Maldita Cultura Pop

Maldito intestino preguiçoso

17 já amaldiçoaram


Os alquimistas da Idade Média trabalharam duro na tentativa de descobrir uma maneira de transformar chumbo em ouro. Diz a lenda que só um deles, Nicolas Flamel, conseguiu encontrar a tal Pedra Filosofal que permitia a transmutação dos metais. Esta descoberta, no entanto, não é nada perto do que fazem os publicitários brasileiros do século XXI. Só eles são capazes de transformar merda em dinheiro.

Espero que o distinto leitor não se ofenda com esse tipo de linguajar, porque a coisa tende a piorar daqui para frente. Afinal, como falar desse fenômeno ímpar que alçou aos píncaros do horário nobre o êxtase de um momento tão particular. Se você ainda não entendeu, estou falando aqui daquele monte de produtos que são anunciados na mídia todos os dias para ajudar você a cagar. Eu sei que estamos aqui falando de algo repugnante, usando termos chulos, mas o assunto é sério demais e não pode ser desprezado. É uma questão de saúde pública.

Pois se cada um de nós sempre soube fazer cocô desde que nasceu, então porque diabos precisamos adquirir um maravilhoso produto para continuar judiando da louça depois de crescidos. A menos que exista uma razão especial, como uma doença ou algum medicamento que o caboclo tome que lhe dificulte o funcionamento do intestino, por exemplo, não há necessidade de embarcar nessa onda consumista para combater o “intestino preguiçoso”.

Confesso que essa expressão aí, “intestino preguiçoso”, me incomoda um pouco. O problema é que ela é bonitinha demais. Veja bem, estamos falando de um fulano que não consegue derrubar o barro. Daí me aparece um comercial falando dos males do intestino preguiçoso. Eu fico imaginando uma modelo branquelinha alisando o umbigo e dizendo “Olha que intestininho safadinho! Tá com preguicinha, tá?”

Bah! Certamente, o publicitário que inventou “intestino preguiçoso” sabia muito bem que “constipação” é uma palavra feia demais para aparecer no horário da novela. Essa palavra remete à imagem de um pobre coitado sentado na privada com as calças arriadas, vermelho de tanto fazer força e sofrendo para botar os meninos para nadar… Já “intestino preguiçoso” é uma coisa mais clean, suave, meiga, que cheira a lavanda. A comparação seria mais ou menos assim: João Gordo tem constipação. Sandy tem intestino preguiçoso. Lindinho, não é? Perfeito para vender iogurte, cereais, saca rolhas e outras tranqueiras industrializadas.

Bom, como eu dizia, a menos que o sujeito tenha algum problema de saúde, não há motivo nenhum para ficar nessa paranóia de merda, com o perdão do trocadilho. Digo isso porque existem pessoas que se tornam consumidoras fiéis desses produtos ao invés de balancear sua dieta com frutas, verduras, legumes e bastante líquido.

Erro ainda mais grave é o das pessoas que tomam laxantes de maneira sistemática para conseguir dar uma bela duma cagada decentemente. Em algum tempo, o organismo do infeliz acaba se tornando dependente daquela ração periódica do medicamento e é aí que as tripas travam de vez. Sabe-se também que muita gente que toma laxantes na ilusão de se manter magra cagando mais. Pelamordedeus, isso é uma idiotice (além de ser uma forma de anorexia). Procurem um médico. É sério!

É preciso reconhecer que uma parcela significativa da população está desaprendendo a evacuar. E o que deveria ser tratado como um problema de saúde pelos nossos governantes de merda, é enxergado como uma oportunidade comercial por toda uma indústria de alimentos, medicamentos, publicações. E a população feminina é o alvo preferencial nessa ofensiva, afinal já se sabe que as mulheres vão menos ao banheiro em comparação aos homens.

Diante de um governo ineficiente e uma indústria ávida por embolsar o seu rico dinheirinho, a única saída que resta é o bom senso. Por isso, antes que você se envolva nessa perigosa busca pelo cálice sagrado do bolo fecal, tenha em mente que você não vai conseguir emagrecer cagando o que comeu em excesso. O máximo que você vai conseguir é perder peso eliminando líquidos e, provavelmente, ficar doente.

