segunda-feira, 25 de outubro de 2004
Uma semana em alguns parágrafos
Roma (Itália) – Não sei se vocês sentiram a minha falta por aqui tanto quanto eu senti falta de Internet durante uma semana. Meu sorriso abriu-se ainda mais quando descobri um cyber café em conta perto da Stazione Termini, capital italiana. Nos últimos dias, frustração na bela Paris (apenas um lugar, cobrando quatro euros a hora) e outros muitos em Veneza – acima de seis euros. Multiplique esses valores por 3,50 e coloque no outro prato da balança sua abstinência…
Enfim. Uma semana muito bem aproveitada, diga-se de passagem. Meio complicado resumir tudo usando os minutos que restam, mas vamos tentar. Ainda falta muita coisa – o resto eu conto quando chegar em casa, se tudo der certo, na madrugada deste sábado (vai demorar uma vida pra chegar…).

- Nas seis primeiras cidades da viagem – Portugal, Espanha e França, fiquei com a sensação maravilhosa de conhecer um lugar novo, mas sem vontade de voltar novamente. Tudo mudou quando conheci Veneza. Não me surpreende em nada a vontade de passar a lua de mel por lá – até eu, que estou longe disso, fiquei com vontade. E vai ser no BB Venice, a melhor das hospedagens sem sombra de dúvidas.
- Não fosse o idioma horroroso, algumas baguetes sem gosto e o quarto do tamanho do meu banheiro (para 3 pessoas), diria que Paris teria tudo para ser a melhor das sete cidades do nosso roteiro. Ou em que outro lugar do mundo seria abordado por uma curitibana linda (pena que desci na estação seguinte do metro), comeria queijo camembert, encontraria Playmobil na loja de brinquedos e assistiria Lost in Translation numa sala de cinema vazia (apenas eu, Lello e Lu)… Sem preço que pague…
- Tanto em Barcelona como em Veneza, uma realidade: impossível diferenciar turistas da população local. Nas outras cidades, era evidente – Paris então…
- Em portugal é Olá. Na Espanha, Frigo. Os parisienses conhecem como Miko. E na Itália, Algida. Na verdade, todas representam a nossa Kibon – culpa da Unilever, esta moedora de marcas.
- A quantidade de revistinhas de sacanagem nas bancas representam o “clima” em cada lugar. No Porto e em Lisboa, eram raras – sinal de seu conservadorismo. Em Madrid e Barcelona, cidades mais “calientes”, eram dezenas delas – mais do que em Veneza ou, por enquanto, Roma. Deixemos Paris de fora – acho que eles se limitam a procriar para manter a espécie.
- Empresas aéreas baratinhas valem mesmo a pena, mas a EasyJet é uma tremenda zona. Não existem assentos marcados – a sala de embarque vira um curral quando a porta abre e os animais entram. Os comissários de bordo mostraram algum despreparo – inclusive dando risada durante os procedimentos de segurança… Uma das experiências mais decepcionantes da minha vida.
- Todos os guias de viagem que encontrei diziam a mesma coisa: viaje leve. E realmente o mundo precisa repensar o problema universal das bagagens. Impressionante como elas atrapalham em cada deslocamento – até porque elas ficam cada dia mais cheias. Se existe algo que realmente jamais esqueceremos são as escadas que enfrentamos com algumas toneladas extras.
- Curiosidade: em Veneza (e acredito eu em boa parte da Itália), os canais de TV aberta não transmitem os jogos ao vivo, mas a informação não se perde em nenhum momento: as câmeras ficam no estádio, mas focalizam apenas dois narradores (um para cada time) e a torcida. No estúdio, um comentarista e cinco ou seis gatos pingados comentam a partida. Uma mistura de narração do rádio com mesa redonda ao vivo – e caracterres com a classificação em tempo real e o placar dos outros jogos. Muito esquisito.
- Com a noitada ao lado de Leandro Rodrigues em Barcelona, terminaram nossos encontros casuais com amigos na Europa – nenhum conhecido em Paris, e infelizmente o bate-papo com o Allan vai ficar para outra vez. Aliás, uma frase que usamos bastante durante a viagem, por conta da minha vontade de conhecer o bairro de Belém, em Lisboa, que não aconteceu: “belém belém, só na viagem que vem….
- Ainda sobre “piadas internas”, vamos voltar cheio delas. Não se surpreenda se eu começar a escrever “uhhh, scary!”, entre outras coisas.
- Placar parcial: cidades visitadas: sete. Igrejas: cinco (do Carmo e Sto. Ildefonso no Porto, Castelo de S. Jorge em Lisboa, Sagrada Familia em Barcelona e Notre Dame em Paris). Museus: dois (Reina Sofia em Madri e Palazzo Grassi, em Veneza. Como não entrei no Louvre, fica fora). Estádios: cinco (Alvalade em Lisboa, Bernabeu em Madri, Olimpico e Camp Nou em Barcelona e Stade de France). Postais: 50. Presentes para os amigos: 10kg. Donas de pousada acima de 60 anos: duas (Madame Min em Lisboa e a Miss Universo 1954 em Roma). Boa parte dos outros quesitos (entre eles aquele mesmo que passou na sua cabeça) ainda seguem zerados.

Fora essa sequência de detalhes, uma coisa ficou bem clara para mim nesses dias pelo velho mundo: todo medo e desconfiança que permeavam os primeiros dias do ano, repletos de incertezas e preocupações, dissipam-se rapidamente (como os euros na carteira). Ou seja, mesmo sendo um sujeito teimoso como eu, é perfeitamente possível realizar uma viagem dos sonhos.
E acredite: a certeza de que não foi a última é absoluta.
Enfim, nos vemos em São Paulo, um dia antes de votar na Marta.


