É a Mãe!

Blog da Claudia Lyra

Arquivos: O que veio da outra casa

MUDANÇA! MUDANÇA! MUDANÇA! MUDANÇA!

Por Claudia Lyra | 15/03/2009, 18h47

Gente, estou de mudança!

Pra dizer a verdade, já me mudei de mala e cuia. E foi tudo muito rápido, graças à magnífica empresa transportadora de caixas e caixotes virtuais Marmota “não quebramos um mísero copo desde 1910″ Ltda

Agora faço parte do Dialética.org, o portal familiar da Luciana e do Marmota. Isso deve querer dizer que faço parte da família, né? Sim, sim, acho que sou a comadre implicante, chata e intrometida, hehehehehe…

A verdade é que fiquei super feliz e honrada com o convite dos dois para integrar o portal.  A Lu e o Marmota são amigos queridíssimos, pessoas que amo e admiro muito. Agora eles são “gente como a gente” pra mim, mas, durante muito tempo, eram ícones, personalidades bloguísticas, Misses Cangaíbas que tento buscava imitar.

Vivo dizendo que Marmota é meu “padrinho” na blogosfera, porque foi o blog dele o primeiro que li, numa época em que eu nem sabia que esse tipo de site da internet se chamava blog. 

Os textos da Luciana me foram apresentados pela  Evinha e ela desde sempre me emocionou. E, num daqueles acasos tão comuns entre blogueiros, a gente começou a conversar pelo MSN, a amizade se aprofundando à medida em que eu a ouvia falar sobre os motivos dela amar tanto o André. Agora estamos empenhadas em estabelecer a tradição das visitas anuais do casal a Penedo, projeto que caminha de vento em popa.

Assim, estar no Dialética é uma honra e uma alegria. Cara, nem sei como eles me aceitaram aqui. Mas não sou eu quem vai ficar questionando isso, né? Vou aproveitar a nova casa e espero que quem tem o hábito de visitar meu cantinho goste da mudança.

Das cartas que não se enviam

Por Claudia Lyra | 29/12/2008, 11h31

“Meu querido amigo,

dá para imaginar o quanto fiquei feliz em reencontrar você? Acho que sim. Acho que você também ficou muito feliz. Pois é… mas, como já te disse, nossa última conversa me deixou arrasada. Caramba, como fiquei triste!

Mas, não pense que fiquei assim por causa do que você me falou. Não! Na verdade, gostei demais. O que me entristeceu foi perceber que meu tempo já passou.

É… passou…

E se eu soubesse naquela época o que sei agora? E se você tivesse me dito, naquela época, o que me disse agora? E se… e se… Será que mudaria alguma coisa? Foi isso que me deixou triste.

É que fiz tantas bobagens, perdi meu tempo com tantas pessoas que não valiam a pena, me gastei à toa e logo você, uma das pouquíssimas pessoas que realmente importavam para mim – poxa, logo você! – eu deixei passar. É que eu nunca imaginei. Nem desconfiava.

Para dizer a verdade, eu pensava justamente o contrário: me sentia invisível na sua frente. Eita, que idiota!

Quer saber outra coisa idiota? Quando te vi aquele dia, com aquela menina (sua namorada), fiquei, bem no fundo, feliz. Sabe por que? Porque achei ela parecida comigo. É… parecida fisicamente comigo. Aí, pensei: gente, quem sabe ele também não me daria bola? Só que não tive coragem de me aproximar. Ficou tudo na mesma.

Olha, sinto muito, muito mesmo. Sinto tanto que até me surpreendo. Chorar o leite derramado? Bobagem! Eu me debulhei em lágrimas por causa do leite derramado… cara, ninguém merece!

Não, não chorei de verdade (antes o tivesse feito), mas fiquei com um buraco por dentro. Que coisa…

Com certeza seria tudo diferente, porque, com você, valeria cada minuto vivido. Porque você era a pessoa que eu sonhava para mim naqueles dias (e sonhei por muitos anos). E isso era tudo que eu precisava naquela época.”

(publicado em 28.9.05)

Olha!