Para garantir a bosta vossa de cada dia, não adianta correr atrás das atrizes meiguinhas de dentes brancos que aparecem nos reclames falando da porra do “intestino preguiçoso” ou que cagam “como se fosse um reloginho”. Esqueça também toda essa paranóia disseminada pelas revistas femininas e sites especializados de que você será mais feliz se passar o dia sentado no troninho. Além disso, fique longe daquelas ideias da sua amiga debilóide que trabalha com você e sempre tem uma receitinha mágica para emagrecer.

Sendo assim, se você quer emagrecer ou sofre de prisão de ventre (intestino preguiçoso é a putaquipariu), pare de inventar moda e siga o sábio conselho dessas quatro palavrinhas mágicas: “vá ao médico, porra!”. E vê se para de torrar todo seu ordenado num iogurte que não resolve merda nenhuma.

Maldito BBB (e seus odiadores)

30 já amaldiçoaram

A coisa mais fácil que existe nesse mundão é meter pau em reality show. É ou não é? A coisa fica mais fácil ainda se for para falar mal do Big Brother, já que franquia neerlandesa apresentada no Brasil pela Globo alcançou tanto sucesso que se transformou numa espécie de Maizena dos realities.

Cornetar o BBB é um verdadeiro esporte nacional. A Globo, o Bial, as gostosas, as provas, o baixo nível da televisão brasileira… Tudo é um lixo. Nada presta. Críticos e telespectadores finalmente entraram num consenso.

Mas por mais odioso, grotesco, tosco, repugnante, imbecil, ridículo e Maldito que seja o BBB, as pessoas INSISTEM em assisti-lo todo começo de ano, como num exercício macabro de autoflagelo (ou hipocrisia) sazonal. 

E a repercussão na mídia é enorme. Jornais e revistas estampam os confinados em suas capas. Programas femininos passam horas discutindo as picuinhas da casa e até mesmo os portais da concorrência criaram o cargo de “setorista de leva-e-traz” para a cobertura do reality. 

A mídia corre atrás (na minha opinião, acertadamente) porque o BBB é efetivamente um assunto relevante de interesse geral. O paredão de domingo, por exemplo, é assunto obrigatório nas rodinhas do café na segunda-feira de manhã. Internautas trocam bofetadas virtuais (em péssimo português, diga-se de passagem) nos fóruns da vida perdidos pela web. Telespectadores fanáticos assinam o Pay Per View, montam blogs especializados no assunto, passam horas fingindo que estão trabalhando, quando na verdade estão votando freneticamente para eliminar seus desafetos do jogo.

Agora, cá entre nós, seria fácil (e sem graça) demais espezinhar ainda mais o BBB apontando seus podres. Por isso, eu prefiro que o Maldita Cultura Pop trate de uma outra questão que, depois desse apedrejamento, tornou-se mais importante: qual é o problema de gostar de Big Brother? Que pecado há no entretenimento barato?

É meirmão, ninguém prometeu que o BBB seria um programa educativo, científico, acadêmico, jornalístico ou algo do gênero. Aliás, nem só de coisas sérias é feita a vida. Big Brother é entretenimento e deve ser encarado como tal – superficial, incoerente e sem nenhum propósito útil. Se você quer algo que “agregue valor” para sua vida, desligue essa merda de TV e vá ler um livro. Não, Dan Brown não serve.

Além disso, se você deixar os preconceitos de lado, vai perceber que já faz tempo que o programa não é um mero point de encontro entre bombados e siliconadas. Por trás da aparente superficialidade do Big Brother, está um interessante laboratório de seres humanos, complexos, limitados, cheios de certezas e dúvidas, tão atrapalhados com a própria vida como todos nós. 

Quando todos são botados numa caixa de vidro, eles deixam de ser participantes para se tornarpersonagens. Assim, o mimimi do dia-a-dia se transforma numa trama composta por fios de romance, conspiração, comédia, drama, conflito, transformação e tudo mais que você pode encontrar numa boa história. Basta ter olhos para enxergar como a narrativa se desenrola. 

