Vamos ser simples e diretos, por favor?
Por Claudia Lyra | 23/05/2007, 18h09
Tem treze anos que trabalho no fórum, nove destes anos no gabinete. E meu trabalho é coisa boba: basicamente, leio o que o povo pede pro juiz fazer e analiso se é possível atender.
Bom, pra pedir alguma coisa pro juiz em um processo é preciso ter advogado. Aliás, só é possível dispensar advogado em algumas ações do Juizado Especial de Pequenas Causas. Fora isso, tudo tem que ser pedido por meio de advogado*.
Então, se meu trabalho é, basicamente, ler o que se pede, o trabalho do advogado é, basicamente, pedir por escrito. Simples, né?
Pois é… poderia ser simples se os nobres causídicos não achassem que têm que enfeitar o pavão na hora de peticionar. Putz, vou te contar, viu! Se já é pavão, não precisa de enfeite, caramba!
Agora mesmo, peguei uma petição que, visualmente, parece mais o catálogo de fontes do Word for Windows. Acho que ele usou todos os tipos que estão disponíveis no editor de texto. Sem contar que tem frases coloridas no meio da petição, tem molduras, tem negrito, tem itálico. Caraca, um horror!
Aí, vencendo minha inicial repulsa pelo layout da coisa, vou para os argumentos. Ai, ai…
Sabe quando fica evidente que o pavão tá enfeitado para encobrir a falta de conteúdo? Sabe, né? Então… o pedido foi feito de maneira errada, deixou-se de juntar documentos essenciais e ele usou uma maneira super rebuscada para se expressar. Ugh! Nem vou falar dos erros de português, porque isso já é coisa recorrente mesmo, já me conformei.
Olha… simplicidade, concisão e boa técnica são coisas raras e não têm preço.
* o habeas corpus também, que pode ser impetrado por qualquer pessoa… eu sei, tá!


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