Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

Feliz 1984

Por Marmota | 02/02/2012, 12h44

Sabe quando um comentarista de futebol cai na armadilha de avaliar como está o jogo e cravar algum prognóstico nos primeiros cinco minutos? Sabemos que é burrice soltar um “o desempenho do time da casa promete” e ser surpreendido por um gol sem querer dos visitantes aos quarenta do segundo tempo. Mas a frase acaba saindo, com facilidade de tamanho equivalente ao nosso medo do desconhecido. O futebol, assim como a vida, é uma caixinha de surpresas. E como é difícil aceitar isso.

Eu também banquei o tolo ao me esconder no meio do mato a partir dos últimos dias de dezembro. Quando janeiro deu as caras, soltei um atrevido “feliz ano da marmota”, numa alusão pouco criativa (e mentirosa) ao dois de fevereiro. Nosso dia de Iemanjá tem outro significado em um impronunciável município canadense norte-americano (bem observado, Adriano!) onde um ritual envolvendo o roedor prevê o rigor do inverno local. Creia (ou não) na rainha das águas ou no rei do buraco, Bill Murray e Andie MacDowell, sob a batuta de Harold Ramis (o Egon dos Caça-Fantasmas), ainda nos fizeram acreditar que o intervalo de tempo “da marmota” é aquele no qual a rotina é a única possibilidade.

Ao dizer “feliz ano da marmota”, quis confortar minha mente ao disfarçar meu incômodo, como se quisesse ignorar as surpresas da vida. Não sei quanto a você, mas olho para os últimos trinta dias e vejo reflexos de um turbilhão. Mesmo que elas sejam inevitáveis, insisti em uma negociação com o futuro. Lembrei que, desde as gambiarras no calendário feitas pela Igreja em 1582 e sua adoção universal ao longo dos séculos seguintes, temos uma coincidência: os dias do ano se repetem a cada 28 anos. Dessa forma, 2012 segue o mesmo caminho de 1984.


A URSS ainda existia…

Eu tinha seis anos naquela virada de ano. A imagem que surge em minha mente é a da televisão ligada no Viva a Noite (era aos sábados), com a Marriete, o Liminha, o Bugalu e a Galinha Azul revezando-se no papel de ponteiros num cronômetro, até o Gugu desejar felicidades enquanto um “Feliz 84″ surgia no GC. Foi o ano de inauguração da Sapucaí, e a recém inaugurada TV Manchete mostrou com exclusividade aquele Carnaval – eu mesmo imaginei, por muito tempo, que aquele M ao final do desfile tinha a ver com a emissora… Curiosamente, vejam, a passarela do samba carioca passou por uma boa reforma: vai estar diferente, com novas arquibancadas para a festa de Momo dentro de alguns dias.

Claro que as coincidências existem apenas diante de quem as veem. As mais evidentes: 84 e 12 são anos bissextos; e também teremos Olimpíadas. Em Los Angeles, vimos os soviéticos e outros países socialistas boicotarem os Jogos, numa resposta a ausência dos EUA em Moscou. Agora, o boicote vai ser só nosso, por conta de uma briga envolvendo direitos de transmissão – consolidada justamente nos anos 1980 para garantir a realização de um evento esportivo deficitário e ameaçado. Resolveram um problema, vieram outros.

Não lembro nada daquelas Olimpíadas, apenas do Joaquim Cruz, medalhista nos 400m. Também tinha um albinho de capa vermelha da Coca-Cola, denominado “passaporte para os Jogos”, com explicações sobre as modalidades e figurinhas do Pateta. Estava na primeira série, era aluno da tia Amélia. Uma escola nova, como uma folha sulfite prestes a ser rabiscada – historinha que escrevi no mesmo colégio pelos oito anos seguintes. Ainda que eu tenha mudado meu papel na sala de aula, o mês terminou com uma notícia incrível: uma escola nova, como um tablet de 64Gb esperando por novos conteúdos e aplicativos.

