É a Mãe!

Blog da Claudia Lyra

Arquivos: junho/2006

Meu umbigo não é lindo?

Por Claudia Lyra | 30/06/2006, 15h11

Volta e meia a gente lê textos sobre como o ato de bloggar é uma coisa umbiguista. Sim, o blogueiro, em essência, ama seu dia-a-dia, suas opiniões, sua maneira de ver o mundo e, por isso, posta. E fica todo vaidoso quando o povo deixa comentário, qualquer que seja, porque, afinal, alguém deu atenção pra aquilo tudo que está ali.
Mas, essa vaidade do blogueiro não pode ser considerada invasiva. Ninguém é obrigado a ler blog. Ninguém pode coagir o outro a ler blog. Então, se você está lendo o que um blogueiro tem a dizer sobre determinado assunto, concordando ou não com ele, achando que o sujeito é uma besta ou uma sumidade no tema, detestando tudo ou adorando, não importa, você está fazendo isso porque quer.
Bom seria se todos os adoradores-de-seu-próprio-umbigo se manifestassem apenas em blogs. Que fossem pessoas bem “normais” no convívio diário, soltando a franga somente diante da telinha do PC. Porque, sinceramente, não tem troço mais chato do que aturar os que acham que a coisa mais interessante do mundo é a sua própria existência. Caraca!
Todo dia, para ir trabalhar, pego a Rodovia Presidente Dutra, quarenta minutos pra ir, quarenta minutos pra voltar. E quase todo santo dia dou carona para uma colega. No carro somos três: meu chefe, a colega e eu. Bem, são oitenta minutos diários ouvindo a tal colega falar de sua própria vida.
Na ida, ela conta sobre sua vida doméstica e sexual (sim, porque a vida sexual dela nos interessa muitíssimo!): a gente fica sabendo se ela transou ou não com o marido na noite anterior; sabemos, também, que sua empregada, que está grávida de três meses, teve enjôo (ou não) de manhã e quais são as tarefas escolares que seu filho de dez anos ficou fazendo em casa. Na volta, ela tece o relatório de como foi seu dia de trabalho, quantas pessoas ela atendeu, quais conversas ela teve com seus colegas de sala.
É impossível mudar de assunto, impossível! Mesmo porque nem eu e nem meu chefe somos grandes faladores, não somos páreo pra ela. A sujeita, além de se achar o centro do universo, fala que nem pobre na chuva. Um horror! Pra piorar tudo, a dita ainda tem um problema de dicção que a faz chiar a cada sílaba. Parece uma panela de pressão!
Que coisa… a gente já tentou de tudo. É claro que não vamos deixar de dar carona pra moça porque, afinal, é muita sacanagem deixar a bicha vir de ônibus. Mas, que é bem irritante, tem hora, ah, isso é! Agora, pra ficar um pouco de fora daquele umbigo, corro pra chegar ao banco de trás do carro antes que ela. Venho mais sossegadinha e deixo o pepino pra chefito aturar. Aí, ela vai contente, falando sem parar no ouvido do pobrezinho. Hehehehe… e eu… bem, tem dia que até durmo.

Queria que fosse fácil controlar sentimentos

Por Claudia Lyra | 28/06/2006, 16h27

Porque é irritante se sentir à mercê das emoções. Seria bom se fosse tão simples como é controlar o músculo do braço ou dos dedinhos do pé, pra gente se poupar de muita aporrinhação. Falaríamos assim: “hum… isso tá me cheirando a furada” e pronto! Não nos permitiríamos sentir.
É possível até não agir de acordo com os sentimentos. Procurar ser racional. “Não vou entrar nessa, apesar de me sentir tão atraído”. Isso dá. Acho que todos fazem isso várias vezes por dia. A gente vê um enorme pedaço de torta alemã, com aquela calda quente de chocolate ma-ra-vi-lho-sa por cima. E você sente muita vontade de cair dentro, mas pensa que será mais legal entrar em algo mais sensual do que um maiô de elanca nas férias de verão e que, pra isso, você tem que emagrecer. Então você não come. Ou você ouve do seu chefe observações sarcásticas sobre a hora-extra que você será obrigado a fazer e tem vontade de partir a cara dele. Mas, daí, você pensa que uma demissão por justa causa acompanhada de um processo criminal por lesão corporal não é positivo pro currículo de ninguém e segura sua onda.
Só que fica na vontade. Aí – droga – fica aquele sentimento martelando. Você pensa em outra coisa, você discursa pra si mesmo mostrando como foi correta sua decisão de não se deixar levar pelas emoções do momento, mas o coração tá lá, desassossegado.
E começam as recriminações. Por que sou assim?!?!? Por que não esqueço isso?!?!? Será possível que não vejo que é idiotice sentir dessa maneira?!?!? E por aí vai…
Definitivamente, queria um botão “on/off” pra meus sentimentos. Não é deixar de sentir, nada disso! É desligar sentimentos que amarguram, deixando ligados só os que fazem bem.

