É a Mãe!

Blog da Claudia Lyra

Arquivos: abril/2008

Tá na coisa ou na pessoa?

Por Claudia Lyra | 30/04/2008, 09h40

Onde fica a origem da tristeza? Nas coisas, nas situações? Dentro de cada um de nós?

Um amigo meu – bem bonito, por sinal – conta que, quando ele tinha uns 30 anos, estava bem empregado, ganhava bem, tinha carrão e quantas mulheres desejasse. Mas vivia melancólico e desanimado. Certo dia, ele caminhava do estacionamento onde tinha parado o carro até seu escritório, triste e arrasado. Daí, por trás de si, ele ouviu alguém cantando animadamente uma música do Roberto Carlos: “eu volteeeeiiii, voltei para ficaaaarrr… porque aquiiiii, aqui é meu lugaaaarrr”. Quando ele olhou para trás, viu que o autor da cantoria era um velho clunâmbulo* e com aparência bem pobre.

O carinha, ou a patricinha, que tem tudo que o dinheiro pode comprar, além de beleza, juventude e saúde, mas é infeliz, em contraste com alguém desprovido de todas essas vantagens, mas que tem felicidade – isso é tão clichê e, ainda assim, não se cansam de fazer livros e filmes com este tema. Sem contar o fato de que todos nós conhecemos alguém que preenche um desses perfis. O mundo tá cheio deles, principalmente os do primeiro tipo.

E quando a tristeza acaba? É estranho, mas a tristeza acaba também. Aquele meu amigo do início do post percebeu que, no momento em que ele viu o velho cantando de forma tão animada, a tristeza dele acabou. Ele conta que nem acreditou, achou que estava sendo fácil demais, e ficou por dias procurando a tristeza dentro dele. Mas ela não estava mais lá. Ele não conseguia mais se sentir desanimado, pra baixo. A expressão que ele usa é “parece que se desligou o botão da tristeza”.

Esses dias, estava eu conversando com uma colega de trabalho. Ela me contava, bem desanimada, que o sujeito com quem ela estava saindo tinha lhe dado um fora. O famoso pé na bunda. Eles não tinham exatamente um relacionamento, mas já tinham “ficado” algumas vezes. E ela estava muito triste, se sentindo rejeitada, feia, velha, bláblábláblá…

Eu só ouvia. Numa hora dessas, a gente não tem muito o que dizer, a não ser balançar a cabeça e emitir alguns sons guturais que soem consoladores. Mas, à medida que falava, ela mesma foi encontrando motivos pra se reanimar. Foi lembrando que tudo começou entre ela e o tal cara por iniciativa dele. Ele a procurava, ele buscava situações pra que ficassem juntos.

Percebeu que era sim uma mulher atraente aos olhos do sujeito. E, se ele não queria mais, paciência; ela lamentava, mas não tinha porque se culpar. Pelo menos o moço não simplesmente sumiu, pois teve a consideração de ser sincero com ela. E outra: ele pulou fora antes que ela se apaixonasse, o que também era uma grande coisa. Tudo isso foi saindo durante a nossa conversa. Palavras dela, eu realmente não precisei dizer nada.

No dia seguinte, ela me procurou pra dizer que nosso papo tinha sido ótimo, que ela não estava mais triste, que adorava conversar comigo. A situação continuava a mesma, mas parece que minha colega achou dentro dela o “botão da tristeza” e o desligou.

É claro que estou falando da tristeza normal, daquela melancolia que, vez por outra, nos acomete por causa de alguma frustração. Não é de depressão. Depressão é coisa bem diferente. Depressão é doença, possui diversos graus e precisa de tratamento médico. Não estou querendo raciocinar de forma rasa. Apenas digo que, em nossas tristezas e melancolias do dia-a-dia, a maneira da gente encarar o problema é, na maioria das vezes, o ponto-chave. Parece mesmo que a origem da tristeza tá na gente.

*Não me digam que não sabem o que é um clunâmbulo; clunâmbulo é aquele sujeito que, por não ter as duas pernas, se locomove arrastando o corpo com as mãos…

Abril e Maio são meus meses preferidos

Por Claudia Lyra | 28/04/2008, 12h04

Se vocês morassem na minha cidade, concordariam comigo. Meses deliciosos, com sol quentinho, dias lindos e noites frias. Quase não chove por aqui em abril e maio. Tudo bem que as chuvas só voltam mesmo com força total lá pra setembro, mas depois de maio começa a ficar muito frio.

E esse ano, abril e maio estão cheios de feriados, o que é bom também. Confesso que já gostei mais de feriadões. Os desse ano têm me incomodado um pouco, mas acho que é por conta do acúmulo de serviço. Tem gente que, se lesse isso, daria uma sonora gargalhada, já que é certo que o Juízo onde trabalho tem, comparativamente, muito pouco processo. Mas, ainda assim, esse monte de feriado tá deixando a coisa toda lá meio truncada.

Ontem eu fiz a prova do concurso do TJRJ aqui pra minha região. Não estudei nada, nada de nada mesmo. Pela primeira vez, fiz uma prova sem nem olhar pra matéria que ia cair. Por óbvio não fui bem, apesar de me surpreender com as questões de português, que estavam bem fáceis. Mas fazer essa prova foi bom pra me despertar a vontade de continuar fazendo concursos. Afinal, esse meu diploma tem que servir pra alguma coisa! E, puxa, tenho que aproveitar meu talento natural de ficar calma na hora da prova.