Mas voltando. A tensão entre URSS e EUA, que estava prestes ao seu auge naquele tempo, remete às palavras de George Orwell, escritor que cunhou a expressão “Guerra Fria”. Dizia que o homem destruiria seu planeta por meio de suas armas. Ainda no pós-guerra, ao final dos anos 1940, Orwell lançou outra obra, vislumbrando uma sociedade vigiada por câmeras, controlada e punida pela razão, representada pela imagem aterradora por trás de telas (o “Big Brother”). O livro, alusivo a um jeito cruel de acabarmos com o nosso mundo, chama-se 1984.

Foi também em 1984 que o diretor James Cameron exibiu sua versão de extermínio futurista nas telonas, com o Arnold Schwarzenegger no papel de andróide. Recentemente, o cinema nos trouxe outro blockbuster, misturando complicações climáticas e calendário maia: 2012. Nova coincidência: se naquele janeiro de 84 o povo se engajava pedindo eleições diretas e aguardava, após o sucesso da novela Champagne, a estréia da dupla Glória Perez e Aguinaldo Silva em uma novela (ninguém lembra de Partido Alto), nosso janeiro começou com a possibilidade do PT disputar a prefeitura de São Paulo com um vice indicado por um partido amorfo, dissidência do PFL – que, por sua vez, foi dissidência do PDS. Adicione o Michel Teló, a Mega-grávida de Taubaté e o Globo Esporte de São Paulo e Big Brother como entretenimento nas evidências do apocalipse e pronto.

Mas enfim. O ano de 1984 não teve só Exterminador do Futuro, mas também História Sem Fim (aquele do Atreio), Amor com Amor se Paga (aquele do Nonô Corrêa), Loucademia de Polícia, Jerônimo (aquele justiceiro do sertão!) e Caça-Fantasmas (aquele do Harold Ramis). Teve também o primeiro bebê de proveta do Brasil (hoje uma moça bonita de nome Anna Paula Bittencourt Caldeira), o lançamento do Macintosh (em um comercial que remete ao Big Brother de Orwell), Serginho Chulapa no Santos e Ayrton Senna na Toleman. Teve ainda uma pedra na vesícula da minha mãe, que naquele ano, foi diagnosticada como hepatite… E impressiona, ao vê-la passar mal 28 anos depois, uma legião de médicos ainda sofrerem para acharem um diagnóstico – descobri o que é fibromialgia depois de ouvir falar em reumatismo, dengue, toxoplasmose.

Relembrar as vitórias e os desafios também é viver, enquanto tentamos prever como será o amanhã. Passamos, sobrevivemos e aproveitamos por 1984. Que 2012 também seja divertido, promissor e surpreendente.

Recomeçando, de onde paramos

Por Marmota | 22/01/2012, 01h11

Antes de mais nada, um breve comentário. Dias atrás recebi um e-mail. Era de um desses novos profetas do maravilhoso universo moldado com a esfarelenta massinha de modelar da mídia social. Começava com um safado “olá” impessoal, seguido de “como você sabe, eu sou aquele cara que todo mundo conhece e estou cuidando de um negócio…”. Juro que, antes de escrever as linhas que seguem, veio uma vontade enorme de não provocar em você a mesma sensação rarefeita que senti diante da minha caixa postal.

Por isso, vou partir da premissa de que você, amigo navegante, ao clicar de repente em algum lugar abriu um texto de blog escrito em 2012 (já dá pra chamar isso de “vintage”?), não sabe nada sobre mim, menos ainda sobre uma pagininha de nome “marmota maia dos mesmos”, assim mesmo, no plural.

Marmota sou eu. Encantado em vê-lo aqui. Não é nome, evidentemente. Este é André, como devo ser lembrado por boa parte dos meus interlocutores. Meus pais, meu irmão e minha cunhada vez ou outra falam Dé. Algo similar ao que algumas das minhas ex-namoradas faziam – uma delas grafava “Deh” em nossas trocas de cartões. Outra grande mulher que conheço gosta de dizer meu nome e sobrenome, numa linda e marcante formalidade íntima: André Rosa. Nem sempre o achei belo. Muito antes da garotada banalizar o termo bullying, meus coleguinhas do primário cantavam a musiquinha de um comeercial alusivo ao lançamento dos bonecos da Turma da Mônica. Dizia “Chiiico Beeento e Rosiiinha…”. E Rosinha era eu.

