Eu sempre gostei de futebol. Não lembro quando isso começou, mas sempre fui fã de esportes em geral. Cresci indo ao Maracanã, ouvindo do meu pai que eu não deveria chorar, que era só um jogo e essas coisas mais. Era uma das únicas meninas a gostar da aula de educação física e a ficar com raiva de não poder jogar porque as outras fingiam estar com cólica.
Decidi que queria ser jornalista com uns 15 anos. Sempre fui comunicativa, com personalidade forte, tinha muita coisa a dizer e queria ser ouvida. Todos sempre acharam que eu seria jornalista política, nacional ou internacional. Sempre gostei muito do assunto, lia tudo no jornal e adorava as aulas de história política.
Eis que, por obra do destino, meu primeiro estágio na área foi numa redação de esportes. Até então, nunca havia pensado em trabalhar com jornalismo esportivo, mas sempre gostei do tema e pensei “por que não?” Sabia que seria um desafio, um território novo, totalmente dominado por homens.
Esse mês, quase dois anos depois, minha primeira Copa do Mundo trabalhando. Sou nova sim e a primeira Copa que eu me lembro foi 94, mesmo assim, não muito. Sabia que essa Copa seria diferente, um marco. Confesso que estava bastante ansiosa, sempre gostei de estar no meio do furacão, vendo tudo acontecer. Os dias foram passando e o clima de Copa foi aumentando. A ficha foi caindo quando via o pessoal que foi trabalhar na África se despedindo. Não sabia muito bem o que ia fazer, mas estava animada.
Agora, quase duas semanas depois do início, penso que a Copa já pode acabar. Pouco se mostrou dentro de campo e muito fora dele. As brigas, xingamentos e mau comportamento de técnicos e jogadores estão brilhando mais que os dribles, as belas jogadas e os gols. Zebras acontecem. E acho ótimo que aconteçam, para nos relembrar de que o futebol é imprevisível. Mas, a impressão que tenho, é que os times mais fracos estão ganhando por falta de competência dos favoritos e não porque estão jogando brilhantemente. E a falta de competência está diretamente ligada a falta de comprometimento causada pelos problemas extracampos.
Os favoritos são tão favoritos, que muitos pareceram começar a Copa como se já estivessem classificados para as oitavas, como se a fase de grupo fosse apenas para cumprir tabela. Alguns treinadores e jogadores parecem querer ganhar a Copa apenas para esfregar na cara da imprensa que conseguiram.
A sensação que fica é que falta motivação. Falta vontade de jogar, de ganhar, de realizar o sonho de ser campeão do Mundo. Muitos ali parecem pensar que vencer é calar os críticos, é esfregar na cara da imprensa que conseguiram e nada mais. Errado. Vencer uma Copa do Mundo deveria ser muito maior do que tudo isso. Já perceberam como as chamadas zebras comemoram cada gol como se fosse um título? Talvez seja hora dos “grandes” aprenderem com os “pequenos”. Talvez falte uma palavra nessa Copa: humildade.
Feriado prolongado e a galera logo pensa em praia. Digamos que você more perto e não precise pegar um ônibus para chegar. Mas o sol está forte e você resolve tomar um mate quando de repente se da conta: não passa nenhum vendedor na praia. Procura então os barraqueiros… nada. Quando você olha em volta, percebe que não há pessoas trabalhando, nem na areia, nem nos postos de salvamento ou nos quiosques. Por quê? Porque é feriado oras! E, afinal, ninguém trabalha no feriado! Ou não.
A situação acima é hipotética, mas serve para demonstrar que nem todo mundo folga nesses dias santos. E a gente não da valor a isso. Digo “a gente” porque admito que só me dei conta da quantidade de gente que trabalha nos feriados e fim de semanas quando passei a fazer parte de grupo.
Jornalistas (e todos envolvidos no processo), médicos, comerciantes de shopping, porteiros, garçons e cozinheiros, pessoas ligadas ao turismo, vendedores de rua, motoristas e cobradores, taxistas, esportistas e por aí vai. A lista é maior do que se imagina.