Vamos dar um desconto também para esses pobres sujeitos que empenham toda privacidade de sua vida na esperança improvável de arrematar um prêmio de R$ 1 milhão. De quebra, os caras ainda têm que aguentar os poemas do Bial, os esporros do Boninho, as provas sádicas de resistência, os programas infames dehumor e até um show do Carlinhos Brown. Aí já é demais…

Big Brother é uma brincadeira. Um jogo. Não é para ser levado tão a sério. Por isso, também não precisa ficar indignado só porque você desconfia que a Globo forja situaçõesmanipula paredõesfavorece um ou outro participante na edição. Leve na esportiva, pô!

Entretenimento bobo, despretensioso, descompromissado também pode ser um bom entretenimento. Já ouviu falar na Maldita Cultura Pop? É claro que sua vida não deve se resumir a isso. Mas pode ligar a televisão e assistir Big Brother em paz. E não tenha vergonha se, num bate papo qualquer com os amigos, você deixar escapar que odeia aquela mimadona da Ana Carolina. (Ops!)

Adilson Fuzo

30 dEtc/GMT+3 março dEtc/GMT+3 2009, 8h30

#2

7 já amaldiçoaram

- O show do Radiohead está bombando em terras brasileiras. Ninguém discute a qualidade dos caras, mas convenhamos, qualquer banda que entrar depois do Los Hermanos será genial.

- O Corinthians fechou um contrato de patrocínio de R$ 18 milhões com a Batavo. Um valor expressivo para um clube brasileiro em tempos de crise. Ronaldo e a Ronaldomania certamente tiveram um peso decisivo nesse acerto. (sem piadinhas com a palavra “peso”, por favor)

- Essa é da semana passada. Vocês viram o belíssimo esporro que o Boninho deu no pessoal do Big Brother? Normalmente, quando a produção se comunica com os participantes do reality show, o áudio da casa é cortado para os assinantes PPV. Dessa vez porém, por algum motivo, o som vazou.

- Para aqueles que gostam de pessoas com superpoderes usando a cueca por cima das calças, os trailers de X-Men Origins: Wolverine estão bem legais. Eu, pelo menos, gostei.

- Falando nisso, já está ficando chato esse negócio de acertar previsões sobre o futuro do Twitter (que na verdade acontecem no presente). Por conta de uma falha de segurança do MeAdiciona, a conta de alguns usuários do Twitter sofreu “sequestro-relâmpago”. Se eu cravar mais um palpite, eu tô no Faustão no domingo.

Adilson Fuzo

21 dEtc/GMT+3 março dEtc/GMT+3 2009, 2h47

Maldito Twitter de Aluguel

3 já amaldiçoaram

 

Uma polêmica envolvendo o apresentador multimídia Marcelo Tas e a Telefonica rendeu muito papo nesta quinta-feira. Segundo uma matéria publicada no Wall Street Journal, mediante uma acordo comercial, Tas teria aceitado falar dos serviços de internet da Telefonica no Twitter.

 

Foi uma bomba! Estaria Tas recebendo para fazer propaganda do Speedy no Twitter? O careca disse que não é bem assim.

A notícia, no entanto, revoltou os blogueiros puritanos, que ameaçaram uma uma campanha de “unfollow” em massa ao apresentador. O alarde apresentado pelo bloco conservador, ao contrário do que se pretendia, acabou ajudando a ampliar ainda mais o número de seguidores de Tas no Twitter ao longo do dia.

Um outro grupo, de blogueiros neo-mercenários, saiu em defesa de Tas afirmando que o apresentador tinha sim direito de descolar uns trocos às custas da ingenuidade de seus admiradores. Afinal de contas, vivemos num mundo capitalista e vale tudo para se dar bem.    

Um terceiro grupo, de blogueiros sem expressão (do qual eu faço parte), não fez nada, participando do episódio apenas como massa de manobra , falando mal de todo mundo e fazendo fofoquinha.   

