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Blog da Luna Vale

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Falta de ‘simancol’

Por Luninha | 16/11/2008, 18h29

Aprendi desde pequena que o meu direito acaba onde o do outro começa. E que devemos ter bom senso. Acho que a minha mãe era uma das únicas a passar isso para os filhos, porque existem certas pessoas que parecem viver em mundo paralelo. Elas não se dão conta de que eu não quero ouvir a música que ela está ouvindo, eu não quero saber o que ela está falando no celular e nem o que ela tem a dizer. Acho incrível a capacidade das pessoas de ignorar que estão em um espaço público e não na sala de casa.

Algo que me irrita profundamente é falta de respeito, como fazer obra e barulhos altos de madrugada. Volta e meia tenho problemas com reformas que são feitas de madrugadas em prédios comerciais perto da minha casa. Quando vou reclamar, sabe o que eu ouço? “O prédio só permite obra após as 22h.” Como pode isso? É contra a lei. Claro, o pedreiro que fica lá dando marretadas não tem culpa, mas muita gente teve que dar o aval para que essa obra ocorresse, não é possível que não tenha uma pessoa que tenha pensado “Caramba, aqui é cercado de prédios residenciais, vai ter muito barulho de noite e as pessoas não vão conseguir dormir”. A gente sabe que o que vale é o dinheiro e tal, mas custo a aceitar que ninguém tenha o mínimo de bom senso.

Outro problema. Acho que deviam fazer uma campanha publicitária informando que o fone de ouvido já foi inventado. Me impressiono constantemente com a quantidade de pessoas que colocam músicas no celular em viva-voz. Ou seja, todos os passageiros são obrigados a ouvir a música que um cidadão elegeu como sendo boa. Dá vontade de dar o meu fone para ele e depois comprar outro.

E aquela pessoa que fala aos berros no celular em lugares como ônibus, loja, restaurante, etc. Tudo bem que as vezes a ligação está ruim e mas dá para perceber quando a pessoal não percebe o volume que está falando. Falta de bom senso ficar falando alto em um lugar silencioso, ainda mais de trabalho. Tem gente também que entra no ônibus falando com o amigo como se estivesse fazendo um discurso para todos, enquanto o povo está cansado, voltando do trabalho, quase dormindo. Falta de simancol.

Muitas vezes a gente comete algum desses erros sem perceber. Quem nunca falou alto em uma rua silenciosa de madrugada? Só que ninguém gosta de estar do outro lado, portanto, finalizo usando outro ensinamento de mamãe: Faça com os outros aquilo que gostaria que fizessem com você.

“Sim, nós podemos”?!

Por Luninha | 06/11/2008, 16h43

Ano de eleição. O candidato da oposição tem grandes chances de ganhar depois de oito anos de governo do mesmo partido. Os dois maiores partidos do país se enfrentam em uma eleição histórica. A esperança toma conta das ruas, a possibilidade de mudança anima as pessoas que escolhem um lado. O mundo presta atenção no governante a ser escolhido pelo país.

Qualquer semelhança com eleições americanas e Obama não é mera coincidência. O ano era 2002, o país era o Brasil, e os partidos eram PT e PSDB. Guardadas as devidas proporções, a eleição do democrata lembra muito a eleição de Lula há seis anos. Na época, Lula foi tomado como um salvador da pátria, como o defensor dos fracos e oprimidos, como alguém que iria mudar a política no país. Os avanços do Governo Lula no campo social são inegáveis, mas de resto, se assemelha muito ao governo anterior. Sem entrar no mérito de gostar ou não de Lula ou FHC, de privatizações e Bolsa Família. Seis anos se passaram e a mudança não foi tão grande como imaginavam alguns. Todos imaginavam que o PT se sairia muito bem na política e não tão bem na economia. Aconteceu o oposto. Tirando a crise mundial, a economia brasileira vai muito bem obrigada, enquanto a parte política… Bem, o mensalão fala por si só.

Não é uma questão de ser contra ou a favor o Governo Lula. Contra ou a favor de Obama. É questão de supervalorizar um candidato. Hoje em dia, é muito difícil algum candidato chegar ao poder e mudar tudo como prometeu na campanha. Claro que podem ser melhores ou piores do que os antecessores, mas quando se ganha uma eleição, o discurso muda. Até porque é impossível governar sozinho. O Lula pode até ampliar o social e fazer um governo mais preocupado com os mais pobres, mas não pode ignorar os empresários. Assim como Obama pode até retirar as tropas do Iraque e fazer uma política externa mais light, mas não pode ignorar a força e o poder econômico dos fabricantes de armas americanos.

A reação da mídia e das pessoas é de que agora, com a eleição de Obama, o racismo vai acabar e o mundo realmente será um lugar onde todos são iguais. Infelizmente não é assim que funciona. Se Obama conseguir acabar com o preconceito e a segregação racial nos EUA, que ele seja eleito Secretário Geral da ONU ou Papa. Os jornais dizem que ele foi eleito por negros, brancos, hispânicos, amarelos, etc. Ora, o Bush também. Afinal, qualquer presidente eleito nos EUA (tirando as fraudes de 2000) precisa da maioria da população para tal e diferentes “raças” votam sempre. É preciso ver o contexto. Nenhum presidente americano que ferrou com a economia conseguiu ser reeleito ou eleger o sucessor. A situação já estava favorável aos Democratas. Claro, não tiro o mérito ou a importância histórica. Mas achar que, por conta da eleição de um negro para a presidência americana, o ódio racial vai acabar é ilusão.

Assim como muitos acharam que o Lula ia mudar o Brasil, que ia passar a ser um país igualitário, com menos abismo social, menos pobreza e o que se vê hoje é que não houve uma mudança tão radical. E não por incompetência do governo, mas porque são séculos de desigualdade que não são facilmente apagados por um Bolsa Família ou por cotas nas universidades.

Reforço que não estou dizendo que Lula é igual ao FHC ou que Obama será como Bush. Muito menos tirando o mérito dos dois terem sido eleitos. Pelo contrário, ambos lutaram muito para chegar onde estão e fizeram história. Acontece que muda o candidato, mas não muda os que manipulam o poder. Afinal, os ratos do porão estão sempre esperando a hora de aparecer. E, infelizmente, é impossível governar sem eles.

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