Sério. Fico super calma quando tô fazendo prova. Leio aquilo tudo lá, vou respondendo, mas nem parece que é comigo. Então… acho que é talento mesmo, porque não fico me condicionando pra ser assim. Simplesmente não fico pilhada e pronto. E isso ajuda pacas, porque tem tanta gente que sabe muito mais do que eu, mas, por causa do nervosismo, erra questão, não consegue completar a prova…

Estou super dispersa pra escrever. Penso em tanta coisa, mas não consigo dar continuidade. Ontem, vi Fantástico e pensei em postar alguma coisa sobre a morte da menina Isabella. Só que não tenho nada pra falar. E o melhor texto de todos os tempos sobre este assunto já foi escrito.

Também vi Faustão, o que sempre me deprime por me dar a medida exata da decadência do meu domingo. De qualquer maneira, o quadro Dança dos Famosos é uma delícia de ver. E eu também gosto das videocassetadas. Sou tosquinha, me divirto com pouca coisa.

Muitos assuntos e pouca coisa que quero dizer. Seria bom mesmo se eu pudesse ficar calada, emburacada em algum lugar. Quer dizer… em tese seria bom. Na prática, acho que cortaria os pulsos.

Aqui no Rio ainda é feriado

Por Claudia Lyra | 23/04/2008, 17h24

Sim, sim… só volto a trabalhar amanhã. Feriadão enooormeeee, já que o Tribunal enforcou a terça. Fazer o que, né?

Raquelete, com seu papai e sua mamãe, e Priti passaram o fim de semana aqui em casa. Um encontro de blogueiras em que não se falou de blog em nenhum momento, já que nossas maiores afinidades são outras e o fato de nós três termos blog é mera coincidência. Então a gente jogou War, Twister, pescamos trutas na Serrinha, fizemos churrasco, tocamos mal violão e cantamos. Aliás, aqui cabe uma notinha: a Raquel canta muito bem, tem uma voz linda.

Aconteceu outra coisa muito legal nesse feriado. Voltei a gostar de arrumar minha casa!

A casa onde moro foi construída por nós. Compramos o terreno, Marido fez o projeto e tocamos a construção. Tem uns seis anos que a gente mora aqui. Só que a gente acabou por descuidar um pouco da manutenção da casa e ela está cheia de infiltrações por causa de chuva. Cês sabem, né, que aqui só chove? Pois é… aqui só chove e tem enormes manchas de infiltração no meu quarto, na cozinha, nos banheiros e na salinha do computador.

Essas manchas de umidade horrorosas me desanimam muito. Talvez não tenha sido clara: as manchas me desanimam muito mesmo! E eu que, logo que mudei pra cá, não me cansava de comprar coisinhas bonitinhas pra casa, comecei a negligenciar isso. Tirei as cortinas da janela do meu quarto, não cheguei a colocar nenhuma no quarto dos meninos, larguei pra lá essa coisa de comprar roupa de cama bonita, toalha de mesa bonita, enfeitinhos bláblábláblá…

Mas quando a Raquel falou que vinha pra cá com a família, percebi que tinha que comprar, pelo menos, alguns lençóis novos. Os meus já estavam todos ferradões e desbotados. E lá fui eu pro shopping.

Gente, me empolguei! Comprei não só os lençois que precisava, mas um conjunto de edredom lindo pra minha cama. E toalhas de banho novas também, bem coloridas. Ah! E capas de almofadas novas, pra colocar no sofá. E isso foi só o começo.

No sábado antes deles chegarem, resolvi que tinha que recolocar a cortina do meu quarto. Dane-se as manchas de umidade! Também saí pra bater perna no centro comercial aqui da minha terra e comprei um colchão novo, de mola, pra minha cama, cortinas pro quarto dos meninos e um tapete pra sala. Comprei porta-retratos novos. E arrumei tudo, toda feliz e contente.

Estamos agora consertando os vazamentos (hoje o pedreiro vai colocar uma segunda caixa d’água) e vamos pintar as paredes. Quero pintar tudo de branco e, talvez, uma ou outra parede coloridona. Vamos ver.

Pois é… recuperei o gosto por arrumar minha casa. Estou me sentindo bem com isso, porque a casa, toda jogadinha do jeito que estava, só me deixava triste. Estou cheia de planos. De novo. Ai, isso é muito bom!

A quem a gente culpa

Por Claudia Lyra | 18/04/2008, 10h12

Hoje acabei de ler o romance Quando Nietzsche chorou. Confesso que me é difícil expressar como e com que intensidade as reflexões do Dr. Breuer sobre sua própria vida me tocaram. Talvez as semelhanças que vi entre esse personagem e eu sejam a explicação para o fenômeno. O certo é que estou emocionada.

Parece que também estou às voltas com um pensamento obsessivo. E, tal como Nietzsche perguntou a seu amigo Breuer, me pergunto: o que essa obsessão quer esconder? Em que evito pensar enquanto gasto energias com essa idéia fixa?

E todo meu ressentimento contra coisas aparentemente sem importância? Qual é a origem dele? Ou, como melhor concluíram os personagens do livro, o ideal seria perguntar: qual é o significado desse meu ressentimento?

No fim, me ficou a idéia de que a gente só é razoavelmente feliz quando encaramos nossa vida como fruto de nossa escolha. Nosso emprego, nosso estado civil, nossas crenças, nossa maneira de viver – ainda que nos tenham sido impostas pelas circunstâncias – têm que nos dar a sensação de escolha pessoal, de livre arbítrio. Precisamos da impressão de que só estamos nessa porque queremos e que, a qualquer momento, podemos mudar de vida e recomeçar do zero.

O que nos deixa infelizes não é, propriamente dito, a vida que a gente leva. Mas é saber que estamos imobilizados nela, sem chance de escapar. E só você tem culpa nisso… só você…

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