Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

Arquivos: julho/2004

Organizar links agora é uma delícia!

Por Marmota | 22/07/2004, 13h06

Lembra da primeira vez que você instalou o Netscape Navigator no seu velho 386 e conectou seu modem de 9600 bps no site yaih.com.br, que reunia todas (sim, todas) as páginas da internet brasileira? Desde aquele momento, a palavrinha “bookmarks” passou a ser algo extremamente familiar em sua vida. Era coqueluche acumular endereços bacanas, precedidos por um sinalzinho cor-de-rosa…

Lembra disso? Pois esqueça. Nem mesmo aquele antigo site de bookmars online será o mesmo após a descoberta do del.icio.us – trocadalho do carilho de Joshua Schachter, que além de inventar a brincadeira, sabe que um domínio .us é mais barato.

Enfim. Trata-se de um simples gerenciador de bookmarks coletivos: primeiro você cria a sua própria conta – del.icio.us/marmota, por exemplo. A partir daí, é só começar a juntar seus links favoritos, categorizando-os usando palavras chave – as tags.

O que muda em relação ao seu organizador de favoritos comum? Simples! As últimas inclusões de todos os usuários aparecem na home page. É possível ainda constatar os links mais populares, além de navegar por tags – as palavras chave – específicas. Por fim, o sisteminha gera um arquivo em XML, para você exportar seus links para o blog, por exemplo (ainda vou descobrir como se faz isso).

O grande barato do del.icio.us, na verdade, é usá-lo como catalisador de blogmarks, ou seja, links que merecem ser preservados, mas longe de virar um post de blog. Para quem já visita o MMM há mais tempo, funciona como as nossas rapidinhas, só que a qualquer momento de fato – aliás, o del.icio.us/marmota substitui com perfeição a minha “gaveta de idéias”, um surrado arquivo rascunho ponto txt…

Agora é a sua vez: delicie-se também com o del.icio.us!

Atualizado: Nosso síndico também fala em blogmarks, além de postar suas inclusões no del.icio.us automaticamente!

Hoje é o seu dia, meu amigo!

Por Marmota | 20/07/2004, 14h36

Existem datas comemorativas que só existem para lembrarmos que nossa vida tem tudo para ser um inferno diário… Mas é possível, ao menos uma vez por ano, homenagearmos aqueles que são importantes. E hoje é o dia de nos rendermos a uma das poucas coisas do mundo que se multiplica quando dividirmos: a amizade. O 20 de julho é dedicado as únicas pessoas em que podemos responder, com sinceridade, a pergunta “tá tudo bem?”.

Mas você sabe porque convencionou-se a data de hoje como o dia do amigo?

A data coincide com a chegada da Apolo 11 em solo lunar, em 1969. Apesar da corrida espacial servir como pano de fundo para a Guerra Fria, o feito de Neil Armstrong e seus companheiros também teve um lado “pollyanna”: a célebre declaração “um pequeno passo para o homem, mas um grande passo para a humanidade” pode ser interpretada como a busca por um mundo sem fronteiras, onde a união dos povos – independente de raças, ideologias ou religiões – seria fundamental para a conquista dos nossos objetivos.

Tal interpretação foi concebida por Enrique Febbraro, dentista, professor e músico argentino. O pai do Dia Internacional da Amizade levou décadas para fixar essa data. Tanto que, após a II Guerra Mundial, em 1945, Febbraro tentara estabelecer a fundação da ONU como marco. Não deu muito certo, já que a data remete a violência e atrocidades diversas. Esperou mais 24 anos por um fato que simbolizasse a amizade universal.

Enrique Febbraro começou ali uma cruzada mundial em torno de seu sonho – a começar pela Província de Buenos Aires, que instituiu a celebração através do decreto nº 235/79. Não demorou para que outros países abraçassem a idéia: hoje, cerca de 100 nações comemoram a data. A iniciativa rendeu ao professor Febbraro duas indicações ao Premio Nobel da Paz.

Pois é, minha gente: o Dia do Amigo foi idealizado por um “amigo argentino”…

Mas enfim. Sua luta a favor da amizade rendeu uma excelente resposta para um problema bastante atual: como encontrar um amigo de verdade? “Es fácil, porque no se lo ve, se lo siente. Mi amigo es mi maestro, mi discípulo y mi condiscípulo. El me enseña, yo le enseño”.

Aproveitando a deixa, hora de registrar meu agradecimento: mesmo que as vezes não pareça, saiba que é muito bom ser seu amigo! Faço minhas as palavras de um deles, o Rodgers Sabbaths: “esse dia não serve só para lembrarmos dos amigos que temos, mas sim para refletir e ver o quanto é importante termos amigos, conhecer pessoas nessa vida”.

Feliz dia do amigo!

Essa não! Promoção manda brasileira para o espaço!!!

