…”qual a paz que não quero conservar pra tentar ser feliz?”
O Rappa pergunta e eu ainda não decidi. De ano em ano a gente tem que resolver uma questão dessa. Então, não sei.
Porque tudo é uma questão de escolher qual é o problema que te deixa menos inquieto. Ou qual é a chateação mais suportável. Mas tem hora que as aporrinhações se equivalem. Aí cabe a pergunta: de qual paz que você vai abrir mão?
É a fazendinha do facebook. Agora sou uma latifundiária virtual. Bom… ainda não é um latifundio, mas estou a caminho disso. Tenho vaquinhas, porquinhos, um cavalo, ovelhinhas, patos e galinhas. É tudo tão fofo! E meu pomar? Coisa linda de Deus, coisa linda de Deus! Minha plantação tem abacaxi, pimentão, pimenta e algodão. Plantei outra coisa lá também, mas agora não lembro o que é. Ah, e comprei um trator! Tudo tão coloridinho. Tô amando!
Em quarenta anos de vida, me submeti apenas a três cirurgias. Duas foram cesarianas e a última foi uma mamoplastia. Não… nunca fiquei doente a ponto de necessitar de grandes intervenções médicas.
Aos 19 anos, quando nasceu meu primeiro filho, simplesmente não sabia o que esperar do pós operatório em termos de dor e desconforto. E após a cirurgia, por um acidente de percurso, na hora em que me passaram da mesa de operações para a maca, a sonda que estava na minha uretra se enrolou sei lá onde e escapuliu do corpo. Os médicos não podiam simplesmente recolocá-la – questões de higiene – e, por isso, fui pra enfermaria sem a famigerada mangueirinha que esvaziaria minha bexiga, depois de tomar incontáveis “garrafinhas” de soro na veia. Atalhando, tenho que dizer que senti tanta dor que até hoje, se fico apertada pra ir ao banheiro, minha mente viaja direto para aquela noite.
Na segunda cesariana, estava absolutamente tranquila com o pós operatório. Sabia o que ia acontecer. Não posso dizer que foi rigorosamente igual, mas não houve surpresas, foi tudo bem calmo. Quando fiz a plástica nos seios, aí sim, fiquei impressionada. Não senti praticamente nenhuma dor, só uma espécie de incômodo. Foi muito engraçado. E teve todos aqueles meses em que não pude levantar o braço… chato, mas nada impossível.
De toda forma, percebi que suporto bem a dor física. Tenho paciência de esperar que ela passe, pois sei que ela, uma hora, vai passar. Não vai durar para sempre.
Acho que dá pra transpor esta maneira de pensar pra outras espécies de dores. Ter paciência… um dia vai passar… não vai durar para sempre…
ps: caraca, maluco, não consegui colocar vídeo diretamente no post… meu síndico querido, por que é que a gente não usa a versão mais recente do wordpress? Com ela é tão mais fácil…