De Bubuia

Blog da Elis Marchioni

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O que é isso no seu prato?

Por Elis Marchioni | 26/08/2009, 13h11

Há algum tempo estava comentando um querido amigo que quando eu tinha uns dois anos gostava de comer carne crua com sal. Amava tomar suco de tomate na mamadeira e comer verduras amargas com alho. Também comia bolinhos de miolos, embora detestasse a textura… Ele me disse que quando era pirralho adorava comer pés de galinha e até chupava os dedinhos da ave. Aí, resolvi perguntar a alguns amigos o que comiam de estranho quando crianças. Selecionei algumas das respostas mais curiosas, vejam:

Vegetais: flores, pétalas de rosas, folhas, mato, trevo de três folhas, casca de mexerica e de laranja, arroz gelado com mostarda, tomate com açúcar, azeite de andiroba.
Carnes: lascas de bacalhau salgado cru, carne seca crua (e o sal grosso da carne seca), carne crua, fígado cru.
Absurdos: pão com banana e pasta de dente, papel, carvão, telha, cabeça do palito de fósforo, massinha de modelar, adubo, titica de galinha.

Do Relicário (17/08/2007). Apenas para espanar o pó enquanto eu não retorno às minhas atividades por aqui. :)

O fim do Instituto Dalcídio Jurandir e preocupações futuras

Por Elis Marchioni | 02/04/2008, 19h05

Dalc�dio Jurandir

A notícia da extinção do Instituto Dalcídio Jurandir na última segunda-feira caiu como bomba entre acadêmicos de Literatura Brasileira no Pará. As comunidades literárias do resto do Brasil nem ficaram sabendo. Ou não se importaram com o fato. Pudera, somente em 2003, com a fundação do Instituto e com a doação de todo o acervo do escritor para a Casa de Rui Barbosa que o Estado do Rio de Janeiro tomou consciência da importância deste escritor, que está enterrado no Cemitério São João Batista, o mais famoso do Rio. Em São Paulo, os cursos de graduação e pós-graduação nem mencionam a existência dele.

Dalcídio Jurandir, morto em 1979, é considerado o maior romancista de toda a literatura amazônica. É autor de Chove nos Campos de Cachoeira, Marajó, Três Casas e um Rio, Belém do Grão-Pará, Passagem dos Inocentes, Ponte do Galo, Primeira Manhã, Os Habitantes, Chão dos Lobos e Ribanceira, obras que compõem o ciclo Extremo-Norte, e do romance operário Linha do Parque.

Suas obras sempre contaram com uma péssima distribuição nacional, publicações sem autorização e não pagamento de direitos autorais. As editoras nunca tiveram preocupação com o planejamento de novas edições, por isso, sem nenhum título nas prateleiras, um dos expoentes da segunda fase modernista foi condenado ao ostracismo. Na década de 90, comentavam-se, à boca pequena, que problemas familiares acerca de direitos autorais também eram motivos para a pausa nas reedições.

Isso mudou quando Ruy Pereira, sobrinho do escritor, fundou o Instituto Dalcídio Jurandir com a missão de resguardar e tirar do limbo a grande obra amazônica. Havia a promessa para a reedição dos títulos e o projeto da comemoração nacional do centenário de seu nascimento, em 2009. Agora, os dois filhos do escritor e a presidência do órgão, composta de Ruy e sua esposa, a professora Soraia Reolon Pereira, tiveram divergências e encerraram as atividades do IDJ.

Ruy Pereira me disse por e-mail que entre os motivos da extinção estão a “insatisfação pessoal dos herdeiros com a lenta distribuição e venda dos livros através dos respectivos editores públicos que atualmente patrocinam todo o trabalho de proteção e promoção do acervo e da obra em questão”; e “obter resultados financeiros objetivos, mesmo com o risco de publicar os romances sem o devido tratamento editorial que sempre esteve por merecer o autor e que vem sendo realizado pela FCRB e pela EDUFPA”.

