domingo, 28 de dezembro de 2003

Minhas férias. Não necessariamente as suas!

Assim como em 2002, vamos fechar as portas do especial Fim de Ano no MMM com mais um aviso de férias. Este cidadão que vos escreve teve um ano extremamente puxado, portanto permitam-me desligar todos os neurônios e reativá-los apenas em fevereiro de 2004 – que está bem longe.

Enfim. Quem se compromete com o seu blog e resolve largar tudo por um tempo normalmente opta por algumas das saídas de praxe: ou deixa tudo às moscas, ou pede para um colega de confiança ir postando bobagens, ou arranja um computador acoplado ao telefone, em algum canto do planeta, só para avisar que ainda vive.

Todas as soluções são bem vindas. Não me importaria em fazer como o incrível Ralph, do ainda mais incrível blog Ópio, que parou justamente durante as festas. Reproduzo aqui o pedido sincero que ele fez aos seus visitantes:

“Sinceramente, quero que você aí, que está acessando essa página nesse período, pare de visitar blogs. Sério. Blogs já são substâncias tóxicas o suficiente o ano inteiro. Imagine então nesta época, onde todos da blogolândia sentem-se infinitamente solitários. Portanto, cuidado! Desvicie-se, viva sua vida real, conheça pessoas reais e cheirosas. Blogueiros são assustadores e medonhos”.

Ele não deixa de ter razão – até porque eu mesmo pretendo fazer isso um mês inteiro. Mas o poder das palavras, aliado a tecnologia, permite inovações que vão de encontro a sua liberdade. Você pode escolher o que pretende fazer durante o meu período de ócio! Traduzindo: você até pode sair de férias ao meu lado, mas se decidir ficar por aqui nos próximos trinta e poucos dias, você não se sentirá sozinho!

Como isso é possível? Simples: a partir desta segunda-feira, o MMM aciona o seu piloto automático. Uma sutil mudança no design e posts engatilhados para surgirem diariamente na primeira página, até o fim do mês de janeiro. É isso mesmo: a cada dia, uma velha novidade. Ou uma nova velharia, como você preferir.

Estou saindo de férias, mas como podem ver, a porta vai ficar aberta. Pode entrar e ficar a vontade!

sábado, 20 de dezembro de 2003

Cadê o Milton Neves?

O ano novo ainda nem chegou e as pesquisas eleitorais já começam a brotar como erva daninha. Levantamento do Datafolha já mostra, com nove meses de antecedência, um empate entre três virtuais candidatos. Mas caso as eleições municipais fossem hoje, o homem sem medo Serra e o interminável Maluf disputariam o segundo turno, deixando a desconstrutora Marta fora do páreo por muito pouco. A ex-prefeita Erunda vem logo atrás.

Engraçado que, até agora, nem Serra nem Maluf confirmaram suas intenções de candidatura (talvez essa pesquisa mude a opinião deles). Mas tudo bem, não me surpreenderia ter que encarar esse trio indigesto nas urnas em outubro, tampouco admitir que ainda tem doido votando no Maluf. Até porque, esse tipo de notícia só serve para avisar o povo: “vai começar tudo de novo”.

O que me deixou realmente surpreso foi a ausência de um nome que, mesmo inexperiente em política, é mestre em publicidade, atributo que foi capaz de eleger Celso Pitta: o apresentador Milton Neves, que é filiado ao PL e, mesmo sem declarar abertamente, tem mais pinta de candidato em relação a Serra, por exemplo.

“Quem sabe serei o Schwarzenegger de São Paulo?”, brincou Milton Neves, ao ser perguntado sobre o tema pela primeira vez. Só vamos descobrir quando seu nome figurar em uma dessas barulhentas e espumantes pesquisinhas prévias.

Pessoalmente, Deus me livre…

terça-feira, 16 de dezembro de 2003

A mágica do Ctrl+C Ctrl+V

Fazia tempo que o MMM não recebia mais de cem visitantes num único dia. Foi o que aconteceu nesta segunda-feira, graças a mais uma citação deste espaço na coluna do Gravatá, do sempre excelente caderno de Informática do Globo. Aliás, novamente, muito grato.

Enfim. Parece até bobagem minha, mas parei alguns minutos refletindo sobre a “pinçada” do Gravatá: eram trechos deste post, composto basicamente por uma transcrição ipsis litteris de um destes e-mails anônimos de alta rotação. Nada de mais, evidentemente. Até porque, os doze visitantes de sempre já devem suspeitar da minha preferência por bobagens diferentes, se possível boladas por mim mesmo.

Infelizmente, nem todos usam suas páginas pessoais como devem e transformam-nas uma extensão de seus pensamentos, consolidando uma identidade própria. Preferem fazer isso às custas dos pensamentos alheios, graças a uma sequência de botões pressionados tão popular quanto as fotos da Luciana Vendramini: o Ctrl+C Ctrl+V.

Para usá-los, basta meio neurônio: é só selecionar o que achou bacaninha, copiar, colar e… Pronto! Com mais meio neurônio, dá até para descobrir o significado do comando “exibir código-fonte” e driblar aqueles bobos recursos proibitivos – como o velho truque do alerta vermelho ao clique no botão direito.

Nada contra a facilidade em si – gostou da mensagem? Tem mais é que propagá-la mesmo. Mas existem diferenças entre divulgar idéias e roubá-las, como se a web fosse um pomar sem dono, carregado de frutas doces. Não custa nada lembrar de quem plantou. Pessoalmente, já vi posts inteiros do MMM reproduzidos na íntegra. Reclamei uma vez, e recebi uma resposta simpática do ingênuo carinha: “se não quiser que alguém copie, não ponha na Internet!”. Genial.

A mágica do copy-paste sem citar a devida fonte pode ser considerada um crime – até mesmo em um blog sem qualquer fim lucrativo, como informa o Sérgio Fonseca: “As pessoas realmente acham que podem simplesmente pegar, pois estão na rede, não sabendo ser crime. Na verdade dois: Violação do direito autoral e falta de crédito (lei 9.610/98). As condenações e indenizações têm sido cada vez mais freqüentes”.

Ele aproveita para denunciar um caso que está dando o que falar: uma tal Gabriela Dantas se apropria (ela deve ser da esquerda xiita) de suas fotos, além de textos de blogs consagrados como Não discuto, Walkoman e Aos Extremos. O próprio Gravatá, que inspirou estes longos parágrafos, discute o assunto em seu globlog.

Quem também comprou briga com os plagiadores foram os inventores do Pragas da Internet. Desde seu lançamento, o couro não para de comer, demonstrando o quanto o assunto é pedregoso: com um clique nos comentários, vem a sensação de estarmos no programa do Ratinho, tamanha baixaria de quem acha que tem razão. Uma pena.

Mas por mais que o barulho aumente, dificilmente a comodidade do Ctrl+C Ctrl+V vai acabar, seja naquele bloguinho chinfrim ou mesmo em alguma respeitada redação de jornal. Para quem ainda prefere copiar, resta a velha e sábia máxima: ninguém consegue enganar os outros por muito tempo.

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