É a Mãe!

Blog da Claudia Lyra

Arquivos: setembro/2006

Coisa de mulherzinha

Por Claudia Lyra | 28/09/2006, 15h29

Cinco amigas passam à tarde juntas (também pode ser uma manhã). Quatro delas são casadas. Elas vão a uma cidadezinha pitoresca, visitam lojas, uma fábrica de chocolates está no percurso e, à noitinha, sentam em um barzinho bem movimentado pra um chopinho (mas isto é opcional, a cena poderia estar acontecendo na cantina da faculdade, comendo-se pão de queijo, tanto faz).
A conversa? Maridos e filhos. A solteira ouve tudo e ri muito. Ela tem namorado há uns três anos, mas é claro que não é a mesma coisa. Falam também da própria aparência, do desejo de emagrecer (ou de engordar), de fazer lipo, de colocar silicone. Mas, principalmente, elas falam de outras mulheres. Elas falam das mulheres que estão em volta: roupa, cabelo, bunda caída, peitão bonito. Elas falam das mulheres que não estão ali, mas que estudam ou trabalham com elas, ou que são suas vizinhas.
De repente, a conversa muda de rumo. Aí se fala de outros homens, não sobre maridos e namorado, mas os outros homens que elas convivem ou esbarram por aí. Muitas risadas. Cada uma tem aquele que, elas sabem, perderam o sossego apenas com um pequeno gesto vindo delas. Aquele que as elegeu como musas. Bom pra auto-estima; elas estão vivas, mesmo que comprometidas e felizes em seus relacionamentos.
Mas elas se consolam também. Todas têm suas agruras. Elas se apoiam e se compreendem. Com facilidade, em duas ou três frases, explicam sentimentos íntimos umas para as outras, dando sentido a coisas que motivariam tratados, livros. Mas elas entendem.
E os de fora observam e se maravilham. Como é possível tamanha integração? Nem elas sabem. E nem querem saber. Isso é pra ser vivido, só isso.
Alarde entre os misóginos: é possível amizade entre mulheres, tá!

Sozinha

Por Claudia Lyra | 26/09/2006, 09h12

Como alguns já sabem, minha casa é cheia de gente e bichos. É grande; não enorme, mas grande o suficiente pra ninguém ficar dando cabeçada uns nos outros. E é, também, bem clara e fresca. Gosto da minha casa, de estar nela. Gostaria mais se já tivesse terminado a construção dela, a parte de fora ainda não foi finalizada, mas por dentro ficou quase que do jeito que eu queria, uma coisa ou outra só que mudaria agora.
Bom… é tudo ótimo mesmo… só que tem hora que queria poder ficar sozinha… descobri que o único lugar que, eventualmente, tenho privacidade – privacidade pra cantar alto, pra chorar de raiva e de tristeza, pra sonhar acordada – é dentro do carro. Sinto falta “de um vão pra me esconder”.
Então… acho meio absurdo isso: você tem uma casa, um quarto, banheiro no quarto, mas se sente mesmo à vontade dentro do carro… não é certo isso.

Balangação de beiço

Por Claudia Lyra | 22/09/2006, 15h33

Acabei de ler o post da Menin@ onde ela manifesta sua opinião sobre o vídeo da moça famosa e do rapaz rico em amasso pra lá de ousado na praia. Aí, fui comentar o post, mas ficou tão grande o comentário que resolvi escrever sobre isso aqui no blog. Afinal, estava à cata de um assunto mesmo.
Em qualquer praia que a gente vá é possível encontrar casais em carícias bem quentes e esse vídeo só se espalhou pelo mundo porque a moça é famosa e o rapaz, rico. É horrível o que essa curiosidade pela vida dos VIP’s faz: pessoas perseguidas por câmeras só pra satisfazer a ânsia de novidades dos bisbilhoteiros. Não dizem que foi isso que matou a princesa Diana? Que ela tentou fugir das investidas de fotógrafos e, por conta disso, ocorreu o acidente fatal? E a Dickman, que ficou com essa fama de nojenta só porque não achou graça no assédio da turma do Pânico? Pois é…
Só que a moça famosa e o rapaz rico, os da praia, já estão carecas de saber as regras desse jogo. Afinal, se os paparazzi se interessam pela modelo-atriz-apresentadora que leva seu cãozinho pra passear na pracinha, imagina se não vão enloquecer ao perceber que o rala-e-rola de very important people tá rolando ali mesmo na praia? Acho uma desfaçatez o casal se indignar com isso agora. Por que não foram transar no carro então? Inocência numa hora dessas? Hum… acho que não…
A impressão que me deu – impressão, tá gente! – é que a moça famosa faz bastante esforço pra continuar assim, famosa. E que notou que pode conseguir permanecer no foco dos holofotes por, por exemplo, realizar um casamento-de-conto-de-fadas-em-castelo-de-creme com um grande astro mundial dos esportes, ou por expulsar a gritos uma das convidadas de sua festa de casamento-de-conto-de-fadas-em-castelo-de-creme, ou se separando pouquíssimo tempo depois do referido grande astro mundial dos esportes e, agora, por transar na praia.
E, se ela fizer mesmo o que foi noticiado no Globo de ontem, continuará em evidência por um bom tempo, como co-autora de uma ação de danos materiais e morais contra todos os que divulgaram o desditoso vídeo.
Então… são as buscas de cada um… vai lá saber o que tem na mente desse povo, né?