De uns tempos pra cá, também me chamam bastante de “professor”. Foi o que decidi fazer da minha vida, depois de me divertir uns dez anos com jornalismo esportivo. Tenho amigos que perguntam se, além de dar aulas, também trabalho. Alguns destes, sem brincadeira. Eu mesmo sinto uma saudade danada da redação, dos incêndios, da correria, das pizzas às quartas-feiras durante a rodada. Então me dou conta que posso me dar ao luxo de programar uma vida a partir de finais de semana e feriados. Também olho por uma fresta na porta do mundo caótico que habitava: muitas das coisas que gostava não estão mais lá, enquanto raízes daninhas se fixaram no tronco. Aí a saudade passa.

Foi durante uma tarde rotineira de labuta, em 4 de setembro de 2002, que lembrei do papo com uma colega sobre algum site bacana mantido por um sujeito qualquer. Figura que talvez a gente nunca teria chance de saber o que gosta, o que pensa, o que faz. Não entendia exatamente por que um amontoado de cotidianidades interessaria outra pessoa. Mas achei aquele sisteminha de publicação simples, robusto e fascinante. Em poucos cliques, tinha um blog. Este aqui, pra ser exato.

Naquele ano, muita gente plugada na rede teve a mesma idéia. Compartilhavam sua presença por meio de uma interface baseada em teias compostas por zeros e uns. Até por isso, imaginava que o meu cantinho surgiu para ser mais um entre os muitos. Quer dizer, os mesmos. Aquela grande mulher que me referia há pouco me disse certa vez: a primeira impressão a meu respeito não foi das melhores. “Vou escrever pra esse idiota pra dizer que o correto é mais do mesmo”. Mal saberia que nossa convivência, bem como o nome deste espaço, também teria um bocado de licença poética.

Enfim. Contrariando o nome, este blog já mudou de sistema, de URL, de companhia. Começou no promissor “marmota.blogger.com.br”, e em poucas semanas, foi catapultado aos píncaros da fugaz popularidade virtual pelas constantes menções dos editores do serviço mantido pela Globo.com. Ganhou domínio próprio e experimentou o Movable Type, uma demonstração perfeita de tecnologia incapaz de se mostrar pertinente no decorrer do tempo. Namorou um tempinho com o WordPress antes de se casar com um projeto que sintetizou um período de efervescência: blogs organizados em condomínios, planos de negócio, monetização, manchetes que saltavam dos cadernos de informática para as revistas semanais. Era divertido, ainda que blogueiro famoso seja igual a Miss Cangaíba.

Por fim, influenciado por uma grande mulher (se não são elas em nossas vidas, hein…), meus textos organizados em ordem descrescente de data atracaram num portalzinho familiar, como se fosse aquela pracinha onde pessoas bacanas viessem bater papo ao redor do coreto. Um lugar tão legal que, se procurar por algum beco escuro, o incauto dá de cara com um poeminha.

E lá se vão, puxa vida, dez anos. Podemos dizer que este intervalo de tempo começa com algum heavy-user da web programando três ou nove postagens por meio de uma arcaica combinação de PHP com MySQL, antecipando a descrição de seu casamento com algumas cores e tons; e termina com este mesmo usuário exibindo em sua timeline do Facebook uma sutil mudança de status para “solteiro”, coisinha que cabe em pouco menos de 140 espaços. No meio destes dois pontos, cabem uns 60 milhões de brasileiros olhando através de janelas amigáveis baseadas em textos, fotos e vídeos, descobrindo as alegrias e decepções humanas de um jeito nada fácil de se entender. Ainda que eu duvide, talvez tenhamos sido mais inteligentes algum dia, como disse aquele outro jornalista.

Mas enfim. Eu mesmo me sentia uma fraude quando comecei a dar aulas de verdade. Foi assim que investi algum tempo (e alguma grana) em um mestrado acadêmico. Qualquer dia desses pretendo escrever mais sobre esse período. Mas já posso adiantar que foi um processo repleto de obstáculos… Dos dois anos que tive para entregar a dissertação, levei um ano e meio só para entender o que estava fazendo! De qualquer forma, gostei bastante do resultado final. Tanto que já penso seriamente em como vai ser meu doutorado – definitivamente, já fui mais inteligente algum dia.

