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Dicas para Interlagos

Por Cassio Politi | 17/08/2009, 20h10

Estão abertas as inscrições para o Ayrton Senna Racing Day 2009, prova que acontece em novembro no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Eis um breve manual para o percurso cheio de altos e baixos — literalmente.

Localize cada trecho no mapa que vem logo abaixo do texto. E treine para subidas, que são puxadas.

Boxes
Normalmente a largada é feita dos boxes. O trecho inicial é plano, reto e curto. Pode acelerar. O que virá em seguida é uma descida, localizada na saída dos boxes, aquela que acompanha o “S” do Senna.

Reta Oposta
Trecho plano, com leve declínio. Vale a pena manter o ritmo médio ou forte.

Curva do Lago
Aproveite bem essa descida para tomar fôlego. Você estará prestes a entrar no misto, onde seu preparo para subidas será testado.

Ferradura
Começa a subida, ainda leve. O trecho onde se faz a curva para a direita é de leve inclinação. Já o pedaço que antecede o Laranjinha é plano. Dá para recuperar o fôlego. Dali, é possível visualizar bem a Subida do Café.

Pinheirinho
Antes de contornar a curva conhecida como Pinheirinho, vem uma breve descida. Caso tenha acelerado mais do que devia até aqui, aproveite agora para recuperar o fôlego. Você precisará dele em breve.

Bico de Pato
A subida agora é curta, mas um pouco mais íngreme que a anterior.

Mergulho
Como o nome sugere, trata-se de uma descida. É a última antes do trecho mais difícil. Concentre-se.

Subida do Café
Não é tão longa, mas é íngreme e — pegando emprestado o jargão do automobilismo — é feita em uma curva “cega”. Ou seja, não é possível enxergar o final dela. Quem nunca correu ali perde a noção de onde exatamente acaba a inclinação.

Reta dos boxes
Começa no plano, depois vem leve descida e, então, leve subida.

“S” do Senna
É muito similar à saída dos boxes. Em algumas provas de revezamento, os corredores não chegam a passar pelo “S” do Senna. De qualquer forma, é a descida que serve de recompensa por ter passado pela Subida do Café. Ao mesmo tempo, faz um lembrete: a subida do Café ressurgirá sob seus pés dali a 4 quilômetros.

Saldo da Super 9k Montevérgine é positivo

Por Cassio Politi | 09/07/2009, 13h50

Chegada no Autódromo de Interlagos

A temperatura amena combinada com o céu azul ajudou os participantes da Super 9K Montevérgine a superarem o implacável percurso do Autódromo de Interlagos. A prova, disputada nesta quinta-feira, feriado de 9 de julho em São Paulo, teve o número ideal de atletas.

As inscrições se esgotaram rapidamente. A Yescom, organizadora do evento, preservou o limite máximo de participantes — e por tabela a qualidade do evento.

A escolha do local foi muito feliz. As provas realizadas no Autódromo sempre trazem o mesmo benefício: fácil estacionamento, fácil acesso, comodidade para quem corre e para quem acompanha os atletas.

Cronômetro ligado
Nos primeiros 500 metros, os corredores já haviam se dispersado suficientemente para que cada um conseguisse desenvolver seu próprio ritmo. Os postos de água também foram distribuídos adequadamente. O mais importante deles ficou posicionado no Pinheirinho. Escolha inteligente: esse trecho precede a temida subida da Curva do Café.

Outro aspecto positivo: as placas indicaram claramente a distância percorrida tanto para quem correu 4,5 km quanto para quem optou por 9 km — neste caso, eram duas voltas.

Kits
Um ponto a melhorar é a entrega dos kits, que esteve restrita à loja Centauro, no Bourbon Shopping. Muitos corredores tiveram de se virar para retirar na Zona Oeste de Sâo Paulo, em dias úteis, o kit para uma prova marcada para Interlagos, Zona Sul — muito ao sul — da cidade.

Embora a retirada antecipada de kits seja melhor do que a retirada no dia da prova, seria melhor se houvesse mais pontos na cidade. A Centauro, por exemplo, tem 18 de suas 80 lojas na capital paulista.

Vencida a restrição de local, a surpresa foi boa: a camisa é de ótima qualidade. As mangas compridas serão úteis para quem tem um inverno pela frente para treinar.

Balanço
Uma vez que o maior problema observado não foi dos maiores, o saldo para quem participou da prova foi altamente positivo.

