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	<title>De Bubuia &#187; amazonia</title>
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	<description>Blog da Elis Marchioni</description>
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		<title>O fim do Instituto Dalcídio Jurandir e preocupações futuras</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Apr 2008 19:05:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elis Marchioni</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Dalc�dio Jurandir" href="http://mulheresdeantenas.files.wordpress.com/2008/04/dal_com_fundo.jpg"></a></p>
<div style="text-align:center"><a title="Dalc�dio Jurandir" href="http://mulheresdeantenas.files.wordpress.com/2008/04/dal_com_fundo.jpg"><img src="http://mulheresdeantenas.files.wordpress.com/2008/04/dal_com_fundo.jpg" alt="Dalc�dio Jurandir" /></a></div>
<p>A notícia da extinção do <a title="Dalc�dio Jurandir" href="http://www.institutodalcidiojurandir.hpg.com.br/">Instituto Dalcídio Jurandir</a> na última segunda-feira caiu como bomba entre acadêmicos de Literatura Brasileira no Pará. As comunidades literárias do resto do Brasil nem ficaram sabendo. Ou não se importaram com o fato. Pudera, somente em 2003, com a fundação do Instituto e com a doação de todo o acervo do escritor para a <a title="Fundação Casa de Rui Barbosa" href="http://www.casaruibarbosa.gov.br/">Casa de Rui Barbosa</a> que o Estado do Rio de Janeiro tomou consciência da importância deste escritor, que está enterrado no Cemitério São João Batista, o mais famoso do Rio. Em São Paulo, os cursos de graduação e pós-graduação nem mencionam a existência dele.</p>
<p>Dalcídio Jurandir, morto em 1979, é considerado o maior romancista de toda a literatura amazônica. É autor de Chove nos Campos de Cachoeira, Marajó, Três Casas e um Rio, Belém do Grão-Pará, Passagem dos Inocentes, Ponte do Galo, Primeira Manhã, Os Habitantes, Chão dos Lobos e Ribanceira, obras que compõem o ciclo Extremo-Norte, e do romance operário Linha do Parque.</p>
<p>Suas obras sempre contaram com uma péssima distribuição nacional, publicações sem autorização e não pagamento de direitos autorais. As editoras nunca tiveram preocupação com o planejamento de novas edições, por isso, sem nenhum título nas prateleiras, um dos expoentes da segunda fase modernista foi condenado ao ostracismo. Na década de 90, comentavam-se, à boca pequena, que problemas familiares acerca de direitos autorais também eram motivos para a pausa nas reedições.</p>
<p>Isso mudou quando Ruy Pereira, sobrinho do escritor, fundou o Instituto Dalcídio Jurandir com a missão de resguardar e tirar do limbo a grande obra amazônica. Havia a promessa para a reedição dos títulos e o projeto da comemoração nacional do centenário de seu nascimento, em 2009. Agora, os dois filhos do escritor e a presidência do órgão, composta de Ruy e sua esposa, a professora Soraia Reolon Pereira, tiveram divergências e encerraram as atividades do IDJ.</p>
<p>Ruy Pereira me disse por e-mail que entre os motivos da extinção estão a &#8220;insatisfação pessoal dos herdeiros com a  lenta distribuição e venda dos livros através dos respectivos editores públicos que atualmente patrocinam todo o trabalho de proteção e promoção do acervo e da obra em questão&#8221;; e &#8220;obter resultados financeiros objetivos, mesmo com o risco de publicar os romances sem o devido tratamento editorial que sempre esteve por merecer o autor e que vem sendo realizado pela FCRB e pela EDUFPA&#8221;.</p>
<p>Os herdeiros alegam que o projeto só beneficiava o círculo acadêmico. De acordo com José Roberto Freire Pereira,  filho de Jurandir, não houve atritos entre a família e administração do instituto, mas afirmou que&#8221; o IDJ não estava atendendo o seu principal objetivo, que era levar a obra de Dalcídio ao grande público. O trabalho dele continua restrito ao meio acadêmico e intelectual, no qual já é consagrado&#8221;, explicou.</p>
