Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

Arquivos: abril/2004

Curitiba em pequenas doses

Por André Marmota | 30/04/2004, 14h45

Tenho o péssimo costume de planejar coisas. Idealizar e prever acontecimentos diante das possibilidades. Por mais que eu tente evitar, é incontrolável. Foi assim com meu final de semana em Curitiba. Felizmente, para alegria dos meus neurônios, o planejamento foi soberbo.

Ou melhor, quase. Mas enfim, o balanço final foi altamente positivo!

O fato é que fica impossível contar, em poucas linhas, detalhes curiosos e as observações interessantes sobre mais este passeio inesquecível – com direito a festa de casamento. Portanto, prepare-se: vem aí mais um post campeão de kilobytes do MMM. Tudo sobre a viagem de três amigos – Marmota, Lello e Priscilla – rumo a capital paranaense. Senta que lá vem a história!

- Como sabem os leitores mais antigos deste blog, o trecho que separa São Paulo e Curitiba é um velho conhecido meu. Todos os perigos ocultos nas curvas da BR 116 – a famigerada Régis Bittencourt – saltam aos meus olhos com uma sensação de deja vu impressionante. Melhor assim: as seis horas no volante, tanto na ida quanto na volta, parecem mais rápidas.

De um lado da foto é São Paulo. Do outro é Paraná.- Aliás, a imutabilidade da estrada e seus demais elementos (como as paradas obrigatórias no Buenos Aires e no Petropen) chega a irritar. Até as placas de “modernização”, encravadas nos primeiros anos do governo FHC, já estão caindo. Por que não transformar a “rodovia da morte” numa espécie de “Nova Régis”? Seus usuários seriam eternamente gratos.

- Por volta das duas horas do sábado, já estávamos sobre o viaduto Colorado, saindo da Avenida das Torres, a procura do nosso hotel. Em poucos minutos, descobri que as principais avenidas de Curitiba, mesmo as que possuem um canteiro central, seguem em um único sentido. Depois de algumas voltas desnecessárias pelos arredores da movimentada Visconde de Guarapuava, paramos na tranquila General Carneiro. “Até o fim do passeio, a gente acerta o caminho”, profetizou Lello. Normalmente é assim mesmo.

- “Filho, você esqueceu o cinto”, alertou minha mãe, no trivial telefonema “chegamos bem”. Disse que não me importava, afinal a roupa do casamento já estava em estado desolador após os solavancos no porta-malas. “Filho, suas calças vão cair na festa. Arrume um cinto”. Nunca duvidei da sabedoria de minha mãe, por isso decidi ir atrás do acessório. A pé mesmo.

- Anote: a partir do dia 24 de abril, o cruzamento da rua Mariano Torres com a Sete de Setembro passa a se chamar “cruzamento do maluco”. Tudo porque o cururu aqui prosseguiu telefonando enquanto caminhava e, sabe-se lá porque, não parou. Só se ouviu a buzinada e um “maluuuuco”, a poucos centímetros de um carro em alta velocidade. “Putz, ele veio do nada”, testemunhou Lello. A Pri, coitada, quase desmaiou.

Difícil vai ser esse trem sair do Shopping Estação... (piada fraca)- Finalmente, o simpático Shopping Estação, com museu ferroviário embutido e curiosos chafarizes. Pausa para o almoço. Optei por uma saladinha, já que estávamos com pressa. Pedi uma bem simplesinha num lugar chamado The Sub’s. Em poucos instantes, fui surpreendido por um balaio de alface, ovos cozidos, tomates inteiros e muito, mas muito molho de queijo. Pouco mais de meia hora comendo e ainda não estava na metade. Incrível, mas pela primeira vez na vida, fui vencido por uma saladinha.

- Ainda com remorso por ter deixado a comida no prato, corri para as Lojas Americanas. Peguei o primeiro cinto que vi na frente, aproveitei o bom preço de um casaco simpático e me mandei para o caixa. Sobrou pouco tempo para voltarmos ao hotel e nos aprontarmos. Dito e feito: eram cinco e meia, hora da cerimônia, quando estávamos prontos para sair.

- Ah, sim. Estava quase saindo quando lembrei do cinto novo. Peguei por uma ponta, fui enfiando-a nas alças da calça envolvendo-o na cintura… Até ser interrompida, bem longe da fivela! “Eu perguntei se você tinha experimentado o cinto”, lembrou a Pri. Acho que eu não ouvi…

- Felizmente, o roteiro elaborado pelo Luis estava perfeito: seguimos todas as orientações até chegarmos, pontualmente as seis da tarde, ao local do casório. Tive certeza de que estava certo quando vi uma bandeira do Inter na entrada. Idéia brilhante, que certamente vai ser usada no meu casamento!

