domingo, 14 de março de 2010

Vai, Schumi: torcendo para o alemão errado

Ultimamente não estou conseguindo sequer acompanhar meus próprios devaneios. Mesmo assim, nada me impediria de acordar cedo neste domingo para acompanhar a abertura da Fórmula 1. Ou, como Galvão adora insistir, “esta nova Fórmula 1″. Que, convenhamos, tem mais pinta de “velha”: aquela onde ninguém abastece, há uma ou (no máximo) duas trocas de pneus, pontuação favorecendo quem acumula mais vitórias… É um retorno aos anos 80 e 90.

A propósito desse “retorno”, o que dizer da imagem do capacete de Bruno Senna, após seu abandono?

Mas enfim. Entre os elementos que tornam esta sexagenária Fórmula 1 imperdível, temos uma McLaren forte com dois campeões mundiais, uma surpreendente Red Bull contando com talento promissor, além de uma Ferrari mais forte ainda, favorita graças ao talento do bicampeão Alonso e do futuro campeão Massa. Pessoalmente, no entanto, considero outro fator ainda mais atraente: o retorno do ex-aposentado Schumacher.

Alguém pode dizer que torcer por ele é sinal de anti-patriotismo. Ou pior: com Vettel em excelente fase, perder tempo com o velho Schumi é torcer pelo alemão errado. Nesta primeira prova, no meio do deserto de Sakhir, o heptacampeão foi apenas o sexto colocado. Coadjuvante? Creio que não. É igual a qualquer profissional sem prática, mas que sabe aonde quer chegar. Lá pelo mês de maio, o panorama será outro.

Se bem que a primeira prova de maio será exatamente o GP da Espanha, na casa do primeiro vencedor de 2010. O “queridinho” da Luciana se deu bem em sua estréia na Ferrari ao ultrapassar Massa logo na primeira curva. Contou ainda com a ajuda de Vettel, virtual vencedor até um problema mecânico deixá-lo sem força – o “melhor alemão” acabou em quarto, atrás do Robinho. Mesmo com a indignação global ao pedido da equipe ao Brasileiro (“tire o pé para economizar motor”), isso não significa favorecimento ao espanhol. Na verdade, isso significa que teremos uma briga muito interessante.

E querem saber? Torcer para o Schumacher (ou mesmo para o Alonso) abre espaço para Massa, plenamente recuperado do acidente, surpreender. Quem sabe?

Enquanto Ferrari, Red Bull, McLaren e Mercedes disputam a “Série A”, veremos ainda uma disputada “Série B”, com Williams, Renault, Force India, Toro Rosso e Sauber. E mesmo considerando apenas esse pelotão, Barrica consegue ficar atrás de Liuzzi… Difícil perder o costume de ser o segundo, não?

Ah, sim: Galvão foi castigado por batizar Toro Rosso e Virgin de STR e VRT (?!?) e reclamar da ausência do relógio ao antecipar o fim da corrida em uma volta. Relaxem que até 2014 tem mais.

(Para acompanhar e entender de verdade o mundo do automobilismo, leia a Bárbara Franzin, o Felipe Motta, o Ivan Capelli, o Livio Oricchio, o Fábio Seixas e o Flávio Gomes).

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Feliz Dia da Marmota!

Esta data é um dia de festa em muitas cidades do país. Todas elas acordaram bem cedo para homenagear Nossa Senhora dos Navegantes. Especialmente em Porto Alegre, que festeja a padroeira da cidade. Longe do Brasil, no entanto, existe um lugar onde a tradição religiosa dá lugar a um ritual centenário – mais precisamente, desde 1887.

Este lugar chama-se Punxsutawney, fica no estado norte-americano da Pennsylvania, e a tradição chama-se Dia da Marmota – padroeira deste blog.

