quinta-feira, 26 de junho de 2003

O maldito ‘The Show Must Go On’

Estava sentado, em frente ao meu computador no trabalho, quando aparece uma mensagem interna: “Ué, você não vai escrever a coluna?”. Na hora, pensei: “Puuuuuutz, esqueci. Mas e agora o que vou escrever?”. Sem assunto, estava divagando sobre escrever novamente sobre a Noite dos Leopardos, ou então a respeito do Carnaval da Bahia ou até da polêmica greve do metrô. De repente, o tema caiu no meu colo.

Passava o jogo entre Camarões e Colômbia, válido pelas semifinais da Copa das Confederações, em uma das várias TVs da redação. Quando vi um jogador desmaiar. “Ué, ele morreu?”, “Cadê o médico?”, “Por que este alvoroço, escreve a nota!”, foram algumas das afirmações ouvidas após o incidente.

Desesperados, os atletas das duas seleções chamaram o médico. No campo, o jogador ainda foi atendido às pressas em um clima de muita preocupação. Pouco mais de 30 minutos depois, soubemos que o tal jogador, o meia camaronês Marc-Vivien Foe, de 28 anos, morreu no hospital de Lyon, vítima do “acidente de trabalho”.

Confesso que até agora não assimilei o golpe. Nunca imaginava que um dia assistiria a um jogador morrer durante uma partida de futebol. Nunca pensei que o esporte predileto do mundo encerrasse de forma tão brutal a vida de um atleta, que havia participado da Copa de 1998 e era considerado apenas um jogador regular pelos especialistas do desporto bretão. Uma morte chocante! Ele morreu jogando bola. Não dá para acreditar…

Mas o pior estava por vir. Nunca imaginei que, 15 minutos após a confirmação da morte do atleta, França e Turquia entrariam em campo para disputar a outra semifinal da Copa das Confederações, a mesma competição que o Brasil foi eliminado na segunda-feira. Como os jogadores têm condições de disputar uma partida logo após um acontecimento trágico desses? Será que o jogo não podia ser na sexta? Foi quando ouvi uma velha expressão usada nestas horas. “Infelizmente, o show tem que continuar. A nossa sociedade é assim”, lembrou-me um sábio amigo.

Por quê somos assim? Será que o esporte tem de continuar, mesmo quando os próprios praticantes não se sentem à vontade para fazê-lo – visto que os jogadores turcos e franceses choravam antes da partida? Será que é assim que produzimos nossos heróis? É preciso fazer isso acima de tudo???

Lembram da morte do Ayrton Senna, de como a prova continuou, como se fosse a coisa mais natural do mundo… É ridículo isso…

Concordo que o show tem que continuar. Mas não custa nada, às vezes, parar um evento, que foi feito para divertir as pessoas, quando existe aquele clima pesado no ar. Seria a mesma coisa que continuar o show no Paraná, após a morte dos três jovens pisoteados. Simplesmente não tem sentido…

No ano passado, uma criança morreu durante a Volta da França de Ciclismo e, logo após a prova, falei com o brasileiro Luciano Pagliarini, único brasileiro no evento, que me confidenciou: “Eu não entendo até agora os motivos da etapa ter continuado. Só sei que sou profissional. Eles me pediram para seguir e nós continuamos. Mas se eu fosse da família do garoto, não teria gostado nem um pouco”.

Talvez essa seja a única explicação. “Somos profissionais e temos de continuar”. Mas até quando? Será que todos são tão insensatos assim? Parece que somos, né, Mr. Bush!

Narazaki, ainda horrorizado com a cena, escreve no MMM toda semana.

quinta-feira, 26 de junho de 2003

Acabou-se o que era doce

Muitos engraçadinhos atribuem aos cidadãos de Pelotas, Rio Grande do Sul, uma fama peculiar, similar a dos nativos de Campinas, aqui em São Paulo. Mas enfim. Além dessa fama infeliz, a cidade gaúcha também se esforça para propagar pelo país o rótulo de “capital nacional do doce”. Seu principal cartão de visitas é a Fenadoce, evento que terminou no último domingo.