De onde saíram esses dois manés?- Apesar do horário, o tempo fechado e uma fina garoa provocavam uma falsa impressão: parecia tarde da noite. A sensação piorou quando percebemos os convidados no salão, os arranjos sendo retirados e os noivos tirando fotos ao fundo… Mais alguns segundos para que alguém me acordasse e dissesse: “perdemos a cerimônia”… Put I keep are you!

- “Ah, mas foi rápido mesmo. Os músicos não são como os do Titanic: ao menor sinal de chuva, tchau”, explicou Luis. “Mas a cerimônia foi linda”, concluiram os noivos. Vou ter que esperar para assistir ao vídeo em minha próxima passagem por Floripa… Enfim, sei que é meio chato ter que dizer isso, mas tenho que admitir: o jantar e a festa estavam ótimos!

- Antes da valsa e das fotos, um pedido especial do Luis: “meu amigo também é paulistano. De repente, rola uma carona”. Aceitei prontamente: “devo sair na segunda-feira cedo”. Só depois de alguns dias liguei o nome a pessoa: era o Ricardo Bittencourt! Foi quando descobri também que ele acabou voltando no domingo mesmo para São Paulo…

- A festança começou ao som de forró (?) e YMCA, e logo nos primeiros movimentos, constatei que minha mãe tinha razão. Nem mesmo uma rápida ajeitada no WC fez com que minhas calças permanecessem em ordem… Apesar de estarem com as roupas no lugar, meus companheiros de viagem também pareciam pouco à vontade. Optei por deixar os convidados se divertindo e terminar a noite em um lugar mais tranquilo. “Tem mais é que ir mesmo, estúpido. Por sua causa, perdemos a cerimônia…”, azucrinou Lello.

Pelo visto, os dois estavam gostando...- Por recomendação da Cacau, fomos ao Batel, uma espécie de “Vila Madalena”. Caminhamos um bocado até descobrirmos onde fica o burburinho. Descobrimos da pior maneira possível: um movimentado restaurante mexicano estava totalmente ocupado. Ao lado, fila de 40min em uma lanchonete do tipo fiftie’s denominada “Peggy Sue” (seu passado a espera). Ou 1h30 de espera no Bar Brasil, de um famoso e versátil empresário.

- No fim, caímos no Armazém São José, barzinho tranquilo ao final da Avenida Bispo Dom José. Ao som de Agepê, Djavan, Grupo Molejo e Beth Carvalho (eclético, não?), pedimos as especialidades da casa: uma porção de bolinho de mandioca com carne seca e um “ambulante” – sem saber direito do que se tratava. “Deve ser bom”. Veio a generosa porção de bolinhos e um sanduiche com carne e algumas fritas. “Não é daqui, não. Pedimos o ambulante”, disse. “Mas é esse aqui mesmo”. Estúpidos!

- Conseguimos driblar o frio apenas enquanto dormíamos: na manhã de domingo lá estava ele nos aguardando… Depois de um café com o Schumacher (e Rubinho em sexto), fomos raptar o meu pai, que coincidentemente estava trabalhando em Curitiba, para levá-lo ao Jardim Botânico. Chegar até ele foi fácil: difícil foi chegar ao parque sem se perder pela cidade, como da última vez. Passamos umas três vezes pela BR 116 até chegarmos ao estacionamento… Mas valeu a caminhada. O lugar, apesar da falta de maiores “legendas” na maioria das plantas, é maravilhoso.

É claro que eu tinha que fazer micagem. E o Lello com cara de apaixonado...
se ainda puder, não deixe de sair com o seu pai!

- A responsável pelo nosso almoço era a Cacau, que chegou ao Jardim Botânico ao lado da sua grande amiga Dani. Sugestão das moças: o Madalosso Novo, na Santa Felicidade, considerado o maior restaurante do Brasil. “Tá até no Guinness”, garantiram. De fato, o lugar é portentoso: praticamente toda a cidade de Curitiba estava almoçando por lá quando chegamos!

Um dos oito salões do Novo Madalosso. Um colosso.- O papo tava bom, mas ainda restava o fim de tarde. Satisfeitíssimo com o passeio, meu pai decidiu ficar no centro. Já os intrépidos aventureiros foram caminhar no Parque Barigui, o maior da cidade. Nessa altura do campeonato, os cinco já estavam absolutamente enturmados!