Por Claudia Lyra | 23/12/2008, 11h22

Estou chegando à conclusão que não estou bem emocionalmente. Tá, pode parecer que é moda – afinal, todo mundo está enfrentando altos e baixos emocionais – mas… é que não estou acostumada com isso. Nunca, nem na adolescência, tive grandes arroubos emocionais.

Por exemplo, não achava que tinha que pagar qualquer mico por uma grande paixão. Aliás, pra dizer a verdade, as minhas duas grandes paixões (é isso mesmo, foram só duas) nem foram vividas, as sufoquei, engoli, porque achei que, ora bolas!, não ia dar em nada mesmo, pra que perder tempo? Além do mais, na “grande paixão” número dois, apesar de saber que estava sendo correspondida, enxerguei grande risco de sair muito machucada, e eu é que não estou aqui pra isso.

E, quando alguém me magoa, não me permito ficar remoendo esse sentimento. Não! Não vou ficar de frescurinha, me sentindo vítima e coitadinha, só porque alguém muito importante para mim não me respeitou. Vamos em frente, porque não tenho tempo a perder com sentimentalismos! Não posso ter minhas energias desviadas por uma infinita tristeza.

Falar de sentimentos, do que vem por dentro? Nem pensar! Por dois motivos: primeiro, ninguém está mesmo interessado; só me ouviriam, se ouvissem, por educação. Segundo, como poderia eu ficar vulnerável, me expor? … ai, gente, tem coisa que não quero admitir nem pra mim!

Olha, estava tudo indo muito bem até há quinze dias. Não me questionava, ia só vivendo, tocando o barco. Agora, tudo mudou. Só que não estou gostando. Não quero ver o que tem dentro do meu coração. Quero voltar a (não) sentir como antes!

Quando que, em outros tempos, faria um post desse tamanho pra falar de mim?!?!?!? Saco

(publicado a primeira vez em 05.10.05)

Um pouco sobre meu pai e encontros internéticos

Por Claudia Lyra | 21/12/2006, 09h15

Meu pai tem 63 anos.

Meu pai gosta de dormir na frente da TV. Meu pai gosta de dançar. Meu pai gosta de praia. Meu pai gosta de cervejinha com bons amigos, de jogar conversa fora. Meu pai gosta de jogar buraco. Meu pai gosta de futebol. Meu pai gosta de namorar. Meu pai gosta de viajar.

Meu pai é ranzinza. Meu pai não entende tanta modernidade nos relacionamentos, ainda que ele mesmo não seja de todo convencional em seus romances. Meu pai não tem paciência com criança. Meu pai não tem saco com adolescente. Meu pai compreende mais do que qualquer um que impor limites e permitir liberdades é importantíssimo pro crescimento de um filho.

Meu pai não tem computador. Meu pai só usa a internet pra enviar a declaração anual do Imposto de Renda. Meu pai não entende a graça que a gente vê em ficar na frente do monitor durante tanto tempo.

Meu pai, até novembro desse ano, não fazia idéia do que seria um blog. Meu pai, na verdade, nem sabia que existia essa coisa chamada blog.

Aí a gente viajou pra Manaus, com uma parada forçada em Brasília. E mudou tudo na cabeça dele.

Percebi essa mudança no último domingo, quando a gente foi a um pesque-e-pague aqui da região pra passar o dia. É um lugarzinho bem legal, com um barzinho na beira do lago em que crianças e velhos dão banho nas minhocas. E lá, a gente encontrou amigos do meu pai, todos com mais de 65 anos.

E meu pai começou a contar pros amigos como foi a viagem da gente. E começou a falar do Poeta, do Selph, da Ban, da Rô, da Menin@ , do Ives.

Meu pai falou com tanto carinho desses meus meninos que amo tanto! Meu pai contava pros amigos como todos nos trataram com tanta consideração, como foram tão hospitaleiros. Meu pai falava de como eram todos tão jovens e tão inteligentes, tão dedicados aos estudos, ao trabalho, à leitura, às artes. E ele falava: tudo gente que minha filha nunca tinha visto antes, só conhecia da internet, do blog… “da internet, do blog” é ótimo!

Meu pai, que antes via os relacionamentos internéticos com a desconfiança que a maioria tem, deixou cair um pouco do preconceito. Meu pai notou que a internet também pode ter outras utilidades, além de dar acesso ao site da Receita Federal.

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