Enquanto a discussão rolavava, Tas disse que explicaria tudo e deu um Migué. De quebra, ainda ofendeu a virilidade de seus quase 20 mil seguidores no Twitter. “Daqui a pouco, para quem interessar, eu conto tudo. Para os ejaculadores precoces que quiserem unfollow, suerte e byebye…” (Até o fechamento dessa edição, o careca ainda estava pensando no que ia falar). Depois de seis horas sem sair de cima, ele finalmente  apresentou sua versão da história. A imprensa comprou a idéia.

O episódio, que ficou registrado nos anais do Twitter como #twitterdealuguel e #mimimi, particularmente me surpreendeu por três motivos. O primeiro deles é que nem eu mesmo esperava que minhas previsões sobre o futuro do Twitter se concretizariam tão rapidamente.

O segundo motivo é que, no final das contas, a Telefonica acabou gastando uma dinherama danada e acabou conseguindo um belíssimo viral queima-filme em troca. Quanto ao Marcelo Tas, não importa o que ele disser daqui para frente, sempre vão se perguntar quanto ele levou para falar aquilo.  E ainda há a questão da isenção em programas como o CQC. Será que o garoto-propaganda da Telefônica permitiria que seus padrinhos fossem perseguidos em um quadro como o “Proteste Já”, por exemplo?

Por fim, o terceiro motivo é que, infelizmente, muita gente ainda não entende a diferença entre “espaço editorial” e “espaço publicitário”. São pessoas que ainda acreditam que vale tudo para ganhar dinheiro.

Adilson Fuzo

19 dEtc/GMT+3 março dEtc/GMT+3 2009, 20h49

Maldito Twitter

73 já amaldiçoaram

 

A revista Época abriu a caixa de Pandora

A revista Época abriu a caixa de Pandora

Taí o melhor candidato para se transformar na mais nova febre da internet brasileira. Assim como acontece com todo fenômeno pop, o Twitter já deixou para trás sua fase germinal, quando era apenas ferramentinha promissora usada com empolgação pelos gostosões da rede.

 

Hoje muitos outros adeptos passam um tempão no brinquedinho de 140 caracteres, é verdade, mas isso não é nada em comparação com o que vem por aí. Nesta semana, a revista Época abriu a caixa de Pandora, com uma reportagem de capa sobre o Twitter. Não tenha dúvidas que o resto da mídia deve seguir o mesmo caminho e um verdadeiro tsunami de usuários deve invadir sua lista de seguidos e seguidores nos próximos dias.

Prevendo as consequências de tais fatos, o Maldita Cultura Pop resolveu traçar um panorama de como será o Twitter no futuro. Talvez você ache que todas essas previsões sejam exagero da minha parte ou apenas uma brincadeirinha boba, mas daqui um tempo, tenho certeza que você se lembrará deste post e dirá. “Meu Deus, ele estava certo! Maldito Twitter!”

 

Como será o Twitter no futuro? 

- Sua mãe terá uma conta no Twitter

- Adolescentes marcarão briga usando o Twitter

- O Jornal Hoje, da Globo, fará uma reportagem sobre a importância dos pais supervisionarem seus filhos enquanto eles usam o Twitter

- Empresas premiarão internautas influentes para falar bem de seus produtos. Chamarão isso de “twit pago”

- O Google vai comprar o Twitter

- O excesso de usuários vai sobrecarregar os servidores, deixando o site lento e chato. Quando o problema finalmente for resolvido, ninguém mais vai dar bola para o Twitter

- Vão roubar a senha e a conta do seu colega

- Redes de pedofilia e o crime organizado crescerão usando o Twitter

- Estrangeiros vão discriminar brasileiros

- Usuários metidos a besta cometerão “twittercídio”

- MOito mlk vaI iScreVE axim UHahau ahAa ahUhAua aHuAh #miguxo

- O acesso ao site do Twitter será bloqueado nas empresas

- Uma enxurrada de perfis de gatos, cachorros e bebês serão criados

- Você ouvirá duvidosas histórias de sequestradores que usam o Twitter para escolher suas vítimas

- Garotas gostosas divulgando sites pornográficos aparecerão entre os seus seguidores

- Cópias baratas do Twitter pipocarão pela internet

- Inventarão toda sorte de softwares aplicados ao Twitter, como geradores de twitts automático, textos coloridos e bonequinhos que batem a bundinha

