De Bubuia

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O que é isso no seu prato?

Por Elis Marchioni | 26/08/2009, 13h11

Há algum tempo estava comentando um querido amigo que quando eu tinha uns dois anos gostava de comer carne crua com sal. Amava tomar suco de tomate na mamadeira e comer verduras amargas com alho. Também comia bolinhos de miolos, embora detestasse a textura… Ele me disse que quando era pirralho adorava comer pés de galinha e até chupava os dedinhos da ave. Aí, resolvi perguntar a alguns amigos o que comiam de estranho quando crianças. Selecionei algumas das respostas mais curiosas, vejam:

Vegetais: flores, pétalas de rosas, folhas, mato, trevo de três folhas, casca de mexerica e de laranja, arroz gelado com mostarda, tomate com açúcar, azeite de andiroba.
Carnes: lascas de bacalhau salgado cru, carne seca crua (e o sal grosso da carne seca), carne crua, fígado cru.
Absurdos: pão com banana e pasta de dente, papel, carvão, telha, cabeça do palito de fósforo, massinha de modelar, adubo, titica de galinha.

Do Relicário (17/08/2007). Apenas para espanar o pó enquanto eu não retorno às minhas atividades por aqui. :)

Comida de “sustância”

Por Elis Marchioni | 30/06/2009, 15h03

O bairro da Liberdade, em São Paulo, é mesmo incrível. Só lá podemos encontrar, por exemplo, duas casas especializadas em comida de sumotori, os lutadores de sumô. São cardápios balanceados, que incluem carnes, verduras e legumes, acompanhados de uma generosa porção de arroz.

Com as paredes cobertas com fotos de sumotoris, o restaurante Bueno prepara o chanko nabe: caldeirada de tiras de carne de porco ou frango com verduras, preparado por Fernando Yoshinobu Kuroda, um ex-lutador de sumô que disputou campeonatos no Japão.
Já no bar típico Kintarô, o cliente prova vários petiscos que fazem parte da alimentação desses atletas, como a salada de polvo com pepino, a bardana apimentada e os oniguiris, bolinhos de arroz rechados com ameixa azeda umê. Rango de peso é o oden, ensopado feito na panela elétrica, que leva legumes, ovos e peixes. Uma família de lutadores de sumô comanda o bar.

Quer provar?

Bueno – Rua Galvão Bueno, 458, tel: 3203-2215

Kintarô – R. Tomás Gonzaga 57,  tel: 3277-9124

E, aqui, uma entrevista com Fernando Yoshinobu Kuroda, dono do restaurante Bueno.

Imagem: Sumotori em Ukiyo-ê (não tenho o autor).

Postado originalmente em 30 de maio de 2008, no Relicário.

Uma pausa para o chá

Por Elis Marchioni | 23/04/2008, 04h23

“O Chá nada mais é do que isto:
Primeiro você aquece a água,
Depois você prepara o chá.
Depois você bebe adequadamente.
Isso é tudo o que você precisa saber.”
Sen Rikyu (1522-1591)

Aí vem as Olimpíadas de Pequim e com ela todas as manifestações pró-libertação do Tibete. É uma pena que outros países boicotem os jogos olímpicos por problemas políticos. O Tibete tem todo direito de fazer protestos e a hora para chamar a atenção mundial é essa. Mas acho lastimável a forma de retaliação chinesa, a censura daquele país e também e a parcial cobertura da mídia ocidental. Tenho acompanhado as notícias via blog No Oriente, acho que é uma boa leitura a quem se interessar pelo assunto.

Mas não era pra falar nem de Olimpíada e nem de Tibete que comecei esse post. A China é um dos berços da civilização moderna e só podemos aprender com sua cultura milenar. Sabe-se que muito do que conhecemos hoje como arte (marcial, estética oriental, culinária) foi levada por monges budistas que migravam da Índia e China para outros países e depois incorporavam as influências do novo lugar.

É essa a origem do ritual de tomar chá verde, conhecido como Cerimônia do Chá. Trata-se da arte de preparar, servir e saborear a bebida em companhia de convidados. Mais do que uma cerimônia, o chá é um dos caminhos para trazer equilíbrio e paz interior a todos os participantes.

A palavra chá ganhou no Japão o sufixo dô, que significa caminho. O chado nada mais é do que um veículo para meditação e tem inspiração em quatro princípios básicos: wa (harmonia), kei (respeito), sei (pureza) e jaku (tranqüilidade).

Foram os monges zen que levaram esse ritual para o Japão. Lá, a estética japonesa aprimorou cada detalhe – do jardim verdinho da espera, ao lugar cuidadosamente elaborado para esvaziar a mente com arranjo de flores, à escolha de cerâmicas sóbrias, ao uso do quimono pelas mulheres, ao pergaminho com caligrafia japonesa pendurado na parede. Ali os convidados se acomodam da melhor maneira e degustam o matcha – chá verde em pó – enquanto dividem momentos de sabedoria e respeito com o próximo.

Para oferecer esse ritual é preciso muito treino, mas a essência é fácil de praticar. Chame alguns amigos, pense em assuntos agradáveis para falar, coloque música ambiente leve, providencie alimentos que combinem, arrume o local com muito cuidado para que todos se sintam à vontade. Enquanto serve o chá, transmita simplicidade, para não deixar ninguém sem jeito, e tranqüilidade. Converse baixo, a intenção é apenas apreciar bons momentos e não fazer uma festa.

Eu faço uma pausa para o chá todos os dias para mim mesma. Arrumo um cantinho, seleciono a erva, escolho a melhor xícara e, às vezes, ouço uma música instrumental. Tem dias que bebo devagar, de olhos fechados. Também faço isso no jardim, entre roseiras e camélias. Estou a anos-luz do que é realmente o chado, mas como é bom ter esse momento só para mim.

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