A primeira redação integrada que virou 100% online

@andremarmota; 26.07.10; 14:36; Divagações, Jornalismo; , , , , ; palpites: 0

No último final de semana, tive o prazer de conhecer pessoalmente alguns profissionais do jornal Gazeta do Povo, que seguem o caminho de outras redações mundo afora e buscam alternativas para integração entre equipes do impresso e o online. Tal situação, associada ao recente anúncio do fim da versão impressa do JB, me fez lembrar de um texto que publiquei no Comunique-se em maio de 2008, sobre o primeiro jornal brasileiro que passou pelas duas situações, num intervalo de tempo de dois anos. Não me parece que o panorama tenha mudado muito de lá para cá.

Suplemento que circulou na última edição da Gazeta EsportivaAs primeiras discussões envolvendo a integração de equipes num mesmo grupo de comunicação vieram com a digitalização da informação no final dos anos 80, antes mesmo do crescimento da world wide web. Apesar da longevidade, o debate está ganhando força nos últimos dias. A bola da vez é a BBC, que anunciou no final de abril a primeira etapa do processo de integração, reunindo equipes de rádio e TV num mesmo ambiente.

Ao mesmo tempo, uma pesquisa britânica concluiu que 3/4 dos editores de jornais no mundo vêem na integração das redações algo comum para os próximos anos. Conclusão semelhante à da professora da ECA-USP Beth Saad, que participou do 9º Simpósio Internacional sobre Jornalismo Online em Austin, Texas: “a integração operacional multimídia é irreversível; este é um processo extremamente dependente da cultura de cada empresa e geralmente ocorre de forma escalonada”.

No Brasil, as propostas em unificar redações ainda são tímidas. Recentemente, o jornalista André Deak ministrou um curso de jornalismo multimídia para profissionais do grupo Diários Associados em Belo Horizonte. Iniciativa semelhante está sendo preparada pela equipe do grupo A Gazeta, em Vitória, que há alguns anos já integrou a redação do site com a rádio CBN Vitória. Em 2006, a vice-presidente de Internet e Inovação da RBS, Sílvia de Jesus, revelou detalhes de uma experiência feita no verão daquele ano: um grupo de repórteres e editores dos jornais, das rádios e da TV planejaram, executaram e se revezaram numa cobertura 100% integrada. Mas não tive notícias de iniciativas semelhantes nos anos seguintes.

Ainda em 2006, O Estado de S. Paulo anunciou seu novo portal e reformulação da redação (cada editoria contava com dois editores, um para o jornal e outro para o site), sob a coordenação de Ricardo Anderáos, em projeto lançado como “inédito no Brasil”. O termo “pioneirismo” também poderia ser usado para o Grupo A Tarde, que começou seu processo de integração em setembro de 2003 nas mãos da jornalista Luciana Moherdaui. Mas nenhum destes casos tem histórico semelhante ao do jornal A Gazeta Esportiva, que experimentou as virtudes e os problemas de uma integração entre outubro de 2000 e novembro de 2001.

Poucas semanas após o encerramento dos Jogos Olímpicos de 2000, a superintendência da Fundação Cásper Líbero extinguiu a Gerência de Planejamento Corporativo, que coordenava os veículos online, passando o controle do site Gazeta Esportiva.Net para a Superintendência de Jornais. Assim, as duas equipes ocuparam o mesmo ambiente de trabalho, no 12º andar da Avenida Paulista, 900. Foi uma integração “forçada”: por um bom tempo, havia um preconceito velado entre as equipes, a ponto de cada uma contar com seu próprio chefe de redação: jornal era jornal, site era site.

Eram poucos os interessados em mudar a mentalidade, estreitar as diferenças e aprender com o novo. Alguns repórteres com mais de 20 anos de casa, acostumados a entregar laudas datilografadas, ficavam maravilhados ao constatar que, num clique, dois ou três parágrafos que seriam descartados no fechamento da página poderiam ser publicados instantaneamente. Mas não foi suficiente: o estímulo em discutir a “integração” veio com um novo choque: a demissão de um dos chefes de redação.