Então é isso que estava lá dentro?

Por Claudia Lyra | 26/06/2006, 17h15

De uns tempos pra cá, escrever tem sido pra mim um exercício de enxergar sentimentos. Desde sempre, quando meus pensamentos estão tumultuados, quando estou inquieta sem saber exatamente o porquê, procuro parar e refletir sobre o que está acontecendo. Muitas vezes, essa reflexão basta. Mas, tem horas que a gente mente pra si mesma, não é? Aí, a inquietação não passa, não vai embora.
Então, descobri que escrever ajuda. Obviamente, escrever da maneira mais sincera possível, mesmo que tudo seja meio doloroso. É como fazer um curativo. É como esvaziar um saco de quinquilharia. Ou, como arrumar uma gaveta grande e funda. É chato, mas tem que ser feito, senão infecciona, senão a gente corre o risco de carregar um peso inútil, senão pode ser que a gente perca o que é importante no meio de um monte de coisa que não vale nada.
Então, a gente vai lá e começa a despejar idéias na tela branca. Um pensamento puxa o outro, claro. E fica sem nexo. Ou a gente olha e diz “cara, isso é mentira!”. Arruma o texto. Volta a se lembrar do compromisso de falar “somente a verdade, nada mais do que a verdade”. E relê. E pensa “não ficou bom, mas está mais de acordo com o que tem dentro de mim”.
Depois, com o texto pronto, a gente olha e chega a conclusão que era aquilo mesmo que estava incomodando. É aquele sentimento mesmo que não conseguiu ser digerido ou porque a gente não o entende, ou porque tem vergonha dele, ou, ainda, porque é mesquinho e sentimentos mesquinhos nunca encontram lugar confortável para eles.
E escolhe guardar de volta algumas coisas; outras, a gente olha e vê que é lixo mesmo. E acaba por ficar mais leve.

Coadjuvante

Por Claudia Lyra | 24/06/2006, 02h13

Tem gente que não nasceu para ter o papel principal, não é mesmo? Por exemplo, dá pra imaginar a Isabela Garcia protagonizando alguma novela e que, ainda por cima, tenha como atriz coadjuvante a Malu Mader? Não… é uma subversão da ordem natural das coisas. A Malu é a mocinha, não tem jeito. Pra Isabela sobra a personagem de melhor amiga.
Ei, isso é televisão! E a gente não vai querer comparar televisão com vida real, né? Mesmo porque, até mesmo na seara artística, gente que é sempre um secundário nas novelas, tipo o Pedro Paulo Rangel, pode ser o principal no teatro. Afinal, ele não tem aquele jeitão de galã, mas é excelente ator, se defende bem no “ao vivo e a cores” das produções teatrais.
Tá certo… só que não me larga a sensação de que existe essa distinção também no dia-a-dia fora da dramaturgia. A impressão de que tem gente que vai ser sempre a “melhor amiga” e nunca a “mocinha”. Que existem aqueles que estão sempre ali pra ouvir o que o protagonista tem a dizer, pontuando o diálogo com uma ou outra tirada inteligente que faz pensar. É o conselheiro, o ombro-amigo, a pessoa super legal. Mas, não tem muita importância na trama. Tanto que, na maioria das vezes, nem participa da cena final, aquela em que o par romântico encontra o nirvana do amor.
Geralmente, esse personagem secundário tem uma vida bem legal. Tem estabilidade, provavelmente tem família e emprego seguro. Não é nem feio nem bonito. Não tem grandes dilemas, não tem grandes traumas. Isso é coisa de protagonista: crises, incertezas, o “ser ou não ser”. O melhor amigo não. Afinal, se o melhor amigo começar a ter pitis existenciais, pô, aí não vai servir ao propósito de sua existência, que é dar o suporte necessário que o personagem principal precisa.
Nas telenovelas, as idas e vindas emocionais dos mocinhos e mocinhas chegam ao the end da felicidade completa. Acaba a produção artística, mas a gente pode fazer uma viagem mental e imaginar como seria a vida dos personagens depois daquele fim: o casal principal, em seu ninho de amor, vivendo a exultação de ter um ao outro num êxtase sem fim; os coadjuvantes continuando a levar a vidinha de sempre, tão estável e sem graça. Nem precisa falar que mocinho e mocinha simplesmente nem lembram mais que o melhor amigo coadjuvante existe.
E na vida real também é assim. Não… não é culpa dos atores principais, por favor, não me entendam mal. Só que já passaram todas as dúvidas, ninguém mais está em crise, ninguém tem dilema. Então, não tem mais necessidade de diálogo com o coadjuvante. Cada um, agora, leva sua existência na boa, porque, afinal, o nirvana tá aí mesmo é pra ser aproveitado. E, puxa vida, o coadjuvante entende, né? Ele tem a cabeça tão boa…
Mas, tal como na arte, no mundo real as coisas se repetem. Assim como a Malu Mader já protagonizou um monte de novelas e mini-séries sempre com a Isabela Garcia a seu lado, aqueles atores principais da “comédia da vida privada” voltam a atuar em grandes produções, cheias de dramacidade. E vão poder sempre contar com seu elenco de apoio. E sabe por que?
Porque o bando de coadjuvantes encontra emoção na vida acompanhando as loucuras e instabilidades de seus amigos-personagem-principal. Ai, meu Deus, não é só egoísmo, que isso! O secundário ama o principal, de coração. Fica arrasado com seu sofrimento, fica felicíssimo com suas conquistas. O coadjuvante sinceramente se esforça pra ser de ajuda ao mocinho e à mocinha, porque os ama mesmo. Mas, fala sério, não é tão legal ver que aquelas pessoinhas, tão interessantes e verdadeiramente brilhantes, vem até você em busca de conselhos? Claro que é! Tudo em você é tão estável que até te enjoa, mas você pode adicionar emoção à vida acompanhando os percalços do protagonista.
Aff… que horror! Quanta amargura…

