É a Mãe!

Blog da Claudia Lyra

Arquivos: Meu povo é assim

O gato

Por Claudia Lyra | 07/05/2010, 10h32

Vocês já sabem que agora tenho um gato. Eram dois, mas aí a cadela matou um e foi bem traumático, aquela coisa toda. Sobrou o Darth, o gato de bruxa.

Acontece que Darth – ninguém chama o bicho pelo nome, a gente fala “gato” e ele vem, muito mais prático – é o xodó da casa. É um gato adolescente, né? Ele faz bagunça, pula nas cortinas, pula em cima da mesa quando a gente tá comendo. E ninguém tem a firmeza de discipliná-lo, porque ele é a coisa mais fofa e carinhosa que jamais entrou aqui em casa.

Ontem à noite minha mãe estava estudando, sentada à mesa, e o gato, como sempre, foi xeretar o que ela estava fazendo. Minha mãe ficou conversando com ele, o gato deitou por cima do livro dela, minha mãe esfregou a barriguinha dele e, por fim, o gato fez a mão da minha mãe de travesseiro e ficou lá de preguiça. Minha mãe passou o resto do tempo com a mão imobilizada, pra não estragar o conforto do gato.

E eu fiquei pensando que, por mais que todo mundo aqui em casa esteja apaixonado pelo gato, talvez ele seja mais importante mesmo pra minha mãe. Porque, de certa maneira, rola uma má disposição da gente contra ela, os meninos e eu estamos sem muita paciência. Além disso, minha mãe e eu temos um longo histórico de brigas, e isso nos afastou muito. Aquela coisa de abraçar, beijar, fazer carinho, definitivamente não existe entre a gente.

Mas quem é que vive bem sem carinho? Acho que ninguém. A gente precisa de contato físico, do toque. Pois é… o gato tem feito isso por minha mãe.

O gato tem me mostrado que preciso deixar de ser monstra, superar as bobagens que criei na minha cabeça contra minha mãe e voltar a encostar nela.

Eu acho que vi um gatinho… um não… dois!

Por Claudia Lyra | 19/02/2010, 11h36

Então que agora tenho gatos. Dois gatos felinos de quatro patas. Dois gatos pretos. Dois gatinhos bebês. Os nomes? Darth & Vader.

Quando eles foram lá pra casa, tem mais ou menos duas semanas, a gente só diferenciava um do outro por um pequeníssimo detalhe: Darth tem uma “gravatinha” de pêlo branco e Vader é totalmente pretão. Mas agora já conseguimos identificá-los por outras características.

Darth é mais alto, mais magrelo e mais arrepiado. E muito mais inquieto e rebelde. Ele faz xixi em cima das camas, se a gente der mole. Ele já pulou a janela e foi pra rua, sobe na mesa quando a gente tá comendo e quer dormir enrolado no meu cabelo pixaim. Darth é um gato de bruxa. Arisco, luta bravamente contra tudo que cai no chão: prendedores de roupa, sapatos, bolinhas de papel. Quando limpo a caixa de areia, Darth é o primeiro a fazer cocô nela de novo. Sempre. Ele sempre faz cocô quando estou limpando a caixa de areia. Um bruto.

Vader, por sua vez, é um doce. É lindo, gordinho e sedoso. A carinha dele é a coisa mais fofa! Ele é meigo e procura por carinho. Vader adora sentar na frente do monitor quando estou brincando de fazendinha no Facebook, e fica encantando com todas aquelas formas se mexendo. Agora não sei… será que gato enxerga colorido? Acabei de perguntar ao oráculo e, sim, gatos enxergam cores! Darth adora aquele ambiente colorido do FarmVille e fica batendo com as patinhas na tela, doidinho com as janelas pop-up. E ele prefere dormir no travesseiro da minha mãe.

Fofos. Muito fofos.

Minha vida tem trilha sonora

Por Claudia Lyra | 03/02/2010, 20h29

Sou ligadíssima à música. Desde pequena. E tenho certeza de que isso é culpa do meu pai.

Minha mãe conta que, quando eu era bebezinha, meu pai colocava um radinho tocando no meu berço pra me distrair. E, quando resolvi me casar, ele me deu um aparelho de som de presente.

Aliás, isso é coisa que meu pai sempre fez questão de ter: uma boa aparelhagem de som. Quando eu era criança, meu pai tinha uma rádio-vitrola enorme, parecia uma cômoda de tão grande, cheia de botões e luzes. Coisa chiquerésima naqueles dias. Depois ele comprou um “três em um” importado, a super novidade da época. Tinha caixas de som grandonas e era muito potente. Meus colegas adolescentes babavam na bagaça.

E tinha todo um ritual que envolvia a compra e a audição de LP’s. Meu pai tinha uma corretora de imóveis na Figueiredo Magalhães, em Copacabana, e no mesmo prédio, no térreo, tinha uma loja de discos onde ele era freguês. Volta e meia ele chegava cheio de discos em casa e a gente passava horas sentados no tapete da sala ouvindo um pouquinho de cada música. Eu era pequenininha, mas já sabia colocar os discos pra tocar sozinha, consciente de que tinha que pegá-los pela beirinha, com os dedos meio esticados, sem tascar o dedão no meio das faixas.

Então hoje vivo assim, movida à música. Gosto de dançar. Gosto de tocar violão. Queria muito fazer aula de canto e, quando sobrar um dinheirinho, vou me matricular. Sem contar que escolho música-tema pra quase tudo.  Culpa do meu pai, culpa do meu pai.

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