Adoção

Por Claudia Lyra | 20/09/2006, 13h40

Não é a primeira vez que falo de adoção aqui no blog, mas nunca entrei em muitos detalhes. Se não me engano, da outra vez que mencionei o assunto, foi só pra dizer que é o único tipo de processo que dá prazer em trabalhar.
É claro que quem procura o Poder Judiciário o faz porque quer resolver um problema. Os motivos, quase todos, são mazelas, coisas ruins. A adoção é uma exceção e tanto nesse repositório de infelicidade que é um fórum. Mas, ainda assim, é cercada de tantos tabus e preconceitos, o que faz com que esses processos sejam tão raros em nossos escaninhos.
O primeiro obstáculo à adoção não é um preconceito e, sim, um desejo natural do ser humano: a vontade de procriar, de ter continuidade genética por meio de um outro indivíduo. Falo genericamente, mas o natural é querer que os filhos se originem de nossas entranhas. Por isso que tanta gente gasta tanto tempo e dinheiro em tratamentos de fertilização. E é muito tempo mesmo, uma década, às vezes, sendo pouco. E, no fim, a frustração pode ser tão grande que às vezes até desanima a pessoa de tomar um outro rumo e adotar uma criança.
Outra idéia comum que afasta a muitos é a de que o processo de adoção é complicado e demorado. Olha, gente, no geral não é assim porque a adoção não é um processo que costuma ter “briga”. Quer dizer, o que ocorre normalmente é que ou há a concordância dos pais biológicos com a adoção, ou estes pais não são encontrados – ou não se interessam – para se manifestar. Então, não havendo o que chamamos de lide, não há muita demora. É um processo que deve ser conduzido de forma bem cuidadosa, uma vez que envolve coisa tão delicada que é a criação de vínculos de parentesco (e a desconstituição destes, também, da família original) e não pode ser levado a toque de caixa, por óbvio. Mas, se compararmos com outros tipos de processo, a adoção até que é bem rapidinha.
Agora, o que talvez mais afugenta um prospectivo candidato a pai/mãe adotivo seja a crença de que é impossível estabelecer um vínculo perfeito, tal qual o de pais e filhos biológicos, com aquela criança que você acolhe. Muitos acham que o adotado, depois de crescido, vai se tornar um ingrato, manifestando indesejáveis características de personalidade herdadas por via genética, e que, sem os “laços de sangue”, será insuportável o relacionamento familiar.
Bem… o realmente impossível é prever quando um filho, biológico ou não, vai causar problemas sérios para os pais. Não tem como saber isso. Não tem como olhar no rostinho de uma criança, seja ela qual for, e advinhar qual será a dela quando adulta.
Me deu vontade de escrever sobre isso por conta de uma audiência de adoção que aconteceu ontem aqui no trabalho. Os pais estavam tão contentes, amavam tão intensamente aquele filho, a criança estava tão feliz e segura com aqueles dois, que vou te dizer, é difícil não se comover e deixar de recomendar em altos sons: “Ei! Se você puder dar lugar a isso em seu coração, adote uma criança!” A gente pode falar tantas outras coisas sobre esse assunto, sobre como existe uma necessidade enorme de que pessoas se habilitem a oferecer lares substitutos para crianças abrigadas, em como a miséria seria diminuída se mais famílias se dispusessem a adotar etc, etc, etc. Mas o post ia virar um monstro de tão grande. Por isso, fico por aqui.
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