Quando a pessoa faz o que gosta, tanto faz trabalhar segunda ou sábado. E, sinceramente, melhor trabalhar fins de semana e feriados com algo que a gente goste do que apenas nos dias úteis e ser infeliz na profissão. Mas, cá entre nós, é chato demais ouvir “Mas você trabalha amanhã? Amanhã é feriado .”
É claro que quem não trabalha tem mais é que curtir o feriado mesmo. Mas não custa ter em mente que, se você está curtindo, seja vendo TV em casa, é porque tem alguém trabalhando para que você possa aproveitar o seu dia de folga.
O blog hoje foi aberto especialmente para que a grande amiga Patricia pudesse publicar o seu texto a seguir:
“Tanto que eu queria fazer parte do
stablishment, especialmente do universo da publicidade e criação, desde muito nova. Eis que agora tenho acesso a ele e tudo ruiu. É tudo fake, pasteurizado, a cultura geral vigente nas agências, aqui generalizando, é rasa como um pires, poucos leem – muitos fazem chiste quando me veem lendo na hora do almoço, uma das poucas que me sobram para este meu raro prazer, já que os ônibus nos quais ando estão quase sempre cheios.
As campanhas são ditadas pelos clientes, um tanto alienados e ávidos por resultado$ rápidos. E os publicitários não têm a criatividade que eu sempre achei que tivessem. Aliás, não lhes falta apenas criatividade, mas, para muitos, até mesmo um português minimamente correto.
Estou como revisora e assistente de criação (sim, assumi as duas funções, embora com o salário de uma, e ai de mim se reclamar), ajudando a fazer publicidade da mais rasteira destinada à classe mais rica e acéfala do País, que vê comerciais que afirmam que se seu carro estiver com o perfuminho tal, qualquer pessoa irá querer andar nele (dentro do velho clichê mocinho dono do carro e mocinha como uma “simples” atendente de pedágio. Poderiam inverter a ordem aqui, para ao menos NISSO serem diferentes) ou de jipões cujos obstáculos à sua frente não são nada – nem mesmo os que dizem respeito à natureza – e se regozija.
E eu, claro, só quero sumir.
Cadê a propaganda do primeiro sutiã? Da Caloi? Os slogans inesquecíveis como “Barbie, tudo o que você quer ser” (por mais que eu nunca, em hipótese alguma, tenha querido ser uma Barbie, e ache uma campanha, analisando hoje, de um sadismo danado), “Eu sou você amanhã”, “Faber Castell: sua companhia para ler, desenhar e pintar” e outras tantas? Cadê as campanhas da Parmalat (muito apelativas, qualquer campanha com crianças sempre é, mas enfim, tinha sua graça e criatividade, perto de hoje), da Estrela com seu jingle inesquecível para pessoas com mais de 27 anos e, claro, seus pais?
Não adianta eu ler tanto, ter ideias, conversar com criação e diretores de arte, dar e pedir sugestões. Já cheguei à conclusão de que é tudo ilusório e vai continuar essa porcaria mesmo. Os clientes mandam, o povo anestesiado assiste e – pasme – gosta e agora é ladeira abaixo.
Eu nunca senti tanta frustração por não ter a capacidade de ter me dedicado às Letras, à escrita ou mesmo à Psicologia.
Não aguento nem mais escutar o publicitês. Budget, teaser, case de sucesso (misturar idiomas eu SEMPRE escutei ser errado na escola e na faculdade, como escrever Nova York, mas eles fazem parte de uma outra categoria, que tudo pode e cuja linguagem está acima do bem e do mal).
O inglês (e anglicismos em geral), aliás, é a língua predominante não só no ofício no qual me inseri por desespero de causa, mas dos produtos e anunciantes com os quais a agência trabalha: lançamentos imobiliários de alto padrão.
Passo o dia lendo “espaço gourmet”, “terraço grill”, “espaço fitness”. São lançamentos aos borbotões, muitos com mais de 400m de área construída e SEIS vagas na garagem. Para quem é paulistano, sabe o que condomínios com 80 apartamentos e seis vagas cada representam para o trânsito já mais do que caótico desta cidade. São cinco, seis, dez lançamentos no mesmo bairro. Muitos ressaltando as benesses de estarem próximos a alguma estação de metrô (por próximo entenda-se em alguns casos quase dois quilômetros) e, ao mesmo tempo, frisando as SEIS vagas na garagem. Sim, claaaro que numa família AAA algum deles se submeterá ao transporte público. Gasp.