Claro que o “Groundhog Day” é comemorado em outras cidades dos EUA e Canadá neste dia 2 de fevereiro. Mas essa localidade, que fica a uns 120 quilômetros de PITTSBUUUURGH!!! (piada interna), entrou definitivamente para o mapa das cidades mais populares do planeta. Tudo graças ao seu mais conhecido habitante: a marmota Phil.

Aliás, esse bichinho passa o restante do ano tratado a pão-de-ló. Vive num ambiente climatizado na biblioteca da cidade. Lá ele passa o tempo se divertindo com a sua “esposa”, a marmota Phyllis. Só sai de seu mundinho de regalias às 7h25 da manhã do segundo dia do segundo mês. Sua missão: enxergar ou não sua própria sombra e anunciar ao mundo a chegada da primavera – ou a permanência do inverno por mais seis semanas.

Pois essa brincadeira protagonizada por um roedor de mais de 120 anos (ao menos é o que dizem os habitantes de Punxsutawney, atribuindo sua longevidade às regalias da biblioteca municipal) transformou o lugar na capital mundial do tempo. O Punxsutawney Groundhog Club, um grupo de cidadãos que organiza o festival anualmente, garante que a previsão funciona.

Mas será mesmo? Uma Convenção da Sociedade Americana de Meteorologia, realizada em Atlanta no ano passado, comparou as previsões de Phil desde 1887 com o que realmente aconteceu. Ele acertou em apenas 39% das vezes – ou seja, é mais confiavel jogar uma moeda para o alto (se der cara, vai chover) do que ouvir esse bicho picareta.

Uma pena. Porque em 2007, a marmota Phill já deixou seu prognóstico, garantindo que a primavera vai chegar mais cedo:

“El Nino has caused high winds, heavy snow, ice and freezing temperatures in the west.
Here in the East with much mild winter weather we have been blessed.

Global warming has caused a great debate.
This mild winter makes it seem just great.

On this Groundhog Day we think of one thing.
Will we have winter or will we have spring?

On Gobbler’s Knob I see no shadow today.
I predict that early spring is on the way.”

Ou não, né?

Os efeitos do “Groundhog Day” foram potencializados a partir de 1993, ano que a festança foi eternizada através do filme Feitiço do Tempo, dirigido pelo ótimo Harold Ramis (o Egon dos Caça-Fantasmas). Nele, o repórter mal-humorado Phil Connors (o sensacional Bill Murray) é escalado para anunciar ao vivo a previsão de Phil. Além da sua vontade louca de sair daquele buraco o quanto antes – e da presença da bela Rita (Andie MacDowell), o repórter é acometido por uma estranha maldição e passa a viver o mesmo dia, todos os dias.

O filme, que por razões óbvias já virou um clássico para mim, curiosamente não foi rodado em Punxsutawney, mas sim em Woodstock, Illinois. Isso porque a cidade original, apesar do seu potencial turístico elevadíssimo, fica na zona rural, e seu acesso é bem difícil. Assim, a Columbia Pictures decidiu filmar a história num lugar mais acessível – e eu pensava que só o nome do lugar fosse complicado.

Aliás, o argumento dessa comédia deliciosa fez com que o “Dia da Marmota” ganhasse um outro significado, válido inclusive para os outros 364 dias do ano: quem nunca teve a sensação desagradável de viver, viver e viver sempre o mesmo dia – ainda que, fora da ficção, a folhinha insista em virar impiedosamente?

(Postado em 02//02/2007)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

11.01.10 11:01:10

Vejam que combinação binária curiosa que pode ser feita neste exato momento.

Reparem ainda que essas combinações curiosas podiam ser feitas também ontem, dia dez. Ou dia primeiro. Também poderão ser feitas nos dias primeiro, dez e onze de outubro e novembro.

Sabe o que isso significa? Que ainda faltam algumas longas semanas pra que essas datas aconteçam, e até lá seria uma boa idéia parar de pensar em coisas assim, focando em resultados mais pragmáticos.

Especialmente em uma segunda-feira.

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