- Você receberá propagandas do tipo “enlarge your penis”, mesmo que você seja mulher

- Jogos bestas serão a maior parte dos twits que você receberá

- Outros sites de relacionamento gastarão uma fortuna para incorporar as funções do Twitter, mas ninguém vai usar

- Casais de namorados brigarão por coisas que foram escritas no Twitter dos outros

- O governo americano vai monitorar os usuários brasileiros suspeitos de atividade terrorista

- Programas de TV metidos a modernos lerão twits ao vivo

- A Daniella Cicarelli vai processar o Twitter

- Uma nova “ferramenta revolucionária da internet” surgirá e os usuários do Twitter vão acessá-lo uma vez por mês, só para pegar os recados. 

E você? Como acha que será o futuro do Twitter?

Adilson Fuzo

18 dEtc/GMT+3 março dEtc/GMT+3 2009, 19h46

#1

4 já amaldiçoaram

Imagine você entrando no banheiro masculino e se deparando com a seguinte cena.

Diz aí: é traveco ou não é?

Adilson Fuzo

16 dEtc/GMT+3 março dEtc/GMT+3 2009, 2h06

Categoria: Primeira fase

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Maldita Ronaldomania

6 já amaldiçoaram

O Ronaldo é um puta jogador, mas a Ronaldomania, convenhamos, já encheu o saco.

Veja só como tem agido a Rede Globo, por exemplo. Antigamente, ela transmitia jogos do Corinthians. Hoje, ela transmite jogos do Ronaldo. Mesmo quando ele está no banco de reservas, uma câmera exclusiva fica seguindo o gordinho o tempo todo. O cara não consegue nem dar um peido em paz sem que seja narrado pelo Cleber Machado.

Quando acaba o primeiro ou o segundo tempo, os repórteres caçam ele como se fosse um hambúrguer na Somália. Empurram, gritam, batem com o microfone na cara dele e quase nunca conseguem nada. O pior: depois que o Ronaldo sai de campo, os repórteres finalmente resolvem entrevistar os outros jogadores. Mas qual é o assunto? Ronaldo! Ronaldo! Ronaldo!

Obviamente, isso não acontece só na Globo. As outras emissoras de TV e de rádios, os jornais e sites esportivos, todos só querem saber do Ronaldo. De repente, todos os outros jogadores viraram coadjuvantes. Ronaldo é o messias que vai levar os judeus para a terra prometida… Ronaldo é o escolhido que vai acabar com a guerra entre homens e máquinas… Ronaldo é o hobbit que vai queimar o anel em Mordor… (É melhor parar por aqui, né?).

Veja bem, não estou discutindo o mérito dele como jogador. Aliás, também sou corintiano e quero ver o gordinho tocando o terror na área dos adversários. Mas será que precisava tanto auê?

Fico me perguntando que futuro está reservado para Ronaldo. Será que ele vai mesmo conseguir a reabilitação total e voltar para a Seleção? Será que o desempenho dele vai cair por conta de dores ou falta de mobilidade? Será que um zagueirão qualquer vai lhe arrebentar o joelho novamente? Será que ele vai fugir com um ladrão boliviano à la Nelson Rodrigues? Seja com for, só espero ter uma folga dessa maldita Ronaldomania.

Adilson Fuzo

14 dEtc/GMT+3 março dEtc/GMT+3 2009, 16h41

Maldito CQC

25 já amaldiçoaram

Já que estamos aqui para discutir os fenômenos pop da nossa cultura, que tal começar esse blog contrariando todo mundo e metendo o pau num programa de humor que é praticamente uma unanimidade?

A TV Bandeirantes arranjou um espacinho na sua grade de cultos evangélicos para apresentar ontem o primeiro CQC da temporada 2009. O programa mostrou as mesmas qualidades que fizeram dele um dos melhores humorísticos do ano passado. Por outro lado, para a infelicidade de telespectadores assíduos, como eu, o CQC também voltou insistindo nos mesmo erros de 2008. O mais gritante deles, atende pelo nome de Rafinha Bastos.

