De Bubuia

Blog da Elis Marchioni

50 anos sem Dolores Duran

Por Elis Marchioni | 24/10/2009, 18h33

capa do CD Entre Amigos

Dama da dor de cotovelo, triste, melodramática e qualquer outro adjetivo down já foram associados à Dolores Duran. Felizmente, 50 anos após sua morte, sua música é apreciada por novas gerações e há uma espécie de “redescoberta” de sua importância para a história da música popular brasileira. Não é para menos, além de grande compositora, Dolores era excelente intérprete – até Ella Fitzgerald elogiou sua versão para My Funny Valentine.  Se parte das canções apresentavam um tom melancólico, outras eram alegres e inspiradas como Estrada do Sol, em parceria com Tom Jobim, que festeja até os pingos da chuva.

Dolores flertou com a bossa nova e só não participou mais ativamente porque morreu precocemente, em 24 de outubro de 1959, pouco antes do movimento estourar no Brasil e no mundo.  Após sua morte, teve canções cantadas pela nata da MPB em inúmeras coletâneas e homenagens. “Por causa de você” ganhou versão em inglês (Don’t ever go away) e foi gravada por Frank Sinatra em seu disco Sinatra & Company, em 1971.

Hoje, Dolores Duran é considerada a primeira grande compositora da história da MPB, parceira de Tom Jobim e Billy Blanco; precursora da bossa nova, ótima letrista e intérprete.  Neste aniversário de morte, alguns discos em sua homenagem foram (re)lançados, bem como livros biográficos. Até uma dramatização de sua vida figurou em um programa televisivo produzido pela Rede Globo, dentro da série Por Toda a Minha Vida.

Dos discos comemorativos, o que mais chamou a atenção foi o CD Entre Amigos, lançado pelo selo Biscoito Fino, que emocionou todo fã da cantora: reproduções de uma jam session realizada na casa de Geraldo Casé, em que participam Dolores, Baden Powell, Manoel da Conceição e Chiquinho do Acordeom. Como bônus, o CD traz três faixas-bônus de um distante 1953, gravadas na casa do casal Marques de Azevedo, avós da cantora Marisa Monte.

Dizem por aí que ainda existem canções inéditas. Só nos resta esperar.

A Bolívia em São Paulo

Por Elis Marchioni | 15/10/2009, 16h39

feiraboliviana2668São Paulo tem vocação nata para receber imigrantes. Levas de europeus chegaram aqui no fim do século XIX e início do XX e introduziram massas, assados e temperos à culinária regional. Também vieram os asiáticos e com eles os paulistanos assimilaram exóticas combinações. Nos últimos anos, a cidade tem recebido imigrantes da África Subsaariana e hermanos latino-americanos.

As recentes contribuições gastronômicas vindas da mãe África ainda são pequenas. Depois que o Gamelas fechou, ficou mais difícil encontrar restaurantes ou mercearias que vendam produtos típicos. Apenas na região da Praça da República funcionam, clandestinos, alguns restaurantes restritos à comunidade africana.

Já nossos vizinhos da Bolívia, Colômbia e Peru estão mais à vontade. Bons restaurantes já figuram em qualquer guia gastronômico ou semanário. E existe a feira Kantuta – nome de uma flor andina – que reúne por volta de 80 barracas bolivianas no bairro do Pari. Lá encontramos malhas, objetos típicos, lembrancinhas, DVDs regionais e, é claro, muita comida boa.

Nas barracas de temperos, pimentas de todos os tamanhos, cores e ardências. “Esta é muito forte”, avisa a vendedora, indicando uma leguminosa preta e seca, de aparência similar a um pimentão. Há inúmeros tipos milho (fresco e seco), batatas, quinua, latarias, caixinhas de chá, pães e temperos desidratados, bacanas para levar pra casa e colorir algumas receitas.

Estive lá rapidamente com meu marido, irmã e sobrinha de quatro anos. Conferimos deliciosas saltenhas de frango, carne, queijo ou fricassê (carne suína) e empanadas como a puca capa, com pimenta plus. Pretendo voltar e me aventurar nas iguarias do altiplano, tal como as sopas e os aromáticos espetinhos de coração bovino, servidos com batatas e molhinho de amendoim.

Para beber, marca presença em toda a extensão da feira o refrigerante peruano Inca Kola, de cor amarela (caro, 600 ml custam cinco reais). Mais baratos, fazem sucesso o suco de amendoim e o delicioso refresco mocochinchi, feito com pêssego seco, água e especiarias. São lindos os vasos de refrescos repletos de bolinhas de pêssegos.

Para quem quiser experimentar em casa, encontrei uma receita:

Ingredientes
1 quilo de Mocochinchi (pêssego seco)

3 xícaras de açúcar

3 litros de água.