Digamos que as duas famas possuem origens parecidas. No Século XVIII, a cidade era uma das mais ricas da região sul do país. Seu desenvolvimento permitiu às famílias mais ricas constrirem casarões ao estilo europeu e financiar os estudos dos filhos no velho continente. Ao retornarem, os pelotenses traziam na bagagem novos hábitos, mais requintados. Diferentes dos da indiada grossa uma barbaridade. Daí a suposta “viadagem” e a arte, esta autêntica, de fazer doces.

Com o passar dos anos, a riqueza deu lugar a uma cidade provinciana e estagnada economicamente. Vive basicamente da agricultura – Pelotas é a sede do arroz Tio João e das compotas Vega, que como qualquer indústria do mundo, adaptou-se aos novos tempos. Ao invés de convocar centenas de pessoas para descascar pêssegos, usam dois ou três para apertar botões. Os pequenos deixam a zona rural em busca de melhores condições. Acabam montando açougues (Pelotas tem um em cada esquina) ou outras lojinhas, formando um perigoso círculo vicioso: pessoas sem emprego, que montam um comércio, que não tem fregueses, que não tem empregos.

Os casarões? Muitos não estão conservados como deveriam. A antiga estação de trem e seus trilhos, que um dia foram cantados por Kleiton e Kledir, representam o exemplo do abandono. Praças tradicionais como a Cel. Pedro Osório ou a Piratinino de Almeida, onde fica a velha caixa d’água, estão longe de chamar a atenção. A Fenadoce é, ao menos, uma tentativa de convocar turistas para algumas horas agradáveis no Centro de Eventos. Onde, aliás, funcionava uma fábrica da Cica, que fechou.

Mas vamos à feira. Muitas novidades marcaram a 11ª edição, pelo que pude comprovar nos relatos de alguns conterrâneos. A Maria Clara gostou da organização, abrindo espaço para os expositores locais. “O que é o certo, pois a feira é pra mostrar a produção local e não para mostrar aquele bando de peruano ou então aqueles chatos que vendem aqueles utensílios de cozinha e ficam com aquele monte de repolho, cenoura e até ovo frito exposto na bancada do stand”. Aliás, essa turma aparece até em feira têxtil no Anhembi. Ela também gostou do visual do Centro de Eventos. “O teto azul da praça de alimentação e o branco da parte dos expositores. Ficou bem melhor, pois não mostra aquele teto horrível daqueles pavilhões”.

Quem também esteve lá foi a Joanninha, que ficou impressionada logo na entrada, ao pagar seu ingresso. “Os preços populares instigaram curiosos e os ‘formigas’ a participar, afinal a entrada custava três reais, com direito a um vale-doce. Os valores dos quindins, brigadeiros, e outros estavam em torno de um real: isso significa que com dez reais você poderia comer dez doces e ficar empanturrado de açúcares”. Bom saber que ela não precisou apelar para a “essência de vida” Olina, tradicional (e muito bom) remédio daquelas bandas.

Também não faltou diversão faltou para quem compareceu à Fenadoce. Como a pista de patinação de gelo, responsável por alguns hematomas na Joanna e seus amigos. “Aliás, chegamos a conclusão de que cair já nem era mais o problema, mas sim levantar porque a pista era muito lisa e os patins não firmavam”. Ali era possível se esborrachar durante uma hora. Com menos tempo (apenas 15 minutos), mas talvez mais entusiasmo, o Otávio experimentou outro brinquedo: o Laser Shots, versão sem sujeira do clássico paintball. Nosso professor explica: “um labirinto, escuro, onde duas equipes devem marcar a maior pontuação, invadindo a base adversária ou simplesmente matando os inimigos, utilizando uma pistola laser”.

A feira já acabou, mas a cidade, apesar das tentativas, ainda não. É possível babar em uma lojinha convidativa de doces, montada estrategicamente no calçadão da XV, bem no centro. Apareça lá se tiver tempo, antes que o último pelotense sobrevivente lhe diga, logo na entrada da cidade: “acabou-se o que era doce”.

quarta-feira, 25 de junho de 2003

Essa não! Spam informa o que é spam!!!