– Acreditem: a Cacau é mais fanática por futebol do que eu ou mesmo o Lello: a cada rádio de pilha ligado, uma pausa para ouvir o resultado do Coxa. Foi o futebol, aliás, que nos levou a um barzinho encravado no parque – de onde vi a sensacional falha do Marcos diante do Colorado. E segue o papo, regado a suco…

– Ali, o ponto alto da tarde. A pequena Letícia, no alto dos seus doze anos, apareceu em nossa mesa vendendo rosas artificiais. Ela é daquelas insistentes, que se esforçam para engambelar seus clientes: declama poesias, discursa sobre o “fome zero de sua família”, entre outras coisas. Tanto eu, bancando o sonso desentendido. quanto Lello, verdadeiro canastrão, entramos na onda. Risadas certas!

Quer saber se acabamos comprando as flores? Perguntem pro Lello.

– Letícia, que me achou engraçado a ponto de me chamar de “Faustão”, cobra três reais por rosa – independente da cor ou da quantidade de “estrelinhas ou caretinhas” adesivadas. A lábia da garotinha lhe garante uma média de quinze rosas diárias – sem contar a despesa mínima com matéria prima, a precoce trabalhadora fatura sozinha 1300 reais brutos por mês. Imagine quando chegar aos 25 anos…

Atenção ao famigerado homem do esfregão, à esquerda...- Nos despedimos da Dani na entrada do Shopping Estação – terminamos o passeio exatamente onde ele começou. Num olhar mais atento ao redor das fontes, constatamos a presença de um homem mal-humorado, munido de um esfregão. Sua missão é simples: quando alguém mete a mão na água, ele deve secar tudo rapidamente. É claro que sua empáfia natural lhe dá crédito suficiente para meter medo nas crianças… Cuidado: o homem do esfregão pode pegar você!

– Parada obrigatória na livraria antes de comer: convidamos as meninas para encarar uma barca de comida japonesa. Para elas, um desafio inédito, a começar pelo trabalhoso hashii. Como tudo na vida, é só uma questão de prática.

– Percebemos o quanto valeu a viagem quando não percebemos o tempo passar: passava da meia-noite quando deixamos a Cacau em casa, em São José dos Pinhais (no caminho para Floripa). “Ainda dá pra conhecer a Rua 24 Horas”, disse, na volta para o hotel. Pessoalmente, pelo que conheço, não perdemos nada. E o fato de não passearmos pela histórica Rua XV ou mesmo na Praça Osório indica que precisamos voltar até lá… Vamos?

E acabou!

Somos imprestáveis

Por André Marmota | 27/04/2004, 16h00

Antes de dissecarmos o fim de semana em Curitiba (com direito a um resumão ilustrado, não deixe de perder), saiba que abriram a brecha para pregarem o fim do gênero homem: notícia publicada (e comentada) pelo editor do UOL Tablóide apresenta ao mundo a ratinha Kaguya. Duas mães e nenhum pai.

A pergunta é inevitável: depois dessa, para que servimos? Estamos caminhando para o fim do romantismo, dos relacionamentos dedicados e duradouros, das intermináveis discussões? Tudo pela praticidade em conseguir tudo (absolutamente tudo) sem ajuda de ninguém?

“Para que servimos nós, homens, afinal? Trocar a lâmpada queimada? Matar baratas (voadoras, de preferência)? Entender mapa? Explicar o caminho da casa para o trabalho e vice-versa?… A dúvida fica. E com ela, outra dúvida: será que certos homens, como o editor do UOL Tablóide, não servem nem pra descobrir pra que os homens servem?”, complementa nosso incrível fornecedor de dúvidas existenciais.

E você, o que me diz?

13 horas por mês na web

Por André Marmota | 26/04/2004, 15h47

Estamos de volta, começando a semana com uma notícia curiosa: a cada mês, os internautas brasileiros passam mais tempo na web. Esta é a conclusão do Ibope/NetRatings, que divulga o balanço mensalmente – o assunto, inclusive, já esteve presente em nossas rapidinhas, ano passado.

Em março, os 12,3 milhões de navegantes brazucas passaram, em média, 13h14 na cadeira (cá entre nós, essa é quase a minha média diária…). Isso quer dizer que, enquanto estamos entre os campeões de exclusão digital, somos um dos quatro países que mais navegam.

Será que preferimos surfar na rede a sair de casa em nossos dias de folga? Ou seria pura falta do que fazer? Provavelmente não é nada disso. As declarações online do Imposto de Renda podem ter engrossado a conta, já que os sites governamentais (em especial o da Receita Federal) representaram 39% das visitas. “Por este motivo, a tendência para abril é de crescimento”, aponta Alexandre Sanches Magalhães, analista do Ibope.