A agência não trabalha só com isso, mas como a Lady Murphy é minha fiel escudeira, caí justamente nesta área absurdamente abominável. (Bom, como se a publicidade, seja qual for a área, não estivesse mesmo cada dia pior).
Lembro de um dia em que eu, aos 17 anos, entrevistei um publicitário cujo trabalho admirava muito. Ele era diretor de criação na W/Brasil. Bom, daquele dia até hoje já se vão 16 anos. Em certa parte da entrevista, ele disse, categórico: “Bom, eu sou publicitário e quero mais é que as pessoas gastem, bebam, fumem, usem a roupa tal ou comprem o carro que dê mais status”. Aquelas palavras foram um soco na cara, embora eu não pudesse esperar escutar outra coisa de uma pessoa na posição dele. A Pollyana ali era eu. E sou.
Dedico este texto ao dia do consumidor, com certo atraso, mas não consegui escrever antes. Sabe como é, estava revisando e dando sugestões (raramente acatadas) para persuadir pessoas a comprarem uma unidade do Unique, no bairro da moda, que será garantia de felicidade eterna para toda a sua família caucasiana de olhos claros de comercial de margarina (sem colesterol, de preferência, já que o estresse causado pelos enormes engarrafamentos provocados por centenas de famílias e seus seis carros já é suficiente para um ataque cardíaco).”
Patrícia
Hoje fui para o meu futebol como faço toda segunda e quarta. O treinador faltou e por isso algumas meninas foram embora portanto, não tínhamos o número suficiente de pessoas para completar dois times. Chamamos uma criançada de escola pública que estava pelo ginásio para jogarem conosco. Eram cinco meninos e uma menina na faixa de uns 12 anos. Claro que na hora eles aceitaram e isso me fez pensar.
Será que se fossem mais velhos, eles aceitariam jogar contra mulheres? É bem possível que não, que preferissem não jogar a jogar com “meninas”. Só que crianças não têm tantos preconceitos quanto os adultos. Eles jogaram e se divertiram. Tomaram dezenas de gols, mas não estavam nem aí. Para a minha surpresa, não falaram nenhum palavrão, eu disse nenhum. Nem os considerados mais leves. Nada. E cada gol que eles faziam era comemorado como se fosse uma final de campeonato. Eles só queriam jogar bola e nós também. Cada bola errada era uma risada. Gritavam tanto que parecia haver dez crianças em quadra.
É um pequeno registro de algo que pode parecer sem importância, mas que faz a gente parar para pensar. Quantas vezes não deixamos de fazer coisas por puro preconceito? Não quero dar lição de moral, acho que isso é algo que todos nós fazemos. Mas de vez em quando, é bom parar, olhar para as crianças e lembrar que a vida pode ser muito mais divertida se deixarmos certos pré-conceitos de lado.
Há algum tempo venho me perguntando, a cada jogo que assisto, porque as pessoas gostam tanto de futebol, porque eu gosto tanto desse esporte. Analisando friamente são apenas 22 jogadores correndo atrás de uma bola, com o objetivo de colocá-la dentro de retângulo com rede no fundo, além de um cara, normalmente com uma camisa escandalosa, que corre atrás dos jogadores para ter a certeza que eles estão fazendo tudo certo e dois caras que o ajudam.
Uma situação que me fez pensar um pouco mais sobre isso foi o jogo do Fluminense na quarta. Percebi que há muitas coisas com as quais eu não concordo no futebol como, por exemplo, o fato de as torcidas se xingarem. Eu sei, é inevitável, mas não seria muito mais legal ir ao jogo e ouvir a sua torcida incentivando o seu time, em vez de mandar a outra praquele lugar? Depois ninguém sabe como uma pessoa é capaz de matar outra apenas por não torcerem pelo mesmo time. Assim começa o fanatismo. Tudo bem, a pessoa fica chateada, triste, mas sair xingando e batendo em todo mundo? Por que aquelas pessoas se estressam muito e gritam com os jogadores? Por que xingam o juiz? Por que quem ganha tem que fazer barulho? Tudo bem comemorar, mas quem está em casa não tem nada a ver com isso.