Os herdeiros alegam que o projeto só beneficiava o círculo acadêmico. De acordo com José Roberto Freire Pereira, filho de Jurandir, não houve atritos entre a família e administração do instituto, mas afirmou que” o IDJ não estava atendendo o seu principal objetivo, que era levar a obra de Dalcídio ao grande público. O trabalho dele continua restrito ao meio acadêmico e intelectual, no qual já é consagrado”, explicou.

Em entrevista ao jornal paraense O Liberal, José Roberto ainda disse que “o motivo da extinção do IDJ não passa de uma questão puramente lógica e estratégica”. E em relação à manutenção acervo doado à Casa de Rui Barbosa alegou que “foi assinado um Termo de Doação em julho de 2003, pelo então presidente da Fundação, José Almino de Alencar e Silva Neto, e nós, digo eu e minha irmã, Margarida Maria Benincasa. É para nós motivo de orgulho e segurança manter esse material nesta instituição do mais alto nível de credibilidade”, afirmou.

Adendo:

Carmem, esposa de José Roberto, ligou-me no sábado (05/04) e me esclareceu que não serão interrompidas as reedições das obras com parceria da Universidade Federal do Pará. Eu havia comentado que o único livro reeditado pelo instituto, Belém do Grão Pará, teve o aval dos acadêmicos e incluiu glossário de expressões e topônimos, além dos cuidados primorosos na edição (quem comprava os livros de Dalcídio editados pela Cejup pôde notar as diferenças). Enfim, vamos aguardar as novidades.

Carmem e José Roberto me pediram para corrigir o texto anterior, com base nas novas informações de O Liberal. Como jornalista, não posso deixar de ouvir os dois lados sempre, portanto, também mantive as alegações de Ruy Pereira.

Texto corrigido em 08/04/2008.

Leia aqui a matéria completa sobre este assunto publicada em O Liberal de 07/04/2008.

Dias de vinho e rosas

Por Elis Marchioni | 21/11/2007, 19h52

The Days Of Wine And Roses

Days of wine and roses chegou aqui com o título de Vício Maldito. Neste instigante filme de Blake Edwards, de 1962, Jack Lemmon é um relações-públicas que bebe doses extras de vinho para conter sua insatisfação pessoal. Sua apaixonada esposa o acompanha no vício pelo álcool, rumo a uma decadência sem volta.

Assim como o alcoólatra de Lemmon, quantos de nós não percebemos a lama subindo pelas canelas? Difícil é reconhecer o vício, saber o limite para não extrapolar. Há pouco tempo notei que uma colega tomava uma lata de leite condensado toda manhã, na mesa de trabalho. Às tardes, ela ainda comia bolos, docinhos, chocolates e balas. Estava viciada em açúcar e não percebia. Hoje, tem diminuído o consumo, mas ainda há docinhos espalhados perto do monitor. Um outro amigo está sempre “amaconhado”. Olhos vermelhos, fala mole e sorriso fácil denunciam-no. Mas ele não acredita no que dizemos.

Conheço meninos que passam o dia na frente de vídeogames, vítimas dos vícios modernos que incluem TV, internet, celular e jogos eletrônicos. Vejo mulheres que se entopem de chocolate, gente que bebe muito, que fuma, que não percebe o grau de sua entrega. Eu já assumi que sou viciada em cafeína. Amante de cafés gourmet e chá Ceilão, já passei a noite sem dormir por ter ingerido mais café do que deveria.

Um vício é sempre ruim, não há lado sutil. O próprio Houaiss nos dá a definição : “1. Defeito físico ou moral. 2. Tendência para o mal; depravação”. Não há rosas doces, apenas o vinho amargo, como na tradução brasileira do filme.

 

 

Mais sobre vícios.

 

The days of wine and roses é também o nome da belíssima canção-tema do filme, composta por Henry Mancini. Minha versão preferida desta música é a tocada pelo baixista Jaco Pastorius. Como não encontrei (que pena!), deixo a performance em piano de Haydn Huckle.

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