Sobre o nosso ritmo alucinante
Por Marmota | 31/07/2003, 19h44
A falta de tempo impera, idéias permanecem longe do bloco de notas por conta do volume de trabalho. Sendo assim, hora de apelar para textos prontos, de consumo rápido! Este foi publicado originalmente na Folha Online em 2001, pelo repórter Luiz Caversan. Tem tudo a ver com o que essa cidade é capaz de fazer com seus digníssimos moradores. Afinal de contas…
Você sabe que é um jovem paulistano quando:
Sente-se emocionado quando olha para o céu e vê estrelas.
Ao dirigir, fica satisfeito quando consegue andar 100 metros sem parar.
Tem medo da polícia.
Ao ouvir dizer que algum lugar é longe, já pensa em ir de metrô.
Acha estranho uma cidade sem prédios.
Você passa a semana inteira esperando o fim de semana para se espremer na balada.
Acha normal andar com um guia de ruas no porta-luvas do carro.
Acha que não é nada bom morar na Zona Leste.
Você chama os amigos dos seus pais de “tio” e “tia”.
No Carnaval, só quer saber de bagunça.
Não importa o tamanho do feriado; sendo feriado, corre pra praia.
Acha linda a natureza do Parque do Ibirapuera.
Você não conhece nem 10% da sua cidade.
Fica indignado quando alguém de fora conhece algo em São Paulo que você não conhece.
Acha o máximo que todos os shows internacionais sejam em São Paulo e fica puto porque o Rock in Rio é no Rio.
Adora andar em shopping, comer em shopping, gastar dinheiro em shopping e fica indignado quando viaja para algum lugar onde o único shopping tem apenas um piso.
Quando vai a outra cidade, fica indignado quando há ruas não asfaltadas.
Conhece pelo menos cinco obras assinadas por Paulo Maluf.
Se chove, reclama das enchentes. Se não chove, reclama da seca, da falta de água e do excesso de poluição.
Você ouve seus amigos comentarem: “Mina mó gata, tá ligado?”
Acha que uma casa com piscina é muito luxo.
Tem orgulho da avenida Paulista, mas odeia passar por lá.
Acha estranho cidades sem McDonald’s, Habib’s ou Pizza Hut.
No inverno, vai para Campos do Jordão.
Você classifica “natureza” como substantivo abstrato.
Sabe o que é uma mina.
Se é um rapaz, você se enquadra em alguma dessas classificaçoes: boy, nerd, surfista, skatista ou mano.
Diz “vou ao shopping” sem ter a mínima idéia de onde vai.
Sai a 1 da manha do sábado de casa e ainda não escolheu em qual balada vai.
Acha que a única universidade boa que existe no Brasil é a USP.
Não entende as pessoas de outras cidades que se arrumam para ir ao McDonald’s.
Conhece mais o Guarujá do que São Paulo.
E, como não podia deixar de ser, sabe que São Paulo é poluída, tem trânsito, pessoas correndo por todo lado, um verdadeiro inferno, mas não deixa de morar em São Paulo por nada neste mundo.
E é por isso que você odeia esta cidade!
É por isto que voce ama esta cidade!
Tenho algumas restrições ao texto, principalmente pelo fato de morar na ZL. Ou ainda pela frase “não deixaria de morar em São Paulo por nada neste mundo”…
Aliás, essa lista pode ser bem maior. Contribuições?


Foi o que fez a jornalista e professora
Mal cheguei à quarta coluna e já enfrento um dos problemas que me fizeram jamais ter tocado um DIÁRIO, quer dizer blog, para frente. Outra vez fiquei 15 dias sem escrever, mas desta vez vou aproveitar esta ausência para comentar sobre algo muuuuuuuito comum em todos. A correria do trabalho me impediu de fazer a coluna e muitas outras atividades que gostaria nas últimas semanas.
Ao contrário do que muitos pensam, a competição é o que menos desgasta. Fazer o que chamamos de ‘parte fria’ é o trabalho mais cansativo, exigente e dispendioso. História do Pan, quadro de medalhas, cenas curiosas e muitas idas ao arquivo. Assim foram os últimos dez dias, em que pude constatar a falta de cuidado de grande parte dos órgãos esportivos com a história nacional.
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