Ah, sim. Nesse meio tempo, como todo castigo pra pobre é pouco, fui levado a outra investigação de cunho acadêmico: levantar hipóteses e aplicações empíricas relacionadas ao desejo das grandes mulheres. É uma arapuca sem fundo, mas já redigi a conclusão. Cabe em cinco palavras: “elas sempre querem outra coisa”.

Olho para frente e vejo ao longe perspectivas interessantes. Mas também gosto muito de olhar para trás, e este blog é uma coleção de fragmentos que, em um clique, emergem do passado e reaparecem. Enquanto passava as últimas semanas brincando de aparar a grama, varrer o quintal, ajustar templates e atualizar wordpress, encontrei comentários perdidos e sem aprovação nos cantos da sala. Como as jovens admiradas com a relação de um taurino com uma aquariana, compartilhando suas experiências similares – e pensar que a moça que inspirou essa trama já é mãe. Ou na legião de pilotos, aeromoças e passageiros divergindo sobre a experiência de voar num ATR-42 da Pantanal. E os mais injuriados, que frequentam o link mais acessado em todo o Dialetica.org: gente frustrada ao esbarrar na minha receita para fazer um carrinho de controle remoto.

Foi assim que percebi duas coisas. A primeira: entre as muitas formas de se aproveitar um blog, agrada-me a possibilidade de escrever despretensiosamente sobre o que der na telha (como agora), criar laços com quem aparece para dar uma lida ou mesmo conversar, reunir cada uma destas palavras num repositório capaz de compor minha identidade e, acima de tudo, não ter pressa para fazer nada disso.

A segunda: estava com saudades disso aqui… É como voltar ao nosso lar depois de um tempo viajando, minhas malas colocar no chão e meu cachorro me sorrir latindo.

Feliz fim de Páscoa

Por Marmota | 25/04/2011, 10h33

Fim de Páscoa

Eu já acreditei em coelho que põe ovos de chocolate. Já fui uma dessas felizes crianças que faziam ninhos de palha e papel picado na beira da janela, imaginando que o tal bicho de olhos vermelhos e pelo branquinho deixasse aquele monte de doces ali. Inclusive, teve uma vez que eu fui surpreendido por gotas d’água ao lado dos ovos. “Deve ter sido o coelho”, pensava.

Só depois de um tempo descobri que esse papo de coelho, na verdade, simboliza um tempo de fartura, fertilidade e prosperidade. Afinal, é no domingo de Páscoa que a ressurreição transforma o sofrimento e o sacrifício em amor. Infelizmente, cresci com a impressão distorcida: nossas crianças não estão nem aí pro sentido da Páscoa. Querem mesmo é comer chocolate.

Até na escola, onde a professora deveria ao menos explicar o sentido amplo desse “feriado prolongado onde vou viajar com os amiguinhos e ganhar lindos ovos recheados com bombons e brinquedos”, isso não acontece mais. É orelha de cartolina, bigode e nariz pintado no rosto e, é claro, mais chocolate.

O reflexo dessa imagem distorcida fica mais evidente no supermercado. Um ovo de 300g custando R$ 20, enquanto duas caixas de Bis, também com 300g, sai por R$ 4. Qual o sentido disso? Onde está o valor daquele cidadão que deu sua própria vida e, dois dias depois, surpreendeu aos cristãos e deixando sua mensagem de paz?

Ora, paz é o cacete: os fabricantes sabem que eu e você adoramos chocolate, e quando chega a Páscoa, a gente esquece o quanto nos sentimos enganados. Então vamos pagar dez vezes mais no mesmo produto, só por causa da forma de ovo. Há quem compre dúzias, e na hora de pagar, divida em doze vezes – só vai quitar sua dívida na Páscoa que vem.