Em tempo: Montevérgine é a fabricante dos torrones. Apoia frequentemente corridas de rua. Com isso, conquista a simpatia de parte dos mais de 4 milhões de praticantes desse esporte no Brasil.

Curva do Café: fácil de Ferrari, sufocante de tênis

Por Cassio Politi | 19/04/2009, 08h30

É ali, naquela curva aberta para a esquerda, que o piloto acelera fundo. Vai ganhando velocidade e, mais alguns segundos adiante, passa pela linha de chegada do Autódromo de Interlagos. Esse trecho se chama Curva do Café. Dizem que o nome é esse porque ali se sentia o cheiro que vinha de indústrias da região que armazenavam café, mas há outras versões.

A câmera instalada em carros de Fórmula 1, Stock Car e outras categorias mostram que o carro sobe uma ladeira. Por isso, alguns preferem chamar de “Subida do Café”.

Por que é que eu estou tratando de automobilismo neste blog de corrida? Por uma razão: em todo último trimestre do ano acontece no autódromo o Ayrton Senna Racing Day, uma maratona de revezamento charmosa pela temática em si. São pouco mais de 5 km por volta. As equipes podem ser compostas de 1, 2, 4 ou 8 pessoas.

É emocionante passar pelos trechos conhecidos do autódromo: saída dos boxes que acompanha o S do Senna, Curva do Sol, Reta Oposta, Pinheirinho, Bico de Pato. Aí vem o mergulho. Logo depois, o Café.

Algumas linhas acima, redigi “ladeira acima”. O correto seria “pirambeira acima”. A bordo de uma Ferrari, realmente não passa de uma rampinha. Mas bordo de um par de tênis, trata-se de um pequeno Everest.

A subida é longa, íngrime e inclinada para a esquerda. Correr com um pé no asfalto e outro na zebra funciona, mas sob chuva é melhor não tentar se equilibrar em cima da zebra, muito escorregadia. No final da curva do Café, tem-se a ilusão de que a subida acaba. Mas não: ela continua a castigar na Reta dos Boxes. É lá, nos boxes, que o corredor passa a pulseira ao colega antes de, finalmente, relaxar.

Essa prova traz na sua essência valores daquele que foi, a meu ver, o maior ídolo do esporte brasileiro. Mas, para encarar Interlagos, é preciso seguir um dos vários exemplos que Senna nos deu: preparar-se bem.

A imprudência poderia ter sido, literalmente, fatal

Por Cassio Politi | 15/04/2009, 08h18

Era o último treino antes de uma maratona de revezamento disputada anualmente no autódromo de Interlagos, a Ayrton Senna Racing Day 2007. Corríamos em grupo em um parque cheio de aclives.

Com menos de 10 minutos trotando, notei que havia algo errado. É cansaço. Fui em frente. Trabalho, MBA, treinos e outras atividades tinham surrupiado parte das minhas horas de sono. Nessas condições, é normal sentir-se cansado às 7h de uma manhã fria de treino, diagnostiquei.

Meu corpo, porém, não aceitou a explicação e mandou novos sinais assim que aceleramos. Veio uma espécie de calafrio na nuca. Depois, uma súbita vontade de ir ao banheiro.

“Que houve? Você está da cor da sua camisa”, espantou-se o treinador-amigo-conselheiro-incentivador Paulo Oliveira. Minha camisa obviamente era branca.

Parei e o Paulo parou comigo. “Como está sua frequência cardíaca?”. Não sei. Não faço idéia. A pilha do frequencímetro (aparelho que monitora o ritmo cardíaco) havia acabado havia alguns dias e decidi não repô-la. Eu tinha criado a estúpida tese de que a medição das pulsações limitava minha performance.

Acabei correndo a prova com cautela. Dias depois, voltei a um médico que eu visitara dois dias antes do treino medonho. Por um pequeno problema de saúde — sem relação com a corrida —, eu começara a tomar um remédio que provoca taquicardia. O médico foi direto: “você poderia ter morrido”.

Tive um pensamento mórbido: se eu tivesse caído duro no treino, o médico seria colocado em xeque. Por que não alertou para a taquicardia? Por que esses remédios não trazem mais claramente a informação na bula? Queremos a cassação do médico! Queremos o médico na cadeia! Mudança na regulamentação já!

Discussões legais à parte, devo ser franco: o grande negligente nessa história toda fui eu, que abri mão do frequencímetro.

Felizmente, de concreto, ficou só a lição.

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