Archive for dezembro, 2008

Das cartas que não se enviam

“Meu querido amigo,

dá para imaginar o quanto fiquei feliz em reencontrar você? Acho que sim. Acho que você também ficou muito feliz. Pois é… mas, como já te disse, nossa última conversa me deixou arrasada. Caramba, como fiquei triste!

Mas, não pense que fiquei assim por causa do que você me falou. Não! Na verdade, gostei demais. O que me entristeceu foi perceber que meu tempo já passou.

É… passou…

E se eu soubesse naquela época o que sei agora? E se você tivesse me dito, naquela época, o que me disse agora? E se… e se… Será que mudaria alguma coisa? Foi isso que me deixou triste.

É que fiz tantas bobagens, perdi meu tempo com tantas pessoas que não valiam a pena, me gastei à toa e logo você, uma das pouquíssimas pessoas que realmente importavam para mim – poxa, logo você! – eu deixei passar. É que eu nunca imaginei. Nem desconfiava.

Para dizer a verdade, eu pensava justamente o contrário: me sentia invisível na sua frente. Eita, que idiota!

Quer saber outra coisa idiota? Quando te vi aquele dia, com aquela menina (sua namorada), fiquei, bem no fundo, feliz. Sabe por que? Porque achei ela parecida comigo. É… parecida fisicamente comigo. Aí, pensei: gente, quem sabe ele também não me daria bola? Só que não tive coragem de me aproximar. Ficou tudo na mesma.

Olha, sinto muito, muito mesmo. Sinto tanto que até me surpreendo. Chorar o leite derramado? Bobagem! Eu me debulhei em lágrimas por causa do leite derramado… cara, ninguém merece!

Não, não chorei de verdade (antes o tivesse feito), mas fiquei com um buraco por dentro. Que coisa…

Com certeza seria tudo diferente, porque, com você, valeria cada minuto vivido. Porque você era a pessoa que eu sonhava para mim naqueles dias (e sonhei por muitos anos). E isso era tudo que eu precisava naquela época.”

(publicado em 28.9.05)

 

Olha!

Estou chegando à conclusão que não estou bem emocionalmente. Tá, pode parecer que é moda – afinal, todo mundo está enfrentando altos e baixos emocionais – mas… é que não estou acostumada com isso. Nunca, nem na adolescência, tive grandes arroubos emocionais.

Por exemplo, não achava que tinha que pagar qualquer mico por uma grande paixão. Aliás, pra dizer a verdade, as minhas duas grandes paixões (é isso mesmo, foram só duas) nem foram vividas, as sufoquei, engoli, porque achei que, ora bolas!, não ia dar em nada mesmo, pra que perder tempo? Além do mais, na “grande paixão” número dois, apesar de saber que estava sendo correspondida, enxerguei grande risco de sair muito machucada, e eu é que não estou aqui pra isso.

E, quando alguém me magoa, não me permito ficar remoendo esse sentimento. Não! Não vou ficar de frescurinha, me sentindo vítima e coitadinha, só porque alguém muito importante para mim não me respeitou. Vamos em frente, porque não tenho tempo a perder com sentimentalismos! Não posso ter minhas energias desviadas por uma infinita tristeza.

Falar de sentimentos, do que vem por dentro? Nem pensar! Por dois motivos: primeiro, ninguém está mesmo interessado; só me ouviriam, se ouvissem, por educação. Segundo, como poderia eu ficar vulnerável, me expor? … ai, gente, tem coisa que não quero admitir nem pra mim!

Olha, estava tudo indo muito bem até há quinze dias. Não me questionava, ia só vivendo, tocando o barco. Agora, tudo mudou. Só que não estou gostando. Não quero ver o que tem dentro do meu coração. Quero voltar a (não) sentir como antes!

Quando que, em outros tempos, faria um post desse tamanho pra falar de mim?!?!?!? Saco

(publicado a primeira vez em 05.10.05)

 

Dingombél!!!!

ELE diz:

rararaa

depois ouvi o seguinte

o cara tomou umas na praça de alimentação, aí levou o filho p tirar foto

na hr da foto ele pos o muleke na frente e abraçou o noel

e disse no ouvido dele: aí noel segura no meu saco q vou fazer vc voar

ELA diz:

HAUAHAUAHUAHAUAHAUA

ELE diz:

o noel deu um tapa no saco dele

ELA diz:

tô rindo alto aqui!!!

ELE diz:

e a porrada comeu

ELA diz:

huahauhauahauahuahaua

ELE diz:

rarararara

imagina a cena

parou o xopping

ELA diz:

adorei isso!!!!

ELE diz:

as crianças c medo

axando q o noel é ruim

q faz mal p outros

eu mijei de rir

hahahahaah

ELA diz:

muito comédia

papai noel perdeu o emprego, aposto… coitado

ELE diz:

claro neh

rsrrss

ELA diz:

sacanagem… é zoado e ainda perde o emprego

ELE diz:

pois é

 

Não me deixe

Ainda leio blogs. Sim, sim… leio muito blog, mas tudo pelo Reader. O Reader não presta e acabou com minha vida psicoblogossocial.

E domingo é um excelente dia pra ler blog, simplesmente porque tá todo mundo dormindo depois do almoço e posso ficar sossegada no computador. Isso não acontece todo domingo, é claro. Quer dizer, normalmente no domingo todo mundo aqui em casa tá dormindo depois do almoço, inclusive eu. Só que hoje acordei às 11:30h da matina e, por isso, estou sem sono agora. E estou lendo blog.

