É a Mãe!

Blog da Claudia Lyra

Arquivos: maio/2006

E aí…

Por Claudia Lyra | 30/05/2006, 15h51

… que achei que estava grávida. Mas, não estou. Que bom.
… que dormi tarde três dias seguidos e ontem estava pelas beiradas.
… que ontem à noite estava muito, mas muito pra baixo. Gente… que sensação horrível.
… que hoje tive um surto consumista e comprei três calças jeans pra mim.
… que é verdade que tem sentimentos meus que não confesso nem pra mim mesma.
… que é impressionante como os relacionamentos do “mundo real” estão perdendo terreno para os virtuais.
… que minhas provas de encerramento de semestre começam dia 06.
… que é capaz de me ferrar nas provas.
… que o post aí debaixo ficou terrível, fala sério! Grande, confuso, mimimi. Vontade de deletar. Mas, não vou deletar.
… que as pessoas estão perdendo a paciência comigo. Acho que já tô enchendo.

Sou espinhuda, não tem jeito.

Por Claudia Lyra | 27/05/2006, 18h10

Acho que ninguém que me conheça de perto me descreveria como frágil. Não demonstro muito minhas fraquezas, meus sentimentos tristes e detesto quando penso que outros podem sentir peninha de mim. É claro que fico triste e decepcionada, mas mantenho a cara de má. Por isso, os mais próximos, mesmo notando que estou arrasada, não conseguem se achegar para me oferecer consolo. Sou espinhuda demais pra isso.
Meus espinhos foram crescendo e se tornando afiados a medida que ia me tornando adulta. Mas, ainda criança, já espetava os que estavam à minha volta. E não é culpa dos meus pais, longe disso, eles foram carinhosos como todo pai e mãe costumam ser, sem muita melação, mas carinhosos. Eles tentavam me consolar das minhas decepções; eles foram as primeiras vítimas.
E outro dia me lembrei de um episódio desses, um momento em que precisei ser consolada. Ainda não tinha meus espinhos.
Eu era bem pequena, talvez uns seis ou sete anos, e tinha uma amiguinha de colégio muito achegada, daquelas de sentar junto na sala de aula, andar junto no recreio, essas coisas. Um belo dia, não sei porque, a tal menina parou de falar comigo. Juro, gente, que foi do nada. A garotinha, como só garotinhas nessa idade sabem fazer, simplesmente passou a me ignorar como se eu fosse invisível.
É claro que fiquei arrasada. Não conseguia compreender. Quando cheguei em casa, chorei muito.
Aí, veio minha mãe. Perguntou o que eu tinha. E eu contei. Puxa… minha mãe ficou mesmo comovida. Me sentou no colo dela e começou a falar de forma consoladora, aquela coisa toda que se fala para uma menininha da 1ª série que acabou de perceber o quanto outro ser humano pode ser cruel. Engraçado como me lembro disso… tem uns 30 anos, né não? Mas, eu me lembro.
Só que aquele colo, as palavras macias, todo aquele carinho começou a me incomodar mais do que o desprezo da minha ex-amiguinha. Caraca… comecei a me sentir mal naquela posição de fragilidade, precisando de afagos e atenção. Coisa horrível, eu me lembro da sensação ruim, me lembro de pensar que estava em uma posição ridícula e que não queria nunca mais aquilo pra mim. Já eram os espinhos nascendo.
Parei de chorar. Minha mãe perguntou se eu já estava melhor e eu disse que sim. E, nesse ponto, tudo se apaga da mente. Ficou só a impressão que expôr fragilidade é ruim, é vexaminoso.
Lembro também que me prometi nunca mais ficar triste por conta do desprezo alheio. Acho que associei a situação toda com o desprezo da menina, sei lá, mas não quero me deixar abater mais quando os outros passam a não me enxergar de uma hora pra outra. Não quero sofrer por conta disso.
Mas, a verdade é que sofro. Então, pra resolver esse impasse, eu mesma me consolo. Sou boa em encontrar palavras de encorajamento pra mim mesma. Sou ótima em justificar as atitudes alheias e me convencer que, talvez, seja só uma desatenção momentânea, nada pessoal.
E, quando nada disso funciona, quando tudo leva a crer que estou inconsolável e não reajo às minhas próprias palavras de afeto, me dou um broncão. Sim! Digo a mim mesma que é impensável me deixar cair por causa de uma coisa que, no fim, nem deve valer a pena, que eu devo me lembrar que não tenho tempo para auto-comiseração, que existem pessoas que dependem de mim, do meu trabalho, da minha saúde mental e que não vai ser agora que eu poderia desmontar. E, se resisto, vou logo mandando um “vai ficar de frescura, hein, hein?!?”
Até que tem dado certo. Tudo bem, tudo bem… não tentem fazer isso em casa sem um adulto por perto.

