O misterioso “efeito darlene”
Por Marmota | 30/06/2004, 21h12
A novela já acabou, mas a vontade do ser humano em virar capa de revista a qualquer preço permanece. O exemplo da semana atende pelo nome de Fabíula Rodrigues Santos da Silva, de 18 anos. A história envolvendo esta moça, espécie de “Darlene de Taguatinga” é, sem sombra de dúvidas, a campeã de buscas via Google desde a festa da Giovanna.
Fabíula era uma alegre funcionária da seção de protocolo do Ministério da Agricultura – não concursada, trabalhava por uma empresa terceirizada. Tinha um comportamento normal, não fosse o desejo de se transformar em celebridade…
Adorava ser fotografada e fazer poses sensuais. Certo dia, resolveu fazer isso na sala 940-A, no nono andar, bem em cima do gabinete do ministro. Em dias diferentes, tirou ali algumas das mais de 1400 fotos que possui em seu arquivo pessoal.
De repente, as tais imagens começaram a circular pela web. Chegaram aos principais jornais do Brasil – não pelas curvas da pretensa modelo (???), mas pelo cenário. Disparou uma sindicância interna em busca do autor das imagens, e o mais importante, como elas foram parar na Internet.

Reprodução do jornal O Globo, 22/06/2004.
Cortesia da Renata. E as únicas fotos da baranga disponíveis aqui…
Além da repercussão – e da demissão da funcionária – a história culminou com pelo menos dois rumos distintos. O primeiro: Fabíula não faz idéia de quem divulgou as fotos. Em tese, alguém abriu o computador dela, encontrou algumas fotos de sacanagem – dentro e fora da Esplanada – e mandou o primeiro e-mail, distribuindo as imagens.
A segunda, levantada pela Agência Estado, coloca tempero sabor chantagem no assunto: “a servidora… disse ter sofrido, durante oito meses, abusos sexuais de pelo menos cinco graduados homens da República. A nova versão apresentada por ela é de que as fotos eróticas foram divulgadas por uma amiga que também teria participado de sessões sexuais”.
Seja ela vítima ou não, conseguiu muito mais do que pensava: além da notoriedade virtual, já apareceram convites de revistas masculinas… O que nos leva a pergunta inevitável: como pode uma coisa dessas conquistar o status de “assunto importante”?
Como diria Dona Milu, mistéééério…
Enfim, vamos arrematar o assunto principal com outro destes fenômenos instantâneos da mídia: Tati Quebra-Barraco (???), sucesso nos bailes fanque do Rio. Questionada sobre a influência negativa de suas canções (???) no programa Dormindo Legal, no último domingo, ela respondeu: “a boca é minha, e eu canto o que eu quiser. Se não gostou, não ouve e pronto”.
Ela tem razão: a indiferença é a grande arma para exterminar o “efeito darlene”.
Importante: a proposta aqui era simples: escrever um textinho questionando nossos valores – afinal, o que você acha de vivermos em um mundo onde a busca desesperada por 15 minutos de fama, a qualquer preço, é considerado mais importante? Só isso. Você não vai achar aqui as fotos da feiosinha. Sugestão: continue procurando, você vai encontrar.


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Parece que foi ontem quando, após alguns dias de planejamento, uma turma de amigos seguiu ritual de milhares de paulistanos: final de semana em Campos do Jordão. Se bem que, levando em conta as histórias que contávamos na época para hoje… Muita coisa mudou. A ponto de afirmarmos, categoricamente, que nunca mais será possível uma viagem igual a esta.

Corrijam-me se eu estiver errado. Mas desde A Próxima Vítima, em 1995, não via tamanho frisson
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