<p>Em entrevista ao jornal paraense <a title="O Liberal" href="http://www.orm.com.br/oliberal/interna/default.asp?modulo=248&amp;codigo=334111">O Liberal</a>, José Roberto ainda disse que &#8220;o motivo da extinção do IDJ não passa de uma questão puramente lógica e estratégica&#8221;. E em relação à manutenção acervo doado à Casa de Rui Barbosa alegou que &#8220;foi assinado um Termo de Doação em julho de 2003, pelo então presidente da Fundação, José Almino de Alencar e Silva Neto, e nós, digo eu e minha irmã, Margarida Maria Benincasa. É para nós motivo de orgulho e segurança manter esse material nesta instituição do mais alto nível de credibilidade&#8221;, afirmou.</p>
<p><strong>Adendo:</strong></p>
<p>Carmem, esposa de José Roberto, ligou-me no sábado (05/04) e me esclareceu que não serão interrompidas as  reedições das obras com parceria da <a href="http://www.ufpa.br/eletras/index.htm">Universidade Federal do Pará</a>.  Eu havia comentado que o único livro reeditado pelo instituto, <a title="Belém do Grão Pará" href="http://www.ufpa.br/portalufpa/imprensa/noticia.php?cod=284">Belém do Grão Pará</a>, teve o aval dos acadêmicos e incluiu glossário de expressões e topônimos, além dos cuidados primorosos na edição (quem comprava os livros de Dalcídio editados pela <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Editora_Cejup">Cejup</a> pôde notar as diferenças). Enfim, vamos aguardar as novidades.</p>
<p>Carmem e José Roberto me pediram para corrigir o texto anterior, com base nas novas informações de O Liberal. Como jornalista, não posso deixar de ouvir os dois lados sempre, portanto, também mantive as alegações de Ruy Pereira.</p>
<p><em>Texto corrigido em 08/04/2008.</em></p>
<p>Leia <a title="Fim do IDJ" href="http://elismarchioni.multiply.com/journal/item/153/Ainda_sobre_o_fim_do_IDJ">aqui</a> a matéria completa sobre este assunto publicada em O Liberal de 07/04/2008.</p>
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		<title>O dia em que encontrei meu novo ídolo das Letras</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Nov 2007 06:10:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elis Marchioni</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conversa fiada]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[Após quinze dias de férias, cheguei de Belém do Pará carregando uma enorme bagagem: amigos de lá queriam presentear os amigos de cá e eu fiz o meio-de-campo. Trouxe livros, brinquedos de miriti, águas de cheiro, bombons de cupuaçu e de bacuri. A lista de presenteados era imensa e incluía professores da USP e Unicamp, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Após quinze dias de férias, cheguei de Belém do Pará carregando uma enorme bagagem: amigos de lá queriam presentear os amigos de cá e eu fiz o meio-de-campo. Trouxe livros, <a href="http://www2.uol.com.br/spimagem/livro/miriti.html" title="brinquedos de miriti">brinquedos de miriti</a>, águas de cheiro, bombons de cupuaçu e de bacuri. A lista de presenteados era imensa e incluía professores da USP e Unicamp, músicos e o escritor <a href="http://www.hottopos.com/collat6/milton1.htm" title="entrevista">Milton Hatoum</a>.</p>
<p>Era começo de 2001 e eu ainda não tinha lido o primeiro romance de Hatoum, mas sabia da conquista do <a href="http://www.eduquenet.net/relatooriente.htm" title="Relato de um Certo Oriente">prêmio Jabuti</a>. Liguei para ele e marquei de entregar o presente.</p>