Atrelado a informação acima, o Estadão traz ainda outro levantamento, este feito pela IBM em conjunto com a revista britânica The Economist, sobre cultura de negócios online. Bem adiante do Brasil, que ocupa um modesto 35º lugar, os países escandinavos são os campeões</b nesse quesito.

“A Escandinávia é notável, pela forma como os cidadãos absorveram a tecnologia da Internet no dia-a-dia das suas vidas, alterando completamente a sua forma de trabalhar, fazer compras e comunicar com entidades oficiais”, conclui a matéria do Estadão. Em contrapartida, por aqui perdemos mais tempo na web para conceber e visitar coisas assim

Todos os mistérios serão revelados!

Por André Marmota | 25/04/2004, 19h19

Ainda Curitiba (PR) – Já ouviu falar no caso Roswell? Na Área 51? No ET de Varginha? E no experimento Filadélfia? Soube que Paul McCartey está morto desde 1966? E quem matou PC Farias? E Kurt Cobain? E Roberto Marinho? Será que existem alienígenas convivendo pacificamente conosco?

Pode ser que isso seja paranóia. Mas é tudo verdade. Tramas que permeiam essa nossa vidinha previsível. Estamos cercados de teorias conspiratórias – algumas pouco convincentes, mas nenhuma delas questionável o suficiente para duvidarmos delas. O mundo está repleto de gente conspirando contra suas certezas e teimosias, usando como pano de fundo personagens como a CIA, a KGB, Fidel Castro, a maçonaria, seres vindo do espaço… Enfim.

Tudo que eu posso dizer é que a sua vida vai mudar assim que você puser as mãos no livro Conspirações – Tudo o que não querem que você saiba, obra sensacional concebida pelo jornalista Edson Aran. Um pequeno compêndio de teorias absurdas, histórias incríveis, coisas extraordinárias, mistérios possíveis e impossíveis.

“Em uma palavra: divertidíssimo”, garante Lello Lopes, meu co-piloto na capital paranaense e responsável por esta excelente indicação de leitura. “Tem desde o clássico assassinato do presidente Kennedy até a misteriosa atuação da FLNJ (Frente de Libertação dos Anões de Jardim)”.

Antes de começar a rir das teorias conspiratórias esdrúxulas, um alerta do próprio Aran: “o conjunto de idéias que dá suporte ao senso comum é resultado de uma gigantesca sequência de expurgos. Sobreviveram apenas os conceitos que causam menos estranheza… A história, alguém já disse, é escrita pelos vencedores. As idéias também. O mundo cartesiano e lógico que está aí fora é só mais uma conspiração bem orquestrada”.

E o que é a verdade, afinal de contas, Dona Milú? “Mistééééério”…

Em tempo: A Vivi, das Garotas que Dizem Ni, também já leu Conspirações. Aliás, as moças festejaram um ano de sucesso na grande rede neste mês!

Bom, sobre esse festejo, falaremos em breve. Deixem-me chegar de Curitiba primeiro.

Eles vão dominar essa encrenca

Por André Marmota | 22/04/2004, 21h57

Já sei o que eu quero ser quando crescer, mãe: Google. Primeiro, convenceram o mundo que são capazes de dar todas as respostas que precisamos. Depois, compraram o Blogger para saber um pouco mais sobre o que escrevemos. Com o Orkut, estamos recriando nossas “geografias sociais” para eles, sem esquecer de declarar nossas preferências. Convenceram meio mundo de que é possível ganhar algumas doletas com a ajuda eles. E o próximo passo é reinventar o e-mail.

Tudo isso ainda é “peanuts” perto do que está por vir. “Google tem o mapa da web, sabem como as pessoas se movem dentro do espaço virtual”, declaração pinçada do blog de um webdesigner chamado Jason Kottke e contextualizada num artigo entitulado Google desafia o monopólio da Microsoft. Texto repleto de conclusões proféticas, baseado na criatividade e no ritmo de inovações do oráculo e, porque não, uma incursão da empresa no negócio de sistemas operacionais e desktop software.

Ao que tudo indica, eles vão dominar essa encrenca batizada por nós, reles dependentes do oráculo, de Internet. “Eu prevejo que o Google será a maior e mais importante empresa do mundo em até oito anos”, finaliza Kottke. Tremei, Bill Gates.

Atualizado – Ainda longe das previsões de domínio, o Google pretende vender ações. Seria a volta da bolha?

A propósito, todo usuário do Google, ao procurar por marmota, cai aqui. Na prática, isso significa que esta página tem mais links que qualquer outra marmota em todo o mundo. Muito grato pela preferência.

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