Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

Arquivos: março/2004

Os arquivos da Marmota Television

Por Marmota | 29/03/2004, 19h05

Um dos milhares de projetos ambiciosos que dificilmente serão concluídos em breve é uma edição camarada das minhas dezenas de fitas VHS espalhadas pela casa. Muitas imagens, depoimentos de amigos, familiares, registros históricos… Enfim, rende um bocado.

Enquanto não consigo domar meu tempo livre ou mesmo arrumar um e outro equipamento faltante, segue uma rápida amostra, escolhida de maneira totalmente aleatória. Há cerca de três anos, a TV Gazeta exibia, em horário nobre, uma chamada com os destaques do jornal A Gazeta Esportiva. O negócio era feito na própria redação: uns três ou quatro repórteres se revezavam diariamente para brincar de fazer televisão.

Em uma das minhas poucas aparições em A Gazeta Esportiva no ar, um registro curioso: alguém (que talvez você conheça) circulava normalmente pelos corredores, e sem se dar conta que estava diante das câmeras, parou, abaixou-se e fez o sinal da cruz. Uma bênção histórica, que você pode rever agora – salve este arquivo no seu PC e abra-o no Windows Media Player.

Infelizmente, a reza do nosso amigo não foi suficiente para impedir a “descontinuação” do jornal A Gazeta Esportiva em novembro de 2001 e, com isso, o fim do boletim diário na TV. Mas a qualquer momento, novos arquivos desenterrados do quintal da Marmota Television reaparecerão aqui!

Brazil, the house of Mother Joana

Por Marmota | 29/03/2004, 13h46

Intrigante é o mínimo que se pode dizer a respeito da entrevista com Carlos Alberto Costa, chefe do FBI no Brasil durante quatro anos, concedida ao sempre brilhante Bob Fernandes à revista Carta Capital. Publicada há uma semana, tanto a entrevista quanto a matéria abrem uma série especial em comemoração aos 40 anos do golpe militar de 1964.

Quer dizer, soa até brincadeira falar de golpe diante da língua solta de Carlos Costa – que afirmou, entre outras coisas, que os EUA entregaram ao Iraque as armas químicas que, anos depois, seria o mote de uma guerra. A começar pelo domínio norte-americano sob forma de esmola, ou melhor, alguns milhões de doletas por ano: “Os Estados Unidos compraram a Polícia Federal… A vossa Polícia Federal é nossa, trabalha para nós há anos”.

Quer dizer que o FBI, a DEA, a CIA, entre outras instituições norte-americanas estão aqui simplesmente para mandar, como se fosse a nossa polícia? Não apenas. “Uma das importantes funções que nós temos na embaixada é manipular a imprensa brasileira… Manipular, conduzir, controlar a imprensa brasileira no que nos interessa. A isso chamamos influenciar… É virar a opinião pública a nosso favor”.

Diante disso, os agentes norte-americanos se sentem à vontade, como na casa da Mãe Joana. Grampear telefones no Palácio da Alvorada e Itamaraty, descobrir terroristas no Brasil – segundo ele, responsáveis por um atentado a embaixada israelense em Buenos Aires em 1992, observar e criticar o trabalho da Abin (agência brasileira de inteligência), entre outros servicinhos. “Houve uma determinação de Washington para que eu monitorasse todas as mesquitas, xeques, aiatolás e líderes da comunidade muçulmana no Brasil e fizesse listas”.

“Recusei-me, há ocasiões em que uma pessoa deve se recusar a cumprir ordens inconstitucionais”, complementa Carlos Costa, que por essas e outras, se desligou da função. Promete contar mais histórias do gênero em um livro – enquanto a Carta Capital desta semana continua soltando material sobre o tema, divulgando o nome dos agentes dos EUA que fazem seu trabalho tranquilamente por aqui.

Engraçado que, depois de uma semana, um tema indiscutível como este não decolou – no máximo, duas ou três linhas em alguns jornais…. Bom, talvez por alguma razão: os americanos são boa gente, não merecem ser maltratados. Deixa eles, vamos fazer de conta que não é com a gente. Afinal, somos o Brasil mesmo: who cares?

Britney, a mais sexy. Concorda?

Por Marmota | 26/03/2004, 21h23

Quer um jeito fácil de provocar injustiças e criar polêmica? Invente uma lista do tipo “os cem mais”. Nesta sexta-feira, saiu mais uma do gênero, não tão polêmica quanto a do Pelé, mas nem por isso menos discutível: a revista masculina FHM (uma espécie de Vip inglesa) divulgou a relação das 100 mulheres mais sensuais do mundo. Relação encabeçada por Britney Spears, aquela cantora pop que, nas horas vagas, dubla o patinho feio. Entre as Top 10, figuram Beyonce, Jennifer Lopez, Angelina Jolie, Halle Berry e Elisha Cuthbert (a Kim, filha do Jack Bauer em 24 horas).

