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Tag: Comida de rua

A Bolívia em São Paulo

Por Elis Marchioni | 15/10/2009, 16h39

feiraboliviana2668São Paulo tem vocação nata para receber imigrantes. Levas de europeus chegaram aqui no fim do século XIX e início do XX e introduziram massas, assados e temperos à culinária regional. Também vieram os asiáticos e com eles os paulistanos assimilaram exóticas combinações. Nos últimos anos, a cidade tem recebido imigrantes da África Subsaariana e hermanos latino-americanos.

As recentes contribuições gastronômicas vindas da mãe África ainda são pequenas. Depois que o Gamelas fechou, ficou mais difícil encontrar restaurantes ou mercearias que vendam produtos típicos. Apenas na região da Praça da República funcionam, clandestinos, alguns restaurantes restritos à comunidade africana.

Já nossos vizinhos da Bolívia, Colômbia e Peru estão mais à vontade. Bons restaurantes já figuram em qualquer guia gastronômico ou semanário. E existe a feira Kantuta – nome de uma flor andina – que reúne por volta de 80 barracas bolivianas no bairro do Pari. Lá encontramos malhas, objetos típicos, lembrancinhas, DVDs regionais e, é claro, muita comida boa.

Nas barracas de temperos, pimentas de todos os tamanhos, cores e ardências. “Esta é muito forte”, avisa a vendedora, indicando uma leguminosa preta e seca, de aparência similar a um pimentão. Há inúmeros tipos milho (fresco e seco), batatas, quinua, latarias, caixinhas de chá, pães e temperos desidratados, bacanas para levar pra casa e colorir algumas receitas.

Estive lá rapidamente com meu marido, irmã e sobrinha de quatro anos. Conferimos deliciosas saltenhas de frango, carne, queijo ou fricassê (carne suína) e empanadas como a puca capa, com pimenta plus. Pretendo voltar e me aventurar nas iguarias do altiplano, tal como as sopas e os aromáticos espetinhos de coração bovino, servidos com batatas e molhinho de amendoim.

Para beber, marca presença em toda a extensão da feira o refrigerante peruano Inca Kola, de cor amarela (caro, 600 ml custam cinco reais). Mais baratos, fazem sucesso o suco de amendoim e o delicioso refresco mocochinchi, feito com pêssego seco, água e especiarias. São lindos os vasos de refrescos repletos de bolinhas de pêssegos.

Para quem quiser experimentar em casa, encontrei uma receita:

Ingredientes
1 quilo de Mocochinchi (pêssego seco)

3 xícaras de açúcar

3 litros de água.

1 pau de canela (opcional)

Preparação
Na véspera, coloque os pêssegos em uma panela e cubra-os com  água. No dia seguinte, cozinhe-os por duas horas em água fervente com um pau de canela, até ficarem macios. Prepare uma calda com o açúcar até o ponto de caramelo leve.
No final do cozimento dos pêssegos, adicione o doce e bata até ficar completamente dissolvido. Retire do fogo e deixe esfriar. Sirva frio, com gelo e com uma fruta por copo. (Fonte: http://revistavamos.wordpress.com).

Feira Kantuta:

Onde: Rua das Olarias, esquina com Praça Kantuta (próxima à estação de metrô Armênia)

Dia e horário: todo domingo, das 11h às 19h.

Mais: cinco fotos

Site: http://www.kantutabrasil.com/

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