<p>Cheguei ao seu apartamento e fui recebida com um lindo sorriso. O bonitão me chamou a atenção. Milton é moreno, cabelos grisalhos e tem um nariz marcante (tenho uma <i>tara</i> por narizes árabes e italianos). Fitei sua estante de livros  e um jacaré de mentirinha que adornava o chão de tacos reluzentes. Não reparei nos quadros da parede,  mas vibrei com os artefatos amazonenses. Ele me perguntou se eu gostava de ler. Contei que fui ao Pará para ver as paisagens de <a href="http://elismarchioni.sites.uol.com.br/" title="Dalc�dio Jurandir">Dalcídio Jurandir</a>.</p>
<p>Os olhos do ficcionista brilharam.</p>
<p>Deu-me bombons de cupuaçu e me perguntou um monte de coisas. Passamos uns quinze minutos falando dos livros dalcidianos até que comentei que não tinha lido alguns deles, embora os tivesse na minha cabeceira. Expliquei: os livros de Dalcídio têm uma certa ordem cronológica, excetuando o segundo, <a href="http://www.google.com/search?q=cache:-UIvQpOq7bIJ:www.ich.pucminas.br/posletras/Producao%2520docente/Audemaro/Marajo%2520romance%2520de%2520Dalcidio%2520Jurandir.pdf+maraj%C3%B3+dalc%C3%ADdio&amp;hl=pt-BR&amp;ct=clnk&amp;cd=1&amp;gl=br" title="Texto de Audemaro Taranto Goulart, professor da PUC Minas">Marajó</a>. Não quero passar a frente, atropelar o andamento da leitura.</p>
<p>Recebi dele uma resposta zangada: &#8220;não faça isso. Dalcídio não tem ordem nenhuma. Cada livro é único, não necessita de continuações&#8221;. Após a bronca, convidou-me para o lançamento de seu novo livro, <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=378355&amp;sid=00148454981217816455312111&amp;k5=1FE433B4&amp;uid=" title="Vale cada linha.">Dois irmãos</a> (não cheguei a ir, que estupidez!)</p>
<p>Saí de lá, decidida a ler um dos livros que esperavam na cabeceira. Li <a href="http://www.ufpa.br/portalufpa/imprensa/noticia.php?cod=284" title="Belém do Grão Pará">Belém do Grão Pará</a>. No meio da leitura, correu um frio na minha espinha. Soube do destino de um importante personagem e de algumas conseqüências disso. Mas eu não possuía o livro anterior, cuja história desdobrava&#8230; Fiquei brava. Irritada com o Milton Hatoum por descobrir o fato antes da hora.</p>
<p>Só dois anos depois consegui <i>Três casas e um rio</i>, o romance dalcidiano que preencheu as lacunas.</p>
<p>A lgum tempo se passou e Milton Hatoum conquistou seu segundo Jabuti, justamente com <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=378355&amp;sid=00148454981217816455312111&amp;k5=1FE433B4&amp;uid=" title="Comprem, leiam! É um desbunde.">Dois Irmãos</a>. Lembrei-me de nossa conversa, comprei o livro e&#8230;</p>
<p align="center"><b>simplesmente amei.</b></p>
<p>Desde <a href="http://www.paralelos.org/out03/000124.html" title="Um texto meu sobre DJ, publicado no paralelos.">Dalcídio Jurandir</a>, não lia nada que me emocionasse  tanto. Comprei o primeiro, <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=3097490&amp;sid=00148454981217816455312111&amp;k5=18CBD13E&amp;uid=" title="Bel�ssimo.">Relato de um certo Oriente</a>, e o texto também era excelente. Agora estou lendo seu terceiro romance, <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=824030&amp;sid=00148454981217816455312111&amp;k5=38C801A1&amp;uid=" title="...e já estou amando novamente.">Cinzas do Norte</a>, certa de que depois de Dalcídio, Hatoum é meu novo ídolo das Letras.</p>
<p>O engraçado é que toda vez que me lembro do escritor, também relembro o jacaré, o bombom e a bronca.  Sentimentos  que me acompanham a cada leitura de sua obra fantástica e que certamente influenciam no meu modo pessoal de entender suas histórias.</p>
<p><a href="http://mulheresdeantenas.files.wordpress.com/2007/11/milton-hatoum.jpg" title="Milton Hatoum"><img src="http://mulheresdeantenas.files.wordpress.com/2007/11/milton-hatoum.jpg" alt="Milton Hatoum" /></a></p>
<p>Imagem: Carta Capital</p>
<p><a href="http://mulheresdeantenas.files.wordpress.com/2007/11/milton-hatoum.jpg" title="Milton Hatoum"><br />
</a></p>
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