras histórias que não vem ao caso, feito com a troca de alguns e-mails e dois telefonemas.

Na terceira ligação, finalmente marcamos um encontro. Deixei o Marmoturbo em frente ao Shopping D na manhã do dia 24 de fevereiro e embarquei num Cometa para Campinas, as dez da manhã. Detalhe importante: apenas ela tinha uma vaga idéia da minha fisionomia, graças a uma dessas fotos horrendas com cara de bobo que eu tenho. Para se certificar que não se tratava de nenhum sujeitinho abusado, a mãe foi até a rodoviária com ela.

- André?
- Bia?
- Sou eu!
- Muito prazer!

Cumprimento discreto, mas sorrisos que atestaram a empatia criada logo de cara. Até a mãe dela, aparentemente desconfiada no início, se mostrou “desarmada” minutos depois! Antes do almoço, fiquei alguns minutos envolvido em álbuns de fotografias e histórias do cotidiano – que continuaram na churrascaria Santa Gertrudes, onde fomos comer.

E aqui, um adendo: se um dia você for a Campinas, prefira outra. O atendimento desta é péssimo, e em três anos, certamente piorou. Isso se aquela espelunca não fechou.

Enfim. Se durante as primeiras horas daquele domingo já estava convencido de que a Bia tinha uma presença de espírito sem igual, essa conclusão ficou mais clara no restante da tarde, quando fizemos um “tour” pela cidade – com escala na Igreja para a missa das cinco.

Passamos em frente ao Moisés Lucarelli e ao Brinco de Ouro; fomos até a estação de Anhumas acompanhar a saída da histórica maria fumaça, andamos em frente ao parque Taquaral, esticamos até a Vila São José (para lembrar, vagamente, onde era a casa que morei quando tinha uns três anos de idade) e encerramos o dia no Shopping Galeria – nessa altura do campeonato já trocávamos as nossas figurinhas repetidas do álbum “relacionamentos fracassados”.

Deixei a cidade, já por volta das dez da noite, com aquela sensação plena de ter conhecido uma pessoa muito especial, dessas que só a presença já é suficiente para lhe trazer paz.

É uma pena que esses tais encontros internéticos são, definitivamente, efêmeros e passageiros. Nos vimos pela última vez quando fomos juntos à Bienal do Livro, em abril daquele ano de Copa do Mundo – faz tempo. Infelizmente, fica difícil arrumar uma brecha em meio as atribuições diárias para dar um telefonema.

Esse post serve como lembrete: telefonar para Campinas nesse dia 24. Perguntar a Bia se ela finalmente casou-se com o amor da vida dela (um de seus objetivos da época). Além de lembrá-la o mais importante: cuidado ao ignorar aquela mensagem despretenciosa no ICQ: pode ser algum anjo da guarda!

sábado, 19 de fevereiro de 2005

Ainda a viagem: trilha sonora oficial

Para quem achava que o assunto estava esgotado, surpresa: sempre fica faltando alguma coisa, aquela promessa feita assim que um grande acontecimento acaba. Nesse caso, as promessas eram muitas: um DVD e o volume 2 da trilha sonora da nossa viagem à Europa.

Isso porque o volume 1 foi concebido mediante ansiedade e expectativa, dez dias antes do embarque. A idéia era viajar antes mesmo de botar o pé no avião. A seleção musical da primeira coletânea foi democrática, pois atendeu preferências dos três viajantes. Mas ao mesmo tempo apontou para algumas músicas desconhecidas por aqui, mas que estavam no topo das paradas dos países que visitaríamos.

1 Pink Floyd – Take It Back
2 Abba – Dancin Queen
3 Ludov – Dois a rodar
4 Bryan Adams – Open Road
5 Madredeus – Haja O Que Houver
6 Norah Jones – What Am I To You
7 Fangoria – Miro La Vida Pasar
8 Freddy Mercury & Montserrat Caballe – Barcelona
9 Santa Esmeralda – Don’t Let Me Be Misunderstood
10 Aventura – Obsesion
11 Eartha Kitt – C’est Ci Bon
12 Anastacia – Sick And Tired
13 Mylene Farmer & Seal – Les Mots
14 U2 – Everlasting Love
15 Gino Paoli – Senza Fine
16 Eros Ramazzotti – Ti Vorrei Rivivere
17 Moby – In This World
18 The Jesus and Mary Chain – Just Like Honey

Como tentou ser algo bem diversificado, o CD dividiu opiniões. Mais do que isso, gerou uma pequena polêmica: um CD pensado antes da viagem pode ser considerado uma tentativa de premeditar as coisas – o que muitas vezes não vale a pena. Tudo que pode criar alguma expectativa dá margem a erros, e dependendo da subjetividade envolvida, os tais erros são gigantescos.

Mas no fim, muitas das músicas do CD 1 reapareceram durante os 20 dias! Claro que, como todos imaginavam, outras músicas vieram e marcaram sua presença. A overdose de sucessos do passado no avião, a proliferação de clones do Michael Stype durante todo o passeio (que tornou o novo sucesso do REM a música oficial da viagem), entre outras que cantarolávamos ou esbarrávamos no caminho… O CD 2 era inevitável.

1 REM – Living New York
2 Wet Wet Wet – Love Is All Around
3 Lionel Richie – All Night Long
4 The Byrds – Turn, Turn, Turn
5 Huey Lewis and The News – The Power of Love
6 Phill Collins – Take A Look At Me Now
7 Agepê – Deixa Eu Te Amar
8 Hoobastank – The Reason
9 Cola Jet Set – Quiereme
10 Joss Stone – You Had Me
11 David Bowie – The Man Who Sold The World
12 Melendi – Con La Luna Llena
13 Ewan McGregor – Your Song
14 Maroon 5 – This Love
15 Renato Russo – Serenissima
16 The Smiths – Ask
17 T-Rio – Mamae Eu Quero
18 The Beatles – Let It Be

Ficaram faltando algumas – não encontrei, por exemplo, o nome da versão em inglês do sucesso do Ovelha (o “sem você não viverei”), que ouvimos no táxi em Barcelona. Independente das ausências, só concluí o CD nessa semana. Evidentemente, são duas edições limitadíssimas.

E aos poucos, minhas promessas se transformam em realidade. O que quer dizer que o DVD “Perdidos na Europa”, entre outros filmes e trilhas do passado engatilhados, ficarão prontos até o Natal. De 2019.

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