É a Mãe!

Blog da Claudia Lyra

Arquivos: Batendo palma pra maluco dançar

Onde vivem os monstros

Por Claudia Lyra | 17/05/2010, 11h20

Eis minha resenha:

Menino de nove anos, mimadinho e meio bichinha, dá um ataque de pelanca quando vê sua mãe – separada do marido e que rala pra caramba pra sustentar os dois filhos – conversando feliz com o namorado. Ele sobe na mesa da cozinha, grita com a mãe e, por fim, lhe dá uma mordida no ombro   (não se pode deixar de mencionar que o menino está vestido de “lobo”, ora vejam só, mas está mais parecido com um coelhinho de pelúcia). O moleque sai correndo de casa. A mãe, perplexa, reage a toda essa malcriação como se o filho tivesse três aninhos de idade, perdendo boa oportunidade de lhe sapecar corretivas pancadas. Bom… depois da fuga, o guri se imagina numa ilha habitada por monstros e tudo fica mais sem sentido ainda,  a coisa vira um filme cabeça do caralho, mas os monstros são fofinhos, o menino é lindo, a fotografia é magnífica, e a gente assiste a tudo fazendo cara de conteúdo, como se fosse fácil compreender aquela porra toda. Depois de pisar na bola com os monstros também, o moleque sem educação volta pra casa, provavelmente se achando justificado na sua revoltinha imbecil, uma vez que lidou com seus monstros internos e economizou a grana que gastaria em terapia. Sua mãe, que está em casa sem o namorado, já que este aproveitou pra ralar peito, pois é dose pra leão aturar filho alheio dando piti, o recebe de braços abertos porque, obviamente, é uma bocó.

Não sei o que fazer

Por Claudia Lyra | 29/05/2009, 10h03

Minha cadela, decididamente, está com a mania de roer as patas. Ela vai mordiscando as almofadinhas até deixá-las feridas e, depois, não consegue nem pisar.

Eu já olhei se tem alguma coisa nas patinhas dela, já falei com o veterinário… nada. O veterinário diz que é uma mania de cães estressados. Mas, gente, o que é que tá estressando essa cadela?!?!? A bicha tem um quintalzão enorme só pra ela, é mimada pela minha mãe de forma descarada, tem ração e água a tempo e à hora…

Esses dias,  eu estava saindo pro trabalho correndo como sempre e ela estava estirada, com a barriga pra cima, no sol. Ah, quanto estresse! Olhei pra ela, pensando quando vou ter uma vida de cachorro dessas…

Desencalha, Wanderson!!!!*

Por Claudia Lyra | 26/03/2009, 10h52

Gente, não sei se vocês sabem mas o Wanderson (“No meu nome, a letra ‘W’ (dáblio) tem o mesmo som que a letra ‘u’”) quer desencalhar.

Você não conhece o Wanderson?!? Não?!?!?

CLIQUE AQUI PRA CONHECER O WANDERSON

 

Agora que vocês conhecem o Wanderson, meninas casadoiras, e se vocês são baixinhas, nasceram depois de 1979 e – essa é muito importante – nunca foram atrizes de filme erótico, habilitem-se!

(Me falem: vocês já tinham imaginado a existência de algo parecido com isso? Sinceramente, estou incrível) 

* vi aqui

“Desculpa, vai…”

Por Claudia Lyra | 17/03/2009, 09h41

Também serve: “foi mal, não queria te magoar”. Pode ser um “caraca, véi, mandei mal” ou um “putz, lamento muito pelo que fiz”. Quem sabe se disser um “sinto muito… vou tentar agir diferente de agora em diante”? Acho que serviria também.

É difícil, não é? Difícil pronunciar essas frases. Eu sei… eu sei que é. Mas o tom da tua voz te entrega, sabia? Seu jeito, a maneira como você me olha… esse teu jeito meio sem graça, meio brincalhão. Dá pra ver que você sentiu que fez bobagem e que estou chateada.

Sem ofensas, mas vejo sempre essa expressão na cara do meu cachorro. Não ria! É verdade! Ele faz uma besteira, eu brigo. Logo, logo vem ele tentando reestabelecer o contato desse mesmo jeitinho. Desse jeitinho que você faz. Tá certo que meu cachorro abana o rabo, mas, em compensação, você sorri lindamente. As duas coisas me quebram.

