É a Mãe!

Blog da Claudia Lyra

Arquivos: maio/2008

Pois é…

Por Claudia Lyra | 05/05/2008, 21h28

… esse vai ser o último. Não vou mais ser blogueira.

Sempre falei que blog era diversão e que, quando não fosse mais divertido, eu pararia. E não tem sido mais divertido. Não tem mais graça.

Blogar tem sido, na verdade, estressante. Talvez porque tenha perdido por completo a espontaneidade. Não consigo mais ser natural, não consigo mais simplesmente sentar e escrever o que vem à cabeça. É claro que sempre existiu um certo auto-policiamento porque, afinal, eu não escrevia qualquer coisa no blog. Mas, de uns tempos para cá, esse policiamento é tão grande que é impossível continuar sendo uma atividade prazerosa.

Então… é isso. Valeu pela audiência, pela amizade demonstrada por tantos. Valeu pelos momentos que blogar foi uma alegria. Beijos para todos que, porventura, passam por aqui. E chega… sou emotiva… daqui a pouco começo a chorar…

Eu gosto de responder aos comentários

Por Claudia Lyra | 05/05/2008, 12h46

Porque eu leio cada comentário com atenção mesmo. E gosto de responder de uma forma que pareça a continuação de uma conversa. Não quero dar respostas-padrão.

Então que tenho lido os comentários do pessoal, mas não tenho tido tempo de responder. Não do jeito que eu gosto de fazer. E isso tá me deixando aflita, porque parece que não dou a importância que o comentário merece.

E o que tem de melhor num blog é o sistema de comentários. E eu sempre me sinto desanimada de continuar lendo um blog em que o blogueiro não responde aos comentários. E começa que estou me sentindo assim: como uma blogueira metida que não liga pra ninguém.

Vou dar um jeito… vou dar um jeito…

Mukhtar Mai

Por Claudia Lyra | 03/05/2008, 01h49

Mukhtar Mai foi desonrada. E de uma forma que é praticamente inimaginável para minha cabecinha de cristã ocidental. Mas, infelizmente, a desonra pela qual Mukhtar Mai passou é bem comum para mulheres de sua etnia: o estupro coletivo.

Pois é… a corte de uma tribo no Paquistão condenou essa mulher, na época com cerca de 28 anos (a idade é presumida, pois não se mantém registros de nascimento nessa localidade), a ser estuprada por quatro homens por um “crime” cometido por seu irmão de 12 anos. O menino, segundo relatos desencontrados e sem consistência, teria sido visto conversando com uma mulher pertencente a uma casta superior. A “pena” foi aplicada na mesma hora, diante dos familiares de Mukhtar Mai.

Até então, a maioria das mulheres que passaram por esse tipo de abuso escolheu o suicídio como maneira de aplacar seu sofrimento. Mukhtar também pensou em se matar, mas foi impedida pela mãe e por seus outros parentes. Passado o desespero do primeiro momento, Mukhtar buscou a justiça do seu país a fim de que seus estupradores fossem punidos. Ela foi bem sucedida, o que fez com que seu caso se tornasse exemplar.

O relato do livro parece um desfile de absurdos, começando pela descrição do que seria um crime para os homens paquistaneses até chegar à condenação em si. Lendo o depoimento de Mukhtar, ficamos sabendo que a motivação dos abusadores foi muito mais política do que qualquer coisa: reafirmação do poder tribal, truculência de uma casta que se julga superior à outra etc, etc. Mas, ainda assim, é chocante demais ler sobre a triste experiência dessa mulher. Principalmente se considerarmos que, no mesmo ano que Mukhtar foi estuprada, outros 804 casos de estupro coletivos foram registrados no Paquistão.

Entretanto, mesmo sofrendo tão cruel condenação, Mukhtar foi forte o suficiente para denunciar seus estupradores. E o que salta aos olhos é que, se ela conseguiu isso, foi porque teve apoio de sua família e de amigos. Também observadores internacionais apoiaram sua causa, o que forçou o governo do Paquistão a cuidar desse caso com atenção especial. Mukhtar transformou sua tragédia em benção: ela usou o dinheiro que recebeu de indenização, bem como contribuições de organismos internacionais atentos ao caso, para construir uma escola voltada para a educação de meninas na localidade onde mora.

Ler esse livro, em um primeiro momento, pode nos deixar desanimados com o ser humano. Mas, com uma leitura um pouco mais cuidadosa, percebemos que, por incrível que pareça, o bem realmente vence o mal. A pessoa, ainda que humilhada de maneira indizível, tem condições de transformar todo seu sofrimento em aprendizado e crescimento. É emocionante e inspirador observar uma frágil mulher – pobre, analfabeta e humilde – vencer um sistema maligno. Quem bom seria se todos tivéssemos essa força extraordinária.

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