Em primeiro lugar, vamos deixar claro. O problema não é o Rafinha Bastos apresentador do CQC, o cara que trouxe toda aquela ginga da comédia stand up para a bancada do programa. Neste papel, ele manda bem. O problema está no Rafinha Bastos travestido de repórter daquele desajeitado quadro “Proteste Já”. É lá que ele sonha ser um Ernesto Varela, mas acaba se comportando como um Repórter Vesgo.

O CQC, que sempre se diferenciou dos seus concorrentes justamente por fazer um humor inteligente e refinado, perde todas as suas qualidades quando o Rafinha está com o microfone na mão. Ele é estúpido com os entrevistados, desnecessariamente agressivo, faz perguntas e não ouve as respostas. Na minha opinião, isso não é jornalismo – porque o “repórter” fica falando sozinho e bancando herói dos oprimidos – e também não é humor – porque não tem graça nenhuma.

Preste atenção à forma como ele aborda as autoridades. Parece até que o objetivo do Rafinha é justamente punir o entrevistado “malfeitor” fazendo ele passar vergonha em rede nacional.

Ora, muita gente defende a obrigatoriedade do diploma para prática do jornalismo justamente para evitar que um sujeito ingênuo ou irresponsável queira bancar o repórter justiceiro, de acordo com seu ponto de vista e interesse. Eu acho que o diploma por si só não garante nada, mas é lógico que antes de deixar um aspirante a repórter sair por aí “entrevistando” as pessoas, é preciso explicar para ele que o jornalismo não julga e nem condena ninguém. E muito menos dá poder ao repórter para punir seus entrevistados, se ele achar que o sujeito não presta.

É possível provocar e pressionar os entrevistados sem ser grosseiro? Sim. É possível fazer jornalismo com bom humor? Sim. É fácil fazer as duas coisas ao mesmo tempo? É claro que não. É preciso ser inteligente, rápido, bem informado e ter um pouquinho de cara-de-pau. Mas se o Rafinha Bastos continuar se valendo apenas da cara-de-pau enquanto grava esse infeliz “Proteste Já”, ele nunca passará de um moleque de microfone na mão. Um Repórter Vesgo da vida.

Adilson Fuzo

10 dEtc/GMT+3 março dEtc/GMT+3 2009, 6h04

Maldita seja!

4 já amaldiçoaram

Ela está nas paredes da sua casa, nos seus CDs, livros, revistas, no outdoor da rua, nos programas que você ouve no rádio e assiste na televisão, nos sites que você acessa na internet e até nos seus sonhos. E, se você quer saber, ela está aqui também, agora, neste blog, fazendo bunda-lelê para você.

A maldita cultura pop invadiu a civilização globalizada e grudou como chiclete nos nossos ouvidos, olhos, mentes e corações. Escravizou a elite, os intelectuais, os alternativos e os atirou na mesma vala em que estavam os torcedores do Corinthians, os frequentadores de baile funk e os devotos de Nossa Senhora Aparecida.

Ok, não podemos ser tão duros com ela. Afinal, a maldita cultura pop nos proporciona entretenimento barato, atraente e de fácil compreensão. Por isso, é preciso reconhecer que ela é bastante útil quando torna a nossa miserável existência mais amena. Até aí tudo bem, mas nossa vida não pode se resumir a isso. Merecemos mais do que um punhado de ideias pasteurizadas. É ou não é?

Mas é preciso que se diga: ao contrário do que pode parecer, o propósito deste blog não é panfletar contra a maldita cultura pop. Não somos tão ingênuos a ponto nos transformar numa espécie de militante anti-pop. Isso seria ridículo. Mas não abrimos mão de entender essa praga que engoliu a nossa cultura e a vomitou de volta em nossa cara.

A maldita cultura pop levou a nossa alma, devorou a nossa personalidade e envenenou nossos pensamentos. E mesmo depois de tudo isso, ainda dedicamos nossas orações a ela todas as noites.

É por isso que eu repito: maldita seja a cultura pop! Maldita seja!

Adilson Fuzo

8 dEtc/GMT+3 março dEtc/GMT+3 2009, 14h03

Categoria: Primeira fase

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