Foi com Geraldo Silveira, o último editor-chefe de A Gazeta Esportiva, que a integração começou de fato. Reuniões de pauta integravam as duas equipes, dando oportunidade a repórteres e redatores colaborarem nos dois veículos. Ao mesmo tempo, elementos exclusivos online – como o relato das partidas em tempo real e seções interativas de perguntas e respostas – ganharam espaço na edição impressa. No entanto, a busca por bons resultados na qualidade do produto final contrastava com o equilíbrio financeiro do jornal, que em 2000 teve prejuízo de R$ 6 milhões.

A estimativa de rombo em R$ 4 milhões para 2001 foi estancada em 20 de novembro: as duas redações trabalharam em conjunto até o mais antigo jornal esportivo do País deixar de circular. A mudança de suporte exclusivamente para os meios digitais tornou-se o terceiro choque inevitável: mesmo os profissionais desinteressados com o site foram absorvidos – até o primeiro grande corte, em março de 2002.

Mesmo atualmente, quando as discussões ainda se baseiam em modelos pouco avlaiados por leitores, empresas e equipes, a experiência da primeira redação integrada do Brasil nos faz concluir que as melhores propostas se baseiam em reuniões e treinamento com foco no fortalecimento do ambiente. Ou ainda no princípio da complementaridade, onde profissionais são convidados a trabalhar tanto online quanto offline, sem sobrecargas, cortes ou decretos vindos de cima para baixo.

Mobilizações no Twitter: #bemmisteriosa e #polartweets

@andremarmota; 08.02.10; 17:35; Ferramentas, Publicidade; , , , ; palpites: 0

Quem assistia ao Fantástico neste domingo se surpreendeu com um comercial enigmático. Um “paparazzo” fotografava uma loira boazuda, que se exibia na janela do apartamento à frente. Ao checar o resultado, uma imagem com os dizeres “bem misteriosa”, seguido de uma URL – www.bemmisteriosa.com.br (parece que fica melhor para a minha imagem se eu me limitar à revista eletrônica global, já que a mesma chamada foi veiculada durante o BBB…).

Mas enfim. O site não só mantém o enigma, como o estimula. Para que o mistério se resolva, é necessário postar no Twitter mensagens com a hashtag #bemmisteriosa, além de estimular outros a espalharem a “propagandinha”.

Entre mensagens replicando a pergunta e outras simplesmente impregnadas de spam, pessoas se mobilizaram para descobrir o autor da ação, como conta o Rafael Ziggy. Durante a segunda-feira, especularam algo relacionado à Geize Arruda, a eterna “moça do vestido rosa da Uniban”. Independente do que está por trás, a hashtag #bemmisteriosa já ultrapassou a marca de 20 mil, permanecendo entre as mais populares do Brasil.

Tal ação remete a outra, que ficou no ar nos últimos meses de 2009: o Polar Tweets.

Nesse caso, a atividade patrocinada pelo zoológico de Toronto estimulava pessoas a tuitarem mensagens relacionadas ao meio-ambiente, sob o risco de um iceberg virtual derreter, “afogando” um simpático ursinho polar. Quanto mais mensagens, maior e mais sólido o iceberg do ursinho. Basicamente, a diferença entre o #polartweets e o #bemmisteriosa é que o segundo apostou ainda em um comercial tradicional de TV, tentando arraigar novos curiosos num ambiente além das próprias redes.

Uma das observações que sempre costumo fazer em relação a dificuldades do Twitter diz respeito a fragmentação das informações: são muitos emissores, muitas vezes reproduzindo a mesma mensagem, e em muitos casos elas se perdem, sem qualquer visibilidade ou importância. Ao mesmo tempo, nem toda mobilização consegue ser bem avaliada, no fim das contas – afinal, qual foi o real impacto do #forasarney, por exemplo?

Ações como estas podem inspirar agregadores de mensagens, independente das plataformas de publicação, com intuitos diversos mas ligados a esta mobilização. Não me surpreenderia se algum patrocinador da seleção brasileira fizesse algo do gênero durante a Copa do Mundo. Sem falar, evidentemente, nas eleições – afinal de contas, já tem candidato adoidado quebrando a cabeça com o brinquedinho.

Ah sim, gosto muito da frase “tweet with purpose”, do Polar Tweets. Não tem nada de misteriosa nela, não?