Minha Páscoa era bem mais doce quando eu ainda acreditava no coelho. Mas tudo bem, apesar de tudo, ainda vou me divertir com chocolate até o fim da semana. Divirta-se você também.

(Postado em 08/04/2007)

Ei, não feche o Dialética

Por Marmota | 31/01/2011, 12h58

- Viu que o Rafael Galvão fechou o blog dele?

Nem “oi”, “saudade”, “como você está” ou outra demonstração de afago. Foi assim que começou meu dia. Só por curiosidade, fui ver o último texto publicado por um sujeito que conheci e aprendi a admirar graças a essa ferramentinha simples, que teve seu tempo de festa mas hoje não consegue arrumar tempo para se enturmar com sistemas que fazem a mesma coisa, só que melhor (leia “Facebook”).

“E com tudo isso o tempo passou e escrever um blog deixou de ser tão divertido”. Como eu entendo o que o Rafael quer dizer. Na década passada, as motivações para compartilhar idéias normalmente brotavam dentro de si, como uma válvula de escape. De repente, entendíamos o verdadeiro significado de “rede”: conectar pessoas incríveis, diferentes, com suas virtudes e defeitos, passou a ser mais fascinante do que elaborar parágrafos repletos de entrelinhas.

Mas tem mais. Estamos falando em conectar pessoas a partir de uma ferramentinha simples. Pense em uma ferramenta qualquer. Por mais que ela permaneça útil com o passar do tempo, ela se torna obsoleta. E se a metáfora do instrumento pura e simples não for suficiente, imaginando que para “conectar pessoas” é preciso um lugar agradável como um chalé, a ferramenta deixa de ser simples. “Mas os cupins; é preciso ser veloz ou os cupins comem toda a madeira, e o preço do concreto pela hora da morte?”, lembrou o Tiagón, ao falar da depreciação e falta de “novas luzinhas piscantes” no condomínio que administrava, o Verbeat, e que fechou ao final do ano passado.

A bem da verdade é que, salvo algum novato entusiasmado com alguém que (ainda) ouviu falar em monetização, poucos ainda tem paciência com blogs. Acabamos aproveitando nossas 24 horas diante de prioridades necessárias para a nossa sobrevivência, enfraquecendo aquelas conexões – ou otimizando-as a partir dos sistemas melhores, onde boa parte daquelas pessoas estão agora (leia “Facebook”).

“Foi, o condomínio, se transformando numa espécie de pensão de avôzinho simpático, enrugadito, sempre sorridente, esperando moradores e amigos com um café”. A imagem que o Tiagón identificou em seu Verbeat é bem parecida com a que este Dialética.org acabou se transformando. Com uma diferença: aqui, os responsáveis pela pensão não param mais em casa, encontraram coisas mais importantes pra fazer – e ainda que procrastinem, estão fazendo.

- Ah, nós fechamos nossos blogs também. Só não anunciamos.

Antes que eu pudesse perguntar como ela ainda vê esta nossa tapera com mato dessa altura no terreiro, assombrado por algum espírito sem paciência com as imperfeições humanas, como se estivesse faltando algo para ser um lugar divertido e acolhedor (nem precisa ser como quando as mãos suavam e as pernas tremiam apaixonadamente), ouvi, ainda com um tom confuso e melancólico:

- Ei, por favor, não feche o Dialética. Eu ainda o vejo como um miniportal familiar.

Então hoje passei aqui, diante da porteira, vi a casa ao longe e preferi ignorar a sujeira acumulada. Vi apenas saudade e lembranças. Num dia azul de verão, sinto o vento; há folhas no meu coração, é o tempo. E gira em volta de mim, sussurra que apaga os caminhos… Enfim, deixa o tempo passar, acumular folhas, cristalizar idéias. Vou ali dar uma volta, resolver algumas coisas. Quando você quiser, volto por aqui e te ajudo a varrer, queimar papéis e galhos secos, trocar a fiação elétrica.

Proposição para 2011

Por Marmota | 12/12/2010, 22h53

Tudo o que posso dizer sobre o ano que está chegando pode ser encontrado neste QR Code (aqui você encontra como lê-lo).

Enfim, ao menos voltei aqui pra dar um alô.

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