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Diploma sim! Mas, de quê?

Por Luninha | 02/07/2009, 10h56

O assunto é velho, mas a quantidade de e-mails que continuo recebendo sobre isso mostra que a decisão do STF continua em pauta. Recebo textos de pessoas magoadas, profundamente ofendidas com o fato de o diploma de jornalismo não ser mais obrigatório para o exercício da profissão. Uma pena.

 

Antes que venham com pedras, deixem-me explicar. Sou a favor sim do fim da obrigatoriedade pelo estado em que se encontram as faculdades de comunicação hoje em dia, mas sou contra os motivos pelos quais os ministros aprovaram as medidas. Dizer que jornalismo não é como medicina, que não pode influenciar diretamente na vida das pessoas é algo tão absurdo como dizer que o diploma de jornalista é uma garantia de caráter. Eu sei que é batido, mas o caso da Escola Base é um ótimo exemplo. Os seis acusados tiveram suas vidas destruídas por que a imprensa resolveu que eles eram culpados. E com certeza, muitos dos jornalistas que cometeram esse erro imperdoável, eram formados.

 

O que isso prova? Que os jornalistas podem sim arruinar a vida de uma pessoa e que o diploma não impede que isso aconteça. Quero deixar claro que defende alguma medida alternativa e não um vale tudo, no qual qualquer pessoa, independente da escolaridade possa exercer a profissão.

 

Já vi boas ideias, como um curso de pós-graduação de dois anos, ou uma prova, para pessoas com ensino superior.  Porque alguém que se formou em história precisa fazer mais quatro anos de faculdade para ser jornalista? Essa pessoa, muitas vezes, tem um conhecimento geral muito maior do que os formados em comunicação. Bastaria um curso mais técnico de dois anos para aprender as técnicas jornalísticas.

 

Discordo dos que defendem que agora virou bagunça, que os empregadores irão contratar qualquer pessoa. Todos nós sabemos muito bem que algo ser contra a lei não significa que não acontece. Quantos exemplos conhecemos de desrespeito às leis trabalhistas? Não é porque era proibido o exercício da profissão por quem não tinha diploma que isso não acontecia. Os grandes veículos tem um compromisso de qualidade para com público consumidor. Não acredito que haverá uma contratação desenfreada de pessoas formadas em outras áreas, independente da qualidade, ao invés de formados em jornalismo.

 

Sinceramente? Muita gente sabe que a concorrência agora aumenta e que existem profissionais fora do mercado mais bem preparados do que os que estão empregados hoje em dia. Diploma não é atestado de qualidade, de caráter ou de profissionalismo.

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