Pois é, se tem tanta coisa que me irrita no futebol, porque eu gosto tanto? Porque futebol é isso. É uma paixão inexplicável por um time que a gente não sabe muito bem porque escolheu, é xingar os adversários, e ficar triste quando o seu time perde, é sair com a camisa, cheio de orgulho quando seu time ganha. É saber a posição do seu time no campeonato para poder jogar na cara dos amigos que o seu é o melhor. É sempre saber um título, mesmo que seja de 200 anos atrás, que os outros times não tenham e o seu tenha. É ir ao estádio assistir ao jogo às 21h45 da noite, mesmo sabendo que pode perder, é acordar as 03h30 da manhã para assistir a um jogo do Brasil, mesmo sabendo que não é importante. É comprar tudo verde e amarelo para torcer na Copa, é querer ver jogos que não são do Brasil, ou do seu time, simplesmente porque vão ser bons.
É gritar com os jogadores, xingar o técnico e chamar o juiz de ladrão, mesmo sabendo que eles não vão ouvir. É entender que os jogadores reclamam com o juiz para pressioná-lo, para que ele marque a favor daquele time. É saber a regra do impedimento. É ter horror às cores vermelha e preta juntas porque são as cores do time adversário. É preferir torcer para o River do que para o Flamengo ou Corinthians. É generalizar e dizer que todos os flamenguistas são favelados. É sempre classificar o time rival como sendo da terceira divisão, mesmo que isso tenha acontecido há anos.
Futebol é ter simpatia por pessoas que você nem conhece, mas que torcem pelo mesmo time que o seu. É tentar explicar para quem não entende que futebol tem graça sim e que essa graça é simplesmente inexplicável.
*Esse texto foi escrito há uns dois anos. Mas poderia, falcilmente, ter sido escrito nos dias de hoje.
Pode-se dizer que hoje é o dia mais importante do ano para o esporte brasileiro. Na raça e no coração, o Rio conseguiu o direito de sediar as Olimpíadas de 2016. Podem me chamar de romântica, mas estava torcendo sim e para mim, foi uma conquista do Brasil.
Acho que merecemos sim, e muito! Temos a experiência de fazer o maior reveillon do mundo, o carnaval. Somos um povo alegre, que sabe receber os turistas. Vocês acham que na Europa não há malandros querendo enganar os gringos? Só no Rio isso acontece?! Na Europa não há problemas de pobreza? De violência?
Não entendo como nunca houve uma Olimpíadas na América do Sul. Logo um evento que preza tanto pelo tal “espírito olímpico”? Pela união de todos em prol do esporte, pelo fim do preconceito, pela igualdade entre os povos? Vão dizer que o continente não tinha nenhum país preparado, que não tinha condições, que os outros sempre têm melhores instalações. Por este raciocínio, Europa e EUA sempre vão ganhar. Afinal, contam com muito mais dinheiro e infra-estrutura que os chamados “países de terceiro mundo”.
Bem ou mal, o Pan 2007 funcionou. Teve corrupção? Sim. Superfaturamento? Sim. Instalações que não foram utilizadas depois? Sim. Mas nada é perfeito. Tudo isso sempre vai existir. Haja vista a Cidade da Música. Teve tudo isso e não vai deixar nada para a cidade. Olimpíadas não são como o Pan. As garantias são muito maiores, assim como as obrigações, as cobranças, os compromissos.
O Rio tem violência? Claro, mas que grande cidade não tem? Acham que em Chicago não há homicídios?? A diferença é que nós, brasileiros, adoramos falar mal do nosso próprio país. É fácil reclamar e minimizar as conquistas. Mas tenho certeza de que quem reclamou hoje, vai aproveitar, e muito, as Olimpíadas aqui. Seja indo assistir a algum esporte, sendo aproveitando as melhorias na cidade. Quem disse que não vai dar certo? Quem disse que as obras não ficarão prontas a tempo? Não sou romântica a ponto de achar que tudo vai ser perfeito. Mas não sou ranzinza a ponto de achar que o Rio não merece isso.
