Maldito CQC
Já que estamos aqui para discutir os fenômenos pop da nossa cultura, que tal começar esse blog contrariando todo mundo e metendo o pau num programa de humor que é praticamente uma unanimidade?
A TV Bandeirantes arranjou um espacinho na sua grade de cultos evangélicos para apresentar ontem o primeiro CQC da temporada 2009. O programa mostrou as mesmas qualidades que fizeram dele um dos melhores humorísticos do ano passado. Por outro lado, para a infelicidade de telespectadores assíduos, como eu, o CQC também voltou insistindo nos mesmo erros de 2008. O mais gritante deles, atende pelo nome de Rafinha Bastos.
Em primeiro lugar, vamos deixar claro. O problema não é o Rafinha Bastos apresentador do CQC, o cara que trouxe toda aquela ginga da comédia stand up para a bancada do programa. Neste papel, ele manda bem. O problema está no Rafinha Bastos travestido de repórter daquele desajeitado quadro “Proteste Já”. É lá que ele sonha ser um Ernesto Varela, mas acaba se comportando como um Repórter Vesgo.
O CQC, que sempre se diferenciou dos seus concorrentes justamente por fazer um humor inteligente e refinado, perde todas as suas qualidades quando o Rafinha está com o microfone na mão. Ele é estúpido com os entrevistados, desnecessariamente agressivo, faz perguntas e não ouve as respostas. Na minha opinião, isso não é jornalismo – porque o “repórter” fica falando sozinho e bancando herói dos oprimidos – e também não é humor – porque não tem graça nenhuma.
Preste atenção à forma como ele aborda as autoridades. Parece até que o objetivo do Rafinha é justamente punir o entrevistado “malfeitor” fazendo ele passar vergonha em rede nacional.
Ora, muita gente defende a obrigatoriedade do diploma para prática do jornalismo justamente para evitar que um sujeito ingênuo ou irresponsável queira bancar o repórter justiceiro, de acordo com seu ponto de vista e interesse. Eu acho que o diploma por si só não garante nada, mas é lógico que antes de deixar um aspirante a repórter sair por aí “entrevistando” as pessoas, é preciso explicar para ele que o jornalismo não julga e nem condena ninguém. E muito menos dá poder ao repórter para punir seus entrevistados, se ele achar que o sujeito não presta.
É possível provocar e pressionar os entrevistados sem ser grosseiro? Sim. É possível fazer jornalismo com bom humor? Sim. É fácil fazer as duas coisas ao mesmo tempo? É claro que não. É preciso ser inteligente, rápido, bem informado e ter um pouquinho de cara-de-pau. Mas se o Rafinha Bastos continuar se valendo apenas da cara-de-pau enquanto grava esse infeliz “Proteste Já”, ele nunca passará de um moleque de microfone na mão. Um Repórter Vesgo da vida.

Ei, amiguinho? Não é interesse pessoal dele, é interesse público. A polidez de um jornalista “diplomado” — eu tenho diploma, sei do que estou falando — é invariavelmente driblada pelo cinismo e astúcia dos políticos. O malcaratismo é geral, o caos moral está implantado, sim. Pode parecer catarse, posto que o público pode se sentir de alma lavada. Mas não é teatro? Ou o programa concorre com os jornalísticos? É humor com interesse público. Os mais precipitados chamam do que quiserem. Apesar que em qualidade crítica, o CQC é melhor que muitos jornais.
Muito precipitada e formalista essa sua análise. A defesa do diploma e do tecnicismo é invariavelmente um tiro no pé, camarada.
danilo sanches
10 mar 09 at 11:02
Ele não tem, ou não tinha, à época, registro profissional, lembra do caso do bloqueio de acesso ao Senado? Fácil dizer que impedem um veículo de comunicação de trabalhar, difícil é dizer os porquês.
Ele é um babaca chiliquento que destratou minha irmã e demais colegas de trabalho, terceirizados que não ganham os milhares que os senhores ASPONES de lá recebem.
E não somos parentes.
Daniel Bastos
10 mar 09 at 12:18
Concordo e no meu nome tem um link para um texto do ano passado que já falava que CQC não é tão bom assim.
[barba]
10 mar 09 at 12:30
Danilo, não sei se foi direcionado a mim, mas se foi:
Sobre a questão de diploma e tecnicismo, nem curso superior eu tenho. Por isso vejo com mais clareza ainda que discernimento é característica técnica básica pra entender que, se há regras sobre formação para registro de imprensa num órgão público, elas devem ser seguidas.
Ou qualquer vagabundo, como eu, pode ir entrando lá dizendo que faz programa de TV e assassinar algum congressista.
