…”qual a paz que não quero conservar pra tentar ser feliz?”
O Rappa pergunta e eu ainda não decidi. De ano em ano a gente tem que resolver uma questão dessa. Então, não sei.
Porque tudo é uma questão de escolher qual é o problema que te deixa menos inquieto. Ou qual é a chateação mais suportável. Mas tem hora que as aporrinhações se equivalem. Aí cabe a pergunta: de qual paz que você vai abrir mão?
É… minha vida tem trilha sonora.
Sou uma pessoa com muitas vítimas. Sei lá, vou vivendo e vou machucando quem tá por perto. Ou pelo menos é isso que muitos querem me fazer crer.
Minha mãe, por exemplo, é a vítima em pessoa. Não só minha, ela é vítima de todo mundo. Meu ex marido também gostava desse papel, mas eu falava que não lhe caía bem e ele desistia. Agora não sei. E eu realmente o magoei, então…
Volta e meia, me faço de vítima também. Tem hora que é irresistível sentir peninha de si próprio. Mimimi, ai ai ai… e você quer ficar lá, mostrando suas chagas. Só que não dura muito. Não é que eu não goste, entende? Eu gosto, mas tenho vergonha.