Porque, de vez em quando, a gente recebe mensagens carinhosas, tais como essa:
“(…) achei um blog…nele havia indicação do seu. Entrei, amei, me re-animou no sentido amplo da palavra. literalmente. Pensei: olha tem mais gente que pensa, que tem opiniao,que nao se mimetiza na cor do muro p nao se envolver nao dizer nada…enfim pensei trocentas coisas..entre elas: que mulher bacana! Admirei-a sem nunca te-la visto
(…)
parabéns pelo blog. gostei
um bjo Mavie”
Beijos pra você também, Mavie.
Ps – A Mavie me achou no facebook e deixou lá esse recado carinhosíssimo. Mas não posso acabar esse post sem mencionar o quanto ela é bonita. Vi na foto do perfil dela. Sabe um rosto de campanha da Natura? Sabe quando a pessoa tem aquela pele maravilhosa, olhos lindos, boca… tudo lindo? Pois é, ela é assim. Cara, fiquei impressionada.

Eis minha resenha:
Menino de nove anos, mimadinho e meio bichinha, dá um ataque de pelanca quando vê sua mãe – separada do marido e que rala pra caramba pra sustentar os dois filhos – conversando feliz com o namorado. Ele sobe na mesa da cozinha, grita com a mãe e, por fim, lhe dá uma mordida no ombro (não se pode deixar de mencionar que o menino está vestido de “lobo”, ora vejam só, mas está mais parecido com um coelhinho de pelúcia). O moleque sai correndo de casa. A mãe, perplexa, reage a toda essa malcriação como se o filho tivesse três aninhos de idade, perdendo boa oportunidade de lhe sapecar corretivas pancadas. Bom… depois da fuga, o guri se imagina numa ilha habitada por monstros e tudo fica mais sem sentido ainda, a coisa vira um filme cabeça do caralho, mas os monstros são fofinhos, o menino é lindo, a fotografia é magnífica, e a gente assiste a tudo fazendo cara de conteúdo, como se fosse fácil compreender aquela porra toda. Depois de pisar na bola com os monstros também, o moleque sem educação volta pra casa, provavelmente se achando justificado na sua revoltinha imbecil, uma vez que lidou com seus monstros internos e economizou a grana que gastaria em terapia. Sua mãe, que está em casa sem o namorado, já que este aproveitou pra ralar peito, pois é dose pra leão aturar filho alheio dando piti, o recebe de braços abertos porque, obviamente, é uma bocó.
Vocês já sabem que agora tenho um gato. Eram dois, mas aí a cadela matou um e foi bem traumático, aquela coisa toda. Sobrou o Darth, o gato de bruxa.
Acontece que Darth – ninguém chama o bicho pelo nome, a gente fala “gato” e ele vem, muito mais prático – é o xodó da casa. É um gato adolescente, né? Ele faz bagunça, pula nas cortinas, pula em cima da mesa quando a gente tá comendo. E ninguém tem a firmeza de discipliná-lo, porque ele é a coisa mais fofa e carinhosa que jamais entrou aqui em casa.
Ontem à noite minha mãe estava estudando, sentada à mesa, e o gato, como sempre, foi xeretar o que ela estava fazendo. Minha mãe ficou conversando com ele, o gato deitou por cima do livro dela, minha mãe esfregou a barriguinha dele e, por fim, o gato fez a mão da minha mãe de travesseiro e ficou lá de preguiça. Minha mãe passou o resto do tempo com a mão imobilizada, pra não estragar o conforto do gato.
E eu fiquei pensando que, por mais que todo mundo aqui em casa esteja apaixonado pelo gato, talvez ele seja mais importante mesmo pra minha mãe. Porque, de certa maneira, rola uma má disposição da gente contra ela, os meninos e eu estamos sem muita paciência. Além disso, minha mãe e eu temos um longo histórico de brigas, e isso nos afastou muito. Aquela coisa de abraçar, beijar, fazer carinho, definitivamente não existe entre a gente.
Mas quem é que vive bem sem carinho? Acho que ninguém. A gente precisa de contato físico, do toque. Pois é… o gato tem feito isso por minha mãe.
O gato tem me mostrado que preciso deixar de ser monstra, superar as bobagens que criei na minha cabeça contra minha mãe e voltar a encostar nela.