1 pau de canela (opcional)

Preparação
Na véspera, coloque os pêssegos em uma panela e cubra-os com  água. No dia seguinte, cozinhe-os por duas horas em água fervente com um pau de canela, até ficarem macios. Prepare uma calda com o açúcar até o ponto de caramelo leve.
No final do cozimento dos pêssegos, adicione o doce e bata até ficar completamente dissolvido. Retire do fogo e deixe esfriar. Sirva frio, com gelo e com uma fruta por copo. (Fonte: http://revistavamos.wordpress.com).

Feira Kantuta:

Onde: Rua das Olarias, esquina com Praça Kantuta (próxima à estação de metrô Armênia)

Dia e horário: todo domingo, das 11h às 19h.

Mais: cinco fotos

Site: http://www.kantutabrasil.com/

O que é isso no seu prato?

Por Elis Marchioni | 26/08/2009, 13h11

Há algum tempo estava comentando um querido amigo que quando eu tinha uns dois anos gostava de comer carne crua com sal. Amava tomar suco de tomate na mamadeira e comer verduras amargas com alho. Também comia bolinhos de miolos, embora detestasse a textura… Ele me disse que quando era pirralho adorava comer pés de galinha e até chupava os dedinhos da ave. Aí, resolvi perguntar a alguns amigos o que comiam de estranho quando crianças. Selecionei algumas das respostas mais curiosas, vejam:

Vegetais: flores, pétalas de rosas, folhas, mato, trevo de três folhas, casca de mexerica e de laranja, arroz gelado com mostarda, tomate com açúcar, azeite de andiroba.
Carnes: lascas de bacalhau salgado cru, carne seca crua (e o sal grosso da carne seca), carne crua, fígado cru.
Absurdos: pão com banana e pasta de dente, papel, carvão, telha, cabeça do palito de fósforo, massinha de modelar, adubo, titica de galinha.

Do Relicário (17/08/2007). Apenas para espanar o pó enquanto eu não retorno às minhas atividades por aqui. :)

Fazendo nada (e sem culpa!)

Por Elis Marchioni | 08/07/2009, 16h47

Uma pilha de roupas para passar. Um texto para escrever. A louça de ontem que ainda está na pia. E daí? Eu quero é deitar no sofá com os gatos, ouvir o disco da Cat Power. Neste momento, não tenho vontade de fazer outra coisa. Não agora. Afinal, eu não sou obrigada a passar o dia cumprindo tarefas. Quando quiser, estiver com vontade, as farei com prazer. Agora é hora de desfrutar o nada.

Aliás, tem até um clube para isso. O designer Marcelo Boher criou em 2006 o Clube de Nadismo, que tem como símbolo um grande cubo branco. Em seu site, ele diz que deseja “acabar com a pressão sufocante de estar sempre correndo atrás de um objetivo, de ter que estar o tempo todo fazendo algo que seja produtivo, útil, eficiente, rápido, dentro do prazo”. Eu também, ufa!

Comida de “sustância”

Por Elis Marchioni | 30/06/2009, 15h03

O bairro da Liberdade, em São Paulo, é mesmo incrível. Só lá podemos encontrar, por exemplo, duas casas especializadas em comida de sumotori, os lutadores de sumô. São cardápios balanceados, que incluem carnes, verduras e legumes, acompanhados de uma generosa porção de arroz.

Com as paredes cobertas com fotos de sumotoris, o restaurante Bueno prepara o chanko nabe: caldeirada de tiras de carne de porco ou frango com verduras, preparado por Fernando Yoshinobu Kuroda, um ex-lutador de sumô que disputou campeonatos no Japão.
Já no bar típico Kintarô, o cliente prova vários petiscos que fazem parte da alimentação desses atletas, como a salada de polvo com pepino, a bardana apimentada e os oniguiris, bolinhos de arroz rechados com ameixa azeda umê. Rango de peso é o oden, ensopado feito na panela elétrica, que leva legumes, ovos e peixes. Uma família de lutadores de sumô comanda o bar.

Quer provar?

Bueno – Rua Galvão Bueno, 458, tel: 3203-2215

Kintarô – R. Tomás Gonzaga 57,  tel: 3277-9124

E, aqui, uma entrevista com Fernando Yoshinobu Kuroda, dono do restaurante Bueno.

Imagem: Sumotori em Ukiyo-ê (não tenho o autor).

Postado originalmente em 30 de maio de 2008, no Relicário.

Mais no Dialetica.org:
Creative Commons 2008 - 2013 Alguns direitos reservados • Dialetica.org utiliza WordPress 3549 WordPress