Pensem nos investimentos que a cidade vai ganhar. No aumento do número de turistas, no tão falado legado. Alguma coisa vai ficar e não serão só as instalações olímpicas. O Rio vai poder, finalmente, mostrar para o mundo que não é só samba, mulheres peladas, futebol e violência. Vamos poder provar que o Brasil não é pior do que os EUA porque é “menos desenvolvido”. Finalmente, o Rio vai poder se mostrar de verdade para o mundo.
É uma questão de trabalho e de cobrança. Quem hoje torceu contra e reclamou da escolha do Rio, deveria usar as energias para cobrar dos governos que tudo seja feito da forma correta. Tem coisas que não dependem da gente? Claro. Mas 2010 está aí. Até as Olimpíadas teremos mais duas eleições presidenciais e uma eleição municipal. Cabe a nós votar certo, com sabedoria para sabermos que nós fizemos a nossa parte para que tudo dê certo em 2016.
O assunto é velho, mas a quantidade de e-mails que continuo recebendo sobre isso mostra que a decisão do STF continua em pauta. Recebo textos de pessoas magoadas, profundamente ofendidas com o fato de o diploma de jornalismo não ser mais obrigatório para o exercício da profissão. Uma pena.
Antes que venham com pedras, deixem-me explicar. Sou a favor sim do fim da obrigatoriedade pelo estado em que se encontram as faculdades de comunicação hoje em dia, mas sou contra os motivos pelos quais os ministros aprovaram as medidas. Dizer que jornalismo não é como medicina, que não pode influenciar diretamente na vida das pessoas é algo tão absurdo como dizer que o diploma de jornalista é uma garantia de caráter. Eu sei que é batido, mas o caso da Escola Base é um ótimo exemplo. Os seis acusados tiveram suas vidas destruídas por que a imprensa resolveu que eles eram culpados. E com certeza, muitos dos jornalistas que cometeram esse erro imperdoável, eram formados.
O que isso prova? Que os jornalistas podem sim arruinar a vida de uma pessoa e que o diploma não impede que isso aconteça. Quero deixar claro que defende alguma medida alternativa e não um vale tudo, no qual qualquer pessoa, independente da escolaridade possa exercer a profissão.
Já vi boas ideias, como um curso de pós-graduação de dois anos, ou uma prova, para pessoas com ensino superior. Porque alguém que se formou em história precisa fazer mais quatro anos de faculdade para ser jornalista? Essa pessoa, muitas vezes, tem um conhecimento geral muito maior do que os formados em comunicação. Bastaria um curso mais técnico de dois anos para aprender as técnicas jornalísticas.
Discordo dos que defendem que agora virou bagunça, que os empregadores irão contratar qualquer pessoa. Todos nós sabemos muito bem que algo ser contra a lei não significa que não acontece. Quantos exemplos conhecemos de desrespeito às leis trabalhistas? Não é porque era proibido o exercício da profissão por quem não tinha diploma que isso não acontecia. Os grandes veículos tem um compromisso de qualidade para com público consumidor. Não acredito que haverá uma contratação desenfreada de pessoas formadas em outras áreas, independente da qualidade, ao invés de formados em jornalismo.
Sinceramente? Muita gente sabe que a concorrência agora aumenta e que existem profissionais fora do mercado mais bem preparados do que os que estão empregados hoje em dia. Diploma não é atestado de qualidade, de caráter ou de profissionalismo.

Uma cerejeira carregada de frutos ao lado de um muro antigo e sem vida. Mas este não é um muro qualquer, é o que restou do Gueto de Varsóvia, construído pelos nazistas em 1940 para separar os judeus do resto da população. Esta é a Polônia, um país cheio de contrates, história e cultura.
A capital Varsóvia é marcada pelos diferentes estilos, de diferentes épocas: a cidade velha com igrejas do século XVII convive com os prédios largos, simples e cinzas dos anos de comunismo e com apenas um prédio de vidro, espelhado, como símbolo da era capitalista. O que impressiona é que a paisagem característica dos anos de ditadura soviética ainda domina a capital mesmo vinte anos após o fim do regime.
