quarta-feira, 29 de setembro de 2004

Dicionário básico de viagem

“Vai ser uma ótima para treinar o meu inglês”, costumo dizer aos amigos, ao revelar que ficarei alguns dias perdidos em Portugal, Espanha, França e Itália. A piada, na verdade, não está aí, mas sim durante o passeio no velho mundo. O único idioma que conheço razoavelmente bem é o nosso. Isso significa que, na maioria dos casos, vou ter que improvisar com mímicas. Ou em português mesmo.

Em ocasiões simples, porém, não custa nada se esforçar e tentar arranhar algumas palavras no idioma local. Muitas vezes, o interlocutor poderá sentir pena deste pobre coitado, fazendo a sua parte para conceber a comunicação também de maneira árdua. Se for um vendedor, então, o esforço pode ser compensador. O máximo que pode acontecer é uma pequena briga com algum francês xenófobo – até aí, tudo bem: nunca mais vou ter contato com o indivíduo mesmo…

Faltando pouco menos de dez dias para o nosso embarque, preparei esta indispensável tabelinha. Longe de ser um especialista, tenho absoluta certeza de que muitas das expressões abaixo não significam piciroca nenhuma… Mas que certamente serão úteis, ao menos, para revelar nossa personalidade – nesse caso, o idioma é o de menos.

  português inglês espanhol francês italiano
o básico do básico Bom dia, boa tarde, boa noite Good morning, good afternoon, good evening / night Boenos días, buenas tardes, buenas noches Bonjour, bonsoir Buon giorno, buona sera, buona notte
o básico Sim, não, por favor, desculpe-me, muito obrigado Yes, no, please, excuse-me, thank you very much Sí, no, por favor, disculpe, muchas gracias Ouí, non, s’il vous plait, pardon, merci beaucoup Sí, no, per favore, mi scusi, grazie tante
alô entre amigos Fala, estúpido! Talk, stupid! Habla, estúpido! Il parle, stupide! Parla, stupido!
a mais usada Não entendi, repita? Fala português? I don´t understant, will you repeat? Do you speak portuguese? No entiendo, quiere repetir? Hablas portugues? Je ne comprends pas, répétez. Parlez-vous portugues? Non capisco, vuol ripetere? Parli portoguese?
antes de comprar Quanto custa? How much? Cuánto vale? Combien coute? Quanto costa?
ao não comprar Estou só olhando… Tá tudo muito caro! I’m just looking… All the things are very expensive Estoy solamente mirando… Los regalos son muy costosos! Je regarde seulement… C´est tout trop chére! Sto Soltanto osservando… Tutto molto costoso!
procurando lugares Onde fica o hotel, o restaurante, o bar, o museu? Where is the hotel, the restaurant, the snackbar, the museum? Indíqueme un hotel, restaurant, bar, el museo Oú est un hotel, un restaurant, un bar, le musée? Dov’è un albergo, un ristorante, un bar, il museo?
ao sair de lugares ruins Nunca mais ponho os pés nesta espelunca! Never more I’ll put my feet in this dirty place! Nunca más pondré mis pies en esta suciedad! Jameis je mettrai mes pieds dans cette saleté! Mai metterò i miei piedi in questo sporcizia!
ao se apresentar Eu sou brasileiro, e não desisto nunca! I´m brazilian, and I never desist! Yo soy brasileño, y nunca renuncio Je suis brasilien, et je ne renonce jamais! Io sono brasiliano, e non cesso mai!
ao puxar conversa E o Peixão, hein? What about the Big Fish, man? Que pasa con El Gran Pescado, muchacho? Que diriez-vous des Poisson, cherry? Che cosa quel Pesce, caspite?
antes de ir embora Qual seu e-mail? Anote o meu, escreva para mim! What´s your e-mail? Here is mine, write to me! Cual es tu correo electronico? Acqui el mio, escribeme! Quelle est ton adresses électronique? Voilà la mienne, escris-moi! Il tua posta elettronica? Ecco ilmio, scrivimi!
despedida Tchau! Good bye! Hasta luego! Au revoir! Arrivederci!

Ainda tenho alguns dias pra bolar uma coluna em “português de Portugal”. Coisas como “nunca mais vou estar a colocaire meus pés neste pardeeiro”. Desde já, aceito novas sugestões.

segunda-feira, 27 de setembro de 2004

Blog dando lucro?

Deixo a pergunta no ar após conferir esta matéria da Associated Press, publicada na Folha Online, sobre o “drama” dos blogueiros norte-americanos envolvidos com as eleições presidenciais: nem sua popularidade é suficiente para dar-lhe algum lucro.

Mas desde quando blog deveria ter algum retorno financeiro?

Concordo com você: existem por aí alguns alexandres que mereceriam abraçar a profissão “blogueiro” e receber o salário que fizesse jus. Mas mesmo eles acham (acho eu) que o “lucro” aparece sob a forma de presença na web. Ao promover idéias, estimular a participação de seus visitantes e popularizar essa ferramenta democrática, os blogueiros ditos “populares” podem não aumentar os dividendos, mas conseguem subir com sua reputação.

O que, convenhamos, já pode ser considerado muito diante do panorama atual: com exceção dos pornôs, não existem sites de conteúdo que se paguem sozinhos. Mesmo aqueles que mantém áreas “exclusivas para assinantes” ainda não descobriram a mina de ouro. Até porque, boa parte desse “conteúdo exclusivo” pode ser encontrado em outros sites.

Por enquanto, a única maneira comprovada para ganhar dinheiro com seu blog é usar seu talento blogueiro fora do ambiente virtual: transforme-o em livro, coluna de jornal ou revista, mão-de-obra para terceiros, enfim.

sexta-feira, 24 de setembro de 2004

Carona para os amigos com direito a…

Ao voltar da festa de Nossa Senhora Achiropita, com o Marmoturbo atolado de gente, durante mais um tour caronístico por São Paulo. De passagem pela Avenida 23 de Maio, a trupe se surpreende com um Uno preto: o motorista, que vinha pela faixa da esquerda, ignorou todos os demais e caiu de uma vez para a direita, na boca do Túnel Ayrton Senna. Entre as trocas de ofensas, um grito foi ouvido:

“Ooooaaeeeeeeeeeeeeeeee!!!”

Essa também era a vibração dos turistas do Niagara, toda vez que o guarda descia as cataratas num barril – um fato bastante comum. Esse era o objetivo constante do pássaro durante todo o episódio, que faz tudo para desviar a atenção do homem da lei. Pobre Pica Pau: a cada tentativa, quem acaba descendo as cataratas era o guarda. Em uma das cenas, eram vários deles: “tem alguém aí sem barril?”.

Momentos marcantes: o guarda avista uma gordona e, antes de dar-lhe uma sova, diz “reconheço um barril de longe”. Ou ainda o retorno desesperado do guarda, que vai parar do outro lado do mundo e volta para o Canadá usando vários meios de transporte, sempre gritando “march”. Na cena final, quando o policial “fecha o registro” das cataratas, corre atrás do meliante e acaba surpreendido com as comportas abertas, é o Pica Pau que aparece como policial, finalmente cumprindo seu objetivo, encerrando o desenho com a célebre frase: “tentando descer as cataratas num barril, né? Vou lhe dar uma multa”. (Do episódio Niagara Folls, de 1956, talvez o mais aclamado entre todos os desenhos do Pica Pau).

Atualizado – Dica do sempre atento DilmarX: para rever o desenho das cataratas, clique aqui, baixe, descompacte e divirta-se!

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