E recebi algumas mensagens de texto no celular me parabenizando. Também mandei algumas. Pra ser exata, mandei cinco mensagens, pois são cinco as minhas amigas com quem posso comemorar alguma coisa atualmente. Mas não comecei a escrever esse texto pra falar sobre as mensagens que mandei… não, não.
É que, dentre as mensagens que recebi, uma foi diferente de todas. Dizia apenas “E ESSA A VIDA QUE VOCE REALMENTE QUER?”. Desse jeito mesmo, pois a pessoa não acentuou o texto.
Não sei se comentei aqui: há umas três semanas atrás tive meu celular roubado. Consegui recuperar o chip, mas nem todos os números estavam gravados nele e, por isso, o nome da pessoa que me passou essa mensagem não aparecia, só o número de seu telefone. Mesmo imaginando quem poderia ter sido a autora da frase, resolvi telefonar de volta. Minhas desconfianças se confirmaram. A pessoa atendeu, perguntei quem era, ela disse “sou eu… tchau”. Ainda perguntei se a mensagem era para comemorar o dia do amigo e ela falou “é… é pra você pensar… tchau”. E desligamos.
Apesar do que pode parecer, nós somos amigas e nos amamos muito. Só que estamos afastadas por algumas questões… hum… questões de consciência. Mas foram treze ou quatorze anos de convívio. Tem muito casamento que não dura tanto, né? Pois é. Mas amizade também é se afastar quando é preciso. E está sendo preciso.
Na hora, tive vontade de responder à minha amiga, mandar uma mensagem de texto, só que a voz dela estava tão triste, tão triste, que achei que melhor não fazer. Seria apenas uma resposta sincera, mas poderia soar como provocação. Não queria isso de jeito nenhum. Então, deixei passar. Entretanto, o objetivo de minha amiga – me fazer pensar – foi alcançado e passei o resto do dia matutando sobre a pergunta.
É essa a vida que eu realmente quero?
A resposta é quase chocante até pra mim.
Sim. É exatamente essa a vida que realmente quero.
Há muito tempo que não me sinto tão feliz, tão tranqüila, tão em paz. É realmente assim que quero viver. Me preocupo agora com dinheiro, em pagar as contas, em equilibrar o orçamento. Mas, cara, é só dinheiro! Felizmente, dinheiro nunca teve o condão de me tirar a tranquilidade. Os outros campos da minha vida estão ótimos: meus filhos, minha saúde, meu trabalho, meu coração. Até minha aparência tá legal, modéstia à parte. Sem essa de vida perfeita, ninguém aqui é idiota de acreditar nisso, mas, dentro do possível, está tudo bem, tudo em paz. Então, é claro que é essa a vida que realmente quero.
Então amiga… guardada as devidas proporções, é isso que quero, do fundo do meu coração, para sua vida também: paz, harmonia, alegria, tranquilidade. Você sabe: eu te amo.