Para entender a Polônia hoje, é preciso voltar no tempo e compreender a história do país. Antes da Primeira Guerra Mundial, o território era dividido entre Áustria-Hungria, Alemanha e Rússia, se tornando independente apenas em 1918. “O que sustentou a identidade nacional da Polônia foi o engajamento, sobretudo dos grandes poetas e escritores românticos e da Igreja católica. Ou seja, ela sobreviveu e reviveu pela arte, pela cultura e pela religião”, explica o tradutor polonês Tomasz Lychowski.
Foram menos de vinte anos de liberdade e autonomia: em 1º de setembro de 1939, o país foi invadido pela Alemanha. Começava a Segunda Guerra Mundial, o capítulo mais sangrento da história do país, que além de ter sido dividido entre Alemanha e União Soviética, foi um dos que mais sofreu com a guerra, contabilizando mais de seis milhões de mortos, a maioria judeus, e tendo o território devastado pelas batalhas. “Meu pai participou da resistência, foi preso e enviado para Auschwitz. Eu e minha mãe estivemos presos na prisão Pawiak em Varsóvia”, relembra Tomasz.
“Os fatores determinantes para o estabelecimento do comunismo no país foram muito mais externos que internos. Após o fim da guerra ficou decidido que os países da Europa oriental que foram libertados pelos soviéticos ficariam sob sua esfera de influência política”, explica o historiador Igor Gak. Além disso, no início da ocupação, em 1940, os soviéticos promoveram o massacre de Katyn, quando intelectuais, políticos e militares poloneses foram mortos, com o objetivo de dificultar a formação de grupos de resistência que se opusessem ao domínio soviético sobre o país. Entre 1947 e 1989 a Polônia foi um Estado autoritário sem partido de oposição.
É preciso diferenciar as Repúblicas Soviéticas das Repúblicas Socialistas. O primeiro era formado por países que já eram membros da URSS antes da Segunda Guerra. O segundo corresponde a países que permaneceram sob a influência direta de Moscou, com uma autonomia política que era anulada por conta da ocupação soviética. “No entanto, países como a Polônia manifestaram insatisfação e esboçaram resistência à presença militar soviética que impedia sua independência efetiva”, esclarece Igor.
Segundo o historiador André Fontaine no livro La guerre froide: 1917-1991(sem tradução para o português), a resistência polonesa iniciou movimentos de insubordinação não armada já em 1955, o que mostra que parte da sociedade se mostrava insatisfeita com o comunismo.“Foram longos anos de um estado policial e de uma economia estatal que deixou todo mundo mal, menos os detentores do poder, a esses nada faltava”, relembra Tomasz.
Com as questões políticas sob controle, a União Soviética tratou de regulamentar a economia. Em 1949 foi criado o Comitê de Assistência Econômica Mútua (COMECON), no qual cada membro era responsável por uma parte da produção necessária para suprir todo o bloco. Países como Polônia e Alemanha Oriental eram responsáveis pela produção industrial, enquanto países como Romênia dedicavam-se à produção agrícola. “Esse modelo impedia a emergência da competição econômica entre os países, vital no comércio entre países capitalistas”, justifica Igor.
Depois de política e economia, era preciso assegurar a segurança. Em 1955 é assinado o Pacto de Varsóvia, que tinha como objetivo básico a padronização dos armamentos e das doutrinas militares usadas pelos exércitos dos países signatários, sendo uma resposta à Otan criada seis anos antes pelos países aliados aos americanos.
Com as crises do petróleo nos anos 70, o desemprego e a inflação aumentaram, gerando greves e descontentamento da população. A resistência polonesa se deu por meio de um movimento sindicalista conhecido como Solidariedade. “É um movimento sindical anticomunista dos trabalhadores do porto de Gdansk, norte da Polônia, muito ligado também à Igreja Católica. Para esta última, o regime comunista era terrível porque considerava a religião algo prejudicial e a Polônia é um país muito católico e conservador”, explica Igor. A eleição do papa João Paulo II em 1978 ajudou a difundir o movimento e dificultou a repressão por parte dos soviéticos.
Em 1983, o principal líder do Movimento, Lech Walessa, ganhou o prêmio Nobel da paz. Com a queda do Muro de Berlim em 1989 e o fim da ditadura comunista imposta pelos soviéticos, o Solidariedade consegue a sua maior vitória: a eleição de 99% do senado e de Lech Walessa para a presidência em 1990.
