Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

Arquivos: setembro/2003

Você sabia…

Por Marmota | 30/09/2003, 20h48

Que no último século, enquanto a população brasileira multiplicou por dez, nossa renda aumentou cem vezes? E que essa riqueza, no entanto, está cada vez mais concentrada? E apesar do crescimento das cidades, a educação melhorou? Sabia que o número de católicos no país diminuiu, em compensação a inflação acumulada em um século chegou a um quintilhão por cento? E que, enquanto famílias melhoram de vida, as pessoas morrem mais do coração e nos assaltos? Sabia que o Brasil teve dez moedas diferentes em cem anos e nenhuma delas foi capaz de bancar a dívida externa? E que, no terreno da mídia, existe um divisor de águas – antes e depois da televisão?

Estas e outras curiosíssimas estatísticas, exploradas nesta sequência de matérias do Estadão e em outros jornais do país, fazem parte da publicação lançada nesta segunda-feira pelo IBGE, o instituto brasileiro de geografia e estatística. Com a ajuda de alguns pesquisadores convidados, o órgão federal lançou, em livro e CD-ROM, uma publicação contendo uma série de estatísticas brasileiras no Século XX.

São 543 páginas e 16.500 arquivos, repletos de dados coletados ao longo do século e que permitem conclusões em diversas áreas – sociais, econômicas, culturais e geográficas! Quem se interessou pelo tema e quiser ir além das matérias dos jornais, o site do IBGE disponibiliza algumas tabelas e análises. Por ali também dá para comprar o seu volume: “apenas” 140 paus…

Promoção de aniversário

Por Marmota | 29/09/2003, 15h03

A idéia original era repetir, como de costume, o bom e velho “seja o visitante de número tal e ganhe um post”. Mas o redondo visitante “sessenta mil” apareceu por aqui durante o período hackeado. Tive que bolar outra coisa para contemplar os amigos enquanto ainda comemoramos o aniversário do blog.

Assim, se você quiser assinar um post aqui no MMM, vai ter que bater em mim!

Acalme seus hormônios, não será dessa vez que vou brigar com alguém. A idéia é a seguinte: clique na simpática imagem acima e aguarde enquanto um joguinho de formato clássico, mas viciante, é carregado. Seu mouse vai se transformar em uma marreta: com ela, será preciso uma boa dose de habilidade para acertar a marmota. Bolado pela techradium, que mantém outros joguinhos gratuitos em flash para o seu deleite.

No primeiro nível, a marmota vai te dar uma colher de chá: vai aparecer vinte vezes, lentamente. No nível seguinte, mais veloz, serão 25 aparições. Os visitantes que conseguirem marcar mais pontos neste segundo nível poderão me cobrar um post aqui no MMM.

Ah, sim: você tem até o final desta semana (sábado, quatro de outubro), para concorrer! Mande seu desempenho pelo zé meio com um print screen da tela.

TV recebe mais um “migrante” do rádio

Por Marmota | 28/09/2003, 23h05

É sabido que a TV brasileira nasceu na década de 50, com Assis Chateaubriand, e suas primeiras atrações eram todas importadas do rádio, que até então detinha todo o poder que, nesses cinquenta anos, foram totalmente transferidos para a televisão. Naturalmente, atrações criativas e de sucesso no rádio migraram e foram adaptadas para o novo veículo: novelas, jornalísticos e programas de auditório – desde os primórdios, com Chacrinha, até os contemporâneos Sobrinhos do Ataíde.

Depois da enfadonha introdução, finalmente a observação. Neste domingo, tivemos mais um episódio neste processo: o programa Pânico, que vai ao ar diariamente na rádio Jovem Pan, fez sua estréia na Rede TV, às 18h30. Quem ficou zapeando no sofá, certamente não mudou de canal durante os noventa minutos em que o programa ficou ao ar – mesmo quem não conhecia o trabalho dos caras, há dez anos ocupando a faixa do meio-dia na FM paulistana.

Aliás, vale ressaltar que o Pânico não começou como humorístico – a intenção era discutir temas polêmicos, formato dos mais comuns e desgastados… Emílio Zurita e Marcelo Batista, aos poucos, mudaram o conceito. Ganharam o reforço do maestro Billy e do Marcos Chiesa, o “Bola”. Foi quando o Pânico virou um bate-papo escrachado com os ouvintes recheado de piadas. Em 1996, o já consolidado grupo de humor lançou um CD, cujas faixas de maior sucesso foram uma adaptação de “je t’aime” e “macacaralho”…

Tudo bem, nem todo mundo acha graça nesse estilo de humor. Mas o fato é que a coisa cresceu. O Pânico chegou a fazer parte do Caldeirão do Huck antes de chegar ao programa próprio. Dirigido por Pedro Henrique Peixoto (do finado Jovens Tardes), o programa tem auditório, Sabrina Sato, mulher-samambaia (enfeite?), ligações de ouvi, ops, telespectadores, além de suas tradicionais tiradas – em especial relacionadas a briga entre Gugu e Faustão.