Oportunidade à vista com o “boom” do iPad

@andremarmota; 05.02.10; 04:01; Jornalismo, Tecnologia; ; palpites: 0

Então a Apple decidiu aumentar o iPod touch, deixando-o do tamanho de uma folha sulfite. Lógico que, por trás desse meu conceito simplista, é possível observar umam porção de coisas, desde avaliações de comportamento até insatisfações de futuros consumidores – falta webcam, falta porta USB, não roda vídeos em alta definição, não roda Flash… Sem falar nos tablets concorrentes, como o protótipo do Google ou o já pronto ExoPC (juro que li “ExuPC” quando vi da primeira vez).

Longe desse turbilhão, o insight veio em algumas linhas deste artigo do Rafael Cabral, no Estadão. “… O nicho iniciado pelo iPad promete mais: a criação de um novo meio. Jornais e revistas podem criar conteúdo híbrido, com áudio, vídeo e gráficos, e os livros podem fundir-se, narrativamente, com os games. É a exploração do digital ao limite.”

Algo na mesma linha foi dito pela professora Beth Saad, no Intermezzo: “Os produtores de informação e entretenimento poderiam olhar tal processo evolutivo como uma vantagem competitiva que caiu de presente em seus quintais: um device convergente como o iPad agrega um mercado jovem, que considera o modo touch-lúdico como algo natural, com alto potencial de absorção de informações. Os NYTimes e Estadão da vida deveriam estar dando pulos de alegria…”.

Já deve ter gente pensando em como desenvolver conteúdos informativos atraentes, capazes de serem facilmente “navegáveis” num iPad. Um passo à frente dos exemplos reunidos aqui, pelo André Deak – usando um software batuta chamado Prezi, que merece um texto só pra ela.

Em tempo: desde a aquisição do Flash pela Adobe, há um certo “ranço” entre as empresas. Diz Steve Jobs que, de tanto travar, logo ninguém mais vai usar Flash. Mas isso é uma outra história.

Lost e a narrativa transmidiática de Henry Jenkins

@andremarmota; 03.02.10; 01:07; Entretenimento, Tecnologia; , , ; palpites: 2

Sem levarmos em conta um certo país da América do Sul, onde a maioria da polulação passou a terça-feira preocupada com um reality show, outros rincões do planeta alimentaram a expectativa para o início da sexta e última temporada da série Lost. Confesso que assisti a alguns episódios no início, e a única conclusão que cheguei na época foi: “será como a boa e velha piada do Chu: muito desenvolvimento para um final sem molho”.

Talvez eu esteja errado – os fãs certamente me crucificarão. Mas há algo na série que precisa ser lembrado por qualquer profissional de comunicação. É o que Henry Jenkins define, no livro “Cultura da Convergência”, de “narrativa transmidiática”.

Independente do termo, é fácil entender – a revista Superinteressante inclusive já dedicou uma capa, há três anos, ao efeito provocado por Lost (texto do Tiago Cordeiro). O programa, que pode ser encarado como uma série limitada à TV, se transformou graças à web. E não me refiro apenas aos milhões de fãs buscando as melhores opções de streaming ao vivo, ou aos abnegados que passam madrugadas traduzindo episódios, redigindo legendas e, simultaneamente, encapsulando gravações em codecs para download.

No caso de Lost, há uma gama quase infinita de opções. Algumas delas criadas pela própria rede norte-americana ABC: produção de mini-episódios próprios para plataformas mobile sites “oficiais” da iniciativa Dharma e da empresa aérea Oceanic são os exemplos mais simples. Há ainda as iniciativas dos próprios usuários – como a Lostpedia, que conta com os espectadores para preencher as infinitas lacunas deixadas pelos sobreviventes perdidos numa estranha ilha.

Pode ser que você nunca tenha visto Lost – mesmo quando a Globo exibe, tratando de revelar detalhes da história antes de exibir os episódios. Mas está cada vez mais difícil pensar em produtos voltados ao entretenimento sem esquecer as múltiplas pontas possíveis, dentro e fora da web. Isso quando não vem à cabeça outra pergunta: será que isso cabe em produtos jornalísticos?

