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Blog da Luna Vale

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“Obrigação” cívica

Por Luninha | 07/10/2008, 15h11

Todo dia de eleição tenho a mesma conversa com a minha mãe:

- Mãe, por que você não muda logo o seu título para perto de casa?

- Por que só me lembro disso perto das eleições e tenho medo de ser mesária.

Esse medo, muito comum na população, causa um grande problema na cidade em um dia que deveria ser tranqüilo: engarrafamentos. As pessoas casam, se mudam e continuam votando na mesma sessão eleitoral, gerando engarrafamentos enormes no dia que deveria ser um simples domingo de eleição. Considerando que cada vez as pessoas se mudam mais (por diferentes motivos), o problema só tende a aumentar. Fora que é muito melhor ir ali votar rapidinho e acabar logo com isso do que ter que pegar o carro e atravessar meia cidade para cumprir a obrigação cívica.

Acho que esse problema poderia ser resolvido de duas maneiras. Primeiro, deveria ser feito um cadastramento voluntário. Sim, há pessoas que gostam de ser mesárias. Se o número de pessoas não for suficiente, aí sim faz-se a convocação. Porém, deveriam ser convocados os que têm dezoito anos e acabaram de tirar o título. Com isso, ocorre uma grande rotatividade e impede que as pessoas sejam obrigadas a trabalhar mais de uma vez. Assim, acabaria o medo da convocação e todos poderiam votar perto de casa, fazendo com que o domingo de eleição não deixasse de ser um domingo normal.

Dessa forma ou de outra, o TRE precisa encontrar uma maneira de fazer essa seleção sem ser randômica. Tem que haver parâmetros para a convocação, para que as pessoas possam votar em paz, sem ter que perder o dia inteiro por conta disso.

Falta atitude

Por Luninha | 03/10/2008, 19h57

Falar que a juventude de hoje não se interessa por política já virou clichê. O problema maior não é a falta de interesse, é a inércia, a falta de atitude. É fácil falar que é contra isso, ou contra aquilo, todos acabam sempre tendo alguma opinião, mas na hora que podem fazer alguma coisa, cadê a mobilização?

Vejo muitos jovens filiados a partidos políticos, fazendo eletivas de análise de eleições ou até mesmo debatendo e escolhendo o seu favorito nas eleições americanas. Mas quando essas pessoas têm a oportunidade de fazer algo para mudar, que podem agir na prática, elas somem. Há um certo conformismo com a idéia de que nada pode ser feito. É até melhor assim, porque é cômodo reclamar e ficar parado já que “não há nada que eu possa fazer para mudar”. Quando realmente há algo a ser feito, as pessoas ficam meio perdidas, dão desculpas e arrumam um jeito de não aparecer, mas elas continuam reclamando! E ainda dão apoio moral quando alguém fala que vai se mobilizar contra isso ou aquilo, mas na hora do apoio prático, na hora que se precisa de pessoas para ajudar a divulgar a mobilização, ninguém aparece.

A política não é e nem deve ser tratada como algo distante, que só se interessa quem quer. A política faz parte da vida de todos, você gostando ou não. Política não é só eleições municipais, estaduais ou federais, não é só partido ou ideologia, é uma questão de princípios. Quem gosta se preocupa muito com o que está longe, mas esquece que podemos sempre mudar o que está perto da nossa realidade.

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