Acreditem: até o meu pai deu risada em alguns momentos do programa, que apesar da “audiência monstro” na estréia, pode se firmar entre as opções de domingo à tarde. Independente disso, a conclusão evidente: apesar da crise, o rádio continua moldando talentos e os exportando para a TV. Tomara que por muito tempo.

Marmota Pergunta – Ainda sobre o domingo na TV, deixo aqui uma pergunta sobre o Domingo Ilegal, que voltou depois da polêmica envolvendo a entrevista falsa com membros do PCC. Durante a exaustiva cobertura sobre o tema, opiniões divididas sobre a liminar que tirou o Gugu do ar. Alguns defenderam a punição. Outros a definiram como censura prévia… E você, o que acha?

Prenda-me se for capaz

Por Marmota | 26/09/2003, 11h11

A palavra hacker é mesmo instigante, ainda mais em uma sociedade onde a informação é o bem mais precioso. Aproveitando a dica do nosso assíduo visitante Coragem, vamos esticar o assunto trazendo a entrevista com Kevin Mitnick ao repórter Marcelo Nóbrega – colega do meu amigo Cal, do JB.

Antes que algum desavisado pergunte “whosthisfuckinguy”, a notícia embutida na entrevista: Kevin Mitnick esteve no Brasil para falar sobre a teoria da engenharia social. Segundo ele, é possível usar técnicas para persuadir empresários e outros envolvidos em negócios para conseguir informações secretas ou facilitar o acesso a elas. Trocando em toscos miúdos: “hackear pessoas”.

Agora, a resposta para “whosthisfuckinguy”: quando falamos em hackers, inevitavelmente falamos em Kevin Mitnick, o mais famoso deles. Quando descobriu que tinha facilidade para burlar sistemas de controle e segurança, ficou fascinado. Trocou de identidade e passou a viver em função do prazer em superar os limites – sem nunca roubar um único número de cartão de crédito, diz ele.

Tá certo, podemos até imaginar que a definição de Mitnick é parecida com a do Hernani Dimantas: um hacker é aquele que quebra conceitos e adota uma postura colaborativa. Descobre informações preciosas e reparte democraticamente – cá entre nós, uma idéia que poderia ser ingerida de uma vez por todas por muitos que se dizem “pensadores do mundo virtual”.

Mesmo assim, os americanos não acreditaram na benevolência de Mitnick. Dois deles em especial: John Markoff, jornalista do The New York Times, e Tsutomu Shimomura, hacker que foi “atacado” por Mitnick. Os dois começaram uma caçada digna de um roteiro de Hollywood – guardadas as devidas proporções, seria uma versão anos 90 para Prenda-me se for capaz. Evidentemente, a história da prisão de Mitnick já virou livro – Takedown e filme, traduzido em português como Caçada Virtual.

Mais do que isso, a caçada rendeu polêmicas tanto a favor quanto contra, como encontramos nestes artigos assinados por Derneval Cunha e Renato Aguiar. Depois de ter cumprido pena e ter seu acesso à Internet negado por anos, Kevin Mitnick é um bem sucedido empresário do ramo. Além de continuar ostentando o mito e alimentando paixões e ódios por hackers Internet afora.

E lá vamos nós com mais um infame…

Por Marmota | 25/09/2003, 10h29

No complicado trânsito de São Paulo, em plena Marginal Tietê entupida. Marmota, como sempre, está na faixa que não anda, enquanto todas as outras prosseguem, ainda que lentamente. Minutos depois, quando Marmota percebe que todo o problema foi causado por um único motorista a bordo de uma fubica velha, solta um grito de alívio ao ultrapassá-lo:

“Caia fora, sua coruja imbecil!
CAIA FORA!!!”

Pica pau, indignado, expulsa de cena uma pobre coruja – a ave o importuna durante todo o desenho, que começa com outra frase que se encaixaria ao momento acima: “para o Oeste, meu jovem. Para o Oeste”. De mala e cuia, Pica Pau parte em busca de ouro e, durante sua peregrinação, encontra o dente de um sapo e a ganância de um bandido – um magrela de bigodinho. Ávido por dinheiro fácil, o ladrão tenta a todo custo roubar um embrulho de Pica Pau. No fim, nosso herói revela que “o cara queria roubar seu lanche”. Mas ao abrir o embrulho, lá estava a coruja, que encerra o desenho com sua única (e insuportável) fala: “cooo”. (Do episódio Short in the Saddle, de 1963).

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