Olhando bem, a Britney Spears é até bonitinha. Mas convenhamos: mais sensual do mundo? Talvez na Inglaterra, entre os adolescentes que lêem a FHM… A discussão, aliás, não é nova: quando a Revista Vip anunciou Daniela Cicarelli como a mais sexy da lista brasileira, Cumpadi Inagaki definiu o levantamento da seguinte forma: “a lista é definitivamente um termômetro de exposição midiática”. Novamente, a máxima se aplica: nunca se ouviu falar tanto em Britney Spears, seja na Inglaterra como aqui.

Tenho certeza de que você tem um nome diferente, seja ela uma dessas musas pré-fabricadas do showbiz ou mesmo alguma figura desconhecida da maioria, do passado ou do presente. Pessoalmente, a mulher mais sexy do mundo é aquela que, quando acorda ao meu lado em uma manhã qualquer de inverno, sorri e diz bom dia enquanto me beija, mesmo com os cabelos desajeitados e olhos semi-abertos…

O preço do sucesso: R$ 10 por Gb

Por Marmota | 24/03/2004, 21h44

De repente, você inventa de criar um site na Internet. Tudo porque alguém te disse que é fácil e baratinho. Inventa aquele monte de coisinhas piscando, atualiza todos os dias e, num piscar de olhos, vira sucesso – seja lá pelos amigos ou via Google. Tudo vai bem até que, antes do mês acabar, você é surpreendido pelo Erro 509:

Bandwidth Limit Exceeded. The server is temporarily unable to service your request due to the site owner reaching his bandwidth limit. Please try again later.

Faz idéia do que quer dizer isso?

A rede mundial de computadores, criada nos anos 60 como mais um instrumento militar norte-americano, começou a se transformar nos anos 90, quando aparecem as primeiras operadoras comerciais no negócio. A partir daí, a Internet tomou a forma que conhecemos hoje: um modelo de sucesso, que conquistou milhões de usuários em todo o planeta.

Diante de tamanha euforia, muitos não se deram conta do óbvio: como é que um negócio desse tamanho consegue ficar em pé sozinho? Nos primórdios, a resposta vinha com outra pergunta: quem se importa? Todo mundo queria ter o seu cantinho no cyberespaço. Grandes portais faziam questão de mostrar ao mundo: vejam quantos bilhões de páginas são acessadas aqui! Somos gigantes!

Um belo dia, veio a conta. E a constatação: os tais bilhões de page views custam muito. Descobriram que a infra-estrutura de telecomunicações existente não estava suportando a demanda, e a cada dia, mais e mais dados circulavam pela rede, esgotando seus recursos. Para suportar o tráfego de informação, surgiram novos padrões de uso. Entre eles, a cobrança por excesso de transferência.

Mega-sítios de conteúdo como o UOL agiram rápido e mandaram os elefantes para um spa: sucessivos cortes de páginas e bits inúteis aliviam a carga dos servidores e reduzem custos. Reformas visuais como a que vimos nesta semana matam dois elefantes numa única paulada: páginas mais leves e rápidas melhoram a navegabilidade e diminuem o tráfego.

A Telefônica também estava perdendo dinheiro com o excesso de dados e decidiu taxar o novo Speedy justamente pela transferência de dados. Na prática, empresas que disponibilizam acesso e espaço na Internet esperam de seus usuários um uso racional dos recursos, sob o risco de serem atacados em seu ponto fraco: o bolso.

Aqui chegamos ao “Bandwidth Limit Exceeded”: em um mês, os visitantes do conglomerado Marmota.org podem usufruir até 2Gb de informação por mês – o que corresponde a carregar este blog 21.500 vezes. Nada mau, não fossem as toneladas de arquivos disponíveis para consulta, que também entram na conta. É tudo que eu sempre quis: informar ao mundo que este site é grande o suficiente para alguém se perder em suas páginas! Qual o preço disso? R$ 10 por cada Gb extra…

A conclusão é simples: o limite de banda é o grande gargalo da Internet, por conta do mau uso dos seus recursos – metade do que circula pela rede não passa de spam, vírus ou outro tipo de lixo. É como a conta de água: quando o calo aperta em casa, medidas drásticas devem ser tomadas. Aguardem minhas providências: por aqui, algumas torneiras serão fechadas.

Já estava com saudades do nosso…

Por Marmota | 24/03/2004, 15h05

Por algumas horas desta quarta-feira, nossos servidores anunciaram a mensagem “Bandwidth Limit Exceeded: The server is temporarily unable to service your request due to the site owner reaching his bandwidth limit. Please try again later”. Significa que a cota de 2Gb de transferência mensal do MMM estourou uma semana antes, algo inédito em sua história:

“Em todos esses anos nessa indústria vital, esta é a primeira vez que isso me acontece…”

Funcionário responsável pela manutenção da rede elétrica, ao esbarrar com um problema jamais visto – provocado, evidentemente, por Pica-Pau, interessado em estabelecer sua morada em um dos postes. Na tentativa de expulsar o pássaro, o funcionário se desespera, repetindo a frase acima diversas vezes. Ao final, com a maioria dos postes destruídos, Pica-Pau utiliza o “nariz” do pobre funcionário como luminária. Este acaba o desenho firme em seu trabalho, literalmente: garante o fornecimento de energia com seu próprio corpo, segurando os cabos. (Do episódio Room and Bored, de 1962).

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