Por Marmota | 15/07/2004, 22h24

Informação enviada por e-mail pela minha amiga Amanda: tá lembrado da promoção Procura-se um Astronauta, lançada pela Volkswagen em abril? A proposta era curiosa: você comprava um carro zero ou levava o seu volks para consertos na autorizada e concorria a uma viagem espacial totalmente de grátis. Lembrou?

Pois é. O nome do primeiro brasileiro a viajar pelo espaço saiu nesta semana, entre centenas de milhares de pessoas. Trata-se da administradora de empresas Angela Takesawa, solteira, 24 anos, moradora de Várzea Grande, Mato Grosso do Sul. Comprou um Gol City e vai andar de SpaceShipOne!

Antes mesmo da ganhadora saber que a primeira viagem da nave, realizada pelo norte-americano Mike Melvill esses dias, ter dado alguns probleminhas técnicos, ela foi informada que o passeio deve ser feito até 2006. Tempo suficiente para responsáveis pelo projeto ajustarem as rebarbas.

Quando chegar a hora, Angela ainda terá quatro dias de treinamento na Space Adventures, em Washington, responsáveis pelos “pacotes turísticos”. Antes, ela e outros ganhadores da promoção embarcam no próximo dia 17 de agosto para o Centro Espacial Star City, em Moscou, onde vão conhecer os pioneiros da corrida espacial – além de realizar um vôo onde terão a oportunidade de experimentar a sensação da gravidade zero.

Não se sabe se a Volkswagen vai lançar a promoção novamente, apesar do bom resultado – além do caráter inédito da coisa, as vendas da marca aumentaram em 20%. Mas se você não quer esperar tanto tempo, é só fazer como os dois turistas que já sobrevoaram a Terra a 100km de altura: basta desembolsar US$ 100 mil.

O que é um blog?

Por Marmota | 14/07/2004, 15h46

Só agora me dei conta de algo impressionante: não existe uma boa definição da palavra blog em nenhuma das incontáveis linhas deste espaço. Nem mesmo em nossa seção metalinguística, que está apinhada de referências e discussões. Talvez por conta de uma suposição simplista: só quem me conhece, ou tem um blog, ou sabe o que é um, perde algum tempo navegando por aqui.

Mas essa premissa tem um defeito: não conta os pobres coitados que caem aqui via mecanismos de busca, a procura de mulénua ou ideogramas japoneses. Talvez esse povo, que mal sabe usar o Google, não saiba que tipo de site é este. Por essa razão, vamos ajudá-los, respondendo, em linhas gerais, “o que é blog”.

Comecemos pela definição geral. É um tipo de site, caracterizado pela divisão e atualização do seu conteúdo: são entradas (posts) divididos em ordem cronológica descrescente (os mais recentes aparecem primeiro). Qualquer um pode acessá-lo e participar das discussões, através de links para outros sites ou da caixa de comentários (espécie de mini-fórum).

Parece uma idéia original? Nem tanto. Antes mesmo da popularização do computador e da Internet, já existiam os aficcionados em rádio amador. Isso mesmo, aqueles sujeitos que se comunicam com gente dos quatro cantos do globo usando um transreceptor sintonizado na chamada “faixa do cidadão”. Pessoas que se intercomunicam através de ondas eletromagnéticas – e anotam seus registros em logs.

O termo é popular não apenas entre radioamadores, mas também entre analistas de sistemas e encarregados para suporte técnico em informática: todo servidor conectado à Internet, por exemplo, gera automaticamente um arquivo (o log) contendo um histórico de atividades (data, hora e o ocorrido).

É exatamente como você, ao registrar momentos exatos da sua vida – seja no computador ou no diário de papel – que poderia ser chamado de “personal log”. Ao final da década de 90, surgiram os primeiros “logs particulares na rede”. Não se sabe quem foi o primeiro norte-americano a chamar a brincadeira de weblog. Um dos pioneiros certamente é Dave Winer, criador do sistema Radio UserLand e um dos primeiros blogueiros que se tem notícia.

No começo de 1999, segundo Rebecca Blood, o número de blogs conhecidos eram 23. Como vimos, a coisa se popularizou depressa, tomando o espaço ocupado com newsgroups, BBSsses, listas de e-mail. Fulaninho criava seu blog, escrevia e relacionava páginas que julgava interessante e chamava a atenção de Siclaninho, que começou a fazer o mesmo. De repente, a Pyra criou o sistema Blogger, tornando a coisa ainda mais fácil: até Beltraninho, que não tinha nenhum conhecimento técnico, criou o seu blog e fez referências a Fulaninho e Siclaninho – formando uma entre as milhões de pequenas comunidades virtuais possíveis com os blogs.