Atualizado: Nesta sexta-feira, o especialista no tema Jeff Gomez deu uma palestra sobre o tema – quer dizer, sobre “transmedia storytelling”… – na Rede Globo. Basicamente, reforçou o conceito, contando sua experiência com o filme Avatar: “mensagens, conceitos, para uma audiência em massa, para usuários de múltiplas plataformas. A história está no meio, as plataformas estão em volta e tudo vai para o público. É mais do que uma plataforma cruzada, é desenvolver a história. Com a transmídia, a história pode ir para a internet e a audiência começar a comunicar de volta”. Mais aqui.

Twitter já era. É o que diz Tyler Brûlé.

@andremarmota; 01.02.10; 16:16; Jornalismo; , , , ; palpites: 0

Passei alguns dias longe de blogs, Twitter, celular, etc – seria ótimo se todos pudessem ter essa oportunidade um dia. Mas isso não me deixou totalmente distante dos assuntos relacionados a essas coisas todas. Num encontro com meu amigo Arno Rochol, da DW-Akademie, tomei conhecimento deste artigo do jornal alemão Die Zeit.

É uma entrevista com o jornalista Tyler Brûlé, publisher da revista Monocle e considerado um empreendedor de sucesso no universo da mídia. Com um título bem chamativo: algo como “Twitter já era”.

Num primeiro momento, dá pra fazer conexões com as idéias discutíveis Andrew Keen e seu questionamento aos “amadores”. Brûlé observa que marcas globais, como a BBC, mantém seu público e estão bem economicamente. Ao mesmo tempo, são estes que se tornam as “vozes confiáveis” diante da quantidade desenfreada de conteúdo disponível.

Mas alguma coisa em seu discurso faz sentido. Concordo quando ele diz que “não é porque uma tecnologia é nova, vamos adotá-la”. É o caso do Twitter, que funciona bem para medir o feedback do público, mas fragmenta conteúdos, deixa-os redundantes… Sem falar naquilo que não é devidamente apurado. E em sua visão, isso prejudica qualquer bom negócio em comunicação.

Lógico que é possível contra-argumentar de diversas formas. Mas antes do Twitter ficar ultrapassado (para o bem dos empresários da mídia, dispostos a preservar seus negócios), ainda teremos muita gente aprendendo a movimentar comunidades, estimular participações, estabelecer audiência… Nessa toada, por que não pinçar a discussão sobre qualidade da informação e transportá-la para as mídias sociais? Não é uma alternativa para fortalecer, de alguma forma, o “culto ao amador” questionado por Keen e Brûlé?

E se você soubesse quem ganhou a Mega-Sena?

@andremarmota; 09.01.10; 10:18; Jornalismo; , ; palpites: 1

Esta nota do Comunique-se, publicada pelo Rafael Menezes, surgiu num bate-papo despretensioso. Na manhã de terça-feira, o Jornal da Tarde publicou uma extensa reportagem com o perfil do aposentado de 78 anos que tornou-se um dos novos milionários do Brasil.

Méritos, evidentemente, para a repórter Flávia Tavares, que apurou a história. De qualquer forma, fico imaginando se houve algum debate na redação: até que ponto vale a pena publicar nome, endereço, hábitos e outros detalhes de um sujeito que, a partir de agora, pode ser visto como um alvo fácil, independente das intenções de quem o procure – podemos imaginar as piores possíveis.

Os especialistas ouvidos pelo Rafael foram unânimes em destacar a diferença entre “interesse público” e “interesse do público”, entre “direito à informação” e “direito à privacidade”. Um dos comentários, da Marta Julião, vai fundo em nossa condição humana: “a imprensa expôs o ganhador de Santa Rita do Passa Quatro porque trata-se de um jardineiro, idoso e, até então, pobre. Aposto que se fosse um médico, um político ou alguém importante, a discussão sobre ética teria ocorrido na reunião de pauta. A imprensa tem medo de errar com ricos, mas quando é com pobre a conversa é outra”. Será?

E você, se soubesse os detalhes de um ganhador da Mega-Sena, publicaria em seu veículo – seja ele um jornal ou uma conta no Twitter?