Aí que um dos blogs que leio é o da Juliana Cunha. Adoro o que ela escreve. Adoro. Mas essa semana foi particularmente confusa pra mim e, por isso, tinha alguns posts acumulados, coisas no blog dela que eu não tinha lido ainda. Tem isso no Reader, também: quando estou sem tempo, não consigo chegar aos blogs que estão no meio da lista. Deixa pra lá. Reader é coisa do mal mesmo.

Bom… acontece que Juliana essa semana, postou um vídeo da Maysa. Cara… tá, tá, sou boca aberta e chorona, mas Maysa é sacanagi, né não? Olha só, vou colocar o vídeo aqui também e, por favor, assistam. Por favor. Depois me digam aí nos comentários que não estou ficando emotiva demais, que é totalmente normal chorar com uma coisa dessas.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=8gtOXoXeWQc]

Eu tô bem, né? Mas essa coisa de ‘deixa eu ser a sombra da sua sombra, a sombra da sua mão, a sombra do seu cachorro’… dizer que todo mundo já viu ‘brotar fogo de vulcões  velhos’… quando se faz uma música assim – e em francês -  é pra emocionar mesmo. Só que deixar a Maysa cantar isso ou, melhor, filmar a Maysa cantando isso, desse jeito aí que você viram… não, não… isso é sacanagi.

 

Coisa de adolescente

Na próxima quinta-feira vai ser a festa de formatura do meu caçula e ele está preocupado desde já com os micos que vou fazê-lo pagar. É… ele acha que eu, quando começo a dançar, “pago mó mico”.

Essa é a triste realidade de ser mãe de adolescentes: você é a pagadora oficial de mico, pagamento este rateado entre seus filhos. E simplesmente não consigo me lembrar quando foi que isso passou a ser assim, porque teve uma época – sim, sim, é remota, mas está na lembrança – em que eu era o máximo, linda e que tudo o que fazia era apropriado.

Filho pequeno é uma benção pra auto-estima; filho adolescente é uma tarja de aviso do quanto a gente é ridícula. Velha ridícula, sabe como? Aquela espécie de velha ridícula que foi à nossa formatura do segundo grau (é, gente… era segundo grau na minha época) e dançou como se não houvesse pessoas olhando. Pois é… essa mesma.

 

Ela diz:

o cara que me ligou agora tá a fim de mim… só que ele vai a show gospel e eu tenho mó preconceito

Ele diz:

show gospel não rola

Ela diz:

cara… e não é?

Ele diz:

intraçável

Ela diz:

não é preconceito, é?

Ele diz:

nào

Ela diz:

o carinha é legalzinho mas essa coisa de show gospel é um treco entranhado

Ele diz:

é… estranho

Ele diz:

é tipo que nem vc jogar pólo aquático (que logo logo será polo-aquático)

Ela diz:

cara… não sei se é como jogar polo aquático

Ele diz:

(Não queira jogar pólo-aquático)

Ele diz:

pô crente não dá… sério mesmo… mas eu sou católico rsrsrssrsrsrsrsr

Ela diz:

olha… o problema não é ser crente, o problema é ir a show gospel

Ele diz:

o problema é o show gospel… é estranho

Ela diz:

cara… até podia ser crente, mas tinha que abominar show gospel

Ele diz:

é tipo um monte de gente cheirando o cc um dos outros e falando Jesus 

Ela diz:

tipo assim… acho que o sujeito pode ser católico, mas não pode gostar de ir ao show do Marcelo Rossi… não posso sair com um cara que vai a show do Marcelo Rossi… não dá

Ele diz:

É…

 

Algumas coisas

  • Mudaram o layout do Google Reader e eu detestei.
  • Mudaram o layout do painel do Wordpress também… mas esse ainda não sei se detesto.
  • A impressão que tenho é que colaram uma sexta na outra. Mas fiz tanta coisa entre essas sextas… tá estranhão.
  • Durmo no carro, a caminho do trabalho. Horrivel! Durmo na volta, também. Aí, porque por um milagre cheguei em casa mais cedo, quando deito na minha caminha gostosa, não consigo dormir. 
  • MSN tem sido um sacrifício. Um sacrifício que não tenho enfrentado, a bem da verdade.
  • Não tenho tido muitos papos-cabeça-inspiradores também não.
  • Falei que minha catiguria fez uma greve que durou 64 dias?
  • Acho que foram 64 dias… não tenho bem certeza, mas foram mais de dois meses. Caraca, não aguentava mais.
  • Agora estamos recebendo processos represados durante todo esse tempo. Delícia das delícias!
  • Vício é uma coisa estranha. Atualmente, estou viciada em bolinhas de homeopatia.
 

Tenho vergonha

Já presenciou um papinho entre pessoas auto-justas? Cada uma delas querendo mostrar o quanto são piedosas/boas/honestas/moralistas/higiênicas, ou qualquer outro adjetivo virtuoso que se queira enfiar aqui (ui! “enfiar” não é uma palavra boa pra esse povo!)… gente, isso me mata de vergonha.

E uma conversa entre pessoas que querem emagrecer? Ah, todo mundo tem uma dieta infalível, um método perfeito, um jeito especial de tirar o miolo do pão e de escorrer o óleo do pastel e de usar o leite condensado mais parcimoniosamente… isso também me deixa com vergonha.

Também tem o papinho daqueles que têm sempre a última novidade sobre a vida alheia. Rapidamente passam da separação de fulana pro namoro de sicrana, partindo pra reconciliação de beltrana com o marido canalha, seguido de quem colocou chifre em quem… ai, ai… vergonha, vergonha.

E todo mundo tem fórmulas, não é? Todo mundo tem soluções. Todo mundo sabe como agir e não titubeia. Incrível!

Sei lá… melhor ficar calada mesmo.