sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sarnar, verbo regular transitivo direto

Segue um serviço de utilidade pública, diante da movimentação política dos últimos dias. Um ex-presidente da Reública que, graças a um feudo familiar no Maranhão (e uma movimentação escabrosa no Amapá) apronta altas confusões com uma galera do barulho nas sessões da tarde no Congresso Nacional. Seu método de trabalho veio à tona só agora e gerou manifestações na Internet (que, como diria Ashton Kutcher, não serão mais eficientes que a força do voto).

Como são muitas ações, convém lembrarmos da existência de uma expressão pouco popular, mas que faz parte do nosso léxico desde 1989, quando Belmiro Ferreira o conjugou pela primeira vez em 1989, num livrinho chamado “No País do Vale Tudo”. O verbete, também citado na prestigiosa Desciclopedia, voltou à plena carga, graças à crise instaurada no senado. Aproveite a manifestação virtual, a ebulição em nossa capital federal e o inferno astral do atual presidente de nossa casa legislativa: vamos propagar a definição e as conjugações do verbo…

Sarnar. sar.nar vtd bras ch 1 Importunar, molestar e aborrecer, como uma sarna, sem que remédios ou mesmo a lei possa o atinja. 2 Infectar e contagiar instituições públicas usando troca de favores e gratificações entre seus colegas. 3 Parasitar repartições através da contratação de parentes. 4 Alterar decisões administrativas por meio de boletins suplementares publicados sem informações completas. 5 Aprovar pagamento de horas extras para colaboradores sem a devida comprovação. 6 Criar cargos desnecessários e agraciar tais contratados com privilégios e vencimentos acima do teto constitucional. 7 Alocar salários de mordomos, empregadas, motoristas e outros serviçais no centro de custo da população. 8 Negar qualquer quebra de decoro e alegar invencionices, ou aribuir problemas históricos à instituição e não a si mesmo. 9 Acumular anos de vida pública executando procedimentos políticos questionáveis e, ao mesmo tempo, transmitir uma imagem de justiça e honestidade. 10 Acreditar que pode ocupar o mesmo cargo, na certeza de que todos os escândalos serão esquecidos rapidamente pela opinião pública, quando finalmente poderá deixar tudo como está. pres indic: sarno, sarnas, sarna, sarnamos, sarnais, sarnam. pret: sarnei, sarnaste, sarnou, sarnamos, sarnastes, sarnaram. imp: sarnava, sarnavas, sarnava, sarnávamos, sarnáveis, sarnavam. pret m-q perf: sarnara, sarnaras, sarnara, sarnáramos, sarnáreis, sarnaram. fut: sarnarei, sarnarás, sarnará, sarnaremos, sarnareis, sarnarão. fut pret: sarnaria, sarnarias, sarnaria, sarnaríamos, sarnaríeis, sarnariam. pres subj: sarne, sarnes, sarne, sarnemos, sarneis, sarnem. imp subj: sarnasse, sarnasses, sarnasse, sarnássemos, sarnásseis, sarnassem. fut subj: sarnar, sarnares, sarnar, sarnarmos, sarnardes, sarnarem. imper: sarna, sarne, sarnemos, sarnai, sarnem. ger: sarnando. part: sarnado.

(Vídeo pinçado daqui.)

Atualizado: O Pedro Doria recordou um breve histórico do Sarney, escrito pelo Marcelo Tas, que pode ser útil para uma futura atualização deste post.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Bug do milênio e o começo do fim

Então esta quarta-feira é, como de praxe, o começo do fim.

Sim, pois tradicionalmente a cada ano, janeiro é o começo do começo. Lá por abril, temos o fim do começo. Julho marca o começo do fim. E em outubro, é o fim do fim!

É no começo do fim que, normalmente, surge a pergunta que replica em cabeças alheias como se fosse um meme inconsciente: “puxa, o tempo tá passando depressa, né?”.

Foi exatamente isso que ouvi, por exemplo, de Sergio Patrick na abertura daquele programa esportivo diário da Rádio Bandeirantes. A resposta de Mauro Beting: “Sim, e a década está acabando. Lembra do bug do milênio?”.

Imaginava-se que o tal “bug do milênio” significaria uma pane em serviços informatizados. Dados poderiam envelhecer cem anos do dia para a noite: de 31/12/99 para 01/01/00 (ou seja, 1900). Essa expectativa sim, Lula, foi uma marolinha.

Talvez possamos recuperar o conceito e atribuí-lo a sensação de que os dias passam e não somos capazes de finalizar o que programamos, absorver as informações que circulam, celebrar a vida ao lado de quem gostamos. Rapidinho, mentes que nunca se conectaram criam este elo comum: o “puxa, o tempo tá passando depressa, né?”.

É esse o bug do milênio em nossas cabeças. Viva o começo do fim.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Tudo já foi dito sobre a notícia do dia…

… Mas só para registrar aqui, as duas contribuições que mais me chamaram atenção.

Noticia certa, lugar errado

Então um ícone pop se vai e… Vira notícia esportiva, lógico! Afinal, era “o Pelé do pop”! Mais: sua morte acabou com um dia feliz, graças à classificação dos EUA à final da Copa das Confederações

Tem que ter coragem

Ah, mas eu não tinha dúvidas. Depois de estamparem na manchete que “Luana Piovani não tem mais Dado em casa”, tudo que eu poderia esperar do Meia Hora (o melhor jornal do Rio) é uma frase com o mesmo tom criativo. Tiro o meu chapéu para “Nasceu negro, ficou branco e vai virar cinza”.

Em tempo: Tiago Dória compilou algumas home-pages desta quinta, além de detalhar os bastidores do TMZ.com, primeiro veículo ao confirmar a morte de Michael Jackson.

Atualizado: “Não manchetar com uma notícia dessas é o cúmulo do autismo. É viver num mundo paralelo e totalmente fora de timing”, disse o Alec. Levando em conta este critério, o prêmio de “pior capa de jornal” desta sexta-feira vai para o Diário Popular, de Pelotas (onde certamente nenhum funcionário teve aulas com a Raquel).

Michael Jackson who?

Conseguiu achar a notícia da morte na primeira página? Pois é.

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