Boris Casoy, falta de respeito e liberdade de expressão

@andremarmota; 07.01.10; 02:28; Jornalismo; , , , ; palpites: 1

Não vou ser mais um a reverberar algo que já não precisa ecoar mais. Prefiro usar as palavras do Raphael Perret sobre a frase infeliz de Boris Casoy na virada do ano: sem a força das conexões a partir de redes formadas por YouTube, blogs, Twitter e outros, o discreto áudio desancando os garis passaria despercebida, como outras arapucas criadas por microfones abertos num passado recente. Dessa forma, a responsabilidade sobre o que é dito, no ar ou não, é cada vez maior.

Lógico que ele errou feio. Achei que o pedido de desculpas, jogado no meio do telejornal, foi muito discreto. Agora, é complicado qualquer posicionamento extremo diante do episódio: diante de tanta repercussão por aí, vi gente defendendo-o com um argumento simplista (“quem nunca errou diante de um microfone antes, é muita hipocrisia, bla bla bla”). Além da maioria, evidente, aproveitando para proferir todos os adjetivos possíveis ao apresentador.

O gancho que quero buscar aqui é o da falta de respeito. Pense comigo: qual a razão de qualquer um ao desqualificar alguém de “pulha”, “viado”, “covarde” ou qualquer coisa do gênero? Assumir tal postura é agir da mesma forma errada que está sendo questionada – ou seja, burrice. É possível falar o que se pensa usando para isso os argumentos e as palavras certas. Nesse quesito, sinto saudades do A Nova Corja. Chamavam Yeda Crusius de “desgovernadora”, mas sempre diante dos fatos. Não era gratuito.

Uma das razões que fizeram o blog acabar foi o volume de processos judiciais contra os autores. Alguns deles – pasmem – movidos por jornalistas incomodados. Esquecem de usar sua arma mais eficiente, o discurso, e convocam advogados, sem pensar duas vezes. Não se espera isso de um telespectador indignado com o Boris Casoy; mas de um jornalista, sim.

Imagine, por exemplo, um comunicador que se apóia na “liberdade de expressão” para ir além da análise dos fatos e, ao afirmar que uma matéria apresenta viés político diferente do seu, aproveita para dizer que “esse repórter é um racista corrupto que merece uma surra”. Aproveita para associar um comentário ofensivo anônimo ao mesmo repórter, o que ampliou ainda mais sua carga de xingamentos. Isso aconteceu com o Maurício Savarese recentemente. Vejam que, nesse caso, quando ele aciona a Justiça em busca de seus direitos, faz sentido. Não é, nem de longe, censura à blogosfera, como alguns blogs trataram de alardear.

Você pode dizeer que Boris Casoy é uma vergonha, claro. Também pode dizer que a imprensa é petista ou tucana. Apontar erros e promover discussões a partir deles nos tornam pessoas melhores – ou seja, que erram menos, não perfeitas. Faço minhas as palavras do Savarese, empunhando a bandeira do respeito como base para a liberdade de expressão: “a blogosfera surgiu para provocar debates e difundir ideias, e não para ganhar no grito”.

Ainda sobre blogs e liberdade de expressão, veja essa matéria da IstoÉ, assinada pela Verônica Mambrini, que resume os episódios mais significativos sobre essa discussão em 2009.

Mídia social e as chuvas do reveillon

@andremarmota; 05.01.10; 01:10; Jornalismo, Tecnologia; , , , , , , ; palpites: 0

Você sabe quais são as duas editorias de maior audiência em qualquer portal? Uma é “Celebridades” e todas aquelas coisas estranhas do tipo “Ator Global atravessa a rua no Leblon”. A outra, sucesso desde sempre, é a “Tocando Terror”. Quando as duas se juntam, temos a impressão que não se fala em outra coisa. Foi assim nos primeiros dias de 2010, com os deslizamentos em Angra dos Reis.

É inegável que, mesmo nos primeiros instantes, quando não há informação suficiente para entender o que se passa – extensão do problema, número de vítimas – há uma correria em busca de histórias de vida, para humanizar o fato – e aqui não vou entrar no mérito da tragédia numa pousada de luxo ganhar mais espaço em telejornais do que uma tragédia de “classe CDE”, por exemplo. Prefiro me ater ao uso do bom (e já velho) “envie sua notícia”. E quando celebridades o fazem, o que acontece?