Da série (?) “Correspondência interceptada” – Constatações

Por Claudia Lyra | 26/05/2006, 01h10

Vc tocou num ponto chave! Interessantíssimo por sinal. Há tempos eu tmb já tinha reparado nisso e após meu penúltimo post (o “invisível” hehe”) notei que a maioria esmagadora só lê o inicio pra saber do que se trata e o final pra poder comentar algo. Isso é padrão de comentaristas!
Tá, confesso que tmb já fiz isso. Mas tem gente que SÓ FAZ ISSO e aí é foda, pois dá a impressão de que essa pessoa só tá atras de comentário, ou seja, comento no seu que vc comenta no meu.
Mas como todos aqui já somos macacos velhos (hauahua!) na arte de blogar, já sacamos que isso não irá mudar, então o jeito é preservar os comentaristas que valem a pena e bola pra frente.
Por falar nisso, acho que vou escrever algo como uma espécie de ‘O manual clichê do comentarista de blogs’, ou simplemente: ‘preguiça de ler muito’
hauhuahu!”

Bom… estamos esperando o manual, viu! (Ai… tô numa copiação de textos alheios… hehehe)

Aqui se fala de mãe, não é?

Por Claudia Lyra | 24/05/2006, 01h00

“(…) Com o Dia das Mães em meus calcanhares e com a minha própria história tomando rumos que nunca imaginei, tenho pensado cada vez mais no sentido da palavra mãe, no que ela representa, no que ela espera de mim e, principalmente, no que eu esperava dela. Tenho me dado conta do óbvio, que atrás dessa palavrinha tem um ser humano, cheio de qualidades, cheio de defeitos, para quem essa palavra também está repleta de significados e dores e cobranças e alegrias. Exatamente como está para mim. Para você. Para cada um de nós.
Não é uma relação fácil.
Não é uma relação tranqüila.
(…)
Mas talvez, só talvez, você seja o tipo de filho que, em sua própria cozinha ou na fila de algum restaurante, com flores e presentes na algibeira, saiba, com dor e espanto – porque dói e assusta – que você deve ser sua própria mãe, digam lá o que disserem o calendário dos comerciantes, as propagandas de tevê ou a sua super-agitada família, que se prepara para a data há semanas.
Você comprou o livro que a sua mãe queria, fez reserva no restaurante, assou o pernil, mas no fundo (e no raso) você sabe que deve beijar seus próprios joelhos esfolados e garantir a si mesmo que “quando casar, sara”, sabe que deve olhar para o reflexo no espelho e perguntar, apontando para a blusa e para a calça “Combina?”, sabe que deve afugentar sem ajuda de ninguém os monstros que moram debaixo da sua cama, sabe que deve preparar seu próprio mingau (ou seja lá qual for sua “comida de colo”), e, de barriguinha cheia e quentinha, embalar-se na cama, até adormecer.
Você vai lá brindar com o resto da família, lavar louça com suas primas, admirar o carro novo de seu irmão e beijar a velha na testa. Mas você sabe.
Mesmo sabendo, continue em frente.
E sorria, por nós dois.”
Fal Vitiello Azevedo em Sorria
E eu não me canso de roubar textos dessa mulher.

Andarilhos VI

Por Claudia Lyra | 22/05/2006, 13h20

Sim, sou louca, apaixonada, até mesmo deslumbrada, como alguns já me definiram. Mas, o que posso fazer?
Como resistir a tantas mentes brilhantes que compartilham suas idéias, medos, aspirações? Como não se apaixonar?
De forma andarilha, busco sempre os mesmos lugares e lamento profundamente quando não estão mais lá. Também acompanho outros andarilhos, indo aonde estes costumam ir, só para também passar a amar esses novos sítios e me habituar a estar ali.
Assustador? Cansativo? Não, é apenas prazeroso, mesmo quando as emoções que surgem não são alegres. Afinal, também fiz amigos preciosos que gostaria que me acompanhassem na trilha pelo resto da vida, ainda que o futuro nos reserve a ausência do virtual.
Será que é exagero meu? Talvez… Mas, não sou a única. Se me apaixonei pela idéias, outros se apaixonam por coisas mais palpáveis. E isso também os faz um de nós.
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