Marmota, mais dos mesmos

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Arquivos: janeiro/2004

Como programar os posts do seu blog

Por Marmota | 27/01/2004, 06h30

Acredito que, nas últimas semanas, muitos internautas ficaram curiosos para saber como é possível “agendar posts no blog”, prevendo situações como a que eu estou passando agora: um longo período de inatividade. Particularmente, essa dúvida pintou pela primeira vez na minha cabeça em abril do ano passado, assim que migrei para a tecnologia Movable Type (se você usa blogger, weblogger, blig ou outro gratuito, certamente o restante do post será frustrante…).

Em busca de respostas, tive a orientação do mestre Fábio Sampaio, que me deu uma rápida aulinha: “MT é um publishing tool, que gera paginas estaticas – ao contrario de outros CMS em PHP/MySQL, que geram a página dinamicamente no instante do acesso, você é obrigado a regerar as pages índice sempre que publicar algo. A solução completa passaria por um script que seria executado todo dia automaticamente (via cron jobs, por exemplo), fazendo a geração da página somente com os posts até o dia atual”.

Traduzindo: o sistema não pode agendar posts, pois seria necessário alguém (ou um programa) para “clicar no publicar” todo dia.

Mas nem tudo está perdido: “existe um script em PHP que pode ser a solução para o que você deseja”, completou Fábio, indicando este endereço. Trata-se de um comandinho em PHP, que após instalado, faz com que o blog mostre apenas os posts publicados a partir da hora atual. Ou seja: se mudarmos a data do post, ele não aparece até o horário previsto!

A versão do comando PHP publicada no site é a seguinte:

<MTEntries>

<?

if (time() > strtotime ("<$MTEntryDate format="%B %e, %Y %I:%M%p"$>"))

{

?>

<!--- a seguir entram as tags normais do MT. Antes do "/MTEntries", adicione a próxima linha: -->

<? } ?>

</MTEntries>

Depois de mergulhar fundo na linguagem PHP, percebi que, na prática, o comando acima faz uma comparação entre a data e hora atual e a do post. Descobri ainda que a função strtotime reconhece apenas datas em inglês. Ou seja, dependendo do formato de data, a coisa não funcionaria bem no MMM. Assim sendo, fiz uma “alteração estúpida, porém funcional”:

<MTEntries>

<?

$hoje = date("Y-m-d H:i");
$post = "<$MTEntryDate format="%Y-%d-%e %H:%M"$>";
if ($hoje > $post)

{

?>

<!--- a seguir entram as tags normais do MT. Antes do "/MTEntries", adicione a próxima linha: -->

<? } ?>

</MTEntries>

Em tese, parece funcionar perfeitamente por aqui. Com exceção de alguns dados importantes: “tenha em mente que o fonte da página conterá todos os posts para o futuro, porém apenas aqueles até a data atual são mostrados no browser pela interferência do PHP. Outra falha da solução é o aparecimento desses posts do futuro na lista de resultados, caso alguém faça uma procura no blog com palavras que os mesmos contenham”. Realmente, quem fez isso por aqui quebrou a cara…

A idéia certamente vai ser aperfeiçoada para o ano que vem, quando provavelmente existirão plug-ins preparados para tal. Ou, de repente, simplesmente esqueço esta facilidade e ignoro solenemente a existência do blog nas férias.

O tamanho do aniversariante

Por Marmota | 25/01/2004, 06h24

Neste domingo, a cidade de São Paulo deve estar em ebulição, comemorando seus 450 anos de fundação. Nesses últimos anos, a cidade aniversariante cresceu desordenadamente, chegando a meia-idade com um corpão extremamente adiposo e disforme. Seguem números retirados deste levantamento do Fantástico, em outubro passado.

Somos 10.600.060 de habitantes, espalhados de qualquer jeito em uma área de 1.522 quilômetros quadrados – muitos deles em uma das 612 favelas. E o número não para de aumentar: 508 bebês nascem por dia na cidade de São Paulo, ou seja, 21 bebês nascem por hora.

