É a Mãe!

Blog da Claudia Lyra

Arquivos: janeiro/2009

Sem computador em casa…

Por Claudia Lyra | 26/01/2009, 11h52

… e odiando com todas as forças todas as lan houses da cidade.

É claro que não fui a todas elas; na verdade, só fui naquela que já estou acostumada, aquela em que os meninos gritam sem parar e o som berra no último volume música eletrônica. Sim, sim, eu me odeio.

Então, é isso… não tenho como alongar meu tempo aqui. Por isso, comportem-se.

Nojo

Por Claudia Lyra | 19/01/2009, 07h57

Aí que o indivíduo bate na porta da minha sala de trabalho. E não entra. Odeio isso… minha mesa fica longe da porta, caceta, porque não bate e abre? Não… não abre e tenho que parar o que estou fazendo pra andar até a porta e abri-la.

Aí que o sujeito se apresenta como jornalista de um diário da região – aliás, não sei por qual motivo se chama “diário”, já que não é essa periodicidade da folha –, que ficou no lugar do pai dele que morreu (“ahn?!?”) e que o tal jornaleco era o representante d’O Globo na cidade (duplo “ahn?” agora, uma vez que O Globo também circula por aqui), um blábláblá sem fim que, aos poucos, vai ficando impossível de acompanhar.

E, enquanto ele falava, eu só queria sair do raio de alcance do bafo de cigarro do dito cujo, sem conseguir despregar os olhos dos dentes mais amarelos que já tive a oportunidade de vislumbrar, rezando pra que o moço adquirisse, como num passe de mágica, o dom da concisão, o que, obviamente, não aconteceu, já que minhas orações não são mesmo ouvidas há tempos.

Aí que peço pro jornalista esperar, pois meu chefe está atendendo dois advogados e o cara senta em uma das cadeiras disponíveis na minha sala e começa a chupar os próprios dentes, como se tivesse acabado de comer uma empada e quisesse aproveitar o resto da massinha que ficara por ali, como despojo.

 

Nhé…

Por Claudia Lyra | 15/01/2009, 06h51

E depois de quatro meses, nos quais vocês se falaram diariamente e se encontraram pelo menos duas vezes por semana, ele some. Sim, some por seis dias. Tá… ele não está completamente sumido há seis dias, sejamos justas, porque antes de anteontem ele te deu um ‘oizinho’ meio sem graça no MSN e ontem ele te mandou um email. Mas você estava muito puta pra responder direito. Você foi fria na primeira investida, sarcástica na segunda e, oh, glória!, se congratulou por isto.

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Há seis dias ele te escreveu explicando que estava muito mal – “estou uma mala”, foi esta a expressão – e te pediu um tempo pra melhorar. Você respondeu com um ‘tudo bem, qualquer coisa me liga’.

Mas ele não ligou.

Ele não ligou… e você ficou com raiva. A raiva vem antes de tudo. A raiva fez você prometer que não vai ligar pra ele. E tem seis dias que você cumpre a promessa, mas a que custo, hein! Porque a raiva foi logo embora e veio a saudade pra tomar conta de você.

Ai, a saudade… ela está sempre justificando as ações dele, não é? E, quando a saudade finalmente convence você a pegar o telefone e mandar às favas qualquer promessa, volta a raiva pra lembrar que você tem que ter orgulho, amor próprio. E a raiva é braba, bota a saudade pra correr aos gritos de que somos mesmo umas molóides, umas bestas, umas coração-de-manteiga.

Só que a raiva também é muito ocupada. Ela não pode ficar aqui do teu lado o tempo todo, pois tem outras coisas pra fazer, outras pessoas pra envenenar e, de novo, vai embora. Ahá! Era isso que a saudade queria! A saudade fica ali, de tocaia, só esperando a raiva dar as costas. Daí, no mesmo segundo, a saudade começa sua cantilena: “ele disse que não estava bem”, “orgulho não vale a pena”, “mas você está sofrendo, de que adianta?”… e por aí vai. Ai, cacete!

Estaria bom se a briga fosse só entre a raiva e a saudade. Mas você não pode se esquecer da tristeza. A tristeza está aí, firme e forte, desde o momento em que você leu aquela bosta de email, aquele de seis dias atrás, pela primeira vez. Sim, sim, primeira vez, porque a gente sabe que você leu aquele email váááárias vezes, não foi? O email dele e a resposta que você deu. É… a gente sabe… pra que mentir agora? Você leu até decorar, a gente sabe. Você tem repetido de cor o que dizia o email dele e a resposta que você deu pra qualquer amiga que te pergunte – pras que não te perguntam também, reconheçamos – há seis dias. Tem seis dias que você só fala disso. “Monotemática”, eis teu nome do meio!

