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Blog da Luna Vale

Archive for outubro, 2008

O Rio e as eleições

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outubro 26th, 2008 Posted 19:32

Independente de resultados, o Rio viveu hoje um fenômeno político e de marketing. A idéia de uma campanha baseada em cores é fantástica. A quantidade de pessoas com a mesma cor hoje nas ruas foi absurda, pelo menos no Leblon. Claro, não posso falar pelos lugares que não vi e nem tomar um bairro específico como amostra de uma cidade. Mesmo assim, é um fenômeno. No colégio onde voto, de cada cinco pessoas que cruzavam a escada comigo, umas três deveriam estar com a mesma cor. Andando nas ruas, sentia-se uma certa cumplicidade entre quem estava usando o código. Não se pode deduzir que todas que estivessem com aquela cor fossem eleitores daquele candidato e nem que só votou nele quem estava a caráter. Mas a questão da cor proporciona a todos uma chance de levantar uma bandeira, de poder mostrar a todos a sua escolha mesmo sem ter acesso a adesivos e materiais de partidos.

Na hora do almoço, eu e minha mãe estávamos com roupas da cor. Vimos duas crianças com blusas da mesma cor e comentamos. A mãe ouviu, deu um sorriso e piscou o olho. Não era preciso dizer uma palavra, todos já sabiam. Realmente foi uma onda que tomou conta de uma parte da cidade. E pelo resultado, podemos ver que tomou conta de uma boa parte da cidade. 60 mil votos em uma cidade como o Rio é um nada. Pelo contrário, é uma vergonha para o candidato eleito que teve tantas máquinas a seu favor.

Infelizmente, existem babacas que se dizem revoltados e não votam no PSDB porque acham que o mal do Brasil são os tucanos. Infelizmente aqui existe a possibilidade de se mudar um feriado de dia. Infelizmente, muita gente ainda acredita nos partidos e não vota pelo candidato. Infelizmente foram 20% de abstenções.

Infelizmente, venceu a hipocrisia. Venceu o discurso político, o uso da máquina, o político de carteirinha. Venceu o rostinho bonito, o barrense que diz que conhece a Zona Oeste, o cara que começou a brincar de fazer política quando já havia democracia e acha que tem história. Venceu o discurso que as pessoas queriam ouvir, mesmo com propostas irreais. Venceu o apoio bizarro e contraditório, o interesse político acima de tudo.

Venceu o PMDB, perdeu o Rio. Venceu a hipocrisia, perdeu a ideologia.

P.S O texto pode estar meio confuso, era para ser apenas sobre o uso da cor, mas em um momento como esse é impossível ficar calada.

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O problema da pressa no jornalismo

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outubro 26th, 2008 Posted 18:28

 E olha que é o Blog do Noblat hein!

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Yom Kipur

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outubro 13th, 2008 Posted 0:31

Esse ano, pela primeira vez, resolvi fazer o jejum do feriado judaico mais importante – o dia do perdão. É um dia para refletir sobre o ano que passou, o que fizemos de errado e o que devemos melhorar. As pessoas mais religiosas passam o dia na sinagoga, outras rezam em casa. O propósito do jejum é limpar o corpo, se livrar de pensamentos como comida para poder se concentrar no que é importante de fato.

No meu caso, e em muitos casos, funciona ao contrário. Acaba que a gente passa o dia pensando em comida por causa da fome. Eu fiz pois queria ver como era e não gostei. Me senti muito mal, com muita dor. Chegou um momento que já havia pensado e não tinha mais o que fazer, estava entediada e com fome. Acho super válido para quem consegue e principalmente para quem acredita. Mas me pergunto, adianta fazer jejum e ir trabalhar, ir à faculdade? Concordo com a teoria de que se pode refletir sem o jejum. Afinal, de que adianta ficar sem comer se a sua cabeça está ocupada com provas ou trabalhos? Eu acho melhor não fazer.