“Eu não questiono Deus, Deus não existe”. Este é o Bruno. Direto, sincero, transparente. Bruno Berthold Freitas é formado em administração, com pós-graduação em economia e MBA em marketing. Atualmente ele é produtor musical, empresário, mestrando em comportamento do consumidor, tradutor e talvez vire gerente de uma marca de moda. Mas não pense que ele vai parar por aí. “Ainda vou fazer doutorado. Eu quero fazer muita coisa. Quero saltar de um avião, quero ser ortopedista, quero fazer faculdade de física, mergulhar em caverna, saltar de bungee jumping, ser ator da Broadway, quero experimentar tudo”, conta rindo.
Quem o vê assim, feliz, bem-humorado, tranquilo, não imagina que Bruno superou um câncer. Muito menos que foi exatamente desse modo que ele encarou a doença: na boa. “Eu não tive nenhum momento de reflexão da vida. Falei: vamos tratar e pronto, é isso. Não tem muita opção”. Em novembro de 2005, Bruno estava na casa de um amigo nos Estados Unidos procurando faculdades para fazer mestrado. Justo no dia de Ação de Graças, um dos feriados mais importantes para os americanos, durante o banho ele sentiu o testículo inchado. “Pensei logo: não está doendo então não é hérnia, é câncer”. Depois da ceia, Bruno conversou com a família que o hospedava e na mesma noite foi ao médico. “Se tem uma idéia de que médico americano é frio, que nada, os caras foram super gentis comigo, a enfermeira me deu abraço, foi muito legal.”
Antes de entrar no consultório, Bruno resolveu postar no blog. “Eu tinha acabado de comprar um laptop. Pensei: por que não? Resolvi deixar todo mundo avisado logo”. Os médicos deram 99% de chance de ser câncer, mas os resultados dos exames ainda não estavam prontos. O título do post já indica como Bruno lidaria com a situação: ‘Não é que virei estatística?’. Direto, sem rodeios. E foi assim que ele contou para os pais, que na época estavam passeando em Portugal. “Falei: pai, tudo bom? Você está sentado? Pai, estou com câncer. Estou aqui no hospital, vou ver o urologista chefe e depois te ligo. Depois eu soube que ele passou mal, ficou branco. Já estava no blog mesmo, não tinha porque ficar dando voltas”.
Bruno resolveu voltar para o Brasil para operar. Uma amiga que o conheceu na Internet, Viva, foi uma das poucas a visitá-lo no hospital. “Ele ficou fazendo piada. Disse que tinha colocado uma prótese tamanho jumbo no lugar do testículo porque um não podia ser maior do que o outro. Estava super bem-humorado, como sempre.”
Passada a cirurgia, chegou a hora da quimioterapia. Bruno fala sobre isso na boa, diz que estudou muito sobre o assunto e explica tudo como se fosse um médico. “A quimio funcionava assim: todos os dias úteis durante uma semana, e depois todas as terças, por três semanas. O cara enfia uma agulha de plástico, ligada a uns quarenta fiozinhos que vão injetando vários remédios. Um é soro, outro é anti-enjoo, e por aí vai. Um deles requer um cuidado especial, a médica vem até com uma roupa diferente, usando luvas e é super gelado. Acho que esse é o grande remédio da quimio. Não dói, só incomoda por causa dos tubos.”
Todos os passos sempre documentados e explicados no blog. “Querido Diário, Hoje foi meu segundo dia de tratamento. Tinha mais remédio hoje que ontem. Mas fiquei as mesmas três horas lá. Foi tedioso, mas bem legal. Ainda não senti nada alem do cansaço normal. To gostando de ficar deitadão, recebendo cuidado de todos. É bem legal”. Querido diário? Bruno ri e explica que como todos o tratavam como criança, ele resolveu agir como uma. Vários posts no blog começavam com esse título. “Sou muito moleque. Não quero nunca perder isso”.
Tudo aconteceu muito rápido, o câncer foi descoberto no final de 2005 e em abril de 2006 Bruno já estava curado. Ele teve sorte, o tumor ficou restrito ao testículo e a quimio não o afetou tanto como de costume. A única vez que ficou mal por causa da doença foi ao ver sua afilhada, com seis anos na época, se apresentando pela primeira vez no balé. “Na hora que a Ana Luiza entrou, eu não me segurei. Chorei igual criança. Tinha acabado de operar e pensei pra mim mesmo que queria muito vê-la crescer. Ela é linda demais”.