Ô povo pra reclamar!!

Por Claudia Lyra | 21/06/2006, 17h38

Que coisa, gente! Passando eu por uma grave crise de inspiração, sem ter a mínima idéia sobre o que escrever, resolvo colocar um mooooonteeee de foténhas pra vocês irem se distraindo, mas o povo dana a reclamar! Caramba! Não dava pra, simplesmente, dizer que sou linda, meus filhos são lindos, que tudo é lindo, fazendo cara de paisagem? Puxa vida… nem pedi sinceridade!
De qualquer forma, meu momento fotolog me rendeu uma historinha trágica: estava jogando Pangya e comecei a conversar com um rapazinho de 19 anos pelo chat do jogo. De início, não sei o que falei pro guri, mas ele achou que estava levando uma cantada minha. Então, ele me perguntou quantos anos eu tinha. Falei que tinha 37 anos. Aí, ele me perguntou quantos anos eu aparentava ter. Respondi que isso era difícil de dizer, mas que ele poderia vir a meu blog e tirar sua própria conclusão. Ele entrou no blog e eu caí na besteira de perguntar o que ele achou. Bem… ele disse que eu aparentava ser muito mais velha do que a idade que disse ter, pelo menos uns cinco anos mais velha. Aff… como isso é bom pro ego. :/
Ah! Por falar em blog, uma coisa que queria perguntar: O que vocês acham? O Sotaques deve morrer? Tudo bem que o bichinho só respira porque está ligado a aparelhos… mas, vocês acham que devemos praticar a eutanásia? Se possível, respondam a essa difícil questão lá nos comentários do último post do pobre condenado. Quem sabe se com uma injeção de coments o coitadinho ganha uma sobrevida?
Gente! Como a maioria das pessoas tem boa vontade com os bonitos, né não? Puxa vida… Junte uma pessoa bonita e outra feia pra caramba pleiteando qualquer atenção e você, fatalmente, vai ver que a bonita tem muito mais sucesso. Eita nós!
Tenho me divertido horrores com o orkut! Hahahahaha… as pessoas são muito engraçadas! Tem de tudo, né não? Tem crise de ciúmes, tem paquera, tem papo sério. Muito legal! Tá bom, tá bom, eu sei que orkut é um troço detestado por muitos, mas, fazer o que, eu tenho achado legal, tô me divertindo… :P
Bom… já viram que continuo enrolando… não sei sobre o que escrever. Mas, óia, eu conheço um monte de blogs sérios e com textos muito bons. Alguns, inclusive, estão nessa listinha aí do lado. Qualquer coisa, se quiserem uma sugestão, é só perguntar. Sinto muito, mas eu sempre fui uma enganação. Agora, não tô nem enganando…
Opideiti: Ô gente insensível, sem coração, desalmados!!! O “É a mãe!” fez um aninho ontem e ninguém lembrou!!!! Cruéis! Desamorosos!! Malvadões!!! Toca aqui: tô de mal com todo mundo…
Mais no Dialetica.org:
Creative Commons 2008 - 2012 Alguns direitos reservados • Dialetica.org utiliza WordPress 3.3.1 WordPress