Você quer se livrar da tristeza. Mas a bicha é renitente. Ela não é frouxa como a saudade que, a qualquer gritinho da raiva, sai correndo. A tristeza fica ali, olhando pra raiva e pra saudade, tão patéticas. E olhando pra você. A tristeza vai contigo pro banho e faz você confundir água de chuveiro com lágrima. A tristeza deita contigo e mexe no seu cabelo até você pegar no sono, dizendo pra você se acostumar com a idéia de que, de  verdade, ele viu que você não vale a pena. A tristeza te faz escrever alguns emails que você não vai mandar, porque, afinal, tem o raio da promessa que você fez pra raiva blábláblá… não vamos falar disso de novo, por favor.

Bom… a quem você vai ouvir? À raiva, à saudade, à tristeza? Você não sabe. Você está confusa. Confusa…

Pra piorar tudo, mais uma voz começa a dar seus pitacos, a princípio de forma tímida, mas agora de maneira mais forte e audaciosa do que todas as outras. É a voz do seu desejo. Seu desejo. Tão impaciente, tão imediatista, tão mimado. Quer tudo pra ontem. Melhor, quer tudo pra seis dias atrás! Ah, desejo… não faz isso, não… é muita sacanagem…

É difícil…

Por Claudia Lyra | 12/01/2009, 08h22

Alguns aqui já se confessaram ciumentos. E quero, de coração, pedir a estes desculpas por esse post. Mas, estou precisando mesmo falar sobre isso.

Eu não sou ciumenta… quer dizer, tenho certo ciúmes de meus filhos (que é mais motivo de piada do que qualquer outra coisa) e, além deles, quase nada me provoca esse sentimento, que sei ser fortíssimo. Mas, é muito difícil conviver com pessoas ciumentas. Isso, às vezes, me tira do sério.

Graças a Deus, não sofro com um marido ciumento. Por alguma manobra bem feita do destino, Marido e eu temos praticamente a mesma maneira de reagir a situações que, em outras pessoas, causariam ciúmes. Entretanto, tenho uma amiga que é ciumenta à beça.

É difícil, porque o ciumento vê como afronta pessoal coisas que, na maioria das vezes, não têm nada a ver com ele. Na verdade, só o fato da coisa, atitude ou seja lá o que for, não ter nada a ver com o ciumento já o ofende. E é complicado, muito complicado.

Se você está em grupo, o ciumento se ressente da atenção que você dá a outros. Se você está só com ele, é quase impossível satisfazer a ânsia de exclusividade. E ai de você se resolver fazer qualquer coisa que seja sem o ciumento ou, pelo menos, a anuência dele!

Cansativo… é o mínimo que posso falar. Nem sempre estamos dispostos a justificar nossas atitudes. Principalmente quando a gente não pede satisfação de nada, por achar natural os limites que uma amizade normalmente tem. Então, a gente se vê obrigado a pisar em ovos para não entristecer alguém que você ama. Cansativo…

(Postado pela primeira vez em 01/05/06)

RPG: Galahil, o elfo marcadão by Fábio Melo.

Por Claudia Lyra | 10/01/2009, 08h49

(…)

Por favor, não me repreenda por não recordar direito as datas e nem pela falta de precisão cronológica. Há alguns anos, como você deve saber, houve uma intensa batalha na cidade de Lennorien em que os elfos perderam o poder da cidade para a Aliança Negra. Lá vivíamos eu, meus amigos e parentes. Poucos de nós que não fugimos foram aprisionados,  levados para as terras goblinóides e feitos de escravos. Os que não fugiram e nem foram presos, morreram! Não posso mais detalhar sobre esse massacre, aqueles momentos foram apagados da minha memória, consciente ou inconscientemente. Mas o que vi ao acordar posso descrever bem.

 ”Acordei, acredito, pelo cheiro forte que fazia arder minhas narinas. Carne pobre espalhada por todo o acampamento armado com muita destreza, mesmo que com materiais rudes. Uma multidão de goblinóides amontoados e armados até os dentes, prontos para destruir mais uma cidade. Muitos se preparavam como se fossem avançar naquele momento; outros, sentados em volta de fogueiras, comendo mãos de elfos. Vi até alguns sugando os olhos de uma cabeça infante. São verdadeiros monstros, canibais, feras incansáveis.