Talvez eu devesse dar mais importância às coisas, ser mais durona. Talvez. Mas… olha o tempo que eu ia perder! Eu sei, você sabe… meu tempo é curto. Não quero gastar o pouco que tenho com ressentimentos. E a minha vontade, como ficaria? Meu desejo de te ter… não, não, nada é tão importante assim.

 

Nhé…

Por Claudia Lyra | 15/01/2009, 06h51

E depois de quatro meses, nos quais vocês se falaram diariamente e se encontraram pelo menos duas vezes por semana, ele some. Sim, some por seis dias. Tá… ele não está completamente sumido há seis dias, sejamos justas, porque antes de anteontem ele te deu um ‘oizinho’ meio sem graça no MSN e ontem ele te mandou um email. Mas você estava muito puta pra responder direito. Você foi fria na primeira investida, sarcástica na segunda e, oh, glória!, se congratulou por isto.

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Há seis dias ele te escreveu explicando que estava muito mal – “estou uma mala”, foi esta a expressão – e te pediu um tempo pra melhorar. Você respondeu com um ‘tudo bem, qualquer coisa me liga’.

Mas ele não ligou.

Ele não ligou… e você ficou com raiva. A raiva vem antes de tudo. A raiva fez você prometer que não vai ligar pra ele. E tem seis dias que você cumpre a promessa, mas a que custo, hein! Porque a raiva foi logo embora e veio a saudade pra tomar conta de você.

Ai, a saudade… ela está sempre justificando as ações dele, não é? E, quando a saudade finalmente convence você a pegar o telefone e mandar às favas qualquer promessa, volta a raiva pra lembrar que você tem que ter orgulho, amor próprio. E a raiva é braba, bota a saudade pra correr aos gritos de que somos mesmo umas molóides, umas bestas, umas coração-de-manteiga.

Só que a raiva também é muito ocupada. Ela não pode ficar aqui do teu lado o tempo todo, pois tem outras coisas pra fazer, outras pessoas pra envenenar e, de novo, vai embora. Ahá! Era isso que a saudade queria! A saudade fica ali, de tocaia, só esperando a raiva dar as costas. Daí, no mesmo segundo, a saudade começa sua cantilena: “ele disse que não estava bem”, “orgulho não vale a pena”, “mas você está sofrendo, de que adianta?”… e por aí vai. Ai, cacete!

Estaria bom se a briga fosse só entre a raiva e a saudade. Mas você não pode se esquecer da tristeza. A tristeza está aí, firme e forte, desde o momento em que você leu aquela bosta de email, aquele de seis dias atrás, pela primeira vez. Sim, sim, primeira vez, porque a gente sabe que você leu aquele email váááárias vezes, não foi? O email dele e a resposta que você deu. É… a gente sabe… pra que mentir agora? Você leu até decorar, a gente sabe. Você tem repetido de cor o que dizia o email dele e a resposta que você deu pra qualquer amiga que te pergunte – pras que não te perguntam também, reconheçamos – há seis dias. Tem seis dias que você só fala disso. “Monotemática”, eis teu nome do meio!

Você quer se livrar da tristeza. Mas a bicha é renitente. Ela não é frouxa como a saudade que, a qualquer gritinho da raiva, sai correndo. A tristeza fica ali, olhando pra raiva e pra saudade, tão patéticas. E olhando pra você. A tristeza vai contigo pro banho e faz você confundir água de chuveiro com lágrima. A tristeza deita contigo e mexe no seu cabelo até você pegar no sono, dizendo pra você se acostumar com a idéia de que, de  verdade, ele viu que você não vale a pena. A tristeza te faz escrever alguns emails que você não vai mandar, porque, afinal, tem o raio da promessa que você fez pra raiva blábláblá… não vamos falar disso de novo, por favor.

Bom… a quem você vai ouvir? À raiva, à saudade, à tristeza? Você não sabe. Você está confusa. Confusa…

Pra piorar tudo, mais uma voz começa a dar seus pitacos, a princípio de forma tímida, mas agora de maneira mais forte e audaciosa do que todas as outras. É a voz do seu desejo. Seu desejo. Tão impaciente, tão imediatista, tão mimado. Quer tudo pra ontem. Melhor, quer tudo pra seis dias atrás! Ah, desejo… não faz isso, não… é muita sacanagem…

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