Daniel Bastos
10 mar 09 at 19:30
RE: Olá Danilo, bem-vindo! Ao contrário do que você entendeu, eu também sou contra a obrigatoriedade do diploma. Mas o fato de eu acreditar que qualquer um pode ser jornalista, não significa que ache que o jornalismo pode ser feito de qualquer jeito, mesmo que seja “em nome do interesse público”.
Por mais podre que o mundo esteja, é preciso lembrar que repórter não é justiceiro. Se o sujeito quer fazer justiça ou salvar o mundo, que vá estudar Direito para se tornar juiz ou teologia para virar padre.
É claro que o papel do repórter não se limita apenas a apresentar as versões dos fatos. É preciso manter uma postura crítica. Mas “manter uma postura crítica” não significa, por exemplo, ameaçar alguém de retaliação porque lhe negou uma entrevista.
O jornalismo é uma profissão que deve ser exercida com responsabilidade. É sobre Ética que estamos falando. Como você deve lembrar, ao terminar a faculdade de jornalismo, os alunos fazem um juramento, assim como acontece no curso de medicina. Aquilo não é por acaso.
Seja como for, opiniões contrárias são sempre bem-vindas por aqui, sobretudo quando estão bem fundamentadas. Obrigado pela participação e continue conosco!
Adilson Fuzo
10 mar 09 at 21:10
Opa! “Mas o fato de eu acreditar que qualquer um pode ser jornalista, não significa que ache que o jornalismo pode ser feito de qualquer jeito”.
Isso ratifica tudo e deixa, “sob o céu da Dinamarca”, a certeza de que somos fogo amigo.
Eles não são jornalistas, não fazem jornalismo, apesar de eu ser fã incondicional do Tas (o Danilo Gentili também é genial). Isso é ponto pacífico. Mas tem uma grave diferenciação a ser feita: sob o nome e a pompa de jornalismo, Datenas da vida invadem nossas casas pra despejar o lixo reacionário que se quer catártico. É um linxamento público moral. Bem diferente do que eles (CQC) fazem, que, quando extrapolam o limite da ética — como ameaçar de retaliação por não conceder entrevista — devem entrar na roda como todo mundo.
O ideal seria, óbvio, levar todos os pilantras que o CQC denuncia pra sentar na cadeira do Roda Viva. Mas de duas, uma: ou os caras não iriam, ou o público (alienado, vítima, preguiçoso, o que for) não assistiria.
Bicho, o CQC deu 6 pontos de audiência ontem. E, catártico ou não — não estou sendo maquiavélico — tem muita gente vendo que governo inaugura hospital e não põe pra funcionar, mas usa como elemento de campanha. É a piada pronta do nosso país. Ás vezes eles exageram na mão e isso não pode ser justificado pela qualidade do programa.
Não escolho o menos pior, assisto ao roda viva e lamento por não ser mais transmitido ao vivo — pela irremediável perda na interatividade. Tinha até Twitter!
Concordo com vc, mesmo. E adorei sua resposta. Só que é foda colocar os caras na berlinda ”porque ele xingou minha irmã”, saca? A questão é um pouco mais em cima, mais estratégica. Os caras pegaram o público emburrecido do Pânico e fizeram um puta humor inteligente, crítico e sem bundas. Á custa de exagerar? Cabe ao público reivindicar respeito e ética.
Mas vc há de concordar: é possível pedir isso ao Datena, por exemplo?
Grande abraço.
danilo sanches
10 mar 09 at 21:37
Boa noite.
Rafinha bastos pode não ser um bom repórter, mas achei um pouco pesado comparar ele com o repórter vesgo, pelo menos o Rafinha nao precisar ser tão estúpido ou humilhar as pessoas como o vesgo.
Rafael
2 abr 09 at 2:18
Esse QCC (Que Cecê) é um lixo ,piadinhas prontas escamoteadas por efeitos e animações de video , feito pra classe média que se julga inteligente e esclarecida.
Tudo isso baseado na tal comédia Stand-up , a mais coxinha e americanizada forma de se fazer algum idiota rir,com aqueles mauricinhos engravatados , que estão mais pra ídolos adolescentes do que pra humoristas .
Esse papo de “humor fino” , “inteligente” é coisa de inglês. Humor brasileiro sempre foi baseado no escracho e na anarquia , desde a época do Os Trapalhões e da TV Pirata .se quiser cultura e reflexões profundas é melhor desligar a TV e procurar uma biblioteca .
Considero o “Hermes e Renato” os únicos que ainda baseiam-se nesse modelo genuíno .
CQC de boca é chupeta!
Marcelo
8 abr 09 at 17:30
Esse Rafinha é um pateta , um grandalhão folgado que fica se fazendo de Celso Russomano versão mal-educado , intimidando os outros com sua altura .
