É a Mãe!

Blog da Claudia Lyra

Arquivos: O que veio da outra casa

Quarenta anos

Por Claudia Lyra | 18/12/2006, 15h48

Ainda não tenho quarenta anos… mas tá quase, já estou com 38 e o tempo voa. E, aumentando junto com a idade, tem uma inquietação. Uma inquietação que é quase uma dúvida se fiz o que é certo até agora, se tomei o rumo na vida que deveria mesmo ter tomado.

É claro que isso é uma bobagem, porque todo mundo tem erros e acertos, não sou diferente. Pensando bem, dando uma passada de olhos rápida no que vivi, acho que sou muito feliz. Cheguei à idade adulta sem grandes traumas, casei por amor e ainda amo esse homem – tá… primeiro casei e depois cheguei à idade adulta, não importa – tive dois filhos maravilhos, arrumei um emprego razoável, estou acabando o curso de Direito, me dou bem com minha família, não tenho inimigos, tenho muitos amigos, muitos mesmo, tendo cuidar do meu lado espiritual…

Então…. tudo indo bem, né?

Mas a inquietação tá aqui…

A inquietação tá no coração de outras amigas também, algumas não tão satisfeitas com o balanço que fizeram da sua própria vida.

Há pouco tempo, uma amigona me disse que se arrepende de ter continuado dona de casa, de ter cuidado só dos filhos e do marido, sem investir no lado profissional, que não se sente valorizada. Poxa… quem me conhece um pouquinho sabe que este é o meu sonho de consumo, ser dona de casa em tempo integral… mas… será que penso assim só porque não foi nisso que me tornei? Outras conhecidas minhas (muitas, aliás) se lamentam de não terem casado e, sim, privilegiado a carreira profissional. Pois é… todas inquietas.

Tenho pelo menos umas três amigas que resolveram voltar a estudar porque, quando bem jovens, não completaram nem o Ensino Médio… putz… e agora, com 35 anos ou mais, estão procurando compensar o tempo perdido… e dizem que está tão difícil! E é mesmo… muito difícil.

E eu aqui, inquieta…

Meleca… nem vou falar mais nada, porque, pra dizer a verdade, nem sei o que falar…

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MUDANDO DE ASSUNTO

Vocês não têm do que reclamar… é só uma cusparada!

A pessoa mente…

Por Claudia Lyra | 12/12/2006, 16h33

… por covardia.

… por desfaçatez.

… por excesso de criatividade.

… por desgosto.

… pra se proteger.

… pra se “dar bem”.

… pra fugir de sua vidinha besta.

… pra se auto-promover.

… porque tem medo.

… porque não tem caráter.

… porque tem tédio.

… porque não tem auto-estima.

Mas ainda me decepciono… ainda me supreendo… ainda me admiro… ainda me entristeço…

Não consigo me acostumar com mentira…
Ainda bem!

Viu que não sou só eu?

Por Claudia Lyra | 11/12/2006, 17h55

“Cansei de tentar ser legal, buscar proximidade e me empolgar com pessoas que não dão valor algum aos meus cuidados. A partir de agora engulo a seco qualquer frase que me der vontade de dizer a esse tipo de gente. Não sou sentimental, mas também não sou palhaça.” – As Filhas do Dono.

“Lembrete para 2007: parar de botar azeitona na empada de quem não merece.” – Fal, a Todo-sábia.

Normalidade

Por Claudia Lyra | 07/12/2006, 00h33

Como é possível manter um blog se sua vida é super normal? É como tentar tocar um jornal em uma cidadezinha pacata do interior. O que noticiar? Que a gata da D. Candoca teve cria? Que Seu Janjão teve mais uma crise de gota? Que Lucíola, a beldade local, amanheceu com uma espinha no queixo? Hum… não… complicado isso…
Quando a gente tem talento pra olhar o cotidiano e transformá-lo em literatura… ah… assim fica fácil! Mas, decididamente, não é o meu caso. Tem aqueles que sabem muito sobre determinado assunto – ou assuntos – e aí escrevem sobre isso. Só que, também, não sei quase nada sobre nada e, por isso, não falo de nada mesmo.
Vou falar sobre meus questionamentos de tia-velha? Caraca, nem eu aguento mais esse papo. E, pra dizer a verdade, ando sem grandes questionamentos. Tô numa fase de “deixa-a-vida-me-levar-vida-leva-eu”, administrando só os probleminhas que se apresentam ocasionalmente pra peteca não cair, aff, que só bocejando.
Pra não dizer que estou sem qualquer expectativa de vida, tenho que admitir que a chegada do meu último semestre na faculdade é, deveras, empolgante. Não vejo a hora de me formar. Depois, pretendo fazer pós em alguma área do Direito Público. Mas, convenhamos, isso não é lá um assunto muito instigante, principalmente pra quem tá de fora. E ainda é pra agosto de 2007! Então o post super emocionado, relatando toda a odisséia (?) do meu curso de Direito até a formatura fica só pra meados do ano que vem.
Ai, ai… adoro quando não tenho inspiração e termino por escrever sobre a falta de inspiração mesmo…

Casca de ferida

Por Claudia Lyra | 04/12/2006, 16h50

Vez por outra a gente se depara com alguém que passou por um sofrimento muito grande. Tão grande que não encontramos nem palavras de conforto, não sabemos o que dizer. Às vezes é uma doença muito séria, ou um revés financeiro terrível, ou mesmo a morte de um ente querido. E a pessoa está lá arrasada, com toda a razão.
Mas o tempo passa e muitas dores, quando não acabam de vez, ficam muito mais suportáveis. E a gente vê aquela pessoa que sofreu tanto voltar a tocar a vida da maneira mais normal possível. É o natural, é o que costuma acontecer.
Só que tem aqueles que se recusam a deixar o tempo curar, ou pelo menos suavizar, suas feridas emocionais. O sofrimento deles é real e o motivo é justo. No entanto, é intempestivo. E eles mesmos sentem isso. Eles próprios percebem que a dor não é mais aquela, não tem mais a mesma intensidade, que aquilo vai virar uma cicatriz. Só que eles não deixam. Fazem questão de reabrir a ferida, de renovar a dor, de futucar com a unha a casquinha pra que aquilo sangre de novo.
Não estou falando de alguém que quer se fazer de vítima, não é isso. Nem daquele que sofre de depressão ou de qualquer outro mal emocional. Falo daquele que considera a dor uma auto-punição, algo merecido, e que não deixa que esta amaine por se considerar indigno de alcançar o alívio. É… tem a ver com culpa. Quer expiar uma culpa qualquer que imagina ter pela dor. É como se dissesse: “ó, tá certo que pisei na bola, mas, em compensação, olha só como estou sofrendo!!!”
Desnecessário dizer que o sentimento de culpa não se acaba e que a convivência com alguém assim é complicada. Péssimo de se observar isso.
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