Sem contar quem está em trânsito. Só em Cumbica, no Aeroporto Internacional, são 30 mil passageiros chegando e partindo todos os dias em 500 vôos operados por 39 companhias, ligando São Paulo a 215 cidades de 63 países dos cinco continentes. Já Congonhas liga a capital a apenas 80 cidades e capitais do Brasil, com uma média de 600 pousos e decolagens/dia entre as 6h e 23h. São 6,5 milhões de visitantes todo ano, descontando os migrantes que descem no Tietê.

Impossível andar de carro: 500 mil novos carros são vendidos anualmente, aumentando consideravelmente a atual frota composta por cerca de 5.580.000 automóveis (fora os irregulares). Destes, 3,5 milhões circulam regularmente pelos 15.456 quilômetros de malha viária. Ou melhor: sempre conseguem interromper um dos 55 mil cruzamentos ou passar no vermelho de um dos 40 mil semáforos. Sem contar a parcela de postes destruídas diariamente – São Paulo possui um milhão deles. Curiosamente, apenas 525 mil possuem lâmpadas de iluminação pública.

Quer andar a pé? Cuidado com a sujeira: diariamente, os mais de 10 mil trabalhadores que cuidam da limpeza juntam 11.660 toneladas de lixo e entulho por todos os 178 mil quilômetros de ruas e sarjetas varridas por mês na cidade. Evidentemente, não dão conta dos sujismundos.

Mas São Paulo tem seu lado bom: é a capital da gastronomia: 15 mil bares, 55 mil restaurantes – sendo 4.500 pizzarias, que servem 45.833 pizzas por hora – ou 764 pizzas por minuto. Destes, muitos se localizam em um dos 36 shoppings centers da capital.

Além do que, São Paulo não para nunca: sempre há o que fazer. Estima-se um evento ou uma festa na cidade a cada 12 minutos. Sem contar os 244 cinemas, 124 museus, 62 teatros, 21 parques…

Depois de tudo isso, só resta dizer parabéns a São Paulo!

E a mídia descobre os blogueiros

Por Marmota | 21/01/2004, 06h18

Como disse recentemente, muito se especulou sobre de que modo a ferramenta blog poderia estar interligada ao jornalismo. Alguns jornais e portais experimentam a brincadeira, instalando blogs de colunistas e alusivos a eventos especiais. Outros mais insanos chegaram a cravar que o fenômeno substituiria a prática da reportagem, o que convenhamos, não tem nenhum cabimento.

Mas uma coisa os blogs já conseguiram demonstrar: bem usados, se transformam em uma incrível vitrine. Foi assim com Nick Dento, que mantém dois weblogs de grande audiência nos EUA: o Gizmodo, sobre portáteis sem fio, e o Gawker, sobre celebridades. Esta matéria do Estadão ponto com informa que a Wired fez um acordo com Dento, que receberá uma polpuda injeção financeira com essa incorporação.

Mas não é só no exterior que a criatividade dos redatores pode ser bem vista por grandes veículos de comunicação. Foi assim com as Garotas que dizem Ni. Descobertas há alguns meses pela Revista Época, as três são responsáveis por uma coluna de humor na revista semanal.

Blogueiro não precisa ser necessariamente jornalista. No entanto, quem for capaz de demonstrar, poderá de repente alcançar vôos mais altos.

A eternidade ao alcance de todos

Por Marmota | 19/01/2004, 06h15

Alerta aos amantes da vanguarda artística: não encare o post a seguir como algo pessoal a você. Mas admito: a única vez que me dei ao trabalho de ir a uma Bienal de Arte em São Paulo, há uns doze anos, fiquei sem entender como um sujeito capaz de empilhar bacias e afixar seu nome ao lado de uma etiqueta com os dizeres “sem título” pode conquistar algum prestígio.

Para que a coisa continue totalmente impessoal, reescrevo abaixo um texto sensacional sobre o tema. Chama-se A eternidade ao alcance de todos, do escritor José Cândido de Carvalho.