Torço sempre pra que leve uma porrada na cara , do mesmo jeito que eu torço pro touro acertar o toureiro .
TROUXA!!!!!!!
Walter
10 abr 09 at 17:51
Ótimo post!! Concordo plenamente! No último episódio o cara estorou uma bexiga na sala do cara e ainda levou o celular do cara, como se isso fosse engraçado. E não dá nem pra ficar com raiva do político estúpido porque ele consegue ofuscar a incompetência do político com a dele.
Realmente ele é o ponto fraco do programa, e não só nas entrevistas, no próprio palco as piadas deles são super artificiais.
Paulo
21 abr 09 at 12:18
hô bamdo de idiotas vcs estão ficando doidos éé??
O CQC Custe O Que Custar é MuitO Bom Sim..
Vcs Que São Um Bamdo de carniça que naum sabe o que é bom…
E Não falem Assim Do Rafinha BastO.. Ele é Um Otimo
Jornalista.. Não Só Eles Todos Os Outros Tbm São MuitO Bons Eles São Melhores Do que muitos outros que tem Por aiii…
Não tem problema naum vcs que são contra o CQC São Menorias.. Bamdo de tabacudos,nojentos,que Não tem o que fazer…
Cibele
30 mai 09 at 16:05
Opá eu digiteii errado eu quero dizer que vcs que não gostam do CQC..
SÃO MENORIAS.. Ok Isso que vcs estão fazendO não nos atingeeeeee Idiotaass
Cibele
30 mai 09 at 16:08
enquanto continuarmos pensando assim, pensando q temos q ‘pegar leve’ com os nossos politicos, o Brasil vai continuar com politicos corruptos q não pensam na população! Esse quadro pra mim é o ‘mais importante’ do CQC, o Rafinha representa os eleitores q colocaram os governantes la dentro, e ele faz isso muito bem!! minha humilde opinião!! o CQC é sim um programa humoristico, mas faz o papel social muito bem!! mais agressivo q o Rafinha é o Gentili, e eu não vejo ninguem falando q ele é agressivo!! por q na minha opinião os 2 fazem o trabalho deles muito bem, e falam o q a maioria das pessoas q tem um pouco de senso critico falaria pra esses politicos!!
suellen
30 mai 09 at 17:04
Se o quadro não fosse bom , não estaria aí até hoje .
– se a gente não fizer piada da desgraça , a nossa vida seria um infortúnio , e sinceramente , você que escreveu este post , seja quem for , é um infortunado !
se você sentasse, e assistisse o tanto que ele já fez pelas pessoas , pegaria toda essa besteira que você falou , e enfiaria bem no seu orifício anal ! ( sem ofensas , ok ? )
de boa , nada justifica isso tudo que você falou . é fácil fazer jornalismo com bom humor , ou qualquer coisa parecida com isto que você tenha dito . como eu já disse , se ninguém fazer piada com a desgraça , seja a sua , seja a de qualquer outro , mesmo que deixe alguém feliz , nossa vida seria um total infortúnio !
o que ele faz com os políticos , governadores e etc. é o que eles merecem ! o povo que precisa eles não ajudam , e se reprimir , não for grosseiro , não encurralar esses idiotas , não vão ajudar o povo mesmo .
enrão ao invés de só ficar pegando os pontos fracos do ‘ Proteste Já ‘ , pegue os benifícios que esse quadro já causou aos que precisam dessa ajuda .
FIK DIK !
– Snow White .*
- Snow White .*
30 mai 09 at 17:11
FILHOO É UM TIPO DE HUMOR INTELIGENTE, ONDE ELE FALA OQ ELE PENSA… NÃO PRECISA SER HIPÓCRITA E FICAR OUXANDOO O SACO DE NGM! MIAS DISSO ACHOO Q VC NÃO ENTENDE PRECISA DE MAIS DE 2 NEURÔNIOS PRA COPREENDER! PASSE BEM!
JÉSSIKINHA
30 mai 09 at 17:34
No Coments a arte do insulto consiste exatamente em ignorar quem o insulta!
JULI-Blévers
30 mai 09 at 17:40
SE VOCÊ NÃO GOSTA DO CQC ENTÃO POR QUE ASSISTE FAZ O SEGUINTE!:
…………………………..DESLIGA A TLELEVISÃO E VAI LER UM LIVRO!……………………………….
Polenta- a poodle Rabugenta!!!
30 mai 09 at 17:43
Pra mim, CQC é o melhor programa de humor que há atualmente na tv brasileira!!!!!
Ana
30 mai 09 at 18:02
Acho que você foi bastante precipitado ao fazer sua análise.