Pela primeira vez fiquei em casa, abri mão de faculdade e outros compromissos. Isso sim eu gostei. Não vejo problema em comer, realmente, é possível pensar no ano que passou, onde erramos, onde podemos melhorar sem abrir mão de algo indispensável à vida: comer. Quero deixar bem claro: Não sou contra o jejum. Pelo contrário, admiro que o faz com seriedade. Mas acho que fazer por fazer é uma maneira de enganar a si próprio. A impressão que eu tenho é que as pessoas levam mais a sério, tomam como mais importante, fazer o jejum do que realmente refletir.

Gostei bastante desse Kipur. Me aproximei da religião, consegui acompanhar melhor as rezas (lendo em hebraico!), experimentei uma sinagoga nova e fui quebrar o jejum com a família. Foi uma experiência válida, afinal, cresci ouvindo a minha mãe dizer para deixar o leiker (bolo de mel) que distribuíam na Hebraica ao final da cerimônia para quem estava de jejum. Mas não sei se pretendo repetir ano que vem.

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“Obrigação” cívica

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outubro 7th, 2008 Posted 15:11

Todo dia de eleição tenho a mesma conversa com a minha mãe:

- Mãe, por que você não muda logo o seu título para perto de casa?

- Por que só me lembro disso perto das eleições e tenho medo de ser mesária.

Esse medo, muito comum na população, causa um grande problema na cidade em um dia que deveria ser tranqüilo: engarrafamentos. As pessoas casam, se mudam e continuam votando na mesma sessão eleitoral, gerando engarrafamentos enormes no dia que deveria ser um simples domingo de eleição. Considerando que cada vez as pessoas se mudam mais (por diferentes motivos), o problema só tende a aumentar. Fora que é muito melhor ir ali votar rapidinho e acabar logo com isso do que ter que pegar o carro e atravessar meia cidade para cumprir a obrigação cívica.

Acho que esse problema poderia ser resolvido de duas maneiras. Primeiro, deveria ser feito um cadastramento voluntário. Sim, há pessoas que gostam de ser mesárias. Se o número de pessoas não for suficiente, aí sim faz-se a convocação. Porém, deveriam ser convocados os que têm dezoito anos e acabaram de tirar o título. Com isso, ocorre uma grande rotatividade e impede que as pessoas sejam obrigadas a trabalhar mais de uma vez. Assim, acabaria o medo da convocação e todos poderiam votar perto de casa, fazendo com que o domingo de eleição não deixasse de ser um domingo normal.

Dessa forma ou de outra, o TRE precisa encontrar uma maneira de fazer essa seleção sem ser randômica. Tem que haver parâmetros para a convocação, para que as pessoas possam votar em paz, sem ter que perder o dia inteiro por conta disso.

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Falta atitude

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outubro 3rd, 2008 Posted 19:57

Falar que a juventude de hoje não se interessa por política já virou clichê. O problema maior não é a falta de interesse, é a inércia, a falta de atitude. É fácil falar que é contra isso, ou contra aquilo, todos acabam sempre tendo alguma opinião, mas na hora que podem fazer alguma coisa, cadê a mobilização?

Vejo muitos jovens filiados a partidos políticos, fazendo eletivas de análise de eleições ou até mesmo debatendo e escolhendo o seu favorito nas eleições americanas. Mas quando essas pessoas têm a oportunidade de fazer algo para mudar, que podem agir na prática, elas somem. Há um certo conformismo com a idéia de que nada pode ser feito. É até melhor assim, porque é cômodo reclamar e ficar parado já que “não há nada que eu possa fazer para mudar”. Quando realmente há algo a ser feito, as pessoas ficam meio perdidas, dão desculpas e arrumam um jeito de não aparecer, mas elas continuam reclamando! E ainda dão apoio moral quando alguém fala que vai se mobilizar contra isso ou aquilo, mas na hora do apoio prático, na hora que se precisa de pessoas para ajudar a divulgar a mobilização, ninguém aparece.

A política não é e nem deve ser tratada como algo distante, que só se interessa quem quer. A política faz parte da vida de todos, você gostando ou não. Política não é só eleições municipais, estaduais ou federais, não é só partido ou ideologia, é uma questão de princípios. Quem gosta se preocupa muito com o que está longe, mas esquece que podemos sempre mudar o que está perto da nossa realidade.

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