Carta de Micael dos Reis a um primo de São José do Monte, o mecânico Manuel Bastos:

“Manequinho, não precisa mandar mais carta para a oficina de lanternagem de Zuzu Tavares, uma vez que mudei de ofício e abracei a carreira de escultor moderno. Sei como o pessoalzinho de São José do Monte vai rir ao saber que o filho de Santinho Reis está fazendo nome a poder de ferro-velho e coisa destorcida. Peguei inclinação pelo ramo no dia em que vi nos jornais um para-lama de sucata que pegou o primeiro prêmio numa demonstração de esculturagem no estrangeiro e mais depois em São Paulo. Aí, primo, meti os peitos. Nem retirei o macacão de lanterneiro. E de macacão, todo lambuzado de óleo e sujo de graxa, pulei para o negócio de lata velha. Peguei de jeito uma porta de automóvel, meti o maçarico nela, furei e bordei. Em seguimento, lasquei por cima uma pá de ventilador e arrematei a obra com uma antena de televisão. Parti para a IV Exposição da Primavera com esse trabalho que chamei de “Vento Outonal nas Rosas do meu Coração”. Nã tirei o primeiro lugar porque um cretino teve a idéia genial de aparecer com um fogão econômico de 1917 soltando fumaça por todos os buracos. “Começo e fim da Criação”, como era o nome do dito fogão econômico, venceu de ponta a ponta. Uma dona ficou tão esfogueteada que comeu três quilos de fumaça e foi esvaziar o estoque no hospital. Em todo o caso, meu “Vento Outonal” tirou o segundo posto e uma braçada de palmas nos jornais. Agora, na próxima vez, vou aparecer de macacão, barba escorrida no peito e boné listrado na cabeça, de modo a ficar nas evidências do mundo. Vou entupigaitar a praça com o “jarro do Barão”, um penico que muni de uma trombeta de gramofone e um vidro de magnésia leitosa. Primo, em matéria de invencismo eu sou fogo selvagem. E para despedir, recomendações aos tios, principalmente um grande abraço na prima Noca. E não deixe de ver se compra em São José do Monte e redondezas uma caixa de descarga antiga, daquelas de puxar por uma correntinha, porque pretendo concorrer a uma exposiçãoo na Bahia que vai render uma nota bonita. Uma caixa desse tipo não é só folclórica como fotográfática. Calha muito bem em recantos de sala de visita por baixo daqueles retratos de família em feitio oval.”

Vou deixar a vida me levar

Por Marmota | 18/01/2004, 06h13

Sem essa de pagode, músicas de carnaval, poperô ou qualquer outro lançamento bombástico: minha música para este verão chama-se Vou Deixar, letra de Samuel Rosa e Chico Amaral presente no album Cosmotron. Siga a bolinha branca!

Vou deixar
A vida me levar
Pra onde ela quiser
Estou no meu lugar
Você já sabe onde é

É, não conte o tempo por nós dois
Pois, a qualquer hora posso estar de volta
Depois que a noite terminar

Vou deixar a vida me levar
Pra onde ela quiser
Seguir a direção
De uma estrela qualquer

É, não quero hora pra voltar, não
Conheço bem a solidão, me solta
E deixa a sorte me buscar

Eu já estou na sua estrada
Sozinho não enxergo nada
Mas vou ficar aqui
Até que o dia amanheça
Vou me esquecer de mim
E você, se puder, não me esqueça

Vou deixar o coração bater
Na madrugada sem fim
Deixar o sol te ver
Ajoelhada por mim, sim

Não tenho hora pra voltar, não
Eu agradeço tanto a sua escolta
Mas deixa a noite terminar

Não, não, não quero hora pra voltar, não
Conheço bem a solidão, me solta
E deixa a sorte me buscar

Não, não, não tenho hora pra voltar, não
Eu agradeço tanto a sua escolta
Mas deixa a noite terminar

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