Nos últimos cinco anos, a bola de neve só aumentou. Com o 11 de Setembro, descobriram o potencial jornalístico do blog. Com a invenção dos Trackback, solidificou-se a interconexão entre os mesmos. Mesmo a imensa quantidade de informações parece não ser mais problema diante do RSS. Alguma dúvida de que a blogosfera, como chamamos essa tremenda rede de conhecimento e entretenimento, tem um longo futuro?

Muito bem. Agora que você já descobriu o que é um blog, pode opinar sobre outras questões palpitantes: até que ponto os blogs podem ser classificados? Seriam os blogs apenas diarinhos adolescentes? Ou ainda um exercício narcisista e, muitas vezes, arrogante? Será que textos compridos como este não vão dar lugar a imagens e vídeos superficiais, como normalmente a web é vista?

Se você não gostou da idéia, pode continuar a sua busca por muiépelada. Preferencialmente, em outro lugar.

(Não ficou satisfeito? Então leia ainda a resposta dada pelo Ponto Media).

O diogomainardismo

Por Marmota | 13/07/2004, 15h36

Divagava esses dias sobre comparações a Diogo Mainardi, coisas como “ele quer ser Diogo mainardi”, “fui xingado de Diogo Mainardi”, “não quero perder tempo discordando da maioria e arrumar futricas”. Enfim.

A história foi adiante: o colunista ratificou, na edição da revista Veja do último dia 15 de junho, a criação de um novo verbete: o “diogomainardismo”. Algo como “ato ou efeito de fazer barulho e instigar pessoas concatenando palavras de forma discutível”. Veja você mesmo.

Virei um insulto. Tutty Vasques assinalou o fato. Quando os leitores querem insultá-lo por causa de um artigo, já não ofendem sua mãe, como antes, mas o comparam a mim. Chamam-no de Diogo Mainardi. Assim como o termo malufismo ganhou a conotação de desvio de dinheiro público, diogomainardismo pode ser definido como uma difamação espalhafatosa na tentativa de chamar atenção. Foi com esse significado nada lisonjeiro que meu nome entrou para o dicionário. Acompanhado por adjetivos como derrotista, frustrado, invejoso, ególatra, leviano, oportunista, mal-humorado. Pouco importa que eu não me reconheça na descrição. Diogo Mainardi se tornou uma entidade maior do que eu. Como Pelé, posso começar a falar a meu respeito na terceira pessoa.

O epíteto Diogo Mainardi é aplicado a qualquer coitado que reclame publicamente de alguma coisa. Do jornalista que denuncia nossa falta de jeito para o cinema ao blogueiro adolescente que se recusa a gostar de uma determinada banda musical. Em geral, trata-se de gente inofensiva que se limita a soltar um comentário gratuito sobre um tema desimportante. Basta pouco para estimular a ultrajante comparação. Atribuíram-me o monopólio do protesto. Desse modo, qualquer um que proteste é automaticamente associado a mim, com tudo o que isso tem de negativo. Os brasileiros sempre preferiram o conchavo e o corporativismo à discussão e à insubordinação. Apesar dessa nossa propensão à canalhice, tivemos grandes contestadores no passado, sobretudo na imprensa. Aparentemente não sobrou nenhum. Ou melhor, só sobrei eu, um palerma, uma caricatura grosseira de quem me precedeu.

Pelas contas de Tutty Vasques, 96% dos cariocas cassariam meu visto e me mandariam embora do Rio de Janeiro. Certamente os mesmos 96% que apoiavam Lula no começo do mandato. A eleição de Lula representou o triunfo do diogomainardismo. Peguei no pé do presidente desde os primeiros tempos, para contrastar a euforia plebiscitária que se formou ao seu redor. Agora a euforia passou. As pessoas se encheram de Lula e, conseqüentemente, encheram-se de mim, identificando-me como uma espécie de parasita do insucesso petista. Cresci como um verme solitário na barriga do governo, alimentando-me da figura de bom selvagem de Lula, com seu palavreado primário e sua malandragem brasileira. Quando Lula acabou, acabei junto. Virei um palavrão. Daqui a alguns anos, por sorte, ninguém mais se lembrará de nós.

Claro que ser identificado como único opositor do Brasil me envaidece. Claro também que não é bom para o país. A identidade cultural brasileira não se baseou em idéias, mas em um ou dois acordes de violão. A falta de idéias não criou o hábito da contraposição, da reivindicação, da argumentação. Quem não está acostumado a argumentar é facilmente enganado. Por isso o Brasil não funciona. Porque a gente forma espontaneamente maiorias bovinas de 96%. Cultura não é rebolar na rua. Cultura é reclamar, achincalhar, protestar, caluniar. Lamento muito que meu nome seja usado para ofender os mais inconformados. Se alguém o chamar de Diogo Mainardi, porém, não se desespere. Eu já fui comparado até a Aracy de Almeida.

Legal. Mas continuo na minha, longe de diogomainardismos…

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