Gilaine
30 mai 09 at 22:28
O pateta usa um problema da sociedade como esquete para mostrar suas piadas sem graça. Deplorável.
Fábio Vanzo
2 jun 09 at 10:49
Também discordo deste post. O humor do CQC não é inteligente, nem refinado. Eh como vovoh ja dizia: “Em pais de cego…”.
Minha visão dos fatos é bem simples. Eles trouxeram ao Brasil um otimo modelo, hibrido, bem rodado nos seus 14 anos de idade (que anda até meio se afrouxando na terra natal, vide YouTube) e o desfiaram até o toco, até onde dava. Mas a escolha da equipe foi feita a dedo; confesso que não poderia ser melhor do que é.
Pois bem. Soh que, nas ultimas edições, se pararmos pra pensar em que tipo de piada os Intocaveis têm apresentado, vemos de cara que 90% fica estagnado naquele basico “todo corintiano é ladrão”, “gaucho é viado, hein”, “negro, pau grande; japa, pitoco”, “olha pra mim, odeio minha sogra!”. Na primeira temporada não era bem assim, mas, aos poucos, tudo volta ao velho jeitão brazuca: muito preconceito, pouca critica. Eh o karma de todos os nossos programas de humor.
Porém, no final das contas, existe um ponto unanime entre você, blogueiro, e todos estes comentaristas: o CQC é a melhor produção humoristica da TV brasileira. Infelizmente.
Esperemos que eles saibam aproveitar melhor desta contastação.
(Não é, vovoh?)
Marcio d'Oliveira
2 jun 09 at 15:28
ah! que bom. quase achei que era só eu quem não gostava de shownalismo.
“cqc” e “pânico” só muda a emissora.
nelio souto
13 ago 09 at 14:52
O Marcelo Tristão Athayde de Souza, ou Marcelo TAS, era “engraçadinho” no programa ‘Castelo Rá-Tim-Bum’, fazendo o papel do ‘Professor Tibúrcio’. Fora isso, ele caiu nas graças de um tipo de público que gostou do formato do programa CQC. Este, tirando o pessoal que faz entrevista (imitando o ‘Pânico na TV’, no tocante à debochar dos outros para fazer graça), é um programinha cansativo (vinhetas repetitivas, intermináveis, barulhentas e com… abelhinhas robô??) A verdade é que o humor do Pânico é singular e infelizmente por mais que alguém tente, vai sempre estar imitando. Ah, Marcelo Tas, Rafinha Bastos e Marco Luque, deviam ir para a ‘Praça é Nossa’, a inocência das piadinhas que eles soltam, combinariam mais por lá. O programa talvez ficasse melhor se o pessoal de rua o conduzisse (é lógico que viraria um Pânico 2).
Abraços, obrigado e, não guardem raiva. É uma crítica construtiva. Ah, se me xingarem é porque a carapuça serviu e eles concordam comigo!
Roger Fernandes
22 set 09 at 11:19
Acredito que o posto foi feliz em alguma coisas e infeliz em outras. Infeliz ao comparar o CQC com jornalismo,pq não é um programa jornalístico, é um programa de humor, de muito boa qualidade ainda. Gosto das piadas, ás vezes infames e repetidas, na mesa, pq é akilo que tu pensa mesmo. Gosto do modelo stand up, pq são coisas que tão na cara, e ningm vê ou não quer enxergar! Acho que o post foi feliz ao dizer que repórter não tem que salvar o mundo. Faço Jornalismo, sei que não tem. O Rafinha não é um super-herói, mas o trabalho que ele faz de cobrar dos políticos as promessas é o que todo cidadão deveria fazer, e não um repórter apenas! Tirando algumas exceções, que bom que o debate foi em alto nível! abraço
Vladson Ajala
27 nov 09 at 11:47
Dizer que humor não pode se relacionar com jornalismo é jogar no lixo todos os comentários de Arnaldo Jabor.
Rafinha não é um jornalista, e por isso não precisa se comportar exatamente como um, nem ter ética jornalística.
Ele nunca trata mal quem não deve nada a sociedade, mas sim, elabora questionários diferentes dos convencionais feitos pelos repórteres também convencionais, que insistem em fazer perguntas óbvias cujas respostas já estão na ponta da língua dos governantes deste sujo país.
Esta sua opinião me parece muito mais uma vontade de nadar contra as ondas, como se tudo que agradasse o sistema “pop” fosse algo questionável e detestável. Como se não fosse possível algo popular ser suficientemente bom (não perfeito) para se destacar entre tantas porcarias que surgem dia após dia.
Acredita que um programa com tantos fãs ignorantes tende a ser ignorante quanto.
Obrigado pelo espaço!
Eder Marra
1 ago 10 at 10:13