“Tudo isso vi em um segundo. Quando mal dei por mim, fui arrastado para os limites do acampamento e entendi que deveria ajudar na construção das torres de vigia; não entendi uma palavra do que aquele dizia, mas junto a mim havia alguns elfos que já se esforçavam na construção.

(…)

“Aparentemente todos tinham suas línguas cortadas. Assustado não demorei a conferir a minha. Por sorte a minha estava no lugar que deveria estar. Andei alguns passos em direção a uma marreta encostada em um monte de troncos, curvei-me e a segurei; tive a impressão que pesava mais que o meu próprio corpo; óbvio, sou um pequeno ser de pouco mais que 1,60m. Senti uma pressão na nuca e desmaiei. 

 (…)

 

“Por uma surpresa do destino, um desses monstros, um tanto maior que este guarda me pegou pelo braço e levou-me para uma reunião do que me parecia ser dos comandantes do grupo. Esse, de nome Hurgar Uran, por mais forte e maior que fosse, parecia um pouco mais racional que o menor. No meio da reunião, olhou-me como se fosse me matar. Abaixou a cabeça na minha direção e disse ‘Não falo bem língua sua, mas você vai entender língua minha e comandar obra obedecendo ordens deles!’. 

“Assim foi feito, tive que aprender a língua bruta o mais rápido possível, a obra exigia pressa e não podia demorar, já que era o único com língua no acampamento. Em alguns meses já havia dominado a pobre língua deles, com poucas palavras, era mais fácil do que o imaginado. Depois que aprendi a língua, a obra ganhou velocidade e em pouco tempo toda a segurança do acampamento estava pronta. Ganhei minha vida devido minha utilidade. Naquele momento, já era escravo chave para os serviços do grupo e como tal fui marcado com essa marca que me pergunta, uma marca eterna, vergonha!

 ”Havia um erro ao me ensinar sua língua, que Hurgar não percebeu. Agora eu escutava a tudo e a todos numa naturalidade como se falassem elfico, ou a língua comum de Arton. Eu sabia de todos os planos e estratégias.

(…)

“Em um dia não diferente dos outros, senti algo que há muito tempo não sentia. Era como se meu sangue fluísse com mais facilidade pelo corpo, sentia uma corrente continua por toda a parte. Não era meu sangue, era algo diferente, sobrenatural. Já havia sentido isso na infância, e talvez até na adolescência. Era energia, descia de trás das minhas longas orelhas e escorria pelo pescoço, arrepiando-me toda a coluna, ombros, braços e pernas. Meu coração palpitava e me faltava ar. Quando acontecia e não estava sozinho, alguns dos guardas se tornavam imóveis, outros pasmavam-se e tinha alguns que até sentiam frio e fortes dores nos membros. Eram acontecimentos estranhos, e eu tinha certeza que isso partia de mim.

(…)

“Sabia que aquele era o momento da minha liberdade. Convenci Hurgar que comandaria metade dos escravos em uma construção de um novo acampamento na superfície enquanto eles e a outra metade escavavam o túnel. Ficamos, na parte de cima, 30 elfos, 1 Bugbear Comandante ( Kargaik ) e 20 soldados goblins.

“Nós estávamos sem suprimentos para o acampamento e ofereci-me a Kargaik para atrair alguns humanos da fronteira de Khalifor para uma emboscada sob a custodia de 4 soldados, e assim teríamos pelo menos a janta garantida. Avançamos mata a dentro e quando não mais escutávamos as vozes do acampamento, lancei quatro feitiços, um em cada soldado. Dois fugiram de medo, um travou na mesma posição e outro, surpreendentemente, teve sua fronte perfurada. Depois do susto, percebi que havia matada um ser vivo, nunca imaginei que teria coragem para fazer isso (futuramente treinei esse feitiço, que ainda hoje tento domina-lo com eficácia). Já que matei um, não custou para matar o outro com sua própria arma que furtei, uma besta leve.

“Assim, fugi do acampamento, avancei pelos portões de Khalifor depois de muito explicar o que fazia além da fronteira. Ali começou uma nova vida para mim. Depois de atravessar a fronteira, tive como objetivo de vida avisar a todos que pudesse sobre um possível traidor no Panteão. Todos me ridicularizam, mas com esperança cheguei aqui, em Valkaria, e acredito que seja aqui mesmo que encontrarei alguém que me dê ouvidos e faça alguma coisa a respeito”. 

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