Uma discussão frequente diz respeito a essas notas curtas e rápidas baseadas em atualizações do Twitter: “celebridades comentam algo que você também comentaria”. Enquanto refletirmos se isso é algum tipo de “jornalismo preguiçoso”, todos os sites dão notas do gênero – e ai de você se não fizer.

O que costuma faltar, nesse tipo de correria, é um tempo para procurar histórias e contá-las. Certamente foi esse o diferencial de um redator da Folha Online ao lembrar de um expediente comum: o cliente que, por alguma razão qualquer, não estava lá.

Foi assim que, naquela tarde do dia primeiro, o repórter encontrou o blog do jornalista Mario Marques. Pouco antes de pagar o pacote de reveillon na Pousada Sankay, em Ilha Grande, sua esposa o fez desistir: não há hospital na ilha, o que seria ruim para a filha de dez meses.

Entre tantos rostos e histórias relacionadas a essa tragédia, essa foi a mais veloz a ser contada. Graças ao poder das mídias sociais – e a dos repórteres mais atentos, que não só encontraram a notícia como também conversaram com a fonte, como também fez o G1. Bem mais interessante do que dar uma pincelada em tuitadas, não?

Ah, sim, um apelo breve: por favor, não é necessário explorar mais a imagem da Yumi e seu violão, deixem-na descansar como merece.

Como escolher as melhores cores pro seu site?

@andremarmota; 03.01.10; 23:05; Ferramentas; , , , ; palpites: 1

Se você gostou do leiaute deste blog, você precisa saber de uma coisa antes de me cumprimentar: na verdade, ele nasceu bem mais feio.

Logicamente, ao mostrar meu trabalhinho porco para um designer qualificado, a resposta foi direta: “ARGH!”. Além de alguns detalhes óbvios como o serrilhado no logo, a combinação amarelo-verde-cinza ficou péssima.

Quem lida apenas com texto costuma tropeçar quando ataca de “webmaster”, especialmente no quesito design. Em circunstâncias ideais, a alternativa profissional é contratar alguém com sensibilidade suficiente para transformar a alma do site – sua identidade e conteúdo – em algo visualmente agradável. Como nem sempre isso é possível, e dificilmente haverá tempo para estudar psicologia das cores, fui apresentado a um “segredinho”.

A partir do site Color Scheme Design, é possível trabalhar com tons de cores que combinam entre si, sejam elas do mesmo tom ou complementares. Esse “truque na manga” pode ser muito útil em situações como, por exemplo, naquelas reuniões da equipe de reformulação – ou você nunca ouviu do superintendente aquela sugestão de “usar azul, rosa e laranja”?

Mais um blog para eu não atualizar…

@andremarmota; 01.01.10; 22:17; Divagações; , , ; palpites: 1

Desde 2002 mantenho um blog pessoal e sem foco definido – na verdade, o foco sou eu. Desde o “casamento virtual” com a Luciana, abrimos outras frentes, relacionadas a temas que nos atraem, como novelas, relacionamentos e Copa do Mundo. Mesmo que as 24 horas de um dia não sejam suficientes sequer para atualizá-los como merecem, sentia falta de um espaço para pincelar (ainda que em ritmo lento) alguns assuntos que me interessam um bocado, ligados a comunicação, tecnologia, pesquisa, educação e suas intersecções.

Enquanto amadurecia a idéia, fiquei pensando num nome para este novo espaço. Lembrei de uma palavra que, quando ouvi pela primeira vez, causou estranheza. Não fazia idéia do significado da palavra “epistemologia”. Nem mesmo a Wikipedia ou o Aurélio esclareceram o suficiente. Só consegui refletir sobre o termo quando ingressei no mestrado acadêmico – o que, diga-se, também ajudou a abrir este blog.

Enfim, epistemologia é a ciência que estuda o conhecimento. Resumidamente, trata-se de “pensar o pensar”. Nada mais apropriado: muitas vezes somos obrigados a “automatizar” processos, sem refletirmos a respeito. Ou pior: seduzidos por discursos simplistas, caímos em “armadilhas” ao decidirmos por algum caminho mais fácil. Convido vocês a pensarmos juntos sobre nossos pensamentos!