Eu sei o que é spam. Você também sabe. Mesmo quem não conhece pelo nome já quis matar os responsáveis pela prática de espalhar e-mails indesejados, espécie de anti-propaganda que, pelo visto, deve trazer algum benefício a alguém. A mim, certamente, não é. Muito menos para as empresas. Até Bill Gates não aguenta mais.

Pois bem. Recebi há pouco um e-mail que reforça a velha máxima: se você acha que a coisa chegou ao fundo do poço, tenha calma. A mensagem, vinda de um tal guiaexpresso.com.br, quer me explicar o que é spam. Preste atenção.

SPAM: leia, entenda e se desejar se livre de uma vez por todas.

Não pense que você é único, nossa empresa recebe em média 50 email por dia que poderia ser chamado de SPAM, Não é desculpa dizer que existe um Projeto de Lei sobre isso, realmente é verdade, esta Lei limita mais não proíbe o envio de Propaganda por Email.

O objetivo ao enviar à você este Informativo, é para em primeiro lugar nos desculpar por ter eventualmente enviado-lhe algum email que poderia ser chamado de SPAM, e em segundo lugar alertá-lo para o fato que você é bombardeado de Propaganda Indesejada todos os dias e talvez nem se dê conta disso.

Por acaso você pediu para:
A Rede de Super e Hipermercados que lhe mandassem os folhetos com as ofertas da semana?
E ao Encanador do seu bairro?
E as Lojas de Departamentos?
E a Floricultura?
E a Pizzaria?
E aos Cursos de Inglês e Informática?
E a empresa de Telemensagens?
E ao Disk-Água?
E a Revendedora de Pneus, Acessórios, Som, Alarme, Insulfilme?
E ao Disk-Marmitex?
E ao Fazemos o Melhor Congelado da cidade?
E a Desintupidora e Dedetizadora?
Quem disse que na sua casa tem baratas?

Isso tudo é Propaganda Indesejada, é com um agravante sério, isso tudo se torna lixo, que entope sua caixa do Correio, suja a sua garagem, e pior entope os bueiros o que provoca enchentes que atormenta a vida das grandes cidades que ainda sofrem com este problema e que além disso também alaga a sua garagem que agora além de suja vai estar inundada.

Mesmo sabendo tudo isso ainda assim você tem todo o direito de querer ou não receber Propaganda por Email, mas antes de fazer esta opção fique atento para as vantagens:
Primeiro: Com um clique você se livra deles, limpando o lixo, que neste caso é virtual.
Segundo: Toda Pessoa Física ou Jurídica, cedo ou tarde vai tirar algum proveito destes Email por ela recebida, pois com toda certeza algum assunto seja ele de que natureza for é de nosso interesse.

A dica é que você selecione qual é o seu, e informe sobre o que gostaria de receber, por exemplo: Você é uma pessoa ligada a Esportes, responda a este email colocando no Subject o que te interessa como:

Esportes, Economia, Novidades Gerais, Informática, Saúde, Beleza, Horóscopo, Promoções Diversas, Entretenimento, Política, Educação, Assistência Social, Culinária, Música, Utilidades e Serviços etc…

Ou clique abaixo em REMOVER DEFINITIVAMENTE POIS NÃO ME INTERESSO POR NADA e a sua decisão será verdadeiramente respeitada por nós.

Obrigada por sua atenção, repasse aos seus amigos, faça seu comentário.

Propaganda por email não é spam e não suja as ruas, só estamos divulgando nosso trabalho para de alguma maneira poder eventualmente servi-lo.

Atenciosamente
Regiani Thomé
Depto de Marketing
www.guiaexpresso.com.br

Muito grato pelos argumentos, apesar de não terem me convencido. Também não vou pedir pra “remover”, pois todo mundo sabe que é exatamente isso que os spammers querem.

Ah, sim: tem um trecho que eu concordo: faça seu comentário. Ou simplesmente ria comigo, para não chorar.

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