Até a produção de esperma voltou mais rápido do que o esperado. “Normalmente demora dois anos para voltar aos níveis esperados de sobrevivência, o meu em sete meses voltou tudo”. No período do tratamento, ele teve que dar um tempo em todas as atividades, mas até nesse ponto ele vê o lado bom, conta que teve mais tempo de ler livros e ver filmes em casa.
E o futuro, como fica? “Agora faço exame de sangue e tomografia de seis em seis meses. Porque são cinco anos a partir do final da quimio para saber se desse câncer virá um outro. A partir de 2011 farei de ano em ano, porque não custa nada. Tenho 20% de chances de ter de novo. Então faço questão de deixar todo mundo preparadinho. Tomara que não volte”.
Para quem ficou curioso e quer ler o blog: http://lembrancaeterna.wordpress.com
Acabei de ler uma notícia que me deixou chocada. Uma orquestra de jovens palestinos em um campo de refugiados da Cisjordânia foi fechada pelas autoridades locais depois de se apresentarem para sobreviventes do Holocausto. Adnan Híndi, líder do “comitê popular” do campo de Jenin, acusou a regente Wafa Younis de “explorar as crianças” por considerar o Holocausto um tema político. Ela será foi impedida de voltar ao campo e teve seu apartamento, onde ensinava música para os 13 jovens (entre 11 e 18 anos) da orquestra isolado.
“Ela será proibida de participar de quaisquer atividades. Precisamos proteger nossas crianças e nossa comunidade”, afirmou Híndi, que comparou o massacre de seis milhões de judeus à realidade dos palestinos hoje em dia. “O Holocausto aconteceu, mas nós estamos enfrentando um massacre parecido nas mãos dos próprios judeus” – comparou.
O fato por si só já é absurdo, as comparações então nem se fala. O Holocausto foi algo premeditado pelos nazistas, a intenção era assassinar pessoas por terem uma religião diferente, por pensarem, por se vestirem, por serem diferentes. Podem falar o que for de Israel, mas em nenhum momento se fala em matar todos os palestinos do mundo. Tem gente que é a favor disso? Claro que sim, como tem gente que é a favor de matar todos os homossexuais, os negros, os brancos, tem maluco pra tudo. Mas não é uma posição oficial e muito menos de uma maioria.
Sobre a punição para a regente, me espanta até que ponto uma briga política pode chegar. Quer forma de integrar melhor os dois lados do que a música? Como pode se pensar em dois estados vivendo em harmonia lado a lado com uma atitude dessas? O público não sabia que os jovens eram palestinos e estes não sabiam que a platéia era formada por sobreviventes, ou mesmo o que foi o Holocausto. “Pessoas mais velhas se vestem diferentes de onde a gente vem”, disse uma menina que ficou chocada ao ouvir sobre o Holocausto, já que não se fala ou até se nega isso entre os palestinos.
Muitas das crianças nunca haviam visto civis israelenses. Esse contato é maravilhoso e fundamental para que se derrube mitos e tabus. Em um lugar onde já se nasce odiando o outro lado, nada mais importante do que ver com os próprios olhos que não é bem assim.
O que essas crianças vão aprender? Que não podem ter contato com um povo diferente? Qual a explicação que vão dar a elas? Que elas não podem mais fazer música porque cruzaram a fronteira. Dificilmente a culpa será colocada na autoridade local, provavelmente vão inventar algo contra Israel.
O mais incrível é que soube disso por conta de um trabalho de faculdade. Ao procurar mais informações na internet, só achei endereços de blogs. A única fonte jornalística que achei em português foi no site do Correio Brasiliense. Por que nenhum outro jornal/site/portal ou o que quer que seja não noticiou este fato? Pelo mesmo motivo que não noticiam os foguetes do Hamas ou do Hezbollah que caem diariamente em cidades israelenses? Penso quantas atitudes dessa acontecem no mundo todo diariamente e ninguém fala a respeito.
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