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Xerxes, um rei ariano

Por Elis Marchioni | 07/01/2008, 15h25

Rei Xerxes e Rainha Ester

Visto como um rei tirano que se achava Deus no filme 300 (adaptação fiel aos quadrinhos de Frank Miller 300 de Esparta), a verdadeira história de Xerxes é bem diferente da ficção. Começando pela aparência, um rei persa não seria moreno e sarado como Rodrigo Santoro ou andaria seminu com piercings.

A Pérsia é o atual Irã, que no sentido étnico significa terra dos arianos. Há um erro brutal quando os confundimos com árabes. Etnicamente, os persas são indo-europeus. Não é à toa que o governo iraniano ficou mordido com os exageros do fime.

Xerxes é tido historicamente como um rei justo e pacificador. É por isso que as Batalhas da Termópilas, mais conhecidas hoje pela narrativa do grego Heródoto, não são o bastante para condená-lo à tirania.

Para mim, o que fica é sua história de amor com a rainha judia Ester.
(Resumo: O rei Xerxes expulsa sua esposa, Vasti, após esta ter desobedecido ao marido. Xerxes monta um harém de virgens, dentre elas a judia Ester, que esconde sua origem. Vários acontecimentos depois somados à lealdade de Ester faz com que o rei se case com ela. Mas um homem importante do governo, Haman, nutre ódio pelos judeus e planeja elimina-los da Pérsia. São muitas reviravoltas até que com ajuda de Mordechai, seu primo, Ester descobre e revela o plano a Xerxes. O tiro sai pela culatra, Haman é executado e Ester vive feliz com seu rei e a liberdade de seu povo. Na imagem representativa que ilustra este post, a coroa de Xerxes e a de Ester têm a figura da Flor de Lótus vista de cima, que representa o amor eterno.)

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Irã – costumes gastronômicos

Hoje, o Irã é um país islâmico, muito diferente da época de Xerxes, mas ainda nutre orgulho por sua identidade persa e honra sua cultura e costumes.

O povo iraniano consome muito arroz. Não o arroz condimentado com alho e cebola que conhecemos no Brasil, mas cozido em água e pouco sal. Preparado de diversas maneiras acompanha quase todos os pratos. Após o cozimento, alguns adicionam sementes ou outras especiarias, como a “zeresht”, frutinha cítrica de cor vinho, ou açafrão, que dá a cor dourada. Para acompanhar, os iranianos abusam de verduras, legumes e grãos, com abundância de iogurte natural em quase tudo. Diz uma lenda que o iogurte foi a alimentação de Gengis Khan durante sua permanência nas redondezas.

As carnes, excetuando a suína, que não é consumida por muçulmanos, comem-se todas. São famosos os “kebabs”, espetinhos de carne bovina moída, que também podem ser de carne ovina ou de aves. A carne tradicional do povo iraniano é a de carneiro.

O pão achatado que conhecemos aqui como pão sírio é bem-vindo em todas as refeições. Há versões com sementes e ervas aromáticas, consumidos com coalhada, iogurte, juntamente com a comida, de diversas formas.

“Ash-paz-khaneh” significa casa do cozinheiro e é a palavra que designa cozinha. Ash é o que conhecemos como sopa e dá para entender porque este prato é tão comum em todo o país. Encontra-se “ashes” de romã, lentilhas, frutas secas e trigo, dentre outras.

No Irã não há consumo de álcool. Pelo menos ninguém vende esse tipo de bebida legalmente, por causa dos costumes muçulmanos. Por isso, fazem sucesso as casas de chá, em que se pode beber, ler, fumar narguilé e conversar. Os iranianos se orgulham de possuir um dos melhores chás do mundo. Há um costume interessante: eles levam à boca os nabats, pequenos torrões de açúcar aromatizado com açafrão e deixam derreter. Só então ingerem a bebida. Esse costume pode ser visto no filme Casa de Areia e Névoa, em que um casal iraniano é fundamental à trama.

Outras bebidas suaves e aromáticas à base de ervas, flores, iogurte ou água gasosa são vendidas em garrafas. Café é muito caro e pouco consumido no Irã.

As sobremesas preferidas são as frutas, mas há doces deliciosos e sofisticados, que encantam os turistas.

Há um costume iraniano de ofertar comida e regalos gastronômicos aos amigos e conhecidos. Exemplos: presentear açafrão, torrões de açúcar, chá e temperos.